Quando eu era pequena, com uns 8 anos +-, eu fugi de casa.
Assim, fugi naquelas... Brava com meus pais por terem brigado comigo por alguma coisa que hoje já não lembro mais, eu fui decidida ao meu quarto, esvaziei minha mochila da escola e coloquei ali as coisas que achava essenciais. Quando me dei por satisfeita e não cabia mais nada na mochila, fui até a sala, fiz uma despedida dramática e sai porta afora para o mundo!
Não lembro tudo o que coloquei na mochila. Lembro de roupas, gibis... Na garagem de casa esquivei das nossas cachorras querendo brincar, abri o portão e fui pra rua.
Cheguei ate a esquina. Era de noite, a rua estava escura e vazia. Tive medo e voltei para casa. No entanto, sem querer dar o braço a torcer, e querendo que sentissem minha falta e se arrependessem de ter brigado comigo injustamente e viessem atrás de mim, decidi não entrar em casa e ficar na garagem. Lá havia uma casinha de cachorro enorme para nossas 4 cadelinhas, onde eu subi e fiquei sentada em cima pelo que me pareceram horas.
Cansada e com sono e sem ninguém ter vindo atrás de mim, vencida, entrei em casa. Meus pais, sentado no sofá da sala, me olham espantados e me perguntam onde eu estava.
Se foi verdade ou não que eles não sabiam eu não sei. Hoje eu conto essa história e eles nem ao menos se lembram do acontecido. Para mim a sensação de que eles nem ao menos perceberão minha ausência ou sentiram minha falta foi desoladora.
Mas minhas tentativas de mostrar minha frustração com broncas e querer que eles se arrependessem e demonstrassem isso não parou por ai. Desisti de fugir de casa, mas passei a me esconder embaixo da escada da nossa casa, um sobrado, e ficava lá embaixo, o mais fundo que podia, para que se eles olhassem só de longe não conseguissem me ver, e esperava que eles me procurassem.
Não lembro deles me procurarem mas acredito que eles o tenham feito. O que me lembro é das vezes que esperei em vão. A mais longa delas eu acabei adormecendo ali escondida e acordei horas depois sem ninguém ter ido me chamar.
Eventualmente desisti dessa prática, não sem um profundo sentimento de abandono.
Hoje olho pra trás e se por um lado olho para minhas próprias atitudes e penso em como estava sendo manhosa e mimada, por outro lado não tenho certeza se acredito nisso.
Talvez meus pais fizessem isso de proposito, exatamente para não me mimar demais. Talvez alguém tenha dito a eles que eu não podia vencer essas disputas pois isso tiraria a autoridade deles, ou faria com que eu respeitasse menos quando fizesse algo errado. Não sei. Todas essas hipóteses foram coisas que ouvi e li falarem sobre crianças ao longo dos anos.
No entanto, como meu terapeuta costumava me dizer, e como minha terapeuta atual me diz, e ate como uma astróloga que fez meu mapa astral anos atrás também comentou, eu sou uma pessoa muito consciente de mim mesmo.
E tenho ótima memória. E memória emocional.
E durante a gravidez da Rebeca eu me conectei muito comigo mesma e encarei medos, seguranças, sonhos, lembranças.
E uma das muitas coisas que trouxe dessa experiência foi a de tentar entender como minha filha se sente, e levar isso em consideração quando fizesse minhas escolhas de como lidar com ela.
Eu não queria, ou quero, que ela carregue esse tipo de sentimento de abandono como eu carreguei.
Isso nunca significou no oferecer disciplina, ou fazer todos os desejos, mas significou levar em consideração o modo.
No começo um pouco mais dura, hoje talvez mais livre, eu procurava e procuro observar a ação e a reação.
Quando ela era pequena e nos precisávamos ir embora de algum lugar onde ela se divertia, era claro que ela não ia querer parar de brincar. Então eu começava com um aviso: "Daqui 10 min vamos embora!". Dali a pouco um segundo aviso: "Só mais 5 min!". Até chegar no "vamos embora!". Entre os 1 ano e meio e uns 3 anos essa parte era seguida de choro, de não querer ir, de se jogar no chão.
