De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Sobre os 12 anos

 Rebeca completou 12 anos. Novamente fazendo aniversário em meio a Pandemia, e com outros problemas que tem que lidar com relação a familia e amigos, nós decidimos viajar para comemorar o aniversário dela. Sair de casa, das nossas 4 paredes apertadas e tentar relaxar.

Deu tudo errado.

No dia da viagem ela acorda e comenta que a garganta esta arranhando um pouco. Como o tempo andava seco, tento não dar muito ibope para o caso, torcemos pelo melhor e dou a ela uma pastilha para a garganta, só para garantir.


Um dia cheio, escola, parabéns com os avós, arrumar as coisas, pegar estrada, se perder, chegar tarde. A casa é linda, mas no fim do dia estamos exaustos. Fomos em 4 pessoas - eu, ela, o pai e um amigo meu. Da idade dela, ninguém. Mas, ei, teriamos a praia!

Na manhã seguinte, muito cedo, eu e ela acordamos. Ela esta constipada, com dores e se sentindo mal. O tempo não ajudava - fechado e frio, logo começou a chover. Prostrada durante todo o dia, era impossível esconder o medo -  com ela de volta a escola, a poucos dias de tomar s primeira dose da vacina, será que ela tinha pego COVID?

Esperamos algumas horas. Almoçamos. Ela comeu pouco, a garganta doia muito. Deitada em frente a TV, sem energia, ela escondia a propria aflição. Eu não via sentido em continuar ali. A previsão do tempo era de chuva para o resto do fim de semana. Alguém tinha que tomar a frente e tomar as decisões e essa pessoa, mais uma vez, era eu. Voltamos para casa. Exame de COVID agendado para o dia seguinte.

Rebeca ficou muito triste. Muito frustrada. Se sentia culpada, deprimida. Sozinha. Com medo. 

Fiquei com ela e fiz o que pude. Conversamos. Ficamos juntas, assistimos filme, comemos coisas gostosas.

O exame de COVID deu negativo. Ufa! Só isso mudou muito o humor de todos na casa. Como uma enorme nuvem negra que se dissipava.

Mas, ainda sim, 4 pessoas fechadas numa casa num fi de semana chuvoso, sim, a cada dia foi mais um amanhecendo gripado. E foi assim por toda a semana.

A possibilidade de aula online facilitou muito para Rebeca poder ficar em casa e esperar melhorar. Para nós, foram dias de molho, mau humor e descanso. Diminuir o ritmo. Se curar.


Existe muito do que precisamos nos curar.


Uma das coisas que esse susto me lembrou é que por mais que os numeros estejam melhores a andemia não acabou e ainda não é hora de deixar todos os cuidados de lado. E que essa doença ainda esta e continuara consoco por muito tempo.

A outra coisa que me fez pensar foi em como a pandemia afetou a vida da Rebeca. Em como ela é solitária, mantendo contato apenas com os amigos online. Crianças são resilientes, talvez, mas não estão imunes as sequelas desse isolamento. Todos somos afetados.

Combinei com ela que assim que possível vamos comemorar esse aniversário de uma forma decente.
Ela merece se sentir feliz e bem.

Ela tem 12 anos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Sobre Rebeca e seus 11 anos

 Hoje foi o dia dela.

11!

As vezes parece que foi ontem, as vezes parece muito mais tempo.

Não sei o que seria da minha vida sem ela. Não me importo. Não queria nada diferente.

Por anos e anos eu me dediquei a ser o que eu sempre achei que ela precisava de mim. Mas agora ela tem 11 e ela anda por um novo caminho, aprendendo a dar seus passos, buscando sua independência e sua identidade.

Com isso eu me vi tendo a chance de ter tempo e disposição pra ser um pouco mais de mim e pra mim e não só pra ela.

Porque hoje ela me acompanha e aprende comigo, e hoje mais que ser seu mundo e seu apoio eu tento ser seu exemplo.

Porque ela talvez sempre seja a coisa mais importante do meu mundo mas agora eu preciso mostrar que o mundo é grande e tem muita coisa nele, sonhos, pessoas, experiências, planos, um mundo inteiro.

Um mundo inteiro pra mostrar pra ela.

Nesse início de pré adolescência, hoje eu comemoro uma etapa nova na nossa jornada.

