De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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quarta-feira, 11 de maio de 2011

As marcas do amor - blogagem coletiva


Esse post faz parte da Blogagem coletiva proposta pela Debora, clique aqui e de uma olhada em quem mais esta participando!


Eu sonhei muito com a maternidade. Pra mim foi uma luta, demorou bem mais do que eu gostaria, foi dificil, doloroso, e uma espera longa. Demorei anos de tratamento pra poder me tornar uma tentante. Foram 4 anos, mais 2 anos como treinante pra, quando eu ia desistir e decidir focar na minha carreira, por fim engravidar.

Eu decidi, meio que de forma automatica por que eu ja tinha decidido ha anos que seria assim, me dedicar exclusivamente a ficar bem durante a gravidez e depois dela, me dedicar exclusivamente a minha filha.

Fisicamente falando, eu sempre fui gorda. È, gente, sim diminutivo, gorda. Eu quando fico deprimida, como. Então apesar de ja ter feito N dietas e ate uma gastroplastia de redução do estomago, aprendi a burlar todos os impedimentos e, quando deprimo, como. Continuei gorda, apeasar de menos gorda. Cheguei a um gordinha mas engordei de novo no meio das minhas crises. Então, estrias não eram um problema. Se aparecessse mais alguma, bom, coisas da vida, ja tinha muitas.

Mas o peso era um problema por outro lado - a obesidade aumenta muito o risco de pre-eclampsia. E eu tenho um medo muito grande de morrer. E tinha um medo maior ainda de morrer e deixar minha filha, ou pior, dela acabar morrendo. Então eu controlei meu peso ao maximo ao quadrado e engordei apenas 7kg na gravidez todinha, sendo que dois deles foram recuperados de ter emagrecido na fase dos enjoos. Ou seja, terminei a gravidez apenas 5kg acima do peso que comecei.

Foi uma enorme vitoria! E eu me convencia que essa vitoria compensava os meus 8 cigarros ao dia, fumados aos pedaços e com uma culpa sem descrição. O cigarro me preocupava. Sempre jurei a mim mesma e a quem quisesse ouvir que iria parar de fumar quando engravidasse e não consegui. Acredito sim que Rebeca nasceu abaixo do peso por causa disso.

Mas essa foi uma das coisas que mudou na minha vida. Hoje sou uma ex-fumante muito satisfeita nesse sentido. Sinto vontade de fumar poucas vezes e nunca muito forte. Eu realmente sou mais feliz como não fumante!

Mas uma coisa que não mudou depois que a Rebeca nasceu foi o medo. Gente, esse medo de morrer, de deixa-la, ou de que ela morra. Ele se mantem, mais leve, mas não tanto. Ele é forte o suficiente pra que eu tome algumas atitudes meio exageradas de vez em quando, como brigar com minha mãe quando Rebeca estava aprendendo a andar e caiu batendo a cabeça na quina da mesa. Eu briguei pois não deveria ter deixado ela andar perto da quina, alias, a quina nem devia existir e ela não tomava cuidado bla bla bla whiskas sache.

Tinha medo de dar banho nela e a verdade é que, apesar de hoje ela tomar banho no chuveiro, quem no fim é ate hoje o encarregado do banho dela é o Taz. Não tenho mais medo, mas tive por tanto tempo que me atrapalho toda e me deixa muito estressada pois mexe com a rotina estabelecida.

Eu não achava que seria uma mãe cri cri com rotina. Mas estabelecer uma rotina bem estruturada foi o que me salvou. Me deixou mais confiante, com controle da situação, alem de ajudar a manter a Rebeca uma criança calma e segura. E hoje sempre que uma amiga minha me conta da gravidez eu recomendo como um mantra - rotina, rotina!

Muita coisa muda. eu nunca fui muito de me cuidar. Sempre fui a favor do jeans e da camiseta. Mas tinha aquele minimo que eu mantinha e me fazia bem, que eram buço, sombrancelha e unhas feitas 1 vez por mes. E mesmo lavando louça eu era expert em manter minhas unhas lindas e belas por quase o mes inteiro! depois do nascimento da Rebeca fiz a unha 3 vezes, sendo a ultima um presente da minha irmã na semana passada. Sombrancelha e buço? Err... Idem, e eu não fiz semana passada pois estava preocupada de que o Taz fosse ficar me esperando pra dar o almoço da Rebeca e ela fosse ficar com fome e desestruturasse a rotininha dela.

Foi besteira minha, alias, cheguei em casa e ele tinha dado almoço e estava tudo sob controle dentro da normalidade.

E posso falar? Sinto uma super falta de ter esses cuidados. De comprar roupas pra mim, que preciso urgente. Mas entro naquele mesmo pensamento que li nos outros posts (e com isso me sinto menos uma neurotica e sim apenas mãe) de que fico pensando no leite que preciso comprar, nas roupas pra Rebeca, nas fraldas, etc. E deixo pra depois. Eu me deixo sempre pra depois.

Mas eu tenho um agravante aqui. eu sou bipolar. E me deixar de lado por muito tempo tende, sempre, a me deixar deprimida. Saindo pouco de casa fica cada vez mais dificil de sair. E os cuidados comigo mesma seguem esse mesmo caminho: quanto menos me cuido mais dificil é de voltar a me cuidar. E, como aconteceu ja, quando eu fico deprimida, chego a um ponto que fica dificil de cuidar da propria Rebeca.

Rebeca essa que esta se recuperando de uma gripe leve que a acometeu desde sabado, dia do aniversario do Dimi (que merece um post a parte) e so passou de verdade hoje. E com essa gripe eu pude observar algumas coisas.

Por exemplo, que hoje, com ela ja maior, falando pelos cotovelos e correndo, e caindo, pela casa, que eu não fico mais tão insegura e desesperada com quedas ou com uma gripe. Não é mais motivo pra leva-la ao pronto socorro a primeira febre. Eu ja sei hoje quais cuidados tomar, que remedio dar e quando, se tiver que dar. Sei que ela cai e depois levanta, chorando muitas vezes, e que tudo que eu preciso fazer é estar ali, dar o colo e acalma-la. E percebi que noites em claro realmente não duram a vida toda, e que agora so acontecem quando ela esta doente e duram, no máximo, uma semana. Que manha ela vai fazer, mais ou menos, mas vai fazer. E que as vezes eu posso até cair na manha dela e aceitar o que ela pede. Que o que importa é ser coerente - doce de noite não pode e ponto, mas trocar de DVD por que ela quer ver X e não Y tudo bem. e uma hora passa, assim como veio. Todas as fases passam.

