De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Porque eu (quase) nunca grito

 

Aviso de Gatilho - alguns assuntos abordados podem servir de gatilho para pessoas em momento de fragilidade. 

2021 não começou fácil pra mim. Me sentindo deprimida e sobrecarregada, problemas financeiros, com a família, o trabalho não indo pra frente porque todos estão passando por algum processo pessoal que demanda atenção e tempo. Já bastante fragilizada, acabei entrando em uma discussão em que algo aconteceu que simplesmente me devastou por dias.


Eu tive que gritar.


Eu não grito. Eu posso, numa discussão, levantar a voz, mas isso é diferente de gritar. De perder o controle. Eu não grito.

E existe um motivo para que eu evite discussões e, especialmente, gritar a quase qualquer custo. E é sobre isso que quero falar.

Eu conversei com um amigo sobre o que havia ocorrido e enquanto ele me confortava ele perguntou porque eu fazia isso. Porque eu me segurava tanto. Porque eu aguentava situações que mereciam um grande "Vai tomar no C..." em silencio, ou me controlando. Se as vezes eu não deveria me dar o direito de não me controlar.

E eu pensei, e tentei explicar.


Em 2002, 2003, quando eu tive a minha maior crise que me levou a ser internada, foi um momento da minha vida que eu não tinha nenhum controle das minhas emoções. Tudo era demais, intenso demais, forte demais, dolorido demais. Eu sentia uma dor dentro de mim que eu não sou capaz de descrever. Uma vez eu me referi a ela como "uma dor na alma" e já ouvi essa descrição de outras pesssoas. 

Era insuportavel. Eu me sentia presa naquela dor. Eu sentia a necessidade de me machucar fisicamente para tentar colocar pra fora de mim a dor que eu sentia por dentro. E quando eu perdia o controle, naquele momento, tudo aquilo, toda aquela dor, me dominava, eu tremia, chorava, e sentia que não podia suportar aquilo tudo.


Mas eu faço tratamento desde então e eu nunca mais tive uma crise igual a essa. Mesmo. Tive outras crises mas nunca mais cheguei tão fundo.


Mas tem esse porém. 

Eu vivo me controlando o tempo todo. O tempo todo. Existe esse fantasma que me segue e com o qual eu convivo todos os dias de saber que um dia isso pode sim acontecer de novo. E me controlar foi o meu jeito de aprender a lidar com as crises mais leves que vieram e administrar meus sentimentos de novo.

Mas discutir é uma coisa complicada, né? Como discutir sem sentir a emoção ficar mais forte? Sem se exaltar?

Pois eu tento. Muitas vezes consigo. Mas é um exercício. E determinação.

E eu não grito.

Porque quando eu grito, se eu cheguei em um ponto da discussão em que eu acho que eu preciso gritar - muitas vezes não para agredir, mas na tentativa de chamar a atenção da outra pessoa, dar um susto, de forma que a pessoa preste atenção em mim e volte a me ouvir - essa intensidade me leva de volta aquela dor. Aquela intensidade que eu sentia antes do tratamento. Eu sinto a dor correr o meu corpo denovo durante os minutos que eu me permito gritar e sentir isso. 

Doi. Doi muito. Eu começo a tremer, eu sinto que perco o controle do meu corpo, de mim mesma. E doi.

E uma das coisas que eu sinto, hoje, que me mantém, é que eu me amo muito. Eu amo muito a minha vida. E ninguém merece a minha dor.


Ninguém merece a minha dor.

Então eu não vou dar isso de graça a qualquer um. Me custa tanto, me custa demais. E eu não vou ceder a minha integridade pra quem não merece 1/10 de mim.


Ninguém merece a minha dor.


E ter conseguido externar esse sentimento, essa certeza, foi algo... Libertador.

Eu me sinto mais em paz comigo mesma de ter consciencia disso. De ter conseguido racionalizar e explicar e poder falar sobre isso, hoje, quase 20 anos depois.


Acho que é uma mensagem importante: Se ame. Se ame muito. Se priorize. Seja a pessoa mais importante na sua vida. Você merece o seu proprio bem.

Ninguém merece a minha dor porque EU mereço o melhor de mim.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sentir, agir, viver, seguir

Seguimos.

A rotina ainda nem havia se instalado direito e já precisa ser revista.
E eu não sei como levar nem as pequenas responsabilidades.

Faço o possível.

Levo Rebeca pra aula. Recebo visitas. Essas são coisas que parecem ajudar, mas infelizmente duram pouco.

Na verdade o que dura pouco é o humor.

Não estou bem e tinha muito tempo que eu ficava tão mal por tanto tempo.

Por mais que nas férias eu tenha conseguido levar os dias razoavelmente bem, não chegou nem perto de ser bom. De poder dizer que eu não estava deprimida ou ansiosa. De poder bater no e dizer: "estável".

