De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Hipomania a gente vê por aqui...

Essa semana tive um gatilho daqueles fortes. Gatilho é aquele impulso inicial que nos leva a sentir alguma coisa, no caso. E para bipolares significa o evento que levou a uma mudança de humor, seja para uma fase depressiva seja para uma fase de mania.

Dai que esse gatilho me deixou mais "alegrinha". Não, sério, to sendo super modesta, to um tanto fora do eixo.

Não perdi completamente o controle, mas estou sofrendo de insônia, coisa que não acontecia há anos. Durmo e acordo no meio da madrugada e tenho muita dificuldade de voltar a dormir. Por sorte tenho a chance de dormir até mais tarde enquanto esses episódios não se resolvem, e acredito que seja exatamente isso que me mantém num certo controle.

Mas é difícil, como eu sempre imaginei que seria, ter filho pequeno e sofrer de insônia. Por que mesmo voltando a dormir não é como dormir direto. E eu durmo mais umas 2 horas no máximo, um sono agitado, diferente, pouco reparador. E a Beca não entende nada disso né?

Fico mais no limite e tenho dificuldade de me expressar além do normal. A paciência que é um dos meus pontos fortes vai pra longe e eu não consigo lidar com situações rotineiras da forma como acredito e procuro praticar sempre.

Não me entendam mal. Eu nem cheguei a gritar com a Beca nem nada do gênero. Nem perto disso. Mas fui mais enfática e dei muito menos explicações do que ela precisa e esta acostumada a ter. As vezes não consegui dar explicação alguma, só mandei e pronto.

Sabendo dessa dificuldade eu estou abusando da ajuda alheia e tentando relevar o máximo do comportamento dela. Abuso da ajuda da TV e do computador também, admito. E como ela gosta de ver videos de música no computador e é algo que eu sempre faço comigo do lado dela, com ela no meu colo, as vezes cantando junto (quando ela não reclama que eu cante) é por ai mesmo.

Do jeito que as coisas estão hoje sei que tudo que eu preciso são de algumas boas noites de sono, talvez um dia de folga pra extravasar mesmo.

E tomara que isso passe logo e sem muitos revezes...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Instabilidade, depressão e efeitos colaterais

Vou aproveitar o tempo livre pós almoço pra falar um pouco de coisa séria. Não que falar da Rebeca não seja coisa séria, claro que é, mas sério mesmo é quando você é bipolar e percebe que seu humor não anda lá tão bem assim.

Sinto que estou deprimida. Não aquela depressão incapacitante que não te deixa sair da cama. Mas aquele tipