De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Sobre dizer adeus...

Meu sogro faleceu no mês passado.

Eu ainda estou tentando lidar com essa informação.

Não sei se posso dizer que foi repentino. A saúde dele vinha se deteriorando nos últimos 2 anos. Antes disso, bem antes, ele já convivia com a Diabete e com a hipertensão.

Acho que por serem doenças controláveis hoje em dia nós já não as vemos com a gravidade que merecem.

Ele fazia o tratamento com medicamentos e desde o ano passado tomava injeções de insulina diariamente.


Quando ele completou 60 anos nós tivemos uma conversa onde ele me disse que sentia que já tinha feito sua parte na vida: fez sua família, trabalhou, criou seus filhos, comprou sua casa. Viveu, fez besteira e cometeu erros. A partir dali, dizia ele, cada ano vivido era lucro.

Esse ano ele faleceu aos 72 anos.
Fumava muito.
Reclamava de tudo e brigava com todos. Não tinha controle emocional e falava coisas que não queria e talvez se arrependesse depois. Era uma pessoa difícil de conviver. Chegou a apanhar na rua uns 2 anos atrás por xingar um motorista desconhecido.

Mas eu e ele tínhamos essa relação boa. Não nos víamos com tanta frequência mesmo morando perto, mas sempre que nos encontramos o que tive e retribui foi carinho, preocupação e cuidado.

Tive a oportunidade de dar a ele algumas alegrias e organizar suas festas de aniversário nos últimos anos. Seu aniversário era no dia 26 de Dezembro e depois que a família cresceu muito e juntar os filhos, netos e bisnetos no fim do ano se tornava cada vez mais difícil, tentei tornar o aniversário dele nossa reunião oficial. Acredito que tive sucesso e que ele ficava grato por isso.

O último Natal ele e minha sogra passaram conosco. Independente de divergências e diferenças focamos no que nos unia e tivemos uma noite alegre e agradável.
Combinamos de repetir no fim desse ano.

O levei para ver a Rebeca se apresentar. Ensinei a ela a respeitar e entender o avô tão diferente do que ela estava acostumada. Ele ensinou ela a fazer cuscuz e por várias vezes elogiou sua educação.

Nós mudamos de casa na semana passada e todo o trabalho de preparar e fazer a mudança me mantiveram ocupada pelas semanas que se seguiram ao seu falecimento e sinto que não me permiti sentir de verdade a perda.

Com os ânimos mais calmos e a mudança já quase finalizada, muitas noites de sono depois, me vejo sentindo saudade. Lembrando de pequenos momentos, cenas, as vezes nada que parecesse especial quando aconteceu é que agora me voltam a mente em momentos aleatórios.

Sinto saudade e parece que começo a entender que agora só poderei matar parte dessa falta olhando as fotos e conversando sobre o passado.

De repente virou passado.
Deixou de ser presente para virar lembrança.

E tudo que posso fazer é me esforçar para dizer adeus...

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Sumiço

Nas últimas semanas uma série de acontecimentos me fizeram perder o tempo para escrever.

Existiram coisas boas, como as relativas a nossa iminente mudança de casa, e coisas muito ruins, como o falecimento do meu sogro, que tiraram nosso chão.

O ano não está sendo fácil, e peço que vocês tenham um pouco de paciência.

Quero voltar e detalhar um pouco mais cada uma dessas coisas, mas preciso de tempo.

Por agora senti que precisava pelo menos falar.

Estou aqui, estou levando e organizando as coisas num ambiente um tanto caótico. Estou bem pois alguém precisa estar.
Meus pais tem ajudado muito, diria que até demais pois vejo como eles ficam sobrecarregados. Mas eu agradeço.

Seguimos em frente.

Vamos nos mudar. E quando eu conseguir parar pra respirar, eu sento e conto tudo da melhor forma possível.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Aquele sobre o Natal...

As vezes somos pressionados a fazer coisas mesmo não estando seguros se e a coisa certa a fazer. Tenho certeza que isso já aconteceu com você. Esse Natal aconteceu comigo, e o resultado não foi nada bom...