Se nas férias que eu estava um pouco melhor eu não conseguia fazer um bolo de aniversário, agora com mais atividades e a iminência das mudanças e problemas de saúde voltando a ser mais presentes, tenho dificuldade de fazer o almoço. Tirar roupas do varal. Escrever. Levantar da cama. Dormir...
Tudo requer um esforço muito maior. Como se o tempo todo eu carregasse um saco de 5kg de arroz em cada ombro, cada pé...
Pensar e interagir exigem concentração, calma. Sinto como se estivesse o tempo todo de mal humor. Tenho dormido pouco.
Com mais dificuldade de adormecer fico na cama torcendo que o tempo passe e o dia seguinte chegue e eu não precise me sentir culpada por estar acordada: já é dia.
Não consigo aproveitar o tempo extra acordada nem pra assistir filmes. Sozinha de madrugada fico com medo de ficar na sala ou outro lugar da casa que não o quarto fechado e seguro. Me sinto exposta. Vulnerável. E por dividir o quarto com o marido e a filha não uso muito o celular para não correr o risco de acordar qualquer um dos dois...

Então o que consigo fazer é apenas seguir.
Um dia de cada vez.
Quando me sinto mais disposta adianto alguma coisa. No resto do tempo procuro me permitir não estar bem ao máximo do que é possível com toda a culpa que me consome.

Se o ciclo de me sentir incapaz já não fosse suficiente ele se auto alimenta me impedindo de fazer o que preciso. Vivo do mínimo e tento aceitar.

Eu sei que é só uma fase. Sei que isso vai passar. Sei que demora, que é difícil, mas também sei que passa.

Sempre passa.

A certeza de, mesmo durante a tempestade, saber que o sol vai brilhar de novo amanhã. Só não o vemos por trás das nuvens mas ele continua ali.

Espero por ventos melhores para soprar esse mal estar de dentro de mim. Espero.
Quando posso faço os meus esforços para ajudar a mim mesma e virar essa página mais rápido.
Mas não adianta ter pressa por mais que o desespero apareça para assombrar minhas parcas tentativas. Tem mais a ver com resiliência. Com continuar aqui e seguir em frente independente de qualquer coisa.
De seguir.
Ter a certeza que o caminho e longo mas não e todo de barro. Que a estrada vai voltar a fluir.
Enquanto isso, presto atenção nas flores.
Paro, respiro, sigo em frente.

Hoje eu já consegui escrever.
Hoje já é um dia bom.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

E sexta feira e eu não sei...

Tive uma conversa ontem que virou discussão e por fim desabafo.

As férias acabaram e o que senti foi que a cortina de humor e disposição que me cobre nesse período se fechou.

Aplausos, foi um belo espetáculo. Mas ao fim de cada teatro nós pegamos nossas coisas e voltamos para casa.

E em casa nos deparamos com a bagunça que deixamos antes de sair. "Arrumo quando eu voltar" falamos sem pensar no cansaço da volta.

De repente uma notícia de jornal me tirou o chão e me fez sentir medo.

Em minha mente vi toda a falta de segurança, de liberdade, de civilidade, de humanidade, sumirem em segundos.

Em segundos me senti em perigo. Em segundos eu senti que precisava defender minha filha e seus direitos mais básicos.

E em minutos uma conversa sobre um artigo no jornal virou uma discussão e por fim um desabafo.

E me senti inundar por todo o sentimento de inadequação, de incapacidade, de ...

Olhei pra mim e vi alguém que fez escolhas ruins. Alguém que fez as escolhas possíveis, mas que hoje se vê presa a uma realidade que não me completa. Presa numa casa, cidade, estado, país, sem chances de buscar ou tentar conhecer novos horizontes por mérito próprio.

Alguém incapaz de mudar a própria realidade.

De garantir a segurança, a autonomia e a liberdade de minha filha. De protege-la... De dar a ela chances melhores, de ser quem ela quiser ser, onde ela quiser ir.

Alguém incapaz. Alguém que depende dos outros para tudo e exatamente por isso incapaz de mudar isso.

Em segundos fui inundada por uma tristeza e um enorme desespero.

A conversa acabou, as lágrimas secaram, me concentrei em respirar e deixar o dia terminar.

A intensidade desses sentimentos me cega para o mundo real.

A bagunça na casa me impede de ver a sala, os quartos, e cada canto desse que é o meu lar.

A bagunca de sentimentos intensos demais nessa retomada da rotina após as férias me impede de ver as coisas boas que vivo e faço.

Então eu apenas deixo o dia acabar para poder dormir e descansar um pouco. Apreciar o silêncio da noite quando tudo em volta já dorme, e deixar que esse silêncio me preencha.

Encontro refúgio nos pequenos luxos e prazeres que posso alcançar. Uma tarde menos quente, um jantar de sabor forte, uma fuga gastronomica para calar e engolir o choro.

Vai passar.

Arrumar a casa pode dar trabalho mas é necessário para encontrar o conforto escondido por trás das almofadas fora do lugar.

Respiro. Tomo um café.
Em alguns dias as coisas voltam ao normal.
Eu também.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Sobre se reencontrar...

Depois da festa e da animação vem o dia a dia, e a realidade é outra...

Não estou nada bem. Esse ano foi emocionalmente desgastante e eu me vejo imersa a inúmeras questões pessoais, buscando respostas e não encontrando nenhuma senão a certeza de continuar procurando até me encontrar.

Me sentindo constantemente triste, cansada, insatisfeita. Não tenho vontade de sair, e mesmo que sinta falta e querer os amigos por perto, não tenha ânimo para fazer convites. Ter que pensar em conversas, que não sejam reclamar de como me sinto, causa uma sensação automática de exaustão. Não consigo me alimentar direito, a comida na maioria das vezes tem gosto ruim e eu acabo passando os dias a base de sanduíches, miojo com muito, muito, queijo ralado, pizza de salsicha e arroz com ovo.

Na esperança de essa deficiência alimentar não causar tanto dano, continuo tomando as vitaminas indicadas pelo médico...

Mas as vitaminas não impedem os números na balança de aumentar e a minha energia de diminuir.

Durmo o máximo que posso porque sei que esse é o caminho para me manter no limite do aceitável.

Me sinto uma fraude. Não, não é isso. Fraude seria se eu estivesse enganando alguém. Não sei se é o caso.

Me sinto incapaz. Sem conseguir um trabalho formal fico pensando em soluções mirabolantes. Falo sobre um curso que quero fazer como se essa fosse ser uma saída para a independência financeira que nunca tive. Nåo acredito que a ideia seja boa o suficiente se eu apenas quiser fazer o curso porque gosto do assunto e quero conhecer mais e estudar. Vou depender de outra pessoa para pagar pelo curso e sinto que só conseguirei apoio se acreditarem que, dessa vez, mais uma vez, vai dar certo e eu vou alcançar o tal sucesso profissional medido em sua capacidade de receber pelo que você faz...

Eu escrevo o que consigo. Não há nada que eu queira fazer diferente disso. Tenho lido livros que ensinam técnicas de redação, narração, apresentação, como tornar o que você escreve um produto. Se não consigo ir muito longe na criação então que eu procure me aperfeiçoar. Não quero fazer nada diferente do que escrever...

A sensação de incompetência me puxa de volta e as idéias somem rápido. Não há iniciativa forte o suficiente para quebrar a barreira.

Quem sou eu? O que eu quero? O que eu tenho? Se tudo a minha volta ruir, o que eu terei que sera meu?

Quando meus pais não estiverem mais por aqui, qual sera a família com quem irei passar meu Natal? Quem seråo as pessoas do meu lado no Ano Novo daqui a 15 anos?

Se meu esposo sofrer um acidente, como vou poder sustentar a mim e a Rebeca?
Que tipo de vida eu terei e poderei proporcionar?

Quando eu sinto que tenho uma casa logo sou lembrada que a mesma não é minha. Que não tenho nada que seja meu. Que tudo que existe a minha volta e mantém a minha vida existe por vontade e favor de outra pessoa.

Não fui capaz de estudar, fazer uma graduação, ter um diploma, exercer uma profissão, ter uma vida normal. E hoje, aos 36, simplesmente continuo me sentindo tão fragilizada e incapaz de mudar esse quadro quanto aos 13 anos e tive minha primeira crise.

O país inteiro numa crise fabricada por interesses excusos, o aumento da violência, onde criar minha filha com segurança? Como me esconder dessa onda de intolerância e permitir que ela viva livre e segura? Como fazer isso sem ter nada?

Então me concentro nas pequenas coisas.
Acordo de manhã e ajudo a Rebeca a se arrumar pra aula. Acompanho minha filha a suas aulas de dança e me lembro que pra tudo é preciso dedicação e persistência.
Faço companhia para minha mãe e tento entender suas limitações, tão parecidas com as minhas, e apenas fico com ela na esperança que por não se sentir sozinha ela se sinta mais segura.

Programo as compras. Tento fazer planos de controle de gastos e onde focar os esforços para pagar dívidas que não deveriam existir mas existem e precisam ser pagas.

Ajudo os amigos quando e como posso. Pode estar ruim pra mim mas o pouco que posso fazer pelos outros será feito. Estamos perdidos em nossas bolhas e nossos problemas mas não estamos sozinhos. Me afundo um pouco mais no sofá, giro os juros do banco, mas ajudo e mostro talvez o que eu queira me lembrar: não estamos sozinhos.

A noite na hora de dormir converso com a Rebeca sempre que o humor e o tempo permitem. Ela me conta sobre a escola, sobre os amigos, sobre o curso, sobre os programas que assiste e as músicas que ouve. Vou descobrindo como ela vê o mundo, e respondo todas as perguntas que ela me faz da melhor forma possível.

Ela cresce tão rápido e eu não quero um dia olhar pra trás e pensar que poderia ter aproveitado mais esses momentos se... Não há um "se". Reclamo, me canso, arranjo briga com o marido que espera ela dormir para ir deitar e tem feito isso cada vez mais tarde. Mas eu aproveito o tempo que tenho.

Porque hoje eu sinto que tudo o que tenho são as pequenas coisas e esses preciosos momentos. Então e neles que me apego até ganhar força e voltar a tentar construir minhas bases, criar minha historia. 


E hoje é o que tenho.

Amanhã é outro dia.

E essa nuvem que hoje me acompanha vai passar. Ela sempre passa.

Amanhã é outro dia.

sábado, 31 de março de 2012

Gripe? Sinusite? Dai pra pior...

Rebeca tem estado congestionada tem mais de 1 semana. Na verdade, ja tem umas 2 semanas... E pra quem tem filho sabe o que isso significa: noites bem mal dormidas, pra todo mundo.

Começa que, por não respirar direito ela acorda de madrugada. coisa de lá 3h da manhã. e como ja está dormindo, mesmo que tossindo muito, desde as 20h30, ela acorda toda descansada e achando que ja esta na hora de brincar. E ai, amigo, aja jeito pra fazer a pequena voltar a dormir!