E com isso, que todas as fases chegam e passam, eu sei que ja posso voltar a me dar esse luxozinho de me cuidar mais e voltar a ir no salão uma vez por mes. Que posso sair com o Taz e assistir um filminho sem me sentir culpada em deixa-la com a avó por que ela de fato gosta de ficar com a avó (as vezes ate bate um ciuminho #prontofalei) ou fazer programas mais longos pois ela come o que tiver, seja uma feijoada ou uma bolacha recheada, ou um queijo branco com torradas e chá. E que pra ter tudo isso é so manter a rotina dela certinha no dia a dia que essas exceções serão muito melhor aproveitadas.

Uma das coisas que me ajudou muito em todo esse tempo foram as sessões cinematerna. E é outra coisa que recomendo a quem perguntar. Foi otimo voltar a sair e poder fazer isso com a Rebeca comigo. Foi otimo conhecer outras mães e seus bebes e saber que de fato, eu não tinha deixado de existir, mas sim entrado pra um novo clube que "so entende quem é mãe"! Me ajudou a ter segurança a sair com a Rebeca, e na forma como eu a estava criando. Estava não né, estou. E me fez lembrar que mãe é tudo igual e não é, que a maior coisa que temos em comum é que aprendemos no dia a dia. E uma grande lição é uma das mais dificeis: sermos mães sem deixar de lado a nos mesmas.

Tive momentos dificeis. Tenho anseios, como o de ter minha casa e o de colocar a Rebeca na escolinha, que não tem mais data pra acontecer. Queria ter uma vida mais financeiramente estruturada pra ter o que eu quero, pra dar a ela tudo o que eu gostaria, inclusive um irmãozinho mais pra frente. Mas não consigo me imaginar voltando a trabalhar por exemplo. Não fora de casa. Queria, mais que tudo, fazer algo que me completa da mesma forma que ter a Rebeca na minha vida o faz. Queria muitas coisas e aprendi que não posso ter tudo e que, mesmo as coisas que posso vem a seu tempo. Como minha filha veio. Então tenho que viver, dia a dia, com calma e paciencia. Terei dias muito bons e dias nem tão bons assim. Mas o mais importante eu ja tenho. O resto eu aprendo... ^^

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Blogagem coletiva - maternidade real



Essa é uma blogagem coletiva que eu não podia perder!

Falar de maternidade real e uma coisa que venho ensaiando a umas semanas. A minha maternidade real, quase que um confecionario.

Vou começar dizendo que eu nunca nem que tentasse muito - e ok, eu tento! - conseguiria ser uma mãe perfeita. Eu ja começo em desvantagem - sou bipolar.

Isso significa que tenho que manter meu humor sob controle com remedios. Significa que tenho uma doença que pode definir o meu humor entre uma depressão profunda da qual eu não seria capaz de levantar da cama, ou uma mania aguda em que acredito que sou capaz de dar conta de uns 5 filhos, trabalhar fora, estudar, escrever, blogar, cuidar da casa sozinha e ser uma amiga presente e uma esposa muito carinhos e caliente. E, claro, temos o meio termo, normal, onde de vez em quando sentimos vontade de dormir um pouco mais, ficamos tristes, ou perdemos a paciencia e precisamos sair pra tomar um ar. Eu, ao contrario de 95% da população, preciso de controle medicamentoso pra me ajudar a ficar nesse meio do caminho sem correr o risco de ir pra extremos de qualquer um dos lados.

Então, ja não sou pefeita ai, afinal, mãe perfeita não precisa da ajuda de ninguém. Mas, acho que minha maior prova de não ser perfeita e que eu sou mais uma dessa massa que de fato tenta ser perfeita e se culpa MUITO por não conseguir.

Eu tentei durante a gestação ser o mais saudavel que eu poderia ser, numa neurose muito forte, alimentada pela minha incapacidade em parar de fumar. Então, apesar de me alimentar hiper bem, tomar a vitamina religiosamente, ter tomado acido folico e ter conseguido a impressionante marca, com tudo isso, de engordar apenas 7kg entre o começo e o final da gestação (fazendo aquelas coisas que se eu tivesse mantido depois da getsação seria MUITO mais magra agora de tanto que me alimento mal atualmente) me culpei todos os dias pelos 8 cigarros contados, fumados pela metade, acendedidos para que eu desse apenas um trago e apagasse-os de novo. Foram 8 cigarros por dia. Rebeca nasceu com menos de 3kg - nossa, admito aqui em primeira mão que quando ouvi o peso dela eu pensei automaticamente - foram os cigarros!

Mas, eu disse, tento sempre ser perfeita, certo? E vamos concordar que cigarro faz um puta mal pra saude? Então, acreditando que crianças aprendem pelo exemplo, pois foi assim comigo, eu estava decidida que não daria esse exemplo, de ser uma fumante, para minha filha. E parei de fumar!

Parei, gente, mesmo! Sou hoje uma ex fumante a 1 ano, 6 meses e 8 dias! Parei no dia que fui pra maternidade. Não lembro se contei essa historia aqui, acho que não pois provavelmente seria crucificada...

Eu amava estar gravida, mesmo. Foi, pra mim, uma experiencia transcedental. Eu tive que escolher entre trabalhar e correr um risco maior de ter viradas de humor por estar sem  medicação, ou ficar em casa, e correr um risco menor. Eu não queria ter que tomar medicação durante a gravidez então não foi uma escolha dificil, fiquei em casa. E aproveitei muito os momentos "eu e a barriga". Tive diversos insights, relembrei inumeros momentos da minha infancia que eu não recordava e os olhei por uma nova perspectiva. foi incrivel!

Mas nada de perfeito nisso. Eu tive um problema serissimo de hipoglicemia, não dormi durante a gravidez inteira mais que 2 horas seguidas por noite, chegando a acordar, no final, a cada 45 min. No ultimo mes a minha hipoglicemia estava tão ruim que eu precisava comer a cada 2h ou a glicose abaixava abaixo de 70. Eu media em casa, e eu tinha que acordar pra comer alguma coisa, mesmo que um copo de leite, a cada duas horas, então o Taz abriu mão de tudo tambem pra ficar em casa e cuidar de mim nesse final de gestação. E foi quando eu finalmente dormia 2 horas seguidas, pois podia confiar que ele ia me acordar e me dar alguma coisa pra comer ou beber. Nos, mesmo antes da Rebeca nascer, dormiamos em horarios alternados pra ele cuidar de mim.

