A serie de postagens sobre a viagem foi para marcar a semana do aniversário da Rebeca.
Minha menina fez 9 anos essa semana e nos comemoramos como foi possível.
Com bolinho e parabéns com as colegas na aula de dança, uma festinha mais elaborada na escola e um jantar diferente a noite, foi o que esse ano conturbado nos permitiu.
Mas foi tudo pensado e feito com muita dedicação e carinho, por mim principalmente, mas com a ajuda dela e do pai.
Para o parabéns no ballet fiz cupcakes de red Velvet com cobertura de cream cheese tingidos de rosa e cupcakes de brigadeiro, e aí demos uma enfeitada com toppers de sapatilha para os rosas e notas musicais para os de brigadeiro.
Elas cantaram parabéns, as crianças adoraram os doces, e Rebeca ficou feliz.
Na escola já fizemos algo mais elaborado, a festa tinha outro tema, Harry Potter, e eu aproveitei pra soltar a imaginação e me divertir.
O bolo seria de chocolate com recheio de brigadeiro e cobertura de marshmallow tingido de verde, simulando o gramado do castelo. Num clima meio retro de festas dos anos 80, fizemos toppers especiais para o bolo, um grande do castelo e outros menores com os personagens do filme e ela montou a cena em cima do bolo antes do parabéns.
Mandamos salgadinhos de festa, sucos, copinhos temáticos, pratinhos... Mas a cereja do bolo foram as lembrancinhas.
Preparamos algo bem especial.
Numa sacolinha de papel craft colocamos um pacotinho de sapos de chocolate, com direito a carta de bruxos, um pote com feijõezinhos de todos os sabores, garrafinhas de poção magica, e uma varinha feita com biscoito cobrindo uma caneta, uma diferente da outra.
Rebeca me ajudou com a elaboração das lembrancinhas e ficou muito contente com a reação dos colegas. Voltou para casa com presentes e satisfeita.
O jantar fomos apenas eu, ela e o pai dela comer um Hamburguer na lanchonete favorita dela.
Voltamos para cantar parabéns em casa e distribuir os presentes nossos e dos avós dela que estavam esperando.
Foi tudo muito bom, mas deu muito trabalho.
Por exemplo, o bolo da escola eu ia fazer um dia antes da festa pra ele estar fresco. Na hora que fui cortar a massa no meio para rechear vi que a mesma havia ficado muito fofa e quando tentei levantar uma das partes para o recheio o bolo simplesmente se desfez entre os meus dedos. Era noite e eu precisava começar tudo de novo.
Quando perguntei a Rebeca se ela aceitaria um bolo comprado se eu não conseguisse fazer o bolo a tempo ela fechou a cara num bico enorme. Sem querer decepciona-la e nem a mim mesma, parti para fazer o bolo as pressas. Faria a massa antes de dormir e daria um jeito de rechear e cobrir antes dela ir a escola. Fui dormir a 1h da manhã com a massa pronta e calculando quanto tempo levaria para terminar o bolo no dia seguinte.
Nós ultimos minutos antes da aula consegui terminar o bolo. Sucesso e sorrisos!
A manhã não foi so correria por causa do bolo. Nós temos uma tradição de nós aniversários fazer café na cama. Como estava chovendo e minha cozinha e separada dos quartos, achei que Rebeca não ia se importar de ao invés do café na cama eu acorda-la para ir a cozinha comigo e eu preparar algo especial no lugar.
Ledo engano.
Na hora que ela abriu os olhos e viu que não tinha bandeja nenhuma ela logo começou a chorar, sentida, magoada... "Você esqueceu!" Ela dizia entre lágrimas.
Demorei 40 min para fazer ela se acalmar e entender o que tinha acontecido e deixar o dia continuar pois as outras coisas iriam dar certo e ela teria um ótimo dia.
Foi um grande aniversário. Muito emocionante. Muito cansativo. Muito trabalhoso, mas muito feliz.
E no dia seguinte, para agradar a mim e a Rebeca, o pai dela nos acordou com cafe na cama para nós duas.
E foi assim o Ano Novo pessoal da pequena.
Agora ela tem 9 anos...