Ai, quando volta a dormir, coisa que geralmente tem que ser eu mesma a fazer pois o Taz apesar de tentar poucas vezes consegue, ela acorda de novo as entre 7h e 8h da manhã. e ai sim, não ha quem a faça voltar a dormir antes das 11h.

Isso que relatei foram os dias bons. Nos dias ruins ela acorda mais vezes, da mais trabalho pra dormir no hora´rio e fora dele, e não dorme de manhã, indo pra escola cansada e voltando dormindo no carro e dando ainda mais trabalho pra dormir depois disso.

Enfim, estou oficialmente reclamando.

Estou cansada, dormindo mal e entrando em crise devido a N fatores que vem acontecendo aqui em casa. Com tudo isso, não consigo estudar pros concursos. a melhor coisa que consigo fazer é descansar um pouc quando a Beca esta na escola ou cozinhar alguma coisa nesse mesmo período.

Pelo menos as receitas que venho testando para um novo projeto tem me ajudado a manter a cabeça mais ou menos no lugar.

Nós tentamos revezar aqui em casa. Meio que uma noite eu levanto com a Beca e outra o Taz. Mas como isso ja vem se arastando há 2 semanas e, mesmo so um levantando os dois acabam acordando quando ela acorda chrando ou nos chamando, o sono fica cortado de qualquer jeito.

E casal, cansado, em crise pessoal e cnjugal só da em 2 coisas - brigas sem sentido e muito mau humor.

Até que apesar de tudo estamos levando bem. brigamos pouco. Mas o humor esta ruim e meio que pra não brigar acabamos sempre evitando muita conversa, mesmo ela sendo tão necessária no momento que estamos vivendo.

Hoje não sei como vai ser a minha noite. Usei um remédio pro nariz adeuqsdo para casos de sinusite, mas a verdade é que por mias que eu ache que é isso que ela tem, eu não a levei no médico dessa vez. Honestamente, estava esperando que passasse sozinho.

Nosso inalador caiu no chão na ultima vez que tivemos uma crise dessas e agora faz um barulho tão grande que tornou quase impossível usá-lo. E ela já não colabora muito, e tem medo do barulho, ai, pronto, não estava nem fazendo inalação.

Estou contando já que segunda feira terei que leva-la ao Pediatra. vou tentar marcar uma consulta, encaixe, com o Pediatra dela mesma que sempre é melhor, veremos.

Minha preocupação vem da conversa com os outros pais na escolinha da pequena - crianças, mais de uma com pneumonia e varias com uma tosse carregada e que vem se arrastando.

Tudo isso resultado de uma mudança de tempo que aconteceu por aqui, nessa mudança de estação.

O outono aqui chegou dando as caras e o tom do que deve ser a estação fria aqui em casa.

Espero honestamente que tenha algo que eu possa evitar pra Beca não sofrer tanto esse ano. Por que, se no outono, a primeira crise eu ja estou assim, fico com medo de imaginar os proximos meses.

No minimo, ja sei que tenho que providenciar um novo inalador.

E talvez uns dias de folga.

Bem vindo Outono! Xô dodoi! Deixa minha menina em paz!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tradição de sexta feira

Sim, hoje é sexta a noite e como ja disse uma vez, tento sempre fazer esse post, tendo-o como tradicional e aquele com o qual podemos contar.

Quero agradecer muito todas as palavras de conforto que recebi. A morte é pra mim algo muito complicado de lidar - sem duvida ainda tenho muitos anos de terapia na minha frente para poder entender o quanto ter visto minha mãe ter sua primeira crise de sindrome do panico aos 5 anos dei idade onde ela acreditava que estava morrendo, a morte de minha avó 8 anos atras um dia antes do aniversario do meu pai, e a minha propria falta de fé na mais comum forma explicavel. Enfim... E dificil, não to muito bem, mas com certeza ja estou bem melhor. Nada como um dia depois do outro - e a magia que pode ser a bipolaridade em alguns momentos da vida.

Não, nunca é bom ser bipolar. Mas com os anos de tratamento e autoconhecimento ela pode sim ser util. No minimo voce sempre pode contar que a sua propria doença, se voce deixar, vai mudar o seu humor e fazer voce se sentir melhor de novo. Fato. A questão é o quanto voce pode e deve controlar essa virada que vem, sempre vem, quase como um mecanismo de defesa no meu caso quando começo a ficar muito deprimida.

E, sim, ela veio. E estou aqui na minha luta, segurando esse leão, que não sabe se foge ou se come minha cabeça. A mania ta ai, ou melhor meu quadro de ciclotimia esta ai. Fraco, graças a medicação que não largo, funcional e atuante. Mania essa util que me impediu de cair numa depressão das mais profundas, pois é nelas que lidar com a morte me joga. E agora eu me seguro como posso, como uma criança empinando uma pipa, soltando um pouco a linha quando o ceu fica limpo, mas nunca deixando a pipa solta demais a ponto de se perder no vento.


Ok, ja devaneei muito ai, acho que ja deu pra pegar o espirito da coisa. Nada bem, mas não tão mal, ok? Aos poucos, dia a dia, vou voltando ao normal. Fico feliz nessas horas de poder ter com quem contar. E feliz por ver que muitos amigos distantes ainda me oferecem uma mão, um braço talvez, nos momentos de apuros. Esses sim são aqueles de verdade, que pode ter distancia e tempo, mas nutrimos aquele carinho e aquele respeito mutuo que mantem a amizade acesa.