Parabéns, Bequinha. São 11. E é só o começo, pra nós duas, desse caminho.

Amo você , Jacaré!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

10 anos de Blog!

Pois é...

10 anos!

Não exatos. Estava checando e o Blog na verdade completou 10 anos no dia 01 de Novembro.

Mas ok, perto o suficiente.

Gente, 10 anos!

Eu reli alguns posts la do começo e é impressionante como tanta coisa mudou, tanta coisa ficou igual, mas como eu cresci!

Rebeca veio pra minha vida eu tinha 27 anos. Existe um marco na minha vida que diz AR e DR (Antes de Rebeca e Depois de Rebeca).

E se muitas das coisas que pensei e desejei não se tornaram realidade, e se outras tantas so estão começando a acontecer agora 10 anos depois, e sabe lá quantas aconteceram sem que eu quisesse, tudo me trouxe até aqui. E entre alto e baixos, eu gosto de onde estou.

A pessoa Di que é mãe. Que é filha. Que é amiga. Que é esposa. Mas principalmente a pessoa Di que engloba todas essas e varias outras faces de mim mesma.

Eu não penso muitas coisas boas sobre mim mesma. Eu me decepciono e tenho uma auto-estima terrivel. Mas ainda sim...

Eu amo quem eu sou hoje. Como pessoa. Meu caratér. Minha personalidade. Meu cerne. Aquilo que faz eu me reconhecer no espelho e fora dele, que faz com que eu tenha paz a noite quando deito minha cabeça no travesseiro.

Esse texto abaixo eu postei no meu Facebook hoje de manhã e é com ele que quero comemorar esses 10 anos.

Por que tudo que sou hoje é por causa e para ela:

Todos os dias ela me lembra o porquê de eu estar aqui. Todos os dias ela tem um sorriso nos lábios e uma risada gostosa que me aquece. Todos os dias ela me cerca com seus braços num abraço apertado e me faz sentir amada, mesmo nos dias que eu estou com dificuldades de aceitar seu carinho. Cada dia que ela é compreensiva e paciente, cada vez que ela é dedicada e persistente, cada vez que ela me ensina sobre a vida... Cada vez que seu amor me tira do escuro e ela ilumina minha vida, eu agradeço. Eu posso ter feito escolhas duvidosas na minha vida e posso viver com limitações diversas, mas se existe algo que eu fiz certo foi ela.
E a cada manhã que brigo com o despertador eu respiro fundo e levanto, porque é por ela. É sempre e tudo por ela.
Eu sou muito, muito, grata.
E agradecer é um bom jeito de começar qualquer dia.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Sobre as alegrias e tristezas de completar uma década!

Rebeca completou sua primeira década.

São 10 anos de uma vida que chegou em meio a música e tem música em todos os seus momentos.

No dia que Rebeca nasceu eu não entrei em trabalho de parto. Eu tinha uma consulta marcada com minha médica para aquela tarde e estava bastante ansiosa.

Minha médica voltava de uma viagem de 3 semanas a Grécia naquele dia. É o tipo de coisa que desestabiliza um ser humano em reta final de gestação, imagina pra uma bipolar que estava absolutamente sub-medicada...

Eu estava cansada e sentia dores constantes. O quadril já estava aberto a semanas e andar de carro era uma tortura pois cada sacolejada era como um chute. Passei a gravidez toda sem dormir mais que 45min por piscada, acordando o tempo todo, incapaz de relaxar e descansar. Eu cheirava a cânfora o tempo todo devido a enorme quantidade de emplastos nas minhas costas. E minha hipoglicemia me obrigava a comer alguma coisa a cada 2h, então mesmo quando eu conseguia dormir um pouco mais acabava precisando acordar para comer ou a glicemia baixava perigosamente.

Para fechar a gravidez com chave de ouro eu havia passado os últimos 6 meses andando com um copinho a tira colo para ficar cuspindo. Estava com uma produção anormal de saliva e simplesmente não conseguia engolir tanto assim pois isso provocava ânsia e me fazia vomitar. Para não vomitar o tempo todo, cuspia.

Eu estava exausta.