Rebeca tem 9 anos. É uma menina meiga, alegre, uma criança imaginativa e que vive toda a fantasia permitida para sua idade.

Dai que esse ano começaram as indagações se ela ja não é muito grande para acreditar em Papai Noel. Que já teria idade para deixar esse tipo de fantasia pra trás.

E essa perguntas vinham de pessoas muito próximas, irmã, marido, mãe, e eu sentia que por tras dessas indagações tinha uma acusação de que eu estaria mantendo uma fantasia desnecessaria porque não aceito que ela está crescendo.


Insegura, tentei argumentar que não, que achava que Rebeca ainda não é grande demais, que não acho que exista uma idade certa para isso e que não vejo ela se apegar a existência de Papai Noel e outros seres mágicos como algo ruim.

Mas, como comecei, estava muito insegura. E acabei cedendo e resolvi fazer um teste.

Na família do Taz, meu marido, a tradição era de abrir os presentes na manhã do dia 25, e na minha na meia noite do dia 24 para 25. Durante todos esses anos seguimos a tradição da minha família. Esse último ano resolvi mudar, como um teste, para ver como Rebeca iria reagir.

Não contei a ela, mas conversamos várias vezes sobre como era na família do pai dela, etc etc...

Na noite do dia 24 abrimos os presentes mais cedo do que o de costume. Meus sogros passaram o Natal conosco e precisavam voltar pra casa e como não teria a necessidade de esperar o Sr Noel, mudamos nosso cronograma.

Mas Rebeca continuava aflita, ansiosa, esperançosa. As horas iam passando e era possível notar a inquietação dela.

Tentei falar com ela, e ela dizia que entendia, que não é porque ele, Papai Noel, tinha vindo sempre a meia noite nos últimos anos, que ele viria esse horario sempre. Que ela já tinha ganhado presentes e podia se divertir com o que tinha ganhado... E ela concordava, mas era visivel que não estava tudo bem.

Eu não quis falar que Papai Noel não viria. Eu queria ver se ela chegava a conclusão sozinha, se sentia falta desse momento de fantasia.

Deu meia noite... 1h da manhã... E eu declarei que era hora de dormir e que não iríamos esperar mais.

Ela foi para o quarto se trocar, esperei uns minutos e a segui. E Rebeca chorava. Chorava muito. Eu sentia sua dor em cada soluçar.

"Ele não veio! Ele não veio mesmo! Ele me esqueceu! Ele esqueceu!"

E de repente eu entendi o que eu tinha feito.
Entendi que eu quis adiantar algo para o que ela não estava pronta. Que provoquei não apenas uma frustração mas um sentimento de abandono. E por quê? Por causa da pressão de outras pessoas...

Mas eu não podia voltar atrás. Sentia que seria pior se eu a fizesse passar por tudo isso por nada, e cedesse no final.

Ficamos juntas por quase uma hora, eu consolando e ela chorando, ate que ela aceitou dormir.

Providenciei que Papai Noel passasse na madrugada e deixasse seu presente para ela abrir quando acordasse. Depositei embaixo da árvore o presente que havia separado e fui dormir.

Quando acordamos no dia 25 ela não acordou animada. Não estava feliz ou esperançosa. Continuava triste.
Eu a chamei para vir a sala, tomar café. E quando ela entrou e viu o presente embaixo da árvore foi como se as luzes do Natal se acendescem de novo!

"Ele veio!"

E tudo que consegui dizer foi: "Viu só, ele não esqueceu de você!"

Porque temos a necessidade de tirar a infância de nossas crianças? Porque temos essa pressa em vê-las crescer? Que mal há em manter a magia pelo tempo delas e não o nosso?

Ela não estava preparada e eu, na minha pressa e insegurança, provoquei uma dor que não precisava ter existido se eu apenas tivesse confiado mais em mim e ouvido o que meu coração me dizia desde o começo: respeito. Respeito a infância de minha filha. Respeito ao tempo dela. Respeito a sua inocência, a sua vontade, e a seus sonhos. Respeito.

