De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!

sábado, 24 de abril de 2021

Me Ame

 Me ame.

Me ame um pouco hoje,

E me ame um pouco mais amanhã.

Me ame todos os dias,

Até o dia que o amor acabar.

E se esse dia realmente chegar,

Me ame mais ainda,

Pra que esse amor possa voltar a queimar.

Me ame todos os dias

Enquanto o mundo girar.

Me ame muito, 

e pouco, 

e me ame mais. 

Me ame dia e noite, 

enquanto o sol ou a lua brilhar...

Me ame,

Para que juntos,

De mãos dadas,

Possamos o caminho trilhar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Apoia.se Mãe Bipolar Filha Jacaré!

 Queridos amigos, seguidores, pessoas queridas do meu coração. Depois de muitos anos eu decidi me aventurar e tentar uma coisa nova aqui no blog. Criei uma campanha de financiamento coletivo para ajudar a manter o Blog!

Sim!


Agora o Blog Mãe Bipolar Filha Jacaré tem um Apoia.se !

https://apoia.se/maebipolar


Segue abaixo a descrição:


Olá pessoas queridas! A vida tem dessas, não é mesmo? Eis que depois de 11 anos mantendo o Blog Mãe Bipolar Filha Jacaré me vejo navegando em águas desconhecidas. Eu gosto muito de escrever o Blog e manter esse registro do meu cotidiano.


Ha 11 anos atras eu comecei o Blog com a intenção de ter um espaço para dividr essa experiência de ser uma pessoa com Transtorno Bipolar que decidiu ser mãe, apesar de todas as dificuldades inerentes a isso. Mais como um exemplo de como é a vida, para que outras pessoas que como eu e se veem com um novo rotulo entre tantos da vida, pudessem encontrar nas minhas histórias um lugar de conforto, de reconhecimento, e não se sentissem sozinhas em seus mundos e indagações.

Ao longo de todos esses anos eu conheci pessoas incríveis, tive várias oportunidades, tentei ajudar quem me procurou como pude, e mudei. Mudei muito. E a cada fase, a cada tombo, a cada acerto, eu tentei trazer da melhor forma as minhas experiências, passadas, presentes, e expectativas de futuro. Sempre de um jeito que você pudesse se sentir acolhido como eu gostaria de ser.


E eu quero poder continuar a fazer isso. Quero mesmo. E é aqui que você entra. Com uma pequena contribuição pra ajudar essa pessoa aqui a se manter e poder dedicar um pouco do meu tempo e carinho para continuar esses relatos, que eu espero ja tenham te trazido algo bom.

A cada meta atingida é um texto a mais por mês que eu me comprometo a publicar, para que você possa continuar acompanhando essa jornada.

Então bora ajudar a manter o Blog?


Acesse a nossa página no Apoia.se, compartilhe com os amigos e ajude o Mãe Bipolar a se manter por aqui!


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Porque eu (quase) nunca grito

 

Aviso de Gatilho - alguns assuntos abordados podem servir de gatilho para pessoas em momento de fragilidade. 

2021 não começou fácil pra mim. Me sentindo deprimida e sobrecarregada, problemas financeiros, com a família, o trabalho não indo pra frente porque todos estão passando por algum processo pessoal que demanda atenção e tempo. Já bastante fragilizada, acabei entrando em uma discussão em que algo aconteceu que simplesmente me devastou por dias.


Eu tive que gritar.


Eu não grito. Eu posso, numa discussão, levantar a voz, mas isso é diferente de gritar. De perder o controle. Eu não grito.

E existe um motivo para que eu evite discussões e, especialmente, gritar a quase qualquer custo. E é sobre isso que quero falar.

Eu conversei com um amigo sobre o que havia ocorrido e enquanto ele me confortava ele perguntou porque eu fazia isso. Porque eu me segurava tanto. Porque eu aguentava situações que mereciam um grande "Vai tomar no C..." em silencio, ou me controlando. Se as vezes eu não deveria me dar o direito de não me controlar.

E eu pensei, e tentei explicar.


Em 2002, 2003, quando eu tive a minha maior crise que me levou a ser internada, foi um momento da minha vida que eu não tinha nenhum controle das minhas emoções. Tudo era demais, intenso demais, forte demais, dolorido demais. Eu sentia uma dor dentro de mim que eu não sou capaz de descrever. Uma vez eu me referi a ela como "uma dor na alma" e já ouvi essa descrição de outras pesssoas. 

Era insuportavel. Eu me sentia presa naquela dor. Eu sentia a necessidade de me machucar fisicamente para tentar colocar pra fora de mim a dor que eu sentia por dentro. E quando eu perdia o controle, naquele momento, tudo aquilo, toda aquela dor, me dominava, eu tremia, chorava, e sentia que não podia suportar aquilo tudo.


Mas eu faço tratamento desde então e eu nunca mais tive uma crise igual a essa. Mesmo. Tive outras crises mas nunca mais cheguei tão fundo.


Mas tem esse porém. 

Eu vivo me controlando o tempo todo. O tempo todo. Existe esse fantasma que me segue e com o qual eu convivo todos os dias de saber que um dia isso pode sim acontecer de novo. E me controlar foi o meu jeito de aprender a lidar com as crises mais leves que vieram e administrar meus sentimentos de novo.

Mas discutir é uma coisa complicada, né? Como discutir sem sentir a emoção ficar mais forte? Sem se exaltar?

Pois eu tento. Muitas vezes consigo. Mas é um exercício. E determinação.

E eu não grito.

Porque quando eu grito, se eu cheguei em um ponto da discussão em que eu acho que eu preciso gritar - muitas vezes não para agredir, mas na tentativa de chamar a atenção da outra pessoa, dar um susto, de forma que a pessoa preste atenção em mim e volte a me ouvir - essa intensidade me leva de volta aquela dor. Aquela intensidade que eu sentia antes do tratamento. Eu sinto a dor correr o meu corpo denovo durante os minutos que eu me permito gritar e sentir isso. 

Doi. Doi muito. Eu começo a tremer, eu sinto que perco o controle do meu corpo, de mim mesma. E doi.

E uma das coisas que eu sinto, hoje, que me mantém, é que eu me amo muito. Eu amo muito a minha vida. E ninguém merece a minha dor.


Ninguém merece a minha dor.

Então eu não vou dar isso de graça a qualquer um. Me custa tanto, me custa demais. E eu não vou ceder a minha integridade pra quem não merece 1/10 de mim.


Ninguém merece a minha dor.


E ter conseguido externar esse sentimento, essa certeza, foi algo... Libertador.

Eu me sinto mais em paz comigo mesma de ter consciencia disso. De ter conseguido racionalizar e explicar e poder falar sobre isso, hoje, quase 20 anos depois.


Acho que é uma mensagem importante: Se ame. Se ame muito. Se priorize. Seja a pessoa mais importante na sua vida. Você merece o seu proprio bem.

Ninguém merece a minha dor porque EU mereço o melhor de mim.