Eu, com 28 semanas, comcei a ter contrações e, pra garantir que não teria um parto prematura, fiquei de semi repouso em casa dali em diante. Com 36 semanas começaram as cobranças "mas bem que a Rebeca podia nascer logo"  e isso sem contar que minha obstetra foi viajar por 3 semanas nessa mesma epoca. Então, era otimo pra mim, meus momentos eu e a barriga, mas se precisava lidar com o mundo exterior era um problema bem extressante.

Chegou no final eu estava acabada. 39 semanas e 4 dias, minha obstetra estava voltando de viagem e eu tinha consulta com ela. Ela iria direto para o consultorio, mas eu estava acabada e tento ligar pra ela - estava arregando. Não conseguia andar direito pois meu quadril ja tinha aberto para o parto e eu mal conseguia ficar sentada sem sentir dor quanto mais andar de carro e esses solavancos. Estavamos no meio da epoca de chuvas que alagou são Paulo inteiro em 2009 (e depois em 2010 tb, e acabou com o Rio). Quando ligo pra ela ela me diz que tinha recebido meu recado e iria me encontrar no hospital. Ai eu disse que não tinha deixado recado nenhum, mas que se ela preferisse ja não me importava de encontra-la la.

No fim fui a minha consulta naquela tarde. Ja coloquei a bolsa da bebe no carro e sai de casa com a unica certeza que ate ali eu não voltava sem a Rebeca comigo. e foi o que falei pra minha GO. Que queria poder dormir direito, que queria que ela me internasse para que eu, tomando glicose na veia, pudesse descansar pelo menos um pouco. Que não aguentava a dor de ter que voltar de carro ate em casa novamente e que se não fosse pra ir logo pro hospital eu iria dormir em um hotel, mas que pra minha casa, com o estress de aguentar a ansiedade dos outros, eu não voltava.

Ela tentou me convencer a esperar um pouco mais, nem que fosse pelo menos ate o dia seguinte. Mas eu estava desesperada, essa e a palavra. Ja estava começando a minha maternidade exausta. Então, vendo que eu não tinha mais condições psicologicas mesmo, ela fez umas ligações e Rebeca nasceu naquela noite. de cesárea marcada!

depois disso veio a amamentação. Momento sublime! Rebeca acertou a pega logo na primeira vez, e eu amei a sensação de amamentar. Morri de medo de que não pudesse fazer isso pois teria que retomar os remedios logo. era uma delicia! Mas, 2 semanas depois, Rebeca sem ter retomado o peso inicial e eu sem ter uma orientação muito boa, comecei a dar complemento. Mas ela não largou o peito! Uma felicidade só! Então eu dava peito e completava, depois, com a mamadeira. E fomos assim ate ela ter cerca de um mes e meio, quando tive que parar de amamentar pra voltar a tomar os remedios pra bipolaridade.

Eu cai numa depressão forte ai, pois me senti a pior pessoa do mundo por não ser capaz, mentalmente capaz, de amamentar minha filha! Fui na internet e foi quando comecei o blog e descobri da exisencia da relactação. E me senti mal por que era algo que eu estaria muito disposta a fazer, mas não podia. Eu era imperfeita, eu estava "quebrada". Eu era doente. Um sentimento horrivel.

Mas, superei vendo Rebeca crescendo bem, saudavel, saindo da curva 50% na qual ela tinha nascido e indo pra curva 97% onde ela se mantem ate hoje. Ai, claro, vieram as papinhas. E nessa fase eu ja estava tão cansada, de mim, de discutir, das minhas neuorses, de não dormir, que acabei cedendo a pressão por parte dos meus pais, adeptos a praticidade acima de tudo, e praticamente so dei papinhas prontas, nestle mesmo, pra Rebeca comer. E olha, comeu bem, feliz e adora ate hoje. Alias, muitas vezes foi o jantar dela ate bem pouco tempo atras...

E hoje eu quero colocar a Rebeca na escola. Por ela, sim, mas muito mais por mim. Posso? Não estou trabalhando e nem sei se vou conseguir voltar a trabalhar, por conta da bipolaridade tambem. Essa malvada tem me dado como limitação a ja muitos anos o não conseguir lidar com o estress de trabalhar fora. Fico bem em casa, posso fazer todos os serviços necessarios de llimpeza, arrumação e amo cozinhar. Mas trabalhar fora ja era um problema quando Rebeca era apenas um ideal. Mas quero que ela va para a escolinha.

Quero um tempo pra mim, pra poder ir contar meu cabelo e fazer a unha. Quero poder dormir a tarde!! Quero poder cozinhar a cuidar da minha casa! Quero ter tempo pra blogar com mais frequencia! Quero colocar meu projeto de escrever meus livros em andamento! Quero um tempo pra ser a Di e não só a mãe da Rebeca! E não quero sentir que estou recebendo um favor de ninguém pra isso. Que e um peso, um estorvo. Que sou uma mãe pior por querer esse tempo. E quero que Rebeca esteja em boas mãos, cuidada, cultivando novos valores e novas amizades. Aprendendo a dividir,a brincar junto, e ver que existem regras diferentes para lugares diferentes. e se posso ter os dois juntos, por que não?

Então, não sou perfeita, nunca fui, e me culpo sempre por não ser. Mas sou uma mãe feliz, que apesar de todas as imperfeitções AMA demais a vida, a si mesma e acima de tudo minha filha. Que curto cada conquista dela, cada palavrinha nova. Que curtiu sentir os chutes de me fazer ficar sem ar quando ela ainda estava na barriga. Que teve a oportunidade de reviver a propria vida, e isso nem sempre foi bom de se fazer, pra poder ser uma mãe melhor.

Por que não sei se um dia serei perfeita. Mas sei que serei a melhor mãe que eu puder ser. e vou lutar sempre por isso!

PS: essa blogagem foi iniciada pela Carol Passuelo, do Vinhos, Viagens, uma vida comum...e 2 bebes! . Passa lá e aproveite pra ver a lista dos blogs participantes! Quase todo mundo aderiu!

sexta-feira, 11 de março de 2011

contribuição - mãe na pratica.

Pessoas queridas, coloco aqui o link para que voces apreciem a minha contribuição a comemoração de 1ano do blog "mães na pratica" da Pat Lins.

Acessem esse e varios outros textos clicando AQUI

BEIJOS E BOM FIM DE SEMANA

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Blogagem coletiva - vinculo


4 de Janeiro de 2009, manhã. Programados para acordar cedo pois iriamos levar a Lulu ao Playcenter. Me vem a cabeça, quase como uma brincadeira, de que seria um bom dia para encomendar a irmãzinha dela.

dia 24 de Janeiro de 2009, noite. E a festa de aniversário do Taz, karaoke, amigos, eu e uma garrafa de tequila. A garrafa termina, mais da metade por minha causa. Me divirto, brinco muito. Na hora de dormir, tenho um sonho que me deixa preocupada: no sonho, estou gravida. E eu tinha bebido muito... Sem contar os remédios que tomo... Fico muito, muito preocupada.