Sim, é sempre assim. E eu aceitava esse comportamento dela e entendia sua frustração e a amparava. Abraçava, dizia que estava tudo bem, que era normal o que ela estava sentindo e tentava ajudá-la a se acalmar. Pacientemente. E quando ela parava eu levantava e dizia que iríamos embora.
Por vezes tive que esperar e fazer esse trabalho 2, 3 vezes até ela se acalmar e aceitar ir embora. Mas conforme os meses iam passando ela se acalmava mais rápido, insistia menos, até que finalmente os avisos se tornaram suficientes.
A ideia de que era possível ser coerente e firme nas decisões e ao mesmo tempo amparar e ser solidária ao que ela sentia fazia parte da essencia do tipo de mãe que eu desejava ser.
Hoje Rebeca tem 9 anos e está vivendo uma novidade em seu comportamento. É uma novidade que não vai passar. Não, é o começo de algo que depois reconhecemos como adolescência.
É um movimento tímido ainda, mas presente. Ela agora responde, quer ser ouvida, quer ser levada a serio. Quer demonstrações que confiamos nela.
Mesmo nos momentos que ela sabe que a gente sabe que ela não está sendo lá tão sincera.
Nada grave. Coisas simples, como dizer que já penteou o cabelo para ir a escola, ou que esqueceu de colocar o tênis nos dias de educação física e por isso estava de sapatilhas.
Conversamos, explicamos. Quantas vezes são necessarias e um pouco mais.
As vezes pedimos algo ou perguntamos alguma coisa que ela já explicou antes só para ouvir um "mas eu já disse isso! Você não ouviu?".
Ela nunca grita. Nem nós.
Ela questiona porque de algumas ordens. E fica magoada verdadeiramente se mandamos ela fazer algo ou chamamos sua atenção por alguma coisa de pouca importância ou que ela sente que não estava errada.
Hoje meu trabalho é o mesmo. Amparar e acolher. Explicar. Dar disciplina sim. Mas saber voltar atrás e pedir desculpas e mostrar pra ela que ela foi ouvida, que sua opiniao importa, que seus sentimentos são levados em consideração e que é possível ela estar certa e nos errados. E isso tudo sem deixar de ser firme quando necessário. Sem deixar de ter regras claras e rotinas. Sem fazer todos os seus desejos. Mostrando limites sim.
E tudo que eu espero é ter a chance de agir com ela como eu acho certo. Como senti falta de ter comigo.
Posso estar errada.
Mas as vezes ser mãe e isso. Ter a chance de tentar fazer diferente e cometer nossos próprios erros.
Mas ca entre nós?
Por enquanto eu acho que está dando certo...
Mostrando que não deve ser tão diferente ser mãe quando se é ou não bipolar, por que toda mãe tem o seu ladinho insano quando se trata de cuidar do filho. Esse blog tem o objetivo de narrar a experiencia de uma mãe que tem de enfrentar essa fase da vida com a duvida constante, o medo, de como, quando e quanto, sua bipolaridade pode afetar a vida de sua filha. Lidando com a linha tênue entre "normal" e "anormal"...
De mãe e louco todas temos um pouco
Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Sobre passado, presente e futuro
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segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Sobre a hora de dormir com todas as perguntas do mundo!
Rebeca nunca foi daquelas crianças que dormem com facilidade. Nem sei se existem crianças que dormem facilmente, mas essa é uma questão mais teórica e vou me concentrar na nossa pratica.
Desde bebê ela sempre lutou contra o sono. Parece que quanto mais sono mais elétrica ela fica. Mas o interessante aqui é que conforme ela foi ficando mais velha e seu interesse pelas coisas do mundo foi aumentando, ela passou a escolher a hora de dormir para fazer aquelas perguntas difíceis que reuniu na cachola ao longo do dia, semana, enfim.
No começo dessa prática eu achei que ela tinha chegado a famosa idade dos "porquês". Mas o tempo foi passando o tempo, meses, anos, e nada disso passar. O que aconteceu foi que as perguntas e os assuntos foram ficando mais elaborados.
