De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valentine´s Day

Aqui no Brasil nós comemoramos essa data mais pra frente, em junho. Mas ficou ai, a midia toda falandoe falando, esse negocio de globalização de datas comemorativas, né?

então, vou contar pra voces um pouco do que foi esse dia, pra voces entenderem por que amo tanto, tanto, esse meu homenzão:

Eu fui dormir por volta da meia noite depois de mais um crise de irritabilidade por conta do calor. dormi unica e exclusivamente por que o coitado do Taz, que tambem estava sofrendo com irritação e calor decidiu levantar e ficar um tempo no computador pra ver se relaxava. Nessa meia hora que ele ficou no computador, o quarto e a cama esfriaram um pouco e eu consegui me acalmar e adormecer.

Antes disso eu ja tinha ganhado massagem nos pés, coceirinhas nas costas e tagarelado sem parar por um bom tempo na orelha dele.

Um pouco depois da meia noite e meia ele volta pra cama, cansado e com sono pois na noite anterior não tinha conseguido dormir pelos mesmo motivos. Calor, irritação, insonia.

Acredito que eram cerca de 2h da manhã quando Rebeca acordou de um pesadelo, chorando e chamando por um de nós dois. Eu cheguei a acordar, mas não conseguia levantar. dei umas cutucadas e chamei o homem ao lado, que mal havia começado a dormir. Ele levantou sem reclamar e foi atender a pequena.

Com carinho, ele a acalmou, mas ela não queria voltar a dormir. Ele a ninou um tempo, ate ela adormecer e a colocou no berço - momento esse em que ela instantaneamente acordou de novo! Berços as vezes tem espinhos, sabem?

Na segunda tentativa ele a levou para a sala, mais fresco, ate para engana-la um pouco. Novamente ela dormiu, novamente ele foi coloca-la no berço, novamente ela acordou. Não queria ficar sozinha?

Ele resolveu leva-la de volta pra sala, deixa-la adormecer e ficar um bom tempo com ela por ali, ate que o sono ficasse mais profundo. Ai, so depois disso, foi coloca-la no berço. Sim, ela acordou de novo, bem pouco tempo depois, nem tinha dado tempo dele deitar na cama.

QUestionou se não poderia ser fome, fez uma mamadeira e ela tomou, inteira. Mas, claro, não dormiu. depois de toda essa agitação ela queria mais era ficar acordada de vez. Imagino que ja deviam ser mais de 4h da manhã nesse momento.

Eu despertava male male quando ela acordava e chorava no berço chamando por ele novamente. Lembro de numa dessas pensar: "poxa, coitado, por que sera que ele não pede minha ajuda? Vou deixar que ele tente mais um vez e se ela acordar de novo vou levantar pra deixar ele dormir" Não, eu não levantei, não consegui...

Sei que eram sete horas da manhã quando ele conseguiu vir pra cama, depois de te-la trocado a fralda e finalmente feito adormecer no berço.

Me contou, depois, que ficou com ela na sala ate aquele horario. Tirou todas as almofadas do sofa, colocou no chão e se deitou. Deixou ela no cantinho, deitada com ele, e sem brincar, sem cantar, apenas deixando ela entender que era hora de dormir e não de brincar. E mesmo assim, ele so conseguiu voltar pra cama as 7h da manhã...

Rebeca acordou as 8h40, pouco mais tarde que o de costume. Ai sim, eu levantei, com um peso enorme no coração por não ter conseguido fazer isso antes.

Fiquei com a pequena ate que tive uma discussão besta com minha mãe. Infelizmente discussões, bestas ou não, com minha mãe tem sempre um efeito devastador no meu humor que ja não esta la muito pra cima. fiquei mal, triste e precisava chorar, desabafar. Pedi a ela, sim assim mesmo pedi a ela, que ficasse com a Rebeca e fui em busca do meu porto seguro.

Assim que entrei no quarto ele acordou, meio assustado, perguntando o que tinha acontecido. Ele rapidamente entendeu meu estado, deu um espaço na cama e me deixou aninhar em seus braços e choramingando, contar o que tinha acontecido.