Minha médica então me liga no meio da manhã:
 - Oi Adriana, bom dia. Pode ficar tranquila que já estou chegando no hospital viu? Já estou quase aí!"
Eu, sem entender, pergunto:
 - Como assim? Eu não estou no hospital!
- Não é você que as meninas no consultório me avisaram que está em trabalho de parto no hospital?
- Não... Mas se você achar que é uma boa ideia posso encontrar você lá!
- Não. A princípio vamos manter sua consulta a tarde e lá a gente conversa.

Quando fui a consulta já estava decidida. Conversei com minha médica, expliquei como me sentia, disse que não tinha mais condições de aguentar. Ela tentou me convencer de aguentar mais alguns dias. Eu já estava com mais de 39 semanas e tinha chegado ao meu limite. Marcamos a cesária para aquela noite.

Do consultório fui direto para o hospital dar entrada na internação. Alocada inicialmente numa sala de parto natural até a hora da cirurgia, meu marido estava comigo durante todo o tempo.
Para ajudar a passar as horas, cantamos.

Passamos horas cantado Legião Urbana. As enfermeiras entravam para fazer a preparação e se encantavam com nossa cantoria.

Na sala de cirurgia os médicos colocaram música para tocar. Na hora exata em que ela nasceu tocava uma música de Legião Urbana.

10 anos atrás tudo mudou ao som de Legião Urbana.

Ao longo de todos esses anos eu a faço dormir boa parte das noites cantando Legião Urbana.

Eduardo e Mônica, Tempo Perdido, Quase sem querer...

Hoje Rebeca já escolhe as músicas que quer ouvir no Spotify. Puxou a facilidade e a harmonia do pai e o gosto por todos os tipos de música e por conhecer coisas novas.

Rebeca as vezes canta enquanto dorme.

Nas aulas de dança, mesmo nos dias que tem mais sono e o ombro pesa com as dores de crescer nesse mundo, ela sai feliz. Cansada, mas feliz.

Quer aprender a tocar violão.

Quer ser cientista sim, e descobrir uma forma de fazer os humanos viverem pra sempre. Mas quer ser cantora também.
Pode ser os dois, ora bolas, porque não?

São dez anos que me encanto diariamente com a pessoa incrível que ela tem se tornado.

Hoje o mundo já dói. Hoje os amigos as vezes a magoam, as vezes a insegurança fala mais alto, os padrões estéticos da sociedade insistem em fazer com que ela sinta que tem algo errado com seu corpo.

Mas mesmo o mundo dizendo que esses dez anos tem seu preço, ela dá um sacode e encontra felicidade em cada dia. Muitas vezes na música.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Da série o que eu penso sobre: mudar de vida

eu tenho sérios problemas em lidar com mudanças. muito por causa da bipolaridade que não me permite ficar bem quando as mudanças ocorrem muito rapidamente. mas, ser mãe não é uma coisa que acontece de repente, voce se torna mãe ao longo de meses a fio de espera (seja pela gravidez seja por um telefonema para a adição) e depois uma rotina exaustiva mas muito gratificante com um bebe (ou mais!)

Pra mim ser mãe é algo muito natural: eu sempre gostei muito de cuidar dos outros. Mas é diferente cuidar de um amigo, de um companheiro, e cuidar de uma criança que confia totalmente em voce pra suprir absolutamente todas as suas necessidades.

E por mais que algumas pessoas insistam que a vida delas não mudou, ou que não querem que mude, depois de ter filho, e seguiram fazendo baladas enquanto a criança fica em casa com outra pessoa, eu não sou assim. Alias, não sou e não acho certo ser assim. Apenas deixando claro que estou falando de sair de balada todo fim de semana, não dormir o fim de semana inteiro em casa, sair na sexta e voltar no domingo, como um adolescente faria. Não concordo, e não sou capaz de fazer isso. A minha vida, sem duvida, mudou.

Mas não mudou so externamente, da forma obvia do ficar em casa ao invez de sair. De não jogar RPG nos fins de semana. Mudou uma coisa dentrode mim. Pela primeira vez na minha vida eu me sinto de fato, adulta.

Simplesmente eu não faço baladas não só por que tenho uma filha, mas por que ao ter feito a escolha de me tornar mãe fazer balada não faz mais sentido na minha vida.