Tenho o mesmo sonho em todos os dias que se seguem, ate dia 28, que seria a data que deveria vir minha menstruação. Tambem é o dia em que eu tinha consulta com o psicologo. Converso com ele sobre estar sonhando a 5 dias seguidos que estou gravida, e que apesar de estar creditando isso ao fato de que tinha desistido de tentar e a decisão de que esperaria mais 2 anos pra ter filhos. Ele resolve o meu problema de forma simples: faça o exame, afinal, pelo menos assim você tira isso da sua cabeça e não fica imaginando coisas.

Saio do consultorio do psicologo e vou direto para o laboratorio fazer o exame.

dia 29, pego o resultado: 16Mu (de um resultado que deveria dar menos de 1 ou mais de 25) Dou muita risada, eu sabia o que aquilo significava.

Refiz o exame mais 2 vezes ate alcançar um positivo alto o suficiente pra não ter margem de erro.

Durante a gravidez eu vivenciei sentimentos e lembranças minhas que pra muitos não fariam sentido. Minha forma de ver o mundo mudou, minhas necessidades mudaram. Em muitos pontos, eu voltei a quem e como eu era na minha infancia. Tudo isso pra poder entender e crescer, novamente, junto com a menininha que estava em meu ventre.

E eu tomei a iniciativa de prestar atenção, sempre, em tudo. No que eu gostava de comer, no que me enjoava, o que me fazia feliz ou triste. E tudo tem se mostrado igual, os gostos, os desgostos, a forma de agir e reagir.

Ela me mostra, desde o primeiro momento, como ela esta, o que sente, o que pensa. A mim, cabe apenas prestar atenção e me deixar levar.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Blogagem coletiva - meu personagem favorito


Nem sei se isso entra dentro do quese propõe a blogagem, mas depois de ficar pensando (e perder a hora de postar) cheguei a conclusão que meu personagem do cinema favorito é esse:


Scar, o vilão de O Rei Leão

Sim, uma personagem de animação, mas que é tão bem construido, como quase todos os personagens da Disney, que eu simplesmente o adoro.

Scar leva muito a sério a historia de rixa entre irmãos, e é claro que pretende tomar o lugar do irmão. Mas ele o faz com maestria, manipulando o ponto mais fraco, que é o sobrinho, para que alem de tirar o pai dele, irmão de Scar, Mufasa, da jogada, ele tira com o mesmo golpe, o sobrinho, Simba.

Scar destila charme em todos os seus movimentos, uma inteligencia e uma forma de agir que se colocados em um personagem humano, daria medo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Participem - blogagem coletiva e promoção!



Gente, a Vanessa, do Fio de Ariadne, esta promovendo uma blogaem coletiva super legal, pro dia 30. Vamos participar?

A ideia é fazer um post falando qual o seu personagem do cinema favorito e por que.

Quer participar também? Clique no link e va para saber um pouco mais!


Alem disso, quero lembrar aos amigos e amigas blogosfera afora, mais uma vez, que estamos com promoção aqui no blog!!!

A PROMOÇÃO DE ANIVERSARIO vai ate o dia 03 de outubro, e pra participar é facil:

Clique no link AQUI
e deixe um comentario no post da promoção com
nome
cidade
e-mail
blog, se tiver
categoria (adulto ou infantil)
e uma frase com o tema "ser mae/pai no dia das bruxas"

E você não precisa ter filhos, mas claro que isso ajuda! rs O importante é soltar a imaginação!!
Vai la, entra AQUI ou clique no link do lado direito do blog, e vai la conhecer os premios!


domingo, 19 de setembro de 2010

Blogagem coletiva - O melhor de mim



Gente, é dificil falar bem de si mesmo né? Bom preciso dizer que ficar em mania tem la suas vantagens. nada e tão dificil quanto se pensa tão rapido!

Preciso falar algo bom de mim, ou mais do que algo, algoS, com S. A ideia é enaltecer minhas qualidades, talvez até pra me lembrar que eu tenho, sim qualidades. E você, ja se deu essa chance?

eu preciso dizer que acredito que vivo, hoje, o meu melhor. Sim, por que a Rebeca trouxe a tona todas as minhas melhores qualidades!!

Ela me lembrou o quanto posso ser carinhosa e cuidadosa. Na verdade, ela me deu a quem cuidar, pois eu aodro cuidar dos outros. Acredito honestamente que nasci pra isso, para cuidar. E me mostrou com isso o quanto é importante cuidar bem de mim! Que ninguém cuida melhor de mim que eu mesma, e que cuidar dela significa cuidar de mim, pois preciso estar bem pra poder fazer isso!

Ela me lembra todos os dias o quanto é importante ser honesto, sincero, mas criativo. E haja imaginaçãopara inventar musiquinhas e brincadeiras quando se esta de mau humor! Por que de bom humor é facil, quero ver você fazer isso com dor e cansado. Mas é importante saber ter bom humor, e aproveitar as pequenas coisas!

Ela me lembrou o quanto eu sou capaz de amar, de forma incondicional, e o quanto isso me faz bem! Que guardar rancor não esta com nada, e que o hoje sempre tras muitas novidades e uma esperança fantastica de que podemos fazer as coisas um ouço diferentes pra ele ser mlehor que o dia anterior!

Ela estar aqui hoje mostra que sou capaz de insistir e persistir quando sei o que eu quero. Quando sei o que vai me fazer mais feliz e mais completa. Que é preciso ter paciencia, mas perseverar.

Que sou feliz, mesmo no meio das minhas reclamações, e que tenho uma familia unida, e imperfeitamente maravilhosa.

O melhor de mim, me remete a tudo isso. A ser honesto, sincero, carinhoso, amoroso, firme e perseverante, paciente, as vezes ate meio carente, mas sempre, sempre, capaz. Capaz de amar muito, capaz de ver as coisas boas nas pequenas coisas, capaz de esperar o quanto for para ter o que quero comigo, pra mim.

Você, minha filha, e o meu melhor

domingo, 5 de setembro de 2010

Blogagem coletiva - adoção


Participando da blogagem coletiva com o Tema adoção iniciada pela Marina do blog Multiplar.

Isso é o que direi aos meus próximos filhos:


"Toda criança tem seu pai, sua mãe.