E eu gosto de falar, sabe? E eu simplesmente não consigo resistir a responder as perguntas que ela, ate hoje, me tras.
E acabou que a hora de dormir acabou por se tornar uma das partes mais gostosas do dia. Relaxadas, dentes escovados, deitada na cama, ela me conta coisas sobre seu dia, pergunta sobre coisas de seu interesse como música e filmes, conta sobre o programa que viu e sobre o que aprendeu na aula, me pergunta e ouve interessada as histórias da minha infância...
E dia sim dia não me pergunta algo mais difidif de explicar. Sim, ela já perguntou e eu já expliquei de onde vem os bebês... Mas também já me perguntou porque algumas pessoas são más, porque temos tantas dividas, porque existe o dinheiro, o que é preconceito...
Nesse clima de eleições no qual nos encontramos, assunto quase impossível de se desviar, me vi explicando sobre história do Brasil, desde a colônia, independência, ditadura, diretas ja, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer. Expliquei sobre como nosso sistema de governo e estruturado, com seus tres poderes. Como o legislativo e importante. O que é a tal Lava Jato que ela tanto ouve falar, quem é o presidente, o governador, o prefeito, e qual o papel de cada um...
Nessas horas nossa conversa vai ficando comprida, e por vezes ela adormece no meio da explicação.
Mas tentar explicar pra ela o que está acontecendo hoje me ajuda muito a pensar e a ver as coisas com mais clareza, e mais otimismo.
Você já tentou explicar algo para uma criança?
Recomendo muito essa pratica. Não impor o que você pensa, mas de fato explicar, deixando que ela faça perguntas.
Você pode se surpreender com o que você mesmo é capaz de descobrir.
No fundo são essas conversas antes de dormir que fazem o mundo fazer sentido, e me lembram o que é o mais importante...
Desde bebê ela sempre lutou contra o sono. Parece que quanto mais sono mais elétrica ela fica. Mas o interessante aqui é que conforme ela foi ficando mais velha e seu interesse pelas coisas do mundo foi aumentando, ela passou a escolher a hora de dormir para fazer aquelas perguntas difíceis que reuniu na cachola ao longo do dia, semana, enfim.
No começo dessa prática eu achei que ela tinha chegado a famosa idade dos "porquês". Mas o tempo foi passando o tempo, meses, anos, e nada disso passar. O que aconteceu foi que as perguntas e os assuntos foram ficando mais elaborados.
E eu gosto de falar, sabe? E eu simplesmente não consigo resistir a responder as perguntas que ela, ate hoje, me tras.
E acabou que a hora de dormir acabou por se tornar uma das partes mais gostosas do dia. Relaxadas, dentes escovados, deitada na cama, ela me conta coisas sobre seu dia, pergunta sobre coisas de seu interesse como música e filmes, conta sobre o programa que viu e sobre o que aprendeu na aula, me pergunta e ouve interessada as histórias da minha infância...
E dia sim dia não me pergunta algo mais difidif de explicar. Sim, ela já perguntou e eu já expliquei de onde vem os bebês... Mas também já me perguntou porque algumas pessoas são más, porque temos tantas dividas, porque existe o dinheiro, o que é preconceito...
Nesse clima de eleições no qual nos encontramos, assunto quase impossível de se desviar, me vi explicando sobre história do Brasil, desde a colônia, independência, ditadura, diretas ja, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer. Expliquei sobre como nosso sistema de governo e estruturado, com seus tres poderes. Como o legislativo e importante. O que é a tal Lava Jato que ela tanto ouve falar, quem é o presidente, o governador, o prefeito, e qual o papel de cada um...
Nessas horas nossa conversa vai ficando comprida, e por vezes ela adormece no meio da explicação.
Mas tentar explicar pra ela o que está acontecendo hoje me ajuda muito a pensar e a ver as coisas com mais clareza, e mais otimismo.
Você já tentou explicar algo para uma criança?
Recomendo muito essa pratica. Não impor o que você pensa, mas de fato explicar, deixando que ela faça perguntas.
Você pode se surpreender com o que você mesmo é capaz de descobrir.
No fundo são essas conversas antes de dormir que fazem o mundo fazer sentido, e me lembram o que é o mais importante...