Lidar com um grupo de pessoas, ou que seja uma, fazendo intrigas, preocupada se X esta querendo provocar e causar na balada por estar vestindo uma roupa assim ou assado. Fica fazendo fofoca entre os amigos por que aquele cara X que estava afim me deu um NÂO bem grande na cara e eu não sei lidar com isso. Não, isso não é pra mim...

Isso, hoje, na minha cabeça, faz parte da realidade que a Lulu vive, esta começando a viver. E um mundo de aparencias, onde nos inserimos pra formar nossa propria identidade longe dos nossos pais. Mas, que uma hora ao formarmos nossa individualidade, deixa de fazer sentido. As pessoas que vejo insistindo em viver dessa forma ou me parecem perdidas ou tentando retomar algo que elas acreditam que perderam.

eu não perdi nada. Eu ganhei. Eu ganho.

Hoje em dia faz sentido pra mim discutir politica e a importancia de ter uma mulher na presidencia, independente se votei nela ou não.

Hoje em dia faz sentido discutir e agir com relação ao aquecimento global.

Hoje em dia eu falo de marcas de fraldas, passo noites em claro com um bebe doente  e não procurando alguem com quem sair, ficar, dar uns beijos. Hoje em dia tenho todos os beijos que quero, de uma menininha que esta aprendendo a me comprar com eles pra não dormir.

Hoje em dia faz sentido, por pior que seja, escolher entre pagar o cartão de credito ou ir viajar, ou pior, entre comprar frango ou almondegas pois a grana é curta, quase inexistente e não da pra fazer os dois. Da pra sonhar com a viajem, talvez parcelar o cartão...

Hoje em dia fico muitas vezes nervosa, pelo cansaço pensando que quero um tempo pra mim. E me vendo perdida com meia hora que seja sem minha baixinha chamando mamãe pra eu brincar com ela.

Hoje em dia faz sentido ter cada vez menos moveis na casa. Viver com o essencial. Aprender de verdade o que é prioridade e o que é superfulo. E perto da saude do seu bebe tudo parece superfulo.

Durante a gravidez minha vida passou pela minha mente. Memorias e mais memorias de coisas que eu tinha esquecido, da minha infancia, adolescencia, sonhos. Muitas dessas coisas ainda rondam a minha mente e são dificeis de lidar, pois foram de alguma forma traumaticas ou batem de frente com a realidade que vivo hoje e que acredito que devo viver.

Foi como num filme, tudo o que vivi as vezes volta, passando um trailer me dando dicas do que esta acontecendo hoje com a minha bebe, ou como evitar hoje que aconteça com ela mais pra frente coisas que aconteceram comigo.

Quando fiz minha reunião com os amigos de 15 anos atras eu me senti mais deslocada impossivel. O momento que me senti mais a vontade foi falando da Beca com uma amiga que tambem tem filhos. O fato foi que na hora que me vi na sinuca, com pessoas que eu conheci anos antes mas de fato não fazem mais parte da minha vida, eu não quis mais estar lá. Não que deixei de sentir carinho pelas pessoas, ou que não seria bom encontra-las em outra situação e colocar o papo em dia. Mas do jeito que fiz, todos juntos, e com isso preocupados com coisas que faziam sentido ha 15anos atras e hoje, bom, se passaram 15 anos, elas não deveriam mais fazer sentido...

Minha vida voltou a fazer sentido quando sai do bar e entrei no carro da minha carona pra voltar pra casa. ali, falamos de problemas do dia a dia, de coisas reais. De problemas de gente grande, que trabalha e paga contas e tem que conviver e de fato arca com as consequencias dos proprios atos. Não eramos mais adolescentes.

Outro dia no carro conversava com o Taz e ele diz que meu sogro costumava dizer a ele que ser adulto é fazer escolhas. Eu completei com "e amadurecer e aceitar as consequencias por essas escolhas".

Eu escolhi ser mãe, como ja falei aqui. Com essa escolha aceitei que minha vida iria mudar. E mudou. E por mais que existam momentos que eu sinta vontade de ter um tempo meu, pra mim, e ate sair um pouco, essa eu não é mais a mesma pessoa que existia antes de eu ter engravidado. Sou outra, mudei, sou mãe. e sou muito mais feliz e completa assim, num mundo onde as coisas fazem sentido.