Toda pessoa escolhe antes de nascer em que familia vai ficar. Mas muitas vezes, O pessoal lá de cima, olha pra essa familia, no hoje, no ontem e no futuro, e ve que por algum motivo, uma ou outra criança que quer nascer ali, não vai poder fazer isso.

Então, em muitos casos, em que a familia anseia muito tambem por essa criança que esta aguardando o seu momento, eles decidem que ela vai nascer de uma outra mãe, de um outro pai.

Ela vai ser gerada e carregada por outra pessoa, pra poder chegar até aqui, onde a gente vive.

Esse casal esta dando um presente a essa familia que quer tanto ficar junta mas por algum motivo não pode ser gerada junta.

Então, a criança nasce primeiro, e chega até a familia depois.

Mas não ache isso ruim não, nem estranho.

É que familia, filhos, é feita de muito mais que de sangue. É gerada, criada, e amada, no coração.

E assim não ve nada, não ve de onde, ou de quem ou como nasceu. simplesmente é.

As vezes a gente custa a encontrar a nossa. Mas ela ta sempre ali, esperando a gente, e a gente esperando por ela. basta buscar bem fundo na gente mesmo.

Dentro do peito.

Por que se antes você podia não estar pertinho de mim, meu amor, garanto pra você que ja te amava, por que dentro de mim, você ja existia. foi so uma questão de paciencia mesmo.

E agora aqui você esta."

Adotar é um ato de amor que começa dentro da gente muito antes, quando nos tornamos mães do lado de dentro do peito, e não do lado de fora, em casa.

A Beca pode estar aqui hoje, mas os irmãos dela possivelmente estão por ai, ou vão chegar logo logo, em algum outro lugar. E eu vou ter que procurar um pouco ate a gente se achar. :)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Blogagem coletiva dia 19 de setembro - o melhor de mim



Pessoas, achei a ideia otima!

Blogagem coletiva - O melhor de mim - 19 de setembro

A Blogagem e em comemoração de aniversario de 2 anos do blog! Vai la e participa tambem!

Consiste em fazer um post dia 19 de setembro falando bem sobre si mesmo!
Aumente a sua auto estima, por que pra falar mal ja tem gente demais no mundo, e fale sobre suas qualidades!

O selinho e esse aqui ó:



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Blogagem coletiva - intimidade - amor a natureza

Em casa a gente tinha bicho
não um
nem dois
um montão de bicho

Em casa tinha arvore
não uma
ou duas
mas 3 arvores

Nós tinhamos cachorros
não uma
ou duas
mas tivemos até quatro cadelas

Crias uma da outra
vi cada nova geração nascer
e era sempre dificil escolher só um.

Como era bom
comer amora do pé
Pé que me pendurava
que subia
que crescia

O limoeiro, coitado, doente
nunca deu um só limão
Mas quase virou gaiola de passarinho
pra ter uma gaiola maior pros periquitos
algo como no zoologico

Por que tinha periquito.
não um
ou dois
mas ate quatro de uma vez

E periquito de cativeiro
é assim
não pode soltar
por que morre
Por que tem as asas cortadas

Mas aqueles que nasceram em casa
e como foi legal descobrir os ovos!
Ah, esses
uma vez soltei
ele voou
e nunca voltou

Tinha outra arvore
que nem sei do que era
pareciam morangos
mas sem sementes
Sem saber o que era
não podia comer
mas minha vó, a minha vo...
ela andava feliz debaixo daquela arvore comendo as frutinhas...

O quintal, gramado, parecia enorme!
Corriamos,
pulavamos,
brincamos muito
minha irmã e eu
e nossos amigos

La minha irmã fez seu primeiro bolo com uma amiga
que eu fui cobaia de comer
não lembro se contei, mas estava até gostoso.

Tinhamos gatos tambem
Tinha Mimi
que era filho de Mimi
e que por sua vez
era filho de Mimi
Tivemos muitos Mimis

Depois dos mimis tiveram outros
muitos outros.

Tinhamos um cágado
Não era tartaruga
era um cágado
vivia escondido
A, e era um macho
pois aprendi que os cagados machos
tem a barriga pra dentro
pra poder montar a femea

Tive pintinhos
e um pato
E nós os soltavamos no Parque da agua branca
pra eles ficarem com a familia deles
quando ficavam muito grandes pra morar com a gente

Aprendi muito, nessa fase
Aprendi a conviver com muitos bichos diferentes
e a entedenr que eram diferentes
Aprendi a ama-los e respeita-los
não como a seres humanos
mas como o que cada um dels realmente era

Amava aquela casa
com aquele quintal
e todos os meus bichinhos.

Fico, hoje, pensando
na duvida
por que gostaria muito que minha filha vivesse isso
esse contato
Mas tem sido muito dificil achar casas assim
com verde.

Puxa, me entristece
Por que o que eu mais amava da minha infancia
Deixou de ser importante no mercado
Mas que mercado é esse
que não se importa com a minha infancia?

Eu amvei todos os meus mimis
e meus cachorros
e meu cagado
e a mareira, a amava a amoreira

Tinhamos quase um zoologico em casa
era assim que os amigos chamavam
E não tinha passeio mais gostoso
que meu zoologico...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Blogagem coletiva - intimidade - amor fraterno

Dando continuidade, ainda acho que imagens falam melhor que palavras, então...



Dois amigos meus no meu chá de bebe :)


Meu pai com a Rebeca

Uma das minhas cunhadas com a Rebeca

Minha sobrinha e minha sobrinha neta, filoha dela.

Uma das minhas tias, irmã do meu pai

Minha cunhadinha, esposa do meu cunhado, e meu sobrinho


Minha mãe com a Rebeca


Minha irmã pagando mico no meu cha de bebe

O Taz e a Rebeca no lançamento do livro do nosso amigo, com um grupo que estava ali para parabenizar o sucesso de um amigo querido



Uma das minhas cunhadas com a Rebeca

Tem mais, muito mais... Por que amor, aqui, não falta. Tem briga, tem mau humor, tem desentendimento e incompreensão, mas tambem tem alegria, carinho, e muito, muito amor!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Blogagem coletiva - intimidade






Gente, dicidi fazer parte de mais uma blogagem coletiva, pois essa fala sobre amor, e eu acho que amor e o que faz com que as coisas tenham sentido e objetivo. Serão 3 posts, um sobre intimidade, o amor entre um casal, outro sobre amor fraterno, e uma ultima sobre amor a natureza.