Ele me acalmou, me cuidou, e me ajudou a sentir melhor. Me disse que me amava e que é feliz comigo, e que ele entende que seja dificil pra mim lidar com essas situações que eu mesma sei não fazerem sentido, que só existem por que vivemos em constante tensão. Que eu preciso lembrar que minha mãe, como eu, tem seus problemas e ainda mais dificuldade de lidar com as coisas do que eu. Que ela não tem a intenção, apesar de acabar sempre me magoando.

Ficou comigo, e me fez rir. ele sempre me faz rir. sabe bem que é uma das melhores e mais eficazes maneiras de me fazer sentir melhor. Levantou, isso eram 11h da manhã, depois de mais de 30 minutos me acalmando e concordou comigo que a Rebeca precisava dormir mais tambem e que seria bom que ela tomasse um banho com ele antes de adormecer.

Levantou, tomou um banho com a bebe, cuidou, sem reclamar uma unica vez. Deixou ela comigo pra que tomasse seu leite e dormisse no meu colo. Ela sempre dorme no meu colo durante o dia. Ele continuou acordado, tentando relaxar e colocar os e-mails em dia. esperou ate que a bebe acordasse para que almoçassems juntos. ficou com ela pra que eu me recuperasse da lerdeza do almoço.

Iria ficar com ela pra que eu pudesse descansar, dormir, me recuperar da adrenalina da discussão ainda, quando toca o interfone e ele tem que atender o rapaz que veio comprar algumas das coisas da lanchonete que ele tinha.

E depois disso, ja 14h30 da tarde, ele foi descansar, apenas uma hora, pois precisava sair cedo pois tinha coisas a fazer, contas a pagar antes de ir pro trabalho.

Trabalho esse em que el tem entrado as 17h e so saira as 22h. Quando só entao ele vira pra casa, e ainda ira jantar e tera que esperar pelo menso 1h30 depois disso pra deitar e dormir por causa do problema de refluxo que tem.

Então, não é pra se apaixonar por um homem desses?

Happy Valentine´s day!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Da escola e do banho

Contei que o Taz começou a trabalhar ontem. Não lembro se falei o horario: das 17h as 22h até março, e depois das 8h as 17h, com 1h de almoço. Fins de semanas alternados.

Com isso, nesses dias que ele esta trabalhando a noite me vejo fazendo algo que não fazia tinha muitos meses. shame on me! Agora sou eu quem da banho na Rebeca de noite, antes de dormir.

Rebeca não toma mais banho na banheirinha com suporte - a moça, enorme, esta beirando seus 13kg, se ja não chegou neles. o suporte é apenas ate os 10kg. Sendo assim, ela toma banho no box, comigo. Digo comigo pois seria besteira minha não tomar banho junto com a molhadeira que ela faz, rs Tambem trocamos a banheira de plstico pela piscininha, pela praticidade. O banho e com o chuveirinho, enchendo a piscininha e molhando ela ao mesmo tempo.

No entanto ela detesta molhar a cabeça. Tem extrema aflição da agua caindo pelo rosto dela. Fica nervosa, tenta levantar e se agarra em tudo pra sair da agua. Impossivel tomar banho no chuveiro mesmo, coitada. então, vou com calma. seguindo as indicações do papai que a tempos ja tinha assumido essa tarefa.

Antes do banho deixo tudo preparado, o ambiente da sala, onde fico com ela ate que adormeça, cantando musiquinhas e contando historinhas, tem que estar arrumado, apenas com o laptop ligado por causa da luz e com a mamadeira a postos. No quarto, roupa de dormir devidamente separada, junto com a fralda da noite, pomada, etc. No banheiro, minha roupa, que coloco enquanto ela termina de brincar no box. La tambem tem que estar a toalha dela. Falei que ela ja usa uma toalha de adulto? Sim, pois ainda não tive a oportunidade de comprar uma toalha maior, infantil, pra ela e as de bebe a muito são pequenas.