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Sobre aniversários e retornos...
A serie de postagens sobre a viagem foi para marcar a semana do aniversário da Rebeca.
Minha menina fez 9 anos essa semana e nos comemoramos como foi possível.
Com bolinho e parabéns com as colegas na aula de dança, uma festinha mais elaborada na escola e um jantar diferente a noite, foi o que esse ano conturbado nos permitiu.
Mas foi tudo pensado e feito com muita dedicação e carinho, por mim principalmente, mas com a ajuda dela e do pai.
Para o parabéns no ballet fiz cupcakes de red Velvet com cobertura de cream cheese tingidos de rosa e cupcakes de brigadeiro, e aí demos uma enfeitada com toppers de sapatilha para os rosas e notas musicais para os de brigadeiro.
Elas cantaram parabéns, as crianças adoraram os doces, e Rebeca ficou feliz.
Na escola já fizemos algo mais elaborado, a festa tinha outro tema, Harry Potter, e eu aproveitei pra soltar a imaginação e me divertir.
O bolo seria de chocolate com recheio de brigadeiro e cobertura de marshmallow tingido de verde, simulando o gramado do castelo. Num clima meio retro de festas dos anos 80, fizemos toppers especiais para o bolo, um grande do castelo e outros menores com os personagens do filme e ela montou a cena em cima do bolo antes do parabéns.
Mandamos salgadinhos de festa, sucos, copinhos temáticos, pratinhos... Mas a cereja do bolo foram as lembrancinhas.
Preparamos algo bem especial.
Numa sacolinha de papel craft colocamos um pacotinho de sapos de chocolate, com direito a carta de bruxos, um pote com feijõezinhos de todos os sabores, garrafinhas de poção magica, e uma varinha feita com biscoito cobrindo uma caneta, uma diferente da outra.
Rebeca me ajudou com a elaboração das lembrancinhas e ficou muito contente com a reação dos colegas. Voltou para casa com presentes e satisfeita.
O jantar fomos apenas eu, ela e o pai dela comer um Hamburguer na lanchonete favorita dela.
Voltamos para cantar parabéns em casa e distribuir os presentes nossos e dos avós dela que estavam esperando.
Foi tudo muito bom, mas deu muito trabalho.
Por exemplo, o bolo da escola eu ia fazer um dia antes da festa pra ele estar fresco. Na hora que fui cortar a massa no meio para rechear vi que a mesma havia ficado muito fofa e quando tentei levantar uma das partes para o recheio o bolo simplesmente se desfez entre os meus dedos. Era noite e eu precisava começar tudo de novo.
Quando perguntei a Rebeca se ela aceitaria um bolo comprado se eu não conseguisse fazer o bolo a tempo ela fechou a cara num bico enorme. Sem querer decepciona-la e nem a mim mesma, parti para fazer o bolo as pressas. Faria a massa antes de dormir e daria um jeito de rechear e cobrir antes dela ir a escola. Fui dormir a 1h da manhã com a massa pronta e calculando quanto tempo levaria para terminar o bolo no dia seguinte.
Nós ultimos minutos antes da aula consegui terminar o bolo. Sucesso e sorrisos!
A manhã não foi so correria por causa do bolo. Nós temos uma tradição de nós aniversários fazer café na cama. Como estava chovendo e minha cozinha e separada dos quartos, achei que Rebeca não ia se importar de ao invés do café na cama eu acorda-la para ir a cozinha comigo e eu preparar algo especial no lugar.
Ledo engano.
Na hora que ela abriu os olhos e viu que não tinha bandeja nenhuma ela logo começou a chorar, sentida, magoada... "Você esqueceu!" Ela dizia entre lágrimas.
Demorei 40 min para fazer ela se acalmar e entender o que tinha acontecido e deixar o dia continuar pois as outras coisas iriam dar certo e ela teria um ótimo dia.
Foi um grande aniversário. Muito emocionante. Muito cansativo. Muito trabalhoso, mas muito feliz.
E no dia seguinte, para agradar a mim e a Rebeca, o pai dela nos acordou com cafe na cama para nós duas.
