De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!

domingo, 22 de julho de 2018

De domingo a domingo

Hoje foi um domingo com bastante cara de domingo.

Sabe aqueles dias que são lentos? Calmos? Que você não faz nada o dia todo e não sentiu vontade de fazer nada diferente disso?

Pois é...

Por mais que eu goste de sair ou receber pessoas em casa, principalmente receber pessoas em casa, as vezes eu sinto que preciso de dias como hoje.

Tenho tido a cabeça cheia de preocupações nos últimos meses. Minha mãe não está muito bem de saúde e além de lidar com o stress e insegurança que ter uma pessoa da família com a saúde fragilizada causa, ainda temos que lidar com burocracias e pagamentos de convenio, medicos, hospital.
Adicione a isso uma reforma na casa, uma decisão de mudança de endereço e modo de vida, mais a rotina do dia a dia com todas as já habituais dificuldades e pronto, temos um cenário perfeito para uma crise.

Mas no entanto não foi isso que aconteceu.
Não estou em crise.
Me sinto talvez em modo de espera em boa parte do tempo. Mas a verdade é que sou uma pessoa bem paciente.

Nesse mês de férias escolares meu sobrinho esteve por aqui para passar tempo com a Rebeca. Foram quase 20 dias e foi ótimo ver os dois brincando e se divertindo juntos, mesmo quando eles se estranhavam um pouco.

Mas ter ele aqui somado a situação que descrevi me manteve num ritmo diferente do meu habitual. Dormindo pouco, pensamento acelerado... Foi bom, mas sinto que preciso de alguns dias para voltar para os eixos, descansar.

Ontem e hoje essa necessidade de me voltar a mim mesma me levou a ficar meio antisocial, um tanto nostalgica, mexendo em álbuns de fotos antigos.

Me sentei no sofa em meio a fotos da minha infância, da minha família, dos amigos... Cerquei-me das boas e das más lembranças. Lembrei do tempo que era fácil, talvez?
Não encontrei diversos álbuns de fotos que sei que existem da minha adolescência, que era os que eu mais queria ver. Não tem problema. Continuarei procurando.

Mas o que me veio a cabeça nesse momento de introspecção foi uma frase que meu marido me diz há 20 anos: "Pra quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saída".

Me senti me procurando. Talvez ao olhar quem fui eu caminhe mais tranquila por onde estou.

Hoje foi um domingo com muita cara de domingo mesmo.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Escola é lugar de educar sim!

Eu já vi muitas vezes as pessoas repetindo que na escola se aprende apenas as disciplinas formais (português, matemática, ciências, etc) e que educação se aprende em casa. Inclusive das próprias escolas e professores.

Não sei se algum dia eu acreditei nisso também.
Meu pai teve uma escola por muitos anos. Eu fui professora de inglês por algum tempo.
E parando pra pensar, a minha relação com os alunos nunca foi essa.
Ate porque a minha postura na vida sempre foi a de acolher e explicar. Mas eu nunca associei a minha postura pessoal como um ideal de educação a ser seguido. Na época eu questionava, mas lá no meu íntimo. Da boca pra fora eu repeti algumas vezes aquela afirmação la de cima.

Ai eu quis ser mãe, e comecei a tentar entender melhor o que é educar alguém.
E depois que a Rebeca nasceu, foi crescendo, entrou pra escola e eu pude ver de verdade o que é educar alguém, o que é ajudar um ser humano a se formar e criar sua identidade, eu entendi.

Escola é lugar de educar sim.
Casa é lugar de educar sim.
Escola se aprende disciplinas formais sim.
Casa se aprende disciplina formais sim.

Por que ser humano não é um robozinho, um programa de computador que você abre e fecha aplicativos, caixas, planilhas, e escolhe que ele vai absorver apenas aquilo que você quer que ele absorva.

Ser humano é esponja. Ele aprende o tempo todo, 24h por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.
E quando somos crianças todo esse aprendizado é elevado ao quadrado, ao cubo, por que é a primeira vez que eles tem contato com tudo. Então somos responsáveis o tempo todo, por todas as crianças que temos a nossa volta. Por todo adolescente. Por que somos aquilo que eles vem, e é com o nosso exemplo, com as nossas ações, que eles aprendem.

Porque não adianta você achar que vai ser professor de matemática e só vai ensinar criança a fazer equação de 2 grau, e tratar mal aluno que aprende devagar, ou agir de forma racista e preconceituosa, gritar pra classe  prestar atenção, e achar que nada disso vai ter efeito nenhum na vida dessas crianças.. Porque quando você faz isso você ta ensinando a todos eles que todos esses comportamentos são aceitáveis, especialmente vindos de uma suposta figura de autoridade.


Minha filha hoje tem 8 anos. Ela presta atenção em tudo que alcança o radar dela. Eu posso estar cochichando que ela ouve.