Espero ter aprendido minha lição.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Sobre rotina e segurança

Antes de começar meu tratamento para bipolaridade eu abominava a ideia de rotina. Sei que muita gente, especialmente jovens, acham a ideia de rotina algo impensável.

Como se ater a fazer as mesmas coisas todos os dias do mesmo jeito?

Mas a verdade é que não entendemos a ideia da rotina no nosso bem estar.

Tomar remédio todo dia no mesmo horário, por consequência, era um desafio real. E complicado adotar um tratamento de longo prazo se você não sabe nem onde vai estar todas as noites, não é?

Mas eu olho pra trás e penso que eu subestimava o bem que a rotina podia fazer por mim, e superestimava a minha "falta de rotina".

Nos primeiros meses do tratamento, la em 2003, eu não conseguia seguir horários muito regrados, esquecia de tomar os remédios, desobedecia instruções médicas e tomava doses extras quando achava que devia. Era um comportamento perigoso, e que intensificou a necessidade de uma internação.

Vou contar pra quem chegou agora que naquele momento eu fui internada, fiquei 14 dias no hospital onde tive um tratamento intensivo e foi quando eu considero que realmente meu tratamento começou a funcionar.

Durante a internação eu fiz o que não conseguia fora do hospital: dormir. Sai de uma rotina, que eu não sabia que tinha pois não era voluntária, de passar 72h sem dormir para dormir 6h e depois mais 72h acordada, para dormir o dia todo enquanto estava no hospital devido a medicação.

E era exatamente o que eu estava precisando.

Dali em diante, anos para frente, muitas coisas aconteceram, idas e vindas, troca de remédios, de medicos, mas uma coisa foi sempre priorizada: dormir. Se começo a oscilar demais a primeira reação é dormir mais e melhor por alguns dias.

Quase como dar um reboot no cerebro.

Depois que tive a Rebeca eu entendi e adotei a rotina como parte integrante da minha vida.

Se antes eu já havia me entendido com a rotina da medicação, a maternidade me ajudou a fazer as pazes com os horários e com atividades e comportamentos repetitivos.

Rotina, eu descobri, é o que nos faz sentir em casa. Nos faz sentir seguros. É a ação que fazemos sem precisar de esforço e que nos permite prever os acontecimentos. E saber o que vai acontecer nos permite relaxar.

Num mundo que nos mantém ligados o tempo todo, atentos, de prontidão, que nos cobra atenção constante e em uma cidade onde a sensação de segurança falha, ter esses momentos de paz são essenciais para manter nossa sanidade.

Num mundo louco a sanidade é ouro.

Num mundo louco a rotina pode ser nossa âncora de segurança.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Derrapa, escorrega, cai, levanta e segue em frente

Ansiedade. Insegurança. Medo.
São definições para muito do que venho sentindo.

Incapaz de mudar como me sinto, passo os dias me distraindo e tentando não pensar muito no que me aflige. E considero bons os dias em que as coisas não pioram de quadro.

O trabalho do Taz começou muito mal esse ano. Estamos hoje com metade do número de clientes que precisaríamos estar nessa altura do ano. Diversas manutenções tiveram de ser feitas no carro de trabalho e devido a problemas externos não conseguem ser finalizadas, fazendo com que tenhamos menos procura do serviço do que o esperado.

Com os problemas no trabalho somados aos da casa, Taz não consegue se sentir seguro do que está fazendo. Inseguro, ansioso e deprimido, ele não consegue ver ou agir para melhorar o quadro no trabalho, ou a si mesmo. Duvidando de si e de sua capacidade ele tenta apenas seguir fazendo o que sabe e consegue, mas vê com temor como isso não é o suficiente.

Se pergunta o tempo todo se está fazendo a coisa certa. E apesar de minha insistente tentativa de anima-lo, em sua cabeça as respostas que ouve de si mesmo não o ajudam a reencontrar o caminho.