Hoje falo sobre o amor entre 2 pessoas. Farei isso em imagens. E serão poucas, perto das que de fato existem, mas reveladas e eu estou fazendo o post em cima da hora, e sem duvida nada comparado ao amor que de fato existe.

Eu ia colocar um poema, mas alem de não encontrar o que eu de fato estva procurando, ele, quando parei pra pensar, não era muito adequado. Mas as imagens falam muito mais. Elas remontam anos e anos. E por mais que hoje as coisas estejam dificeis, na minha busca eu vi cartas, sim, pois eu sempre escrevi cartas, mesmo que ao longo do tempo elas tenham se tornado raras, que me mostraram que não e a primeira vez que passamos por dificuldades. E garanto que não sera a ultima! E fico feliz por isso, por saber que quando mais coisas dificeis vierem na minha vida, ele vai estar comigo.

Por que e isso que e, de fato, amor. E quando tudo esta tão dificil que você sente vontade de jogar tudo pro alto, mandar praquele lugar, virar as costas e sair andando, gritar muito, chorar, tudo tudo, parece que não tem solução, você ainda sim, respira fundo, desabafa, conversa com alguem, dorme. Mas dorme do lado, e acorda junto. Por que e quando passamos por dificuldades e, ao transpor esses desafios, que vemos que amamos mesmo alguem, pois ainda estamos lá. Pode ser que a gente predcise de ajuda, precise ser lembrado. Mas mesmo assim, estamos la.

Um amigo meu nos convidou para sermos padrinhos no seu casamento. Ele nos disse assim: "eu escolhi, para meus padrinhos, aqueles que tem relacionamentos parecidos com o que eu quero pra mim. E vocês tem isso. Vocês não são perfeitos. Vocês fazem besteira, e brigam, e não concordam. Mas são o casal que esta junto a mais tempo que eu conheço, fora da minha familia. Mesmo quando passaram pelas dificuldades, vocês ficaram juntos. E e isso que eu quero pra mim."

Foi o maior elogio que recebi, e me senti honrada demais.

Teria muito mais coisa pra falar aqui. Mas vou terminar com uma musiquinha que minha irmã cantou pra mim uma vez, e eu as vezes canto pra Rebeca:

É
Como uma flor
De agua
e ar
Luz
e calor
O amor precisa
para viver
de emoção
e de alegria
e tem que regar todo dia!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Blogagem coletiva contra o Bullying : a minha historia.

O conceito de Bullying não é algo novo pra mim. Eu sei o que é bullying ha muitos anos, se não me engano por causa de algum filme americano que assisti que abordava o assunto, como tantos que existem. Sei que sempre tive consciencia de que era isso que acontecia comigo...

Bullying é um problema muit mais serio do que se pode imaginar, e com certeza afeta a vida das pessoas de formas que não esperamos se não lavamos a sério. O que sinto e que esse problema, para mim, não foi levado a sério o suficiente.

Posso narrar a minha trajetoria escolar, e vou, e encontrar exemplos de bullying em toda ela. E é interessante como isso começa...

Acho que a primeira vez que tive contato com esse comportamento eu estava na primeira série.

Eu tenho em casa um ou outro relatorio de uma professora minha do jardim da infancia e de todo o meu ensino fundamental 1, ou seja até a 4 série. E, é possivel, so pela leitura desses relatorios, ver quando isso começou e como me afetou.

Os primeiros relatorios, eu pequenininha, 3, 4 anos, ja descreviam a pessoa que eu conheço ser eu mesma: uma menina timida inicialmente, mas que logo não so estava bem enturmada como estava tomando as decisões sobre qual seria a brincadeira do grupo.

Foi assim ate a primeira série. Eu era conhecida como "Mônica" da turma da monica. Eu era gordinha, baixinha, e dentuça (meus 2 dentes de leite da frente tinha caido e os outros não, dando essa diferença), alem de ser a "lider" da classe. Coisa de criança, era uma brincadeira. Eramos eu e o Fabinho, meu cebolinha. Alias, o Fabinho talvez tenha sido o meu primeiro caso de Bullying...

Estavamos no pré. Iniciando nossa alfabetização. Ele era o chefinho dos meninos, eu das meninas, e em teoria existia uma certa rivalidade. Pra mim era brincadeira. Mas, eu gostava dele. E, coisa de menina... E não tenho ideia mais de por que, ele começou a querer me assustar. Talvez por esse competição boba, ou por alguma cobrança que ele sentia por parte dos outros meninos, essa idade em que chegamos em que nos não podemos gostar uns de brincar com os outros. "meninos? arg!" sabem? Enfim...

Ele fazia armadilhas. Assim. Ele chegava pra mim e dizia "eu vo fazer uma armadilha pra você no parque (a escola era em uma casa com arvores e terra e areia, uma delicia) e você vai cair e vai se machucar!" E eu ficava morrendo de medo! Cheguei a não querer ir para a escola, e meus pais ficaram preocupados inicialmente quando disse que isso estava acontecendo. Eles foram ate a escola e descobriram que as tais "armadilhas" nada mais eram que buracos que ele fazia na areia do parquinho, com a mão mesmo, e cobria com folhas. Não cabia mais que meu pé, se muito. Eles acharam graça, acredito que tenham me falado o que eram as armadilhas, e não deram mais muita bola.

Isso não resolveu meu problema. Eu, claro, confrontei meu coleguinha, e na verdade a situação foi se agravando. Um dos meninos da sala, o Ricardo, resolveu ser o meu "principe encantado" e me fazia o favor de na hora do recreio sair da sala antes que eu, andar pela escola "Averiguando o perimetro" e depois vinha me falar se estava seguro.

Mas essa foi a parte facil. Nos eramos, na verdade, amigos, Fabinho e eu. Naquele ano, todos eramos. Mas, na 1 serie, a coisa mudou de figura...

Quando eu entrei na primeira série, um garoto da nossa idade acho, entrou atrasado, no pré. Ele queria se destacar, por insegurança acredito eu. E, alguem disse que eu era a manda chuva, e que ele iria ser reconhecido se brigasse comigo.

Ele me batia na hora do recreio. Sério. Eu tinha medo, de verdade, dele. Ele era maior que eu, fisicamente, e realmente me batia. Eu me escondia pela escola pra que ele não me achasse. Não sei qual era a motivação dele. Eu nem naquela epoca, entendia. Sei que eu chorava. Não lembro se cheguei a contar aos meus pais. Sei que contei a minha irmã, 2 anos mais velha que eu e que estudava na mesma escola. Ela inicialmente disse que eu devia ignora-lo. Claro, não adiantou. E um dia, lembro bem, ela foi conversar com ele. Foi interessante, pois se minhz memoria esta correta, ela so conversou com ele. Não sei, ela podera comentar aqui e contar essa parte da historia.