Mostrando que não deve ser tão diferente ser mãe quando se é ou não bipolar, por que toda mãe tem o seu ladinho insano quando se trata de cuidar do filho. Esse blog tem o objetivo de narrar a experiencia de uma mãe que tem de enfrentar essa fase da vida com a duvida constante, o medo, de como, quando e quanto, sua bipolaridade pode afetar a vida de sua filha. Lidando com a linha tênue entre "normal" e "anormal"...
De mãe e louco todas temos um pouco
Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Sobre aniversários e retornos...
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quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Mais sobre o que aprendi com ela
A cada aula eu vejo ela se dedicar e vejo seus avanços.
As vezes e difícil acordar cedo, ainda mais no frio onde a cama quentinha e mais convidativa. Cabe a mim, muitas vezes, insistir no levantar e se arrumar. O cafe da manhã engolido no meio dos bocejos, o desenho da TV fazendo barulho enquanto não despertamos totalmente...
Então quando ela chega na aula tudo muda.
Ela se anima rápido, vê as amigas, fica aflita se chega atrasada ou se chega cedo e nenhuma das colegas ainda está lá.
No começo as dificuldades eram maiores. A vergonha de se enturmar, de chamar alguém para fazer dupla nos exercícios, os movimentos tão desejados e desconhecidos que exigem muito mais do que a imaginação mostrava... E vieram as quedas, os momentos de insegurança, as lagrimas. Mas veio também o acolhimento pelo grupo, as conversas, o ser aceito. Vieram as aulas uma atrás da outra e nelas a possibilidade de ver que o esforço era recompensado e que os movimentos ficavam mais fáceis e mais leves.
E juntas aprendemos a não desistir nas primeiras dificuldades. Aprendemos a ter persistencia, a valorizar cada passo, a nos levantar depois de cair, aprendemos que cair faz parte da jornada, e aprendemos a valorizar o caminho. Ela aprendeu que mesmo as coisas que gostamos exigem esforço e que isso não é algo ruim. Aprendeu a associar o esforço a algo bom, a conquista. Aprendeu a associar a mexer o corpo a algo que trás prazer e alegria. E que cansa sim, e isso também é bom.
E eu aprendo tudo isso com ela.
Todo dia.
As vezes e difícil acordar cedo, ainda mais no frio onde a cama quentinha e mais convidativa. Cabe a mim, muitas vezes, insistir no levantar e se arrumar. O cafe da manhã engolido no meio dos bocejos, o desenho da TV fazendo barulho enquanto não despertamos totalmente...
Então quando ela chega na aula tudo muda.
Ela se anima rápido, vê as amigas, fica aflita se chega atrasada ou se chega cedo e nenhuma das colegas ainda está lá.
No começo as dificuldades eram maiores. A vergonha de se enturmar, de chamar alguém para fazer dupla nos exercícios, os movimentos tão desejados e desconhecidos que exigem muito mais do que a imaginação mostrava... E vieram as quedas, os momentos de insegurança, as lagrimas. Mas veio também o acolhimento pelo grupo, as conversas, o ser aceito. Vieram as aulas uma atrás da outra e nelas a possibilidade de ver que o esforço era recompensado e que os movimentos ficavam mais fáceis e mais leves.
E juntas aprendemos a não desistir nas primeiras dificuldades. Aprendemos a ter persistencia, a valorizar cada passo, a nos levantar depois de cair, aprendemos que cair faz parte da jornada, e aprendemos a valorizar o caminho. Ela aprendeu que mesmo as coisas que gostamos exigem esforço e que isso não é algo ruim. Aprendeu a associar o esforço a algo bom, a conquista. Aprendeu a associar a mexer o corpo a algo que trás prazer e alegria. E que cansa sim, e isso também é bom.
E eu aprendo tudo isso com ela.
Todo dia.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Sobre manhãs e dança
É manhã de quarta feira e esta um tempo frio. Os raios de sol que chegam ainda não tem força para aquecer a rua ou as pessoas, mas promete esquentar em breve.
Eu e Rebeca acordamos cedo, não muito para os padrões de quem tem acordar muito cedo como rotina para trabalhar e estudar, mas cedo demais para o meu humor.