Agora tento me concentrar em alguma coisa mais proxima, agradavel, especifica. Não consigo. Mas tento.

Teve uma outra coisa que bagunçou meu mundo esses dias: o trabalho do Taz. Alem da morte do meu primo na terça feira, na quarta feira, pra ajudar, o Taz ficou sabendo que o dono da escola onde ele administrava uma lanchonete nçao ira renovar o contrato com ele. Mais, vai romper o contrato ja, agora. Em fevereiro ele não voltara com a cantina. Ele esta, oficialmente, desempregado. E os dois agora estão a discutir os termos da saida dele e da permanecia dos funcionarios na nova administração.

Nessa esperamos apenas que seja feito um acordo bom o suficiente pra que ele possa dar andamento em algum outro trabalho. Pensamos em algo temporario mas que nos permita no minimo manter o que ja estavamos planejando: mudar de casa, colocar a Rebeca na escola, manter meu tratamento. E claro, com as incertezas, algumas coisas terão que mudar.

Agora vem a parte de priorizar uma coisa ou outra. e vou dividir aqui com voces o que me passa pela cabeça. sair da casa dos meus pais é muito importante pra mim? Sem duvida. Tem sido sufocante ficar mais tempo aqui do que o planejado. É psicologicamente desgastante por mais que meus pais sejam pessoas boas, e queiram o nosso melhor, ainda é do jeito deles. E o jeito deles é bem pouco encorajador. Sabem aquelas pessoas que dizem assim "Olha, voce precisa ajudar aqui em casa, precisa resolver sua vida..." e ai quando voce fala "Ok, então vou me mudar pra X fazer Y" eles dão risada da sua cara e dizem que voce não vai conseguir se sair bem? É assim... Como aquelas mães cliches que dizem "Filho, voce precisa encontrar uma boa moça pra casar, mas nenhuma mulher vai jamais te amar e te tratar tçao bem quanto eu".

Enfim. Ainda sim, estou vivendo com eles ate agora e, se não houver alternativa, continuarei. Existe uma luz no fim do tunel, um plano, que assim que der certo, pois é uma questão de tempo e insistencia e persistencia, muita coisa vai mudar. Inclusive eu de casa. Então, preciso acreditar nisso e tentar ter a minha vida da melhor forma possivel em conjunto com eles, apesar das coisas ruins. Afinal, eu tambem não sou nenhuma santa.

Mas a minha prioridade é a Beca. E tenho visto que ela precisa de mais do que posso dar a ela ficando com ela em casa. ela precisa de mais espaço, de mais liberdade pra brincar, se desenvolver.Crescer. E eu sinto que estou travando esse desenvolvimneto dela sendo insegura, sem iniciativa. Acredito qie ela esteja pronta pra ir pra escolinha. Acredito que sera o melhor pra ela. Acredito que sera bom pra mim voltar a ter esse periodo do dia pra fazer outras coisas, como cuidar de mim, trabalhar nos meus projetos (sim, eles existem), cuidar da minha saude sem depender de outras pessoas pra isso, voltar a dirigir. Acho que estamos prontas e precisamos desse momento pra crescer. E curtir ainda mais os outros momentos que ficarmos juntas. E essa é a minha prioridade atual. Então, assim sendo, vou fazer e abrir mão do que precisar pra isso funcionar.

E uma das coisas que ja sei que terei de abrir mão é da minha psiquiatra. Da medica, não do tratamento. Ainda mais agora, com a incerteza do emprego do Taz, de o que ele vai fazer, quanto vai ganahar, pagar uma psiquiatra fora do convenio não é viavel. Ja estou devendo horrores pra ela pois faz 2 meses que nossa outra renda não comparece nos deixando super apertados. Sem a renda certa, que era a que vinha do Taz, vamos ter que abrir mão de mais do que eu imaginava. E entre abrir mão do convenio que temos e passar a fazer o tratamento pra bipolaridade pelo convenio, pelo menos temporariamente, opto por fazer o segundo. vou esperar o mes acabar e ir na proxima consulta pra falar com ela sobre isso pois tenho experança que algumas coisas ainda possam acontecer e isso se reverter mais rapido. Mas se ate fevereiro as coisas ainda estiverem incertas, então...

Ta tudo muito confuso e tenho poucas certezas no momento. saberei mais coisas, com o que posso ou não contar, daqui 1 semana. Ate la... solto um pouco o fio da minha pipa, deixando minha mente subir no ceu, me animar, mas sem perder demais o controle, pois ele se faz ainda mais necessario a cada dia que passe.

Um bom fim de semana pra voces, que ele seja menos confuso que minha vida esta agora. Mas fiquem felizes sempre, pois não importa a tristeza, tenham certeza que nada é permanente.

Ou se preferir, tudo passa, ate a uva passa. Menos cobrador e motorista.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O feriado

Pronto, depois de varios e varios dias desconectada, estou eu aqui de volta, ao mundo bloguistico, e tendo que admitir que senti, sim, falta de todos.