Ele ainda me deu problemas depois. Interessante foi que a ultima vez que ele me provocou quem foi me defender foi o mesmo Fabinho da primeira historia. Essa defesa teve um fim bem tragico: ele e o menino brigaram, sairam na mão, e ele levou a melhor. Mas a avo do garoto quando veio busca-lo não aceitou isso e foi tirar satisfações e bateu nele.

Mas agora, vejam bem, eu ainda sim, era a manda chuva das meninas. Fragil, sim, afinal eu era uma menina, mas fama e fama, e tudo isso aconteia por causa dela. Eu, na epoca, era um pouco mais alta que as outras meninas e era bem gordinha, então tinha aquela coisa de criança que gordo é forte? Então eu era forte! Ha... Mas eu me aproveitei dessa fama por um tempo. Mas do meu jeito.

Nos tivemos 2 garotos "diferentes" na turma na segunda e na terceira série. Eu não lembro de eu ter provocado os garotos de forma negativa, provocando exaltando seus defeitos. O meu "gordinha" era sim motivo de chacota desde a primeira serie. Eramos eu e o Diego, os gordinhos da sala. Aguentavamos comentarios que combinavamos e deveriamos namorar, casar, pois nos dois eramos gordos e mais altos.
Ca entre nos, a ultima foto que vi dele... Nem ia reclamar tá! rs Mas na epoca isso me magoava muito, o fato de me tacharem de uma coisa ou outra sem levar em consideração o que eu pensava, sentia ou mesmo falava e agia.

Não lembro de, apesar do apelido de monica, ter batido em alguem ate a terceira serie. Lembro, pelo contrario, de chegar a perguntar a esses dois garotos "diferentes" que falei por que eles eram diferentres, pr que agiam como agiam. Não lembro a resposta. Sei que nenhum dos dois passou mais de um ano na escola...

Tudo piorou e muito na terceira serie. Naquele ano minha irmã saiu da escola, e mais importante que isso, minha melhor amiga se mudou para Santos. Foram duas mudanças muito grandes no mesmo ano. Pra NÃO me ajudar, naquele ano as series que antes eram separadas, manhã e tarde, se juntaram em uma so de manhã. Pronto, estav feita a bagunça. Por causa da tal da fama...

Eu fui provocada muitas vezes ao longo daquele ano. De repente eu não era mais o centro do grupo, e pelo contrario, parecia que eu precisava ser deixada de fora dele. Chegou a fase em que as meninas falavam fofocas e maldades umas das outras. Treino para a posteridade acho... Eu fiquei na minha... Elas não... Me provocavam, me chamavam de gorda, boba, sabe-se la o que mais. E eu fiquei deslocada. Fiquei amiga no final das 2 meninas menos provaveis a me ajudarem na minha vida social escolar, mas que eram otimas amigas, a Yara e a MAria Eugenia. Elas duas continuaram melhores amigas depois, fiquei sabendo. Elas de fato tinham bastante incomum. Sofriam de um preconceito horrivel por serem mais velhas que o restante da classe. Mas elas se encontraram, e puderam dar apoio uma a outra.

Eu não era mais velha que o resto da sala. Mas eu não era igual a todos eles, sem duvida. Eu não entendia muito bem a dinamica. Com as provocações da 3 serie eu sei que cheguei a fincar a lapiseira na mão de uma menina. Ela estava me provocando de uma forma que eu não estava mais conseguindo ignorar. Era isso que eu fazia, ignorava. Mas aquele dia eu não estava bem, não sei o que ela dizia de diferente. E eu disse que se ela continuasse a me provocar eu iria fincar a lapiseira dela na mão dela. Coitada, disse que duvidava. Eu finquei de verdade. O grafite ficou preso na mão dela. Pobre Ana Claudia...

No ultimo dia de aula daquele ano uma outra menina, Saira, não lembro por que decidiu me provocar também. Falou muito, me xingou. Eu estava ignorando. Lembro que ela estava ficando sem argumentos. Então ela começou a falar mal do meu pai, procurando uma reação. Eu virei um soco na cara dela sem nem saber o que estava fazendo.

Nessa escola a quarte série, meu ultimo ano lá, foi o pior. Meninas na quarta serie, em sua maioria, ja tem essa veia romantica, esse sentimento de se apaixonar, achar que esta ficando grande. Somos pré-adolescentes, e quem lembra sabe bem que e isso mesmo. MAs enchemos a boca pra falar!

E ai foi que o ser gorda fez a maior diferença. Por que foi quando a brincadeira de "você namora com ele" e "beijo abraço aperto de mão" fazem algum sentido. E foi quando começou a historia do "você não por que você é gorda". Era mais que isso, so e dificil de lembrar...

Os relatorios escolares desse ano mostram a posição da escola e dos meus pais sobre o que estava acontecendo ao longo daqueles anos. "Adriana, você se isola demais da sala e acaba perdendo uma parte importante da vivencia escolar. Procure se enturmar." No relatorio tem uma parte para que meus pais fizessem observações a respeito do proprio relatorio e fizessem essa troca cvom a escola.
Estão todos em branco nessa parte.

Na quinta serie eu fui pra outra escola. Fui para a escola onde minha irmã estava estudando. Acredito que meus pais achavam ser uma boa ideia que ela pudesse me ajudar novamente. Foi a pior coisa que eles poderiam ter feito.

Eu ja estava bem mal naquela epoca. Fiz vestibulinhos para entrar em outras escolas tambem. Neles eram necessarios fazer redações. Eu fiz aulas particulares de portugues e matematica para poder passar nesses vestibulinhos. Meus pais foram chamados em uma dessas escolas, no Equipe, pois eles ficaram preocupados com a minha redação. O tema estava relacionado a piratas acho... Eu escrevi uma historia onde a personagem principal era raptada e estuprada por um pirata. Eu tinha 10 anos, ok?

Eu fui alvo de chacotadas e provocações desde o primeiro dia que entei na sala de aula. Primeiro por meu sobrenome, Matielo, que lembrava MArcelo, muito masculino. Nada auxiliado pela minha descendencia portuguesa que me enche de pelos no buço, braços e pernas. Foi quando eu quis fazer depilação pela primeira vez, no primeiro verão naquela escola. Ate la, não me incomodava ter pelos ou não, não de verdade. Um dia eu iria ser adolescente e iria de´pilar as pernas e etc, mas eu ainda não tinha chegado la de verdade.