Precisamos nos ajudar. Fazemos isso tentando ajudar os outros. Um amigo que se sente tão perdido quanto nós e precisa de um lugar seguro para se abrigar? Ok, venha. Aqui sempre será um local neutro e nossa hospitalidade será sempre a mesma para aqueles que queremos bem. Não chegou o tempo em que negarei ajuda ou abrigo.

Se sentir perdido parece uma constante nesse momento para muita gente.

Se o que podemos fazer e nos juntar para um jogo ou um jantar para ter um momento de relaxamento e felicidade então e o que faremos.

E quem sabe encontremos uns nos outros o apoio necessário para encontrar nossas respostas.

Hoje resolvemos um dos inumeros problemas que temos à resolver.
Hoje já é um dia bom...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Sobre ter uma filha incrível!

Com frequência as pessoas me perguntam, com um misto de surpresa e curiosidade, como eu fiz pra Rebeca ser uma criança tão educada, comportada, prestativa entre outros adjetivos.

Eu sei, ok, é minha filha e eu sou coruja, mas eu preciso dizer: eu tenho uma filha incrível!

Diversas são as vezes em que me vejo num grupo de mães e pais falando de seus proprios filhos, muitas vezes reclamando de algum comportamento e simplesmente me calo. Não tenho do que reclamar.

Já me peguei pensando em reclamar de algum hábito, ou forçar um pouco pra pensar em alguma coisa ruim, mas a verdade é que, de modo geral, eu realmente não tenho do que reclamar.

Rebeca não é perfeita, claro. Não existe perfeição. Mas ela e, sem sombra de dúvida, ė tudo que eu poderia querer em uma filha.

Rebeca é uma pessoa calma. Ela não é dada a reclamar das coisas ou de responder atravessado. Não grita, pelo contrário, tende a falar baixo. É bem humorada, acorda de bom humor e é muito otimista.
Tenta sempre se dar bem com as outras crianças, costuma se esforçar e ceder se necessário para aproveitar a companhia que tem. Consegue se entender com crianças mais velhas, e cuidar das pequenas. É muito paciente.

Se tem algo que nos desentendemos é com o tempo. Eu sempre fui uma pessoa pratica, Rebeca faz tudo com muita calma. Eu sou apressada e ela tem o tempo dela pra fazer as coisas. Mas ainda sim não considero algo que eu possa reclamar. Entendendo a mecânica dela e respeitando seu jeito e o seu tempo ela faz as coisas com capricho.
E assim desde sempre. Tomou seu tempo para engatinhar, andar, falar... É como se ela só fizesse as coisas quando tem certeza do que está fazendo. Engatinhou mesmo só com 10 meses, antes disso ia na base dos pulinhos, mas no dia que engatinhou parecia que fazia isso a meses. Andar foi a mesma coisa. Falar então... Desde pequenininha, ainda trocando as letras, se expressava bem, com muito vocabulário e no tempo verbal correto.

Essa caracterisca dela se mantém ate hoje. E só é um problema quando eu estou com pressa ou emocionalmente abalada. E veja que aí o problema é comigo e não com ela. Quando percebo isso, paro, explico a situação, e ela se esforça para se adequar a necessidade daquele momento. Sem briga. Pelo contrário, sempre disposta a ajudar.

Ela e muito determinada. E bastante persistente. Quando gosta de alguma coisa e decide algo ela se esforça para conseguir. Se entende que lhe faltam meios ela da uma recuada e espera. Não desiste, espera. Guarda dentro de si aquela decisão e se prepara internamente. Quando a situação parece favorável ela relembra e retoma.

Na escola é um pouco distraída, mas muita dedicada. Gosta muito da escola, não apresenta dificuldades com as matérias, faz a lição de casa sem preguiça, sem onda.

Tem dificuldade, talvez, em lidar com pressão. Com frustrações. É bastante perfeccionista e fica muito mal quando as coisas não saem como ela espera. Desde um trabalho de escola a um penteado novo.

Conversa muito. Comigo principalmente. Quer entender o mundo, as pessoas. É muito curiosa e está sempre buscando saber coisas novas. Adora música e já entende mais disso do que eu. Adora dançar, cantar... Tudo na vida dela tem trilha sonora.

