De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Sobre o medo do Corona Virus

Essa semana que passou o Taz, meu marido, ficou doente.

Começou na noite de segunda feira. Ele havia saido para acertar umas coisas do projeto que estamos montando e quando voltou no meio pro fim da tarde reclamava que se sentia mal. Uma dor de cabeça e dor de garganta.

Naquela noite ele já estava um pouco febril, mais quente que o normal, na hora de dormir. Na manhã de terça ele mal conseguia levantar devido a dor no corpo, nas juntas, e a falta de força. A garganta doia muito e ele estava com dificuldade para engolir. A respiração também estava dificil e ele, asmatico, se cansava muito rapido.

Nós já estavamos preocupados e ficamos sabendo que a familia de uma pessoa que tivemos contato apresentava sintomas de COVID semelhantes aos dele. Nosso alerta tocou e ele tentou ir ao PS pela primeira vez.

Antes de tentar ir no PS ele fez uma teleconsulta com um medico credenciado do convenio. O medico não passou nem pedido para exames e nem medicação, disse apenas que ele deveria ir ao PS. Ou seja, não ajudou em nada. Ele foi para o PS...

A primeira tentativa foi em um hospital particular da nossa cidade que atende pelo nosso convenio. Ele chegou lá para fazer a triagem e logo foi informado que o hospital estava lotado, que eles não estavam fazendo o exame de COVID e o encaminharam para o hospital municipal.

No hospital municipal não foi diferente. Também lotado, o encaminharam para um PS de bairro. Mas avisaram que também não estavam efetuando os testes.

Cansado, frustrado, e sabendo que não iriam nem investigar seu caso, ele voltou pra casa. Pensamos em fazer o exame num laboratorio particular, mas nossa filha mais velha que mora com a mãe insistiu que ele tentasse ir ao PS que costumamos leva-la em SP. Referencia do convenio ele teria mais chances de ser atendido lá.

Na quarta feira, ainda muito mal, com febre a noite toda, sem conseguir dormir por não respirar direito e com muito medo, ele foi ao PS de referencia. Lá ele foi atendido. Bem atendido.

Passou pela triagem, o admitiram, a medica achou o caso suspeito e pediu alguns exames: sangue, raio-x, exames de COVID. Com os resultados, passaram uma medicação para diminuir a febre e a dor, a médica disse que acreditava não ser COVID por faltarem alguns elementos chave no quadro já que o pulmão dele parecia limpo. Mas o exame de COVID ainda não estava pronto, só sairia o resultado dali alguns dias. Ela o tranquilizou, pediu que voltasse para casa e tomasse a medicação que ela iria prescrever corretamente e repousasse, evitasse sair de casa pelo menos até o resultado do exame ficar pronto. No entanto se em 3 dias ele não apresentasse melhora e continuasse com febre e falta de ar que ele retornasse ao hospital pois ela iria interna-lo.

Perguntou se ele entendia, ele disse que sim.

No mesmo dia compramos os remedios - antibiotico, antinflamatorio, anaslgesico. Ele começou a tomar logo que compramos.

Na noite de quarta para quinta ele ainda teve febre mas suou a noite toda, efeito da medicação, e acordou na quinta feira sem febre.

Nós não estavamos preparados para ficar totalmente sem sair e eu precisei pedir ajuda a um amigo para ir comigo fazer compras de modo que pudessemos ficar em casa. Esse amigo já havia sido exposto a nós em outros dias da semana anterior e estava disposto a vir ajudar. Foi importante e nos trouxe tranquilidade muito mais do que apenas a parte pratica do ir e vir. Isso permitiu que Taz ficasse na cama e descansasse bastante.

Na sexta feira Taz já acordou muito melhor. Com os remedios começando a fazer efeito a febre não apareceu mais, a respiração começou a melhorar e a garganta já doia muito menos e ele já conseguia se alimentar melhor. Ja estava bem mais disposto e conseguia falar e conversar um pouco mais apesar de se cansar e perder o folego se insistisse muito.

Sabado... Domingo... No Domingo Taz já parecia outra pessoa. Ainda cansado, mas de bom humor, conseguia ficar muito mais tempo acordado e bem disposto. Brincou com o cachorro, insistiu em leva-lo para passear, lavou um pouco da louça, fez varias video chamadas com os amigos, conversou com nosso amigo, que como eu disse antes estava aqui nos ajudando esse dias, por muito mais tempo. Jogaram jogos de celular juntos. Sorriu. Deu risada.

No domingo a noite o exame dele de COVID ficou pronto e eu pude pegar o resultado pela internet: Negativo. Ele não esta com COVID. Foi um alivio. Como se fosse tirado uma sentença de suas costas. O medo é algo muito poderoso e muito pesado de se carregar.

Desviamos dessa vez. Demos sorte essa é bem a verdade.

Não podemos ficar em casa o tempo todo. Não podemos mais nos dar a esse luxo pois precisamos voltar a ter uma renda mais substancial e não apenas um auxilio e a ajuda de outras pessoas. Seguimos a quarentena como possivel mas chegamos ao limite e tivemos que traçar um plano de exposição e risco controlado. Mesmo assim, ele ficou doente e foi o medo que pairou como uma nuvem durante toda a semana aqui. Nossos amigos que estavam a par de sua condição de saude e de nossos receios acompanhavam de longe também apreensivos.

Como lidar com essa situação? Como lidar com a ineficacia dos protocolos que deveriam ser seguidos por não poder mais ficar em casa? Como lidar com o medo e com a responsabilidade? E com o medo de ser você o responsavel por eventualmente levar essa mesma vivencia para outras pessoas, outros lugares, outras familias que talvez não tenham a mesma sorte que você?

As coisas poderiam ter sido diferentes por aqui. É importante que saibamos disso.

Eu preferia não ter vivido isso e ao mesmo tempo estou grata por ter sido só um susto. E que ele me lembre que é importante continuar se cuidando. Mesmo que aqui a gente continue não podendo ficar mais em casa e ter que continuar com a nossoa propria flexibilização, no tempo certo quando Taz estiver recuperado totalmente... Extendendo nossa quarentena a poucos lugares e encontrando poucas pessoas de forma controlada, pessoas essas que também estão cientes do risco e aceitaram essas condições.

Mas não deveria ser assim. Não mais. Não depois de tanto tempo...

Me desculpem se nem sempre podemos ser um exemplo do ideal. Aqui trabalhamos com o possível.

Então, se pra você for possível, fique em casa.

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