Nosso feriado não foi NADA, mas absolutamente NADA do que eu queria que fosse, nem perto do que eu esperava que seria. Preciso ser muito sincera, ele foi bem dificil, e em sua maior parte, ruim.

Fomos sabado para o litoral, para um apto dos meus pais. A ideia era passar alguns dias por lá, "viver" um pouquinho sozinhos, so eu, Taz e Rebeca. Descansar ouvindo o som do mar, e, torcia, ter um ou dois dias bons para ir a praia mesmo, curtir a areia e apresentar esse mundo cheio dagua pra pequena.

Na ida, passamos nacasa da minha madrinha para almomçar. Isso foi muito bom, comida gostosa, que eu nunca tinha comido (Putchero), boa companhia, boa conversa. Foi bem gostoso, e a Rebeca mais uma vez ganhou extremos elogios por seu bom comportamento, ao ir comer conosco na mesa, e não fazer bagunça, nem escanda, nem nada disso. comer, bem, experimentar tudo que deixamos, sorrir e tudo o mais. Isso por que antes do almoço, quando ainda estava com fome estava estranhando todo mundo. Sentar na mesa junto com todos, ver que estavamos todos iguais ali, fazendo a mesma coisa que ela, foi exatamente o que fez com que ela se sentisse a vontade, feliz, e passasse a se divertir e brincar com todos.

Espero que a mamães ai prestem atenção nisso, é importante. Leiam de novo: quando ela se sentiu igual, se sentiu segura. Dava pra fazer toda uma analise social, psicologica, etc em cima isso, mas e real. então, quando seus bebes chegarem na fase de estranhar as pessoas, o que quase todos chegam, e os lugares, lembrem disso: incluam o bebe nas atividades.

Enfim, tirando o fato que o Taz confundiu as minhas tias e errou o caminho pra chegar la, o almoço foi um sucesso.

De la, seguimos para o litoral. Tentei sair da casa da minha tia no horario da soneca da Rebeca, de forma que ela drmisse no carro, e mantivesse sua rotina de sono. Mas, minha filha não e uma criança normal e não dorme no carro com facilidade. Resultado, ela foi o caminho todo acordada. Dormiu altando 5 minutos para sairmos do carro, e acordou assim que saimos do carro.

Ela estranhou muito o apto. Muito. Tentei deixa-la a vontade, ela não aceitou voltar a dormir, então apenas fomos arrumando as coisas. Organizamos a sala do apto de forma que ela tivesse mais espaço pra se mexer, brincar, mas de forma segura, pois as tomadas e etc estavam sem espelhos. colocamos os sofas na frente, e fizemos meio que um cercadão mesmo, e ela se divertiu no mesmo.

Tive uma queda feia, no sentido tratamento de bipolaridade, não literal. Cai em mania quando cehgamos la, feliz e contente. Explico: estava pensando em talvez mudar para lá para poder fazer minha faculdade por ali, e cortr com isso o dinheiro que gastaria em aluguel em outro local. viajando completamente nessa ideia, muito empolgada por estar ali, apenas com meus 2 amores, saimos para comprar comida e voltamos com, alem da comida, uma TV. E...

Quem não sabia, bipolares em surto de Mania fazem essas coisas. Ah, e claro, se culpam horrores depois, não sabem onde colocar a cabeça. Eu sei onde tenho que colocar a minha. Por sorte, por muita sorte, Tenho como encaixar isso no meu orçamento, cortando alguns luxos. Faz parte. Vou no medico semana que vem novamente e tenho medo de pensar no que ela vai me falar... ai

continuando. A Rebeca foi super vizada enquanto estavamos no mercado. Ela e realmente muito simpatica, e o Taz carregando ela, de frente pro mundo, no canguru, e sempre algo que chama muito a atenção. Mas, quando chegamos, demos o jantar pra ela e o banho... Nos tinhamos comprado tambem o chuveiro, que tinha que ser trocado, mas estava tarde e ela cansada, o Taz resolveu arriscar dar banho nela, com ele, no chuveiro ruim mesmo, mas rapidamente.

ja no jantar, tudo errado. Ela engasgou, tinha comido muitos pedacinhos de pão, e passou mal. vomitou em cima dela, e de mim. Começou a chorar, ficou muito nervosa. Ai, adantamos o anho nessas condições que descrevi, e ela ficou com frio, muito frio. Ok, coloquei a roupa, dei a mamadeira, e ela dormiu. E acordou pouco mais de 15 minutos depois que a colquei pra dormir no berço de viagem. como não me viu, ficou tão nervosa, chorando tanto, que vomitou de novo. E eu so tinha levado 2 conjuntos de moleton, na esperança que eles seriam apenas usados para dormir. Erro meu, varios erros meus. Ela vomitou de novo, e em cima de mim, de novo. Custou para acalma-la, e essa primeira noite ela acordou tantas vezes, que eu fiz o taz ficar acordado, pois depois que tomei meu remedio não conseguia mais agir e estava extremamente insegura.

O que fizemos foi colocar o berço ao lado do colchão, que ja tinhamos colocado no chão pois a cama estava com um dos pes quebrados. coloquei o berço do meu lado, de forma que quando ela acordava ela me via, e se acalmava. Se muito, eu tinha que cantarolar algo, pra ela ouvir minha voz, e pronto. Mas nessa primeira noite, o Taz ficou com ela no colo até, como ele disse, ela começar a roncar. Ai, coloqcou ela no berço e veio deitar.