Acordar cedo tem feito parte da nossa rotina tem um ano e meio agora. Nós o fazemos para que ela possa exercitar uma de suas paixões: a dança.
Faz um ano e meio que Rebeca faz aulas de Ballet e Jazz 3 vezes por semana pela manhã e eu a acompanho.
Ela aprende muito com essa atividade e eu aprendo muito com ela.
Ela descobriu que gostava de dançar bem cedo. Lembram que aos 3 anos ela fez ballet na escola e a amiguinha disse que ela não podia fazer Ballet porque era muito gorda? (aqui)
Apesar disso ter afetado a autoestima dela de uma forma que eu vejo refletida ate hoje, Rebeca não perdeu o gosto pela musica ou pela dança.
Depois desse episódio ela tentou fazer natação, onde também teve problemas e acabou parando, mas teve a chance de tentar as aulas de ballet da escola novamente 2 anos e meio atrás quando fizemos um plano...
Eu não sou uma pessoa fisicamente ativa, quero dizer, não faço exercícios, sou bastante sedentária, e não tenho muito orgulho disso não. O fato é que sinto que essa sempre foi uma área pouco incentivada na minha vida, expecialmente no sentido de buscar uma atividade que eu tivesse prazer em fazer.
Foi conversando com minha irmã sobre como lidamos com essa falta de incentivo ao esporte que traçamos um plano que tinha como objetivo ajudar a Rebeca a descobrir que tipo de atividade física ela sentia prazer em fazer.
A partir daí iriamos incentiva-la a ter essa atividade no seu dia a dia, na sua rotina desde ja, na esperança que ela leve isso para toda a vida, não só o exercício em si mas a associação de que mexer o corpo e fazer atividades físicas é algo bom, divertido.
Começou com cursos extracurriculares que a escola dela oferecia no contraturno das aulas regulares. Cada dia da semana ela tinha uma atividade diferente: Ballet, Artes, Arte Marcial, Teatro, Capoeira. Durante um ano ela fez todas essas atividades para descobrir quais ela fazia com mais animação.
As aulas com música ganharam disparadas, seguidas de perto pelas de Arte Marcial.
Então chegou a segunda parte do nosso plano, que consiste em focar a atenção e o esforço nessas atividades, fora da escola onde ela teria mais aulas por semana e poderia desenvolver o esporte, indo alem da Recreação.
Conversamos com a Rebeca. Não seríamos nós a escolher por ela. Essa era uma das coisas importantes: se ela ter prazer na atividade é importante e queremos que ela leve isso para a vida toda, então temos que ouvir o que ela quer.
Explicamos o plano. Apresentamos diversas opções e deixamos que ela nos dissesse o que gostava mais, o que ela realmente gostaria de continuar fazendo.
Ela escolheu a dança.
A partir daí focamos nossos esforços em buscar um lugar dentro das nossas possibilidades financeiras que oferecesse a melhor estrutura para ela dar continuidade no seu aprendizado e, se possível, oferecesse opções extras que ela poderia explorar.
Encontramos, e no começo do ano passado iniciamos nossa saga de acordar cedo. São 2 aulas seguidas, primeiro o Ballet e logo em seguida o Jazz, 3 vezes por semana.
Eu que nunca fiz aulas de dança na vida me surpreendi com quanto esforço físico se faz, em como nas aulas se trabalha o preparo físico além das técnicas, como se exige do corpo, da disciplina...
Tem sido uma jornada incrível.
Encontramos um local muito bom e uma turma receptiva e inclusiva, com crianças de diferentes idades, jeitos, tipo de corpo, etapas de desenvolvimento. E ensinado o trabalho em equipe e a união, o afeto e a aceitação.
Cada aula Rebeca sai feliz. Sorridente. Cansada, sem dúvida, mas satisfeita. E eu me encho de orgulho e com a certeza de estar fazendo a coisa certa.
Vou parar por aqui por hoje.
Mas volto. Quero falar do que aprendemos.
Faz parte da rotina, sabe?