Ela chama minha atenção toda vez que eu falo um palavrão. Mas ela também presta atenção se eu falo com ela usando o tempo verbal correto nas frases, se eu pronuncio as palavras corretamente, e se eu faço pausas enquanto falo para que ela tenha tempo de entender o que estou dizendo.

Ela presta atenção se eu falo obrigada, por favor, bom dia. Ela presta atenção toda vez que eu decido ajudar alguém. Toda vez que eu decido abrir mão de algumas moedas no farol, ou emprestar dinheiro pra um amigo, ou dar apoio a alguém doente. Ela presta atenção em como eu trato meus pais, meus sogros, minha irmã, minhas cunhadas. E isso ensina a ela como deve se comportar muito mais do que quando eu cobro que ela faça essas coisas brigando com ela, chamando atenção.

E ela aprende a ver horas, aprende a história da nossa família, aprende música, aprende a contar o dinheiro que tem no cofrinho ou as moedas para um doce, aprende os aniversários e as datas de nascimento e como fazer a associação dos dois. Aprende a respeitar os animais, as plantas, e a importância disso na nossa vida.

E eu sei que ela presta atenção em tudo isso com todas as pessoas que ela tem contato.

Ela já sabe que quando vai na casa dos avós paternos ela deve colocar pouca comida no prato e estar disposta a comer mesmo se não gostar, por que o avô dela faz questão que todos comam tudo o que colocaram no prato. Porque ele foi ensinado assim, porque ele já passou muita necessidade e sente que nada deve ser desperdiçado.

Ela sabe que aqui em casa tudo bem não comer o prato todo. Podemos guardar pra depois, ou dar pro cachorro, ou qualquer outra coisa. Porque aqui é mais importante saber identificar quando se esta satisfeito e saber dizer não a si mesmo, saber parar. Porque aqui o problema é a gula.

Na escola ela sabe que deve respeitar a professora e que não deve brigar com os colegas. E que se alguém caçoar dela ou pior, que ela deve procurar a ajuda de um adulto. Mas ela também sabe que pode se defender se alguém tentar machucá-la.

Se a escola se exime do seu papel, escolhendo para si apenas uma parte, ela não esta realmente fazendo isso. Ela esta automaticamente ensinando algo a essas crianças e adolescentes. Está ensinando que não se importa se eles se tornarão boas pessoas, ou cidadãos conscientes. Esta ensinando que não se importa se eles não sabem respeitar o próximo. Esta mostrando que a gente pode sim escolher apenas a parte que nos interessa e deixar o que não queremos para outras pessoas.

A maioria das crianças que conheço passa cerca de 12h na escola. É muito mais tempo do que eles passam com a família. Não é possível achar que o que uma criança vive durante 12h vai ter menos ou nenhum impacto comparado as 4h que passa acordada com a família.

Somos todos responsáveis. O tempo todo. Seja você o tipo de aluno que você quer na sua sala de aula. Estamos criando seres humanos, não maquinas. Não basta dar informação. Temos que dar o exemplo.

Bom fim de semana.

sábado, 2 de junho de 2018

Da vida que segue e das mudanças que passamos...

O tempo passa. De repente ficamos um dia sem escrever e deixamos pra lá. "É só um dia" dizemos a nós mesmos.
Um dia então vira uma semana. Um mês. "Estou num momento ruim, não tenho ânimo para escrever e na verdade não quero falar sobre isso. Vai passar, dai eu volto a escrever..." Foi o que eu repeti pra mim mesma nesse tempo todo que deixei de escrever no blog.
Não percebia quão mal eu estava, e como isso me impedia de ver que era o escrever que me ajudaria a melhorar e não que eu deveria esperar a tal melhora para só então voltar a escrever...

Muita coisa aconteceu. Coisas boas. Coisas ruins. Coisas boas de novo.

Eu fiz 36 semana passada.
Rebeca tem 8.
Estamos passando hoje por uma mudança grande em casa, mudando os nossos paradigmas ao mudarmos nossa casa.
Perdemos mais pessoas queridas nesse tempo que estivemos longe.
Conhecemos pessoas novas.
Viajamos, conhecemos outro país e brevemente experimentamos outra cultura.
Encontramos na família apoio, segurança, conpanheirismo, conpanhia, amor.
Ajuda
Recebemos e oferecemos ajuda.
Na alegria e na doença.
A dança hoje faz parte da nossa rotina, junto da escola. O prazer da atividade física, do mexer o corpo. A concentração atravės da música.
A determinação, a disciplina, o esforço.
Continuamos lutando contra as "ites": rinite, sinusite, e alergias.
Cortamos as nozes e o coco do nosso cardápio.
Diminuímos o óleo, a fritura, os doces.
Estou brigando pra pelo menos diminuir o refrigerante. Meu, ela não toma.
É nessa roda que gira que continuamos vivendo.
E eu tenho tantos planos...
Um deles e voltar a ficar bem.
Começo por aqui.

Quero voltar.
Estou voltando....