Se leva uma bronca ou recebe uma ordem, questiona, no máximo resmunga, mas aceita. E isso eu tomo crédito pra mim sim. Eu sempre conversei e expliquei o motivo pra tudo pra ela. Cada bronca, cada castigo, cada ordem, tudo sempre tem uma razão de ser. Eu acredito que isso criou uma relação de confiança e permite que ela saiba que quando eu falo algo, ou mando ela fazer alguma coisa, mesmo que na hora ela não entenda, ela saiba que tem uma razão. E aceita. Se não concorda, questiona. E nos resolvemos na conversa, se não imediatamente em uma hora mais apropriada.

Sempre muito disposta a ajudar e a fazer a sua parte, ela assume os cuidados com seu cachorro sem reclamar muito. Como toda criança ela não gosta de ter que parar um momento de diversão para limpar sujeira, mas mesmo assim ela faz. Limpa sujeira, da banho, comida, brinca, faz carinho.

Com as pessoas sua dedicação é ainda maior. Cuida com a mesma naturalidade com que é cuidada. Ouve, fala, responde e pergunta. E compreensiva com os sentimentos dos outros, e sempre que pode tenta fazer as pessoas sorrirem.

Tem uma imaginação incrível. Inventa histórias, personagens, viagens, músicas... Inventa uma festa, um jantar, uma brincadeira...

Eu dei muita sorte, essa é a verdade...

Sou mãe de uma pessoa muito especial.

O mínimo que posso fazer em troca é ser o melhor de mim, por ela, pra ela. Fazer o melhor que puder e um pouco mais.

Por hoje eu sou grata por ter essa pessoa na minha vida.
Ela veio de mim, um privilégio. Tenho a chance de, com ela, dar ao mundo o melhor de mim. De colocar em prática cada valor meu, cada ideia, cada sonho, cada certeza de que com amor e possível.

Sou grata.
Hoje é só o que quero sentir.
...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sentir, agir, viver, seguir

Seguimos.

A rotina ainda nem havia se instalado direito e já precisa ser revista.
E eu não sei como levar nem as pequenas responsabilidades.

Faço o possível.

Levo Rebeca pra aula. Recebo visitas. Essas são coisas que parecem ajudar, mas infelizmente duram pouco.

Na verdade o que dura pouco é o humor.

Não estou bem e tinha muito tempo que eu ficava tão mal por tanto tempo.

Por mais que nas férias eu tenha conseguido levar os dias razoavelmente bem, não chegou nem perto de ser bom. De poder dizer que eu não estava deprimida ou ansiosa. De poder bater no e dizer: "estável".

Se nas férias que eu estava um pouco melhor eu não conseguia fazer um bolo de aniversário, agora com mais atividades e a iminência das mudanças e problemas de saúde voltando a ser mais presentes, tenho dificuldade de fazer o almoço. Tirar roupas do varal. Escrever. Levantar da cama. Dormir...
Tudo requer um esforço muito maior. Como se o tempo todo eu carregasse um saco de 5kg de arroz em cada ombro, cada pé...
Pensar e interagir exigem concentração, calma. Sinto como se estivesse o tempo todo de mal humor. Tenho dormido pouco.
Com mais dificuldade de adormecer fico na cama torcendo que o tempo passe e o dia seguinte chegue e eu não precise me sentir culpada por estar acordada: já é dia.
Não consigo aproveitar o tempo extra acordada nem pra assistir filmes. Sozinha de madrugada fico com medo de ficar na sala ou outro lugar da casa que não o quarto fechado e seguro. Me sinto exposta. Vulnerável. E por dividir o quarto com o marido e a filha não uso muito o celular para não correr o risco de acordar qualquer um dos dois...

Então o que consigo fazer é apenas seguir.
Um dia de cada vez.
Quando me sinto mais disposta adianto alguma coisa. No resto do tempo procuro me permitir não estar bem ao máximo do que é possível com toda a culpa que me consome.

Se o ciclo de me sentir incapaz já não fosse suficiente ele se auto alimenta me impedindo de fazer o que preciso. Vivo do mínimo e tento aceitar.