Eu e Rebeca acordamos cedo, não muito para os padrões de quem tem acordar muito cedo como rotina para trabalhar e estudar, mas cedo demais para o meu humor.
Acordar cedo tem feito parte da nossa rotina tem um ano e meio agora. Nós o fazemos para que ela possa exercitar uma de suas paixões: a dança.
Faz um ano e meio que Rebeca faz aulas de Ballet e Jazz 3 vezes por semana pela manhã e eu a acompanho.
Ela aprende muito com essa atividade e eu aprendo muito com ela.
Ela descobriu que gostava de dançar bem cedo. Lembram que aos 3 anos ela fez ballet na escola e a amiguinha disse que ela não podia fazer Ballet porque era muito gorda? (aqui)
Apesar disso ter afetado a autoestima dela de uma forma que eu vejo refletida ate hoje, Rebeca não perdeu o gosto pela musica ou pela dança.
Depois desse episódio ela tentou fazer natação, onde também teve problemas e acabou parando, mas teve a chance de tentar as aulas de ballet da escola novamente 2 anos e meio atrás quando fizemos um plano...
Eu não sou uma pessoa fisicamente ativa, quero dizer, não faço exercícios, sou bastante sedentária, e não tenho muito orgulho disso não. O fato é que sinto que essa sempre foi uma área pouco incentivada na minha vida, expecialmente no sentido de buscar uma atividade que eu tivesse prazer em fazer.
Foi conversando com minha irmã sobre como lidamos com essa falta de incentivo ao esporte que traçamos um plano que tinha como objetivo ajudar a Rebeca a descobrir que tipo de atividade física ela sentia prazer em fazer.
A partir daí iriamos incentiva-la a ter essa atividade no seu dia a dia, na sua rotina desde ja, na esperança que ela leve isso para toda a vida, não só o exercício em si mas a associação de que mexer o corpo e fazer atividades físicas é algo bom, divertido.
Começou com cursos extracurriculares que a escola dela oferecia no contraturno das aulas regulares. Cada dia da semana ela tinha uma atividade diferente: Ballet, Artes, Arte Marcial, Teatro, Capoeira. Durante um ano ela fez todas essas atividades para descobrir quais ela fazia com mais animação.
As aulas com música ganharam disparadas, seguidas de perto pelas de Arte Marcial.
Então chegou a segunda parte do nosso plano, que consiste em focar a atenção e o esforço nessas atividades, fora da escola onde ela teria mais aulas por semana e poderia desenvolver o esporte, indo alem da Recreação.
Conversamos com a Rebeca. Não seríamos nós a escolher por ela. Essa era uma das coisas importantes: se ela ter prazer na atividade é importante e queremos que ela leve isso para a vida toda, então temos que ouvir o que ela quer.
Explicamos o plano. Apresentamos diversas opções e deixamos que ela nos dissesse o que gostava mais, o que ela realmente gostaria de continuar fazendo.
Ela escolheu a dança.
A partir daí focamos nossos esforços em buscar um lugar dentro das nossas possibilidades financeiras que oferecesse a melhor estrutura para ela dar continuidade no seu aprendizado e, se possível, oferecesse opções extras que ela poderia explorar.
Encontramos, e no começo do ano passado iniciamos nossa saga de acordar cedo. São 2 aulas seguidas, primeiro o Ballet e logo em seguida o Jazz, 3 vezes por semana.
Eu que nunca fiz aulas de dança na vida me surpreendi com quanto esforço físico se faz, em como nas aulas se trabalha o preparo físico além das técnicas, como se exige do corpo, da disciplina...
Tem sido uma jornada incrível.
Encontramos um local muito bom e uma turma receptiva e inclusiva, com crianças de diferentes idades, jeitos, tipo de corpo, etapas de desenvolvimento. E ensinado o trabalho em equipe e a união, o afeto e a aceitação.
Cada aula Rebeca sai feliz. Sorridente. Cansada, sem dúvida, mas satisfeita. E eu me encho de orgulho e com a certeza de estar fazendo a coisa certa.
Vou parar por aqui por hoje.
Mas volto. Quero falar do que aprendemos.
Faz parte da rotina, sabe?
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