Eu tambem tinha o corpo muito mais desenvolvido, com seios consideraveis para minha idade. Não aprecia uma criança mais... E meu peso, que ja vinha sendo um problema ate em casa, devido a um problema da minha mãe com o peso dela desde que me conheço por gente que nos levava a ter dietas loucas constantemente e estarmos vivendo sempre na neurose da dieta.

Meus pais erraram em pensar que naquela epoca minha irmã poderia me ajudar pois enqwuanto eu ainda estav sendo "jogada" na minha adolescencia, ela estava de fato começando a dela. Então ela não tinha muito interesse em ficar pangando coma irmãzinha, e acreditava facilmente quando eu dizia que estava tudo bem.

Passei a minha 5 serie passando orecreio na biblioteca lendo. Foi la, inclusive, que fiz uma amiga. Sempre atrai os parias...
Mas tinham as provocações, a sim... Educação fisica era um martirio, aulas sobre sexualidade eram sempre uam conversa dificil. E o fato de eu me destacar em alguma coisa não me ajudava tanto naquela epoca... Eu, pelo grupo, não podia me destacar...

Mas eu escrevia bem... Muito bem. Minhas professoras me amavam. Eu tinha facilidade com tudo. Não ajudou, alem de tudo eu era CDF... Uma professora minha inclusive pensou em publicar um livro meu... Foi uma pena eu ter perdido o arquivo do computador na epoca...

Foram 2 anos de completa solidão. Em casa, eu me trancava no quarto. Sentia dores de cabeça na esco,a constantemente. Não queria ir. Inventava desculpas, ficava doente de verdade. Quebrei a perna e abri o pulso 3 vezes naqueles anos, alem de estar sempre doente. Comecei a cabular aula...

No final do 2 semestre na sexta serie eu escrevi um conto "erotico" que eu havia inventado em uma brincadeira em um Spa que tinha ido nas ferias e mostrei pra uma menina da sala. Lembro que isso aconteceu pr que, por causa da minha aparencia, ela me perguntou algo sobre meninos e etc. O Texto rodou na sala toda. Recebi elogios. chamei a atenção. Pronto.

Comecei a minha setima serie com essa mudança. Se eu não era capaz de me enturmar, então eles iriam gostar de mim por eu ser diferente. Não iria mais fazer parte da turma. Eu, finalmente, tomei uma reação ao que eu vivia.

As meninas ficaram mais amenas. Os meninos não... As provocações continuaram... E ficaram piores, pois eu comecei de fato a reagir, falar, agir diferente. Tive algumas situações de confronto fisico. Lembro de um menino cupir em mim so pelo fato de não gostar de mim.
Ele foi repreendido. Teve que pedir desculpas... Não fez diferença tambem...

O que fez diferença pra mim foi eu reagir aquilo tudo. Foi cansar de ser a "gorda escrota" e ser "a louca". Simples né?

Eu reclamei algumas vezes na escola sobre como era tratada.
Uma das minhas professoras fez um trabalho onde a classe deveria retratar-se. Foi desenhado uma panela com 2 pessoas tentando entrar. Eu era uma delas. A professora perguntou por que eu achava que isso acontecia. Eu disse que era por que eu era diferente. Ela perguntou se eu achava que meu peso influenciava a forma que os outros me tratavam. Eu disse que não. Uma menina se levantou e me corrigiu, dizendo que era sim por isso que eles não gostavam de mim.

Eu sai dessa escola quando fui convidada a me retirar, no meio da setima serie, quando fiz um projeto de artes onde decidi fazer uma escultura com um homem e uma mulher ajoelhada na frente dele fazendo algo nada apropriado ao horario nobre.

Ate aquele momento, e continuou sendo assim depois, minha atitudes de isolamento foram creditadas a preguiça, vicio em televisão, inadequação a porposta, revolta adolescente. Não era...

A revolta veio depois, sim. Não foi revolta, foi reação.

A escola não soube lidar com a situação, em nenhuma das veszes. Não foi considerado a possibilidade de bullying. Não foi levado a serio. era coisa de criança. Depois, era revolta adolescente. E quando a situaçção ficava muito dificil, eu era trocada de escola.

Não sei bem, ja que não consegui colocar os detalhes de como eram as provocações ao longo de todos os anos, se consegui deixar claro meu ponto.

Sei o que viver isso e como as escolas e minha familia reagiram ao que estava acontecendo fizeram comigo.

Não me adaptei a nenhuma escola. Desisti de estudar. Fui terminar meu colegial fazendo supletivo. Não terminei nenhuma das faculdades que comecei. Não tenho nenhuma auto estima. Considerei a possibilidade de virar freira, no melhor estilo Madre Teresa de Calcuta, pois eu sempre gostei de ajudar os menos favorecidos e não me achava capaz de atrair alguem de verdade. Não me achava bonita, ou interessante de nenhuma forma, o suficente pra que alguem quisesse qualquer coisa comigo que fosse mais do que curtir. Ah, e escondido, ok?
Não tive a ajuda que precisei na epoca. Fui, aos poucos, me calando e isolando cada vez mais. Os mais calados sempre explodem. eu finquei uma lapiseria na mão de uma menina. E você?

Sei que ainda hoje quando um menino passa o ano todo sendo chamado de quatro olhos na sala, ou de bicha, não e feito nada.

Eu dei aula. Fui professora. Lembro de entrar na sala uma vez e alguns meninos estarem brigando por causa de uma coisa dessas, um ter chamado o outro de bicha. Eu parei a briga, coloquei cada um no seu lugar, e dei uma bronca na sala. Chamei a atenção deles, conversei, expliquei. Fiz o que nenhum dos professores deles fazia. Estavm mal acostumados sendo mandados diretoria, isoladamente, quando acontecia alguma coisa, onde recebiam uma represalia. Não. provocações desse tipo não são problemas isolados. O Bullying é um problema social. So existe o valentão quando existe pra ele uma plateia. Mandar as crianças para a diretoria não resolveria. Eles saberiam que seriam sim repreendidos, mas talvez nunca entenderiam de verdade por que. Mais. Talvez não soubessem que deviam agir diferente, em conjunto.

Não entrei com a sala no merito se o garoto era ou não homossexual. Eles estavam na sexta serie. Nenhum deles tinha idade para sequer ter descoberto realemnte a propria sexualidade. Entrei no merito da diferença. E sabe de uma coisa?

Eu nunca mais tive problemas com aquela sala... Ate ter que parar de dar aula pra eles.
E você? Como seu filho esta na escola? E em casa? Presta atenção... POde ser mais serio do que você esta pensando...