Eu sei que é só uma fase. Sei que isso vai passar. Sei que demora, que é difícil, mas também sei que passa.

Sempre passa.

A certeza de, mesmo durante a tempestade, saber que o sol vai brilhar de novo amanhã. Só não o vemos por trás das nuvens mas ele continua ali.

Espero por ventos melhores para soprar esse mal estar de dentro de mim. Espero.
Quando posso faço os meus esforços para ajudar a mim mesma e virar essa página mais rápido.
Mas não adianta ter pressa por mais que o desespero apareça para assombrar minhas parcas tentativas. Tem mais a ver com resiliência. Com continuar aqui e seguir em frente independente de qualquer coisa.
De seguir.
Ter a certeza que o caminho e longo mas não e todo de barro. Que a estrada vai voltar a fluir.
Enquanto isso, presto atenção nas flores.
Paro, respiro, sigo em frente.

Hoje eu já consegui escrever.
Hoje já é um dia bom.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Sobre o que acontece por aqui...

Já contei em outros posts do blog sobre o processo de mudança que se iniciou por aqui no ano passado na época que minha mãe começou a ficar doente.

2018 terminou como se eu tivesse sido arrastada por um furacão. 2019 tem pouco mais de um mês que chegou e já me sinto atropelada.

Sei que muitos se sentem assim.

2019 vem para dar continuidade a esse movimento que minha vida entrou ano passado.

Se não tenho controle sobre o que acontece lá fora o jeito é me concentrar no processo interno.

Queremos nos mudar de casa ainda nesse primeiro semestre. Esse é o plano.

Eu venho pensando muito no que quero, no que preciso, no que sou capaz.

Minhas respostas tem sido amargas e me levado para um desespero ainda maior que os próprios acontecimentos em volta. Mas eu preciso encontrar algumas respostas.

Uma questão que aparece várias vezes e que acaba sempre memlevando propmesmo lugar é se iremos morar próximo dos meus pais para podermos continuar nos ajudando ou não.

Um lado meu sente vontade de sair da cidade grande e ir para o interior. Uma parte de mim quer ir ainda mais longe e tentar a chance em outro país. Ir para algum lugar mais seguro onde minha filha possa crescer com a liberdade de ser ela mesma, sem medo.

No entanto a ideia de deixar meus pais pra trás é paralisante. Mesmo a ideia simples de deixar a cidade pra tentar a vida em outro lugar, sem eles me parece impossível depois de tudo que passamos no último ano.

Essas últimas duas semanas meu pai teve uma crise de labirintite. Ficou vários dias de repouso tomando remédio e voltou às atividades devagar conforme foi melhorando. Nossa rotina foi profundamente afetada visto que ele é o principal responsável por levar as pessoas de um lado pro outro (eu, Rebeca, minha mãe) e por fazer as compras.

Semana passada a médica de minha mãe voltou das férias e minha mãe decidiu parar de fingir que estava bem e aceitou ir ao PS depois do segundo dia de febre.

Lá a médica dela constatou uma nova pneumonia. Tratamento em casa, antibióticos mais fortes, e tudo o que já sabíamos.

Em casa após o médico minha mãe admite que vinha sentindo dores no peito há semanas, desde que voltou da praia, mas como a dor passava com analgésicos ela achava que estava tudo bem...

E isso me lembrou que podemos ter tido uma melhora sim, mas que essa história ainda não acabou...

No meio do caminho, vamos ver apartamentos na nossa cidade mesmo.

Meus pais vão precisar de ajuda e cuidado. Eles não vão ficar mais novos. Não vai ficar mais facil. E eu não conseguiria ficar bem comigo mesma se eu não tentasse oferecer à eles o mesmo cuidado que eles até hoje tem comigo. Então vamos mudar de casa sim, mas para 2 aptos no mesmo prédio, para ter a proximidade e a individualidade preservadas na medida.
Então estamos vendo aptos por perto.