E foi assim o Ano Novo pessoal da pequena.
Agora ela tem 9 anos...
Minha menina fez 9 anos essa semana e nos comemoramos como foi possível.
Com bolinho e parabéns com as colegas na aula de dança, uma festinha mais elaborada na escola e um jantar diferente a noite, foi o que esse ano conturbado nos permitiu.
Mas foi tudo pensado e feito com muita dedicação e carinho, por mim principalmente, mas com a ajuda dela e do pai.
Para o parabéns no ballet fiz cupcakes de red Velvet com cobertura de cream cheese tingidos de rosa e cupcakes de brigadeiro, e aí demos uma enfeitada com toppers de sapatilha para os rosas e notas musicais para os de brigadeiro.
Elas cantaram parabéns, as crianças adoraram os doces, e Rebeca ficou feliz.
Na escola já fizemos algo mais elaborado, a festa tinha outro tema, Harry Potter, e eu aproveitei pra soltar a imaginação e me divertir.
O bolo seria de chocolate com recheio de brigadeiro e cobertura de marshmallow tingido de verde, simulando o gramado do castelo. Num clima meio retro de festas dos anos 80, fizemos toppers especiais para o bolo, um grande do castelo e outros menores com os personagens do filme e ela montou a cena em cima do bolo antes do parabéns.
Mandamos salgadinhos de festa, sucos, copinhos temáticos, pratinhos... Mas a cereja do bolo foram as lembrancinhas.
Preparamos algo bem especial.
Numa sacolinha de papel craft colocamos um pacotinho de sapos de chocolate, com direito a carta de bruxos, um pote com feijõezinhos de todos os sabores, garrafinhas de poção magica, e uma varinha feita com biscoito cobrindo uma caneta, uma diferente da outra.
Rebeca me ajudou com a elaboração das lembrancinhas e ficou muito contente com a reação dos colegas. Voltou para casa com presentes e satisfeita.
O jantar fomos apenas eu, ela e o pai dela comer um Hamburguer na lanchonete favorita dela.
Voltamos para cantar parabéns em casa e distribuir os presentes nossos e dos avós dela que estavam esperando.
Foi tudo muito bom, mas deu muito trabalho.
Por exemplo, o bolo da escola eu ia fazer um dia antes da festa pra ele estar fresco. Na hora que fui cortar a massa no meio para rechear vi que a mesma havia ficado muito fofa e quando tentei levantar uma das partes para o recheio o bolo simplesmente se desfez entre os meus dedos. Era noite e eu precisava começar tudo de novo.
Quando perguntei a Rebeca se ela aceitaria um bolo comprado se eu não conseguisse fazer o bolo a tempo ela fechou a cara num bico enorme. Sem querer decepciona-la e nem a mim mesma, parti para fazer o bolo as pressas. Faria a massa antes de dormir e daria um jeito de rechear e cobrir antes dela ir a escola. Fui dormir a 1h da manhã com a massa pronta e calculando quanto tempo levaria para terminar o bolo no dia seguinte.
Nós ultimos minutos antes da aula consegui terminar o bolo. Sucesso e sorrisos!
A manhã não foi so correria por causa do bolo. Nós temos uma tradição de nós aniversários fazer café na cama. Como estava chovendo e minha cozinha e separada dos quartos, achei que Rebeca não ia se importar de ao invés do café na cama eu acorda-la para ir a cozinha comigo e eu preparar algo especial no lugar.
Ledo engano.
Na hora que ela abriu os olhos e viu que não tinha bandeja nenhuma ela logo começou a chorar, sentida, magoada... "Você esqueceu!" Ela dizia entre lágrimas.
Demorei 40 min para fazer ela se acalmar e entender o que tinha acontecido e deixar o dia continuar pois as outras coisas iriam dar certo e ela teria um ótimo dia.
Foi um grande aniversário. Muito emocionante. Muito cansativo. Muito trabalhoso, mas muito feliz.
E no dia seguinte, para agradar a mim e a Rebeca, o pai dela nos acordou com cafe na cama para nós duas.
E foi assim o Ano Novo pessoal da pequena.
Agora ela tem 9 anos...
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