Eu estava tão insegura que acordei não eram nem 6h da manhã. Mas ok, levantei, fiz café, tentei arrumar as coisas. Mas ai, a Rebeca acordou, me viu acordada e quis ficar assim tambem. Mas, a partir dai, ja consegui arrumar um pouco melhor o horario dela.

saimos para almoçar com um casal de amigos meus e seu filho. A ideia era almoçar e levar as crianças para brincar cedo, mas tambem deu errado, saimos atrasados, demoramos muito pra chegar, tudo foi feito as pressas, e acabamos não conseguindo fazer os programas que queriamos. as crianças ficaram cansadas, e pra não ficar chato, resolvemos fazer o passei no outro dia e voltar pro apto. No caminho, a Rebeca chorava muito, irritada, no carro. Sem saber bem o que fazer, paramos em uma loja de conveniencia.

Ai, me deu um estalo: ela tinha comido pouco aquele dia e ja estava no horario que ela costuma tomar a mamadeira. Procurei pela lojinha e, com sorte, encontrei uma papinha nestle de carne com legumes e macarrão. Pronto, resolvido o problema dela: ela estava com fome.

Eu tinha conversado com meu amigo sobr eo fato de ela estar com seus 11kg. E fiquei pensando muito sobre isso depois. E fui ver a curva de crescimento de novo. E cheguei a conclusão que, tirando a minha neurose idiota, não te nada de errado com o peso dela. A partir do momento que se analisa a relação peso e altura, ela continua certinha. Mesmo que fora do padrão, ela esta na curva 95 mesmo. E que como ela tem cara de bebe ainda, parece muito mais...

Enfim, resolvido a questão da fome, voltamos para o apto e consegui manter melhor a rotina dela. No dia seguinte, sai mais preparada, tentamos curtir mais e meu amigo nos fez o favor de lavarmos as roupas na casa dela. Mas ainda sim, foi muito cansativo.

Tão cansativo que, chegou no fim do dia, ontem, eu desisti de esperar que o tempo fosse melhorar e resolvi votar pra casa. Tive que voltar pra casa para poder descansar. Me parece ate idiota isso, mas foi o que aconteceu. coloquei a pequena pra dormir, e arrumei as coisas pra voltarmos pra casa. Acordei o Taz que estava descansando e voltamos.

Sabem o que aconteceu? Funcionou. Chegamos aqui, Rebeca dormiu perfeitamnete bem ate de manhã, nos dois descansamos, tanto a pequena quanto meus pais ficaram felizes de se ver, e de quebra, ficaram um pouco com ela pra eu ir ao cinema com o Taz.

Ver os amigos é bom, mas tudo fugiu tanto do que eu queria, do que eu tina imaginado, que acabou sendo um feriado ruim. Eu fui pra praia com um intuito que não aconteceu e por ter isso com esse intuito, o que de fato aconteceu foi mais cansativo e não tão legal quanto poderia ter sido. Sem contar todos os pormenores...

E tanto foi assim, assim... Que voltei sem fotos bacanas. E, sem muita vontade de me mudar pra la. Agora, preciso deixar a bola baixar, voltar ao normal, estabilizar. E fazer umas contas e ver o que vou ter que deixar de fazer pra arcar com as consequencias da crise...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Antes de um grande dia...

Amanhã, ou melhor, hoje já, é o mesversário de 6 meses da Rebeca. Nossa como o tempo passa!!
E, antes de fazer um enorme post falando da pequena e de como ela esta e de como foi esse dia, e todos esses etc que vocês querem saber e eu to doida pra contar, quero falar um pouco de mim, ontem, e hoje.

Eu diria que é uma especie de retrospectiva, um bom tanto de desabafo e reclamação, e devo dizer que isso tudo se deve a uma noticia que tive hoje que não foi nem de perto boa.

Quando paro pra pensar na minha vida, em como eu era quando criança, minhas caracteristicas, meus sentimentos, minha forma de lidar com as coisas, acabo acreditando que de fato eu sempre fui bipolar. Meus pais contam historias impressionantes de como eu, bebe ainda, passava noites e dias em claro antes de adormecer para passar mais 2 dias em claro, e eles, que nunca foram feitos de ferro apesar de quando criança a gente gostar de oensar assim, tinham que colocar os colchões no chão do quarto, forrando tudo, e deitar neles, me deixando brincar a noite toda, enquanto eles capotavam. Dizem eles que eu brincava a noite toda, ou pelo menos assim parecia, pois eles dormam eu estava brincado, e eles acordavam eu ainda estava brincando.

Tenho guardado até hoje alguns relatorios que minhas professores do jardim da infancia escreviam sobre mim, e elas descrevem que eu sou hoje quase com perfeição.

Quando eu tinha nove anos fui fazer um mapa astral, pois era a "mania" da minha mãe na epoca, e a astrologa ficou impressionada comentando, com essas palavras: "eu nunca vi alguém se conhecer tão bem".

Na mesma época eu fiz vestibulinhos apra trocar de escola, e não só a professora que me dava aulas particulares ficava boquiaberta comigo, como aqueles que corrigiam minhas redações.