Sim, por que Rebeca pode ate ser meu bebezão, mas ja tem tamanho, e muito.

Hoje acredito que encontrei a escolinha ideal pra ela. Um pouco longe de casa, temos que ir de carro, mas nada absurdo para os beneficios e a tranquilidade que encontrar a escolinha do jeito que eu queria, e poderei pagar. Todos foram muito atenciosos, a escola tem um espaço bom, uma quantidade grande de funcionarios, boa para a quantidade de crianças que tem. Quando chegamos la, na hora do almoço, do lado de fora era possivel ouvir a bagunça. Aquela bagunça boa, de criança brincando. Ja considerei um bom sinal.

Fomos atentidos por uma das tias que nos mostrou a escola. Rebeca ja foi se soltando e quis rapidamente ir pra perto das outras crianças. Ate quase ganhou um almoço - só não comeu por que não quis, pois não queria parar a brincadeira, de ver as novidades. E o comentario de todas as tias foi unanime: "nossa, 1 ano e 4 meses? Como ela é grandona, né?"

O tamanho da minha moça de fato engana. Ela era do tamanho das crianças do maternal, com seus 2 anos ou mais. Da idade dela, todos bem menores. Mas ela so tem o tamanho, pobrezinha, desengonçada e insegura nos seus primeiros passinhos.

O almoço e o jantar é feito na propria escola, o que achei bem legal. eles são acessorados por uma nutricionista. O lanche eles pedem para que os pais enviem de casa todos os dias. A ideia é que a Rebeca fique só meio periodo na escola, então só ira lanchar.

Eles mandam uma agenda onde a tia da sala relata como foi a rotininha deles naquele dia, e onde eles pedem, quando necessario, algum material especial. Ela explicou que no caso da Rebeca, no berçario, é mais dificil devido ao tipo de atividade que eles fazem. Mas ainda sim tem uma ou outra coisa que eles procuram fazer que pode precisar de um material diferente. No mais, a escola mesmo providencia tudo.

Eles mandam uma listinha de coisas para os pais mandarem  sempre, como fraldas e muda de roupas, etc Itens de uso diario e pessoal, sabem? Alem disso eles pedem pros pais fazerem uma cartinha com a rotina do bebe em casa para as tias seguirem no inicio, fazendo a adaptação da criança a rotina da escola mais facil. eles vão mudando a rtoina para a da escola devagar. Achei isso de uma atenção unica!

Tinha uma menninha la em adaptação que chorava, pobrezinha. Mas chorava pedindo colo. Quando a tia estava nos mostrado a escola ela veio pedir colo. A tia agachou para falar com ela, explicou que estava ocupada falando conosco e que depois que terminasse poderia ficar um pouco com ela. Pediu que ela ficasse ate la com outra moça, que ja estava ali mas ela não estava aceitando. A menininha respirou fundo, fungou e disse "ta bom" e foi ficar com a outra tia. A moça então nos explicou que ela estava na primeira semana de adaptação, no caso no 3° dia, e que no dia anterior ela a viu chorando e automaticamente a pegou no colo. com isso ela se caticou e so queria ficar com ela.

Essa tia nos deixou claro uma coisa da escola que eu entendo bem que acaba precisando ser assim: a questão de não dar colo. Acalamar, dar atenção, confortar sim, mas evitando pegar no colo. Pois eles tem que cuidar de muitas crianças, cerca de 3 ou 4 para cada adulto e não é possivel ficar com todos no colo ao mesmo tempo. Ficar com 1 no colo e negar isso aos outros pode, eu acredito, acabar tendo um efeito pior do que conversar e confortar sem fazer isso. Enfim, não que eles não façam se a criança for muito pequena, ou de fato estiver muito nervosa. Mas sempre vão evitar e tentar acalmar a criança sem o colo.

No fim a menina se acalmou, ficando perto de uma outra menininha que tambem estava em seus primeiros dias. Elas se ajudavam, coisa fofa de se ver.