Eu leio as notícias do dia e fico tonta.
Não sei se é melhor me alienar ou me manter informada.
Tento me concentrar em nós.

Acordo cedo e mantenho a rotina.

Eu não sei se tenho direito de opinar nas decisões da casa. Não me sinto capaz de mudar minha realidade.
Muitas coisas estão fora do meu controle.

Mas eu posso acordar cedo e trazer a Rebeca a aula de dança. Posso acompanhar ela até a escola, e ajudar na lição de casa. Posso me esforçar para ajudar meus pais em sua decisão e a entender que a palavra final e deles.

E eu posso vir aqui e escrever e contar um pouco disso tudo. Porque isso ajuda.

Quando tudo em volta parece se mover rápido demais vir aqui me ajuda a acompanhar o movimento.

E isso eu posso fazer...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

E sexta feira e eu não sei...

Tive uma conversa ontem que virou discussão e por fim desabafo.

As férias acabaram e o que senti foi que a cortina de humor e disposição que me cobre nesse período se fechou.

Aplausos, foi um belo espetáculo. Mas ao fim de cada teatro nós pegamos nossas coisas e voltamos para casa.

E em casa nos deparamos com a bagunça que deixamos antes de sair. "Arrumo quando eu voltar" falamos sem pensar no cansaço da volta.

De repente uma notícia de jornal me tirou o chão e me fez sentir medo.

Em minha mente vi toda a falta de segurança, de liberdade, de civilidade, de humanidade, sumirem em segundos.

Em segundos me senti em perigo. Em segundos eu senti que precisava defender minha filha e seus direitos mais básicos.

E em minutos uma conversa sobre um artigo no jornal virou uma discussão e por fim um desabafo.

E me senti inundar por todo o sentimento de inadequação, de incapacidade, de ...

Olhei pra mim e vi alguém que fez escolhas ruins. Alguém que fez as escolhas possíveis, mas que hoje se vê presa a uma realidade que não me completa. Presa numa casa, cidade, estado, país, sem chances de buscar ou tentar conhecer novos horizontes por mérito próprio.

Alguém incapaz de mudar a própria realidade.

De garantir a segurança, a autonomia e a liberdade de minha filha. De protege-la... De dar a ela chances melhores, de ser quem ela quiser ser, onde ela quiser ir.

Alguém incapaz. Alguém que depende dos outros para tudo e exatamente por isso incapaz de mudar isso.

Em segundos fui inundada por uma tristeza e um enorme desespero.

A conversa acabou, as lágrimas secaram, me concentrei em respirar e deixar o dia terminar.

A intensidade desses sentimentos me cega para o mundo real.

A bagunça na casa me impede de ver a sala, os quartos, e cada canto desse que é o meu lar.

A bagunca de sentimentos intensos demais nessa retomada da rotina após as férias me impede de ver as coisas boas que vivo e faço.

Então eu apenas deixo o dia acabar para poder dormir e descansar um pouco. Apreciar o silêncio da noite quando tudo em volta já dorme, e deixar que esse silêncio me preencha.

Encontro refúgio nos pequenos luxos e prazeres que posso alcançar. Uma tarde menos quente, um jantar de sabor forte, uma fuga gastronomica para calar e engolir o choro.

Vai passar.

Arrumar a casa pode dar trabalho mas é necessário para encontrar o conforto escondido por trás das almofadas fora do lugar.

Respiro. Tomo um café.
Em alguns dias as coisas voltam ao normal.
Eu também.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Da volta a rotina que tanto amamos!

E as férias chegam ao fim.

Foi um mês bem aproveitado. Viajamos 2 vezes, uma para uma chácara no interior, outra para uma casa na praia.

Junto conosco o primo da Rebeca, fiel companheiro.

Recebemos meu sobrinho por algumas semanas. Teve jogos e brincadeiras, alguns desentendimentos, e infelizmente muito tempo em celular e computador. Mas o saldo no final foi positivo e as crianças ficaram felizes de ter companhia.

Teve Natal e Ano Novo. Teve aniversariante do sobrinho e do marido.