Fiz terapia durante minha infancia pois meus pais achavam que eu deveria ter algum problema de comunicação. A primeira coisa que eles ouviram da terapeuta foi que eu não tinha problema de comunicação algum, apenas uma forma muito particular de me expressar, e eles que não prestavam atenção no que eu falava.
Dessa época a minha pérola infantil foi "Adriana, conta pra mim,quem é que manda na sua casa, sua mamãe ou seu papai? (ao que eu respondi prontamente) - Eu!"

No entanto nessa época eu ja não estava muito bem... E mudar de escola não foi la a melhor decisão que meus pais tomaram na minha vida, apesar de que eles com certeza não tinham ideia que seria tão ruim quanto foi de fato.

Eu estava na sétima série, 13 aninhos, quando tive a minha primeira crise de verdade. Fiquei bem mal, chorava muito, durante a sexta série inteira não teve um mes que eu não tenho tido algum problema fisico. E na sétima eu decidi tocar o chamado F. e chocar ja que eu não era capaz de agradar.

Acabei saindo da escola no meio do ano, perdi o ano letivo, iniciei um tratatamento que não durou um mes que fosse, e seguiram-se meses em casa, que mesmo saindo com os amigos de minha irmã de vez em quando, coisa que eu ja fazia tinha mais de um ano, finalmente, em 1996, as coisas começaram a mudar.

Em 1998 eu comecei a namorar com o Taz. Isso, eu tinha 16 anos na época. Vão fazer 12 anos que estamos juntos em julho. E ele ficou comigo durante todos os problemas, altos e baixos, que tive, por mais dificil que tenha sido.

7 anos atrás minha avó morreu, 1 dia antes do aniversário do meu pai. Ela estava com cancer, e foi uma epoca muito dificil pra todos nós. Quem atendeu o telefone com a noticia fui eu, que estava trabalhando as 5h da manhã. Não consegui falar nada, agredeci por dentro por na hora que minha tia me falou meu pai descer as escadas pois eu não mal conseguia respirar. Tudo que consegui fazer foi entregar o telefone pra ele e chorar.

Foi nesse dia que tudo virou de ponta cabeça.

Por causa de ter existido esse gatilho, chegaram a questionar o diagnostico de bipolaridade alguns anos depois. Eu tento explicar que o gatilho não iniciou o problema, só foi a ultima gota de agua em um copo muito cheio.

1 ano depois eu estav tão mal que chorava enquanto dormia. Quando dormia, pois ficava as vezes 3 ou 4 dias sem dormir. E eu sbia que estava mal, sabia mais ou menos o que eu tinha, e decidi que não queria ficar daquele jeito. Eu sabia até onde aquilo podia me levar e eu NUNCA quis ir tão longe. Comecei o tratamento, que incluiu uma internação após eu contar a psiquiatra na epoca que eu não sentia mais nada, absolutamente mais nada, a não ser vontade de dormir, cansaço, sensação de não querer mais ser um estorvo na vida das pessoas e, alem de tudo isso, tomar facilmente 8 comprimidos de calmante para dormir a noite,e as vezes continuar acordada.

Foi no final de 2004 que eu engravidei pela primeira vez. Foi uma das melhores coisas que eu senti na minha vida. Quando eu peguei o positivo, pela internet, eu estava com um cigarro na mão. Eu o apaguei. Fui acender outro apenas depois que soube que não poderia dar continuidade a gravidez. E o melhor virou o pior.

Mas depois que eu me recuperei um poco de tudo isso, e lembrei do que senti, do que pensei, do que fiz, eu sabia que era algo que eu queria mais que tudo que eu ja quis antes. E dali em diante, todos os meus esforços foram voltados a esse fim.

Refiz uma grastroplastia pois precisava perder muito peso.

Assumi o tratamento com muita seriedade.

Tentei voltar a trabalhar insistentemente.

Quando vi que me sentia pronta a tentar, ainda levou 2 anos para que a passasse a existir.

E hoje ela esta dormindo no quarto dela, gostosamente, no seu mesversário de 6 meses.

Foi dificil passar a gravidez inteira sem tomar remedios, sentindo a culpa de não ter conseguido parar de fumar, e a solidão que veio inesperada de todos os lados, menos de dentro.

Dizem que quando você esta gravida você nunca esta sozinha. Por um lado é verdade. Mas o bebe que esta pra nascer não é companhia suficiente quando você precisa dividir seus medos, suas angustias, suas vitorias, seus desejos, seus sonhos. Não é alguém que vai te fazer um carinho ou te paparicar, passando a mão na sua barriga ou coisa do genero. Não é alguém que vai com você ao cinema, ou fazer um ultrasom, ou nada assim.

Mas e tão abolutamente bom te-la comigo, que me dava tanto medo que pudesse ser um sonho, que eu fui conseguir dormir ja estavamos em Janeiro desse ano.

E é pensando nisso que, não importa o qaunto eu possa sentir raiva, ou magoa, ou qualquer coisa, torna possivel "encarar". Eu consquitei o que eu queria, eu consquitei a minha motivação, a minha felicidade. Pois ela é isso, assim, meu sol no meio da minha tempestade.

A MAgoa existe, a raiva também, e todos os outros sentimentos, e como toda boa bipolar, são confusos, intensos, e muitas vezes fora de controle e desmedidos.

Mas, e dai?

Eu queria um jacaré... E agora eu tenho a minha Rebeca.

Feliz Mesversário!!!