Tivemos a oportunidade de falar com 2 pais que estavam por ali, um deles estava em adaptação e o outro tinha ido buscar a filha. Ambos recomendaram de boca cheia a escola.

Agora é uma questão de acertar a parte dificil: grana. Mas ter encontrado um lugar que, se tudo der certo, minha filha vai ser bem acolhida e eu poderei me sentir segura de ela estar sendo bem cuidada e tera muitos amiguinhos pra brincar e espaço pra correr, gente, QUASE não tem preço, rs

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

de medio a longo prazo

As coisas por aqui aos poucos se ajeitam. Não do jeito que eu gostaria, mas se ajeitam.

Eu tenho N desejos, N sonhos e ao mesmo tempo tracei um plano. Um plano pessoal, meu. Decidi que no proximo ano vou voltar a estudar. Sim, ano que vem só. Mas é que eu preciso de muita, muita preparação pra conseguir fazer isso.

O fator bipolaridade me atrapalha muito quando se trata de estudar e trabalhar. é uma limitação com a qual tenho que conviver e buscar soluções. Ate hoje não consegui concluir um curso de graduação por culpa dessa doença chata que, mais hora menos hora, se faz lembrar na minha vida.

Trabalhar entra na mesma esfera, e eu dificilmente conseigo me manter em um emprego por muito tempo sem entrar numa crise. Agora, o fato é que nesse mundo ficar sem trabalhar pra sempre não é exatamente uma opção, certo?

Com os anos aprendi que essas limitações existem e, se não posso vence-las (as vezes a batalha acaba tornando a crise ainda pior e não vale a pena) posso aprender a dribra-las.

Assim, esse ano eu inicio meus projetos de vida de medio e longo prazo. Dentro dos projetos esta voltar a estudar e me formar, finalmente, na faculdade de psicologia. Duro, terei que, mais uma vez, iniciar o curso do zero, mas não importa. O importante é que, daqui 10 anos, vou estar trabalhando com o que gosto de fazer, vou estar ajudando pessoas com problemas similares ao meu a vencerem os seus desafios pessoais como esse é pra mim.

Esse pensamento, essa forma de viver, mantendo o foco não nos problemas de hoje, mas em uma solução mais macro, mais duradoura, eu aprendi a ter graças a Rebeca. e não so depois que ela nasceu, mas devido a todo o processo que tive que viver para que ela esteja do meu lado hoje.

Conversando com o Taz esses dias sobre isso, sobre os objetivos de medio e longo prazo serem mais importantes que as pendencias do momento, decidimos aceitar uma proposta dos meus pais e ele ir trabalhar com eles. O começo é dificil, paga mal e nos obriga a continuar morando com eles possivelmente mais esse ano inteiro. Mas daqui uns 6 meses, ele tendo "pegado o jeito" do negocio, pode iniciar uma carreira la dentro, almejar cargos mais altos e, daqui uns anos, permtir aos meus pais uma aposentadoria tranquila ao saberem que os negocios da familia estarão em boas mãos.

E ele começou indo hoje. Primeiro dia de trabalho. Tentou não mostrar o nervoso, o medo, a ansiedade. Mas quase brigou comigo - que não consegui facilitar pois estou bem gripada e isso mexe muito com meu humor e capacidade de me conter - diversas vezes. Quase, por que ele conseguiu se segurar. Ponto pro maridão e pro tratamento da depressão!

esse trabalho pode ate não permitir que nos nos mudemos tão cedo como eu gostaria, mas vai possibilitar que ele continue pagando a pensão da Lulu e a entrada da Rebeca na escolinha. E acho que pra agora, isso ta bom demais!

Hoje sou capaz de segurar minhas frustrações exatamente por tudo aquilo que falei no começo. Tenho um plano, e se eu manter o foco nele e nos beneficios que ele nos trara mais pra frente, posso lidar com algumas pedras no meio do caminho.

E voces, como fazem pra lidar com frustrações e quando tem que mudar os planos no meio do caminho?