Teve ida ao parque de diversões, com montanha russa e barco viking. Teve calor, muito calor. Aliás, ainda tem muito calor! Ufa!

Mas tudo tem um começo, um meio e um fim, e as férias terminaram.

Não estamos nada tristes com o fim das férias e isso se deve por amarmos muito a nossa rotina, nosso dia a dia.

Voltam às aulas de dança, tão amadas. Volta tímida mas aguardada. Rever os amigos, mexer o corpo com a música, conhecer pessoas novas...

Volta às aulas na escola. Série nova, professora nova, velhos amigos, novos desafios.

Acorda cedo mas acorda feliz. Corre pra fazer lição, pra almoçar, pra não se atrasar, mas tudo com um sorriso.

Sorriso banguela. Mais um dentinho caiu nas ferias. Mas sem fada do dente. Agora ela quer guardar os dentinhos.

Janta, assiste vídeo, ou TV, descansa. Dorme cedo, lê um livro, não nessa ordem.

Começa de novo amanhã.

Feliz.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Sometimes...

I'm not feeling bad all the time.
And I'm not happy all the time either.

Being bipolar is not about being sad or happy. It's not about that normal Mood swings everybody has several times a day.

It's about living in a rollercoaster inside your own mind. It's about being overwelmed by the smallest things. It's about depression, and the kind of pain you can't hope to describe how hard it is to just
 breath and be.

Being bipolar is about thinking too much, too fast, too big. It's going in this loop of thoughts that you know makes no sense racionaly and yet you don't seen to be able to make It stop. You Just can't stop.

Sometimes it's so exausting that you feel you could sleep for days. But you don't. You close your eyes and the thoughts get stronger, more real, more scary, more. When you finaly manage to sleep you wake up after Just a few hours. You still tired, but staying in bed seen Impossible.

Sometimes your so happy and has so much energy It feels you could do anything.
And as fast as a heartbeat, It fades away and you feel miserable again.

You feel you can't Trust yourself, why Others should? Why they shouldn 't?

And sometimes you Just feel ok. Normal.

It doesnt have to be like that.

Bipolar disorder is a treatable illness.
There are several treatments.
They are hard,  because It Takes time for then to really work. Months, years.
Yes, It needs commitment.
You start to see a diference in feel weeks, but the treatment need ajustment. But it's worth It.
Terapy helps a Lot. Like, really, a Lot.
You nedd to be patient, and I know it's hard to be patient when we are in pain.

But is worth It.

I'm in treatment now for 15 years.
I still have my ups and downs. I had a Lot of downs the last few years. But is nothing compared to How It was before the treatment.

Sometimes the days are bad.
Sometimes they are better.
Sometimes I'm Just ok.

Sometimes It rains.

Sometimes...


sábado, 5 de janeiro de 2019

O mundo que Atropela

O mundo que atropela.


Respira.
Levanta a cabeça,
Senta na cama,
Respira.

O ano começa com velocidade,
As mudanças,
Dentro e fora,
Agitam os pensamentos
Que mal tem tempo
De se formar.

Liga a TV,
Assiste o jornal,
Mexe no celular,
Olha só isso!
Não, pera, o que?

Somos atropelados
Pelo passado
E sem tempo de reagir
Tudo que consigo pensar e:
Respira. Para. Levanta a cabeça.
Respira.

A festa de Réveillon foi
Tão boa,
Tão alegre,
Tão fantástica,
Que parece que os dias passam,
Mas a ressaca fica.

Olha pra tela,
Lê mais uma história,
Engole em seco.
Tem que ser sede,
Só pode.

Lê mais uma,
A cabeça gira,
Toma o analgésico,
Esse mal estar todo
Tem que ser gripe.
Só pode.

Troca de aplicativo,
De música,
De roupa,
Desliga.

Muda o foco,
Muda de ideia,
Muda de casa.

Não, pera, o que?
Respira.
Levanta a cabeça,
Levanta do chão,
Respira.
Continua.

Só não desiste.
Continua.
Desliga o celular,
Desliga a TV.
Me liga.
Vamos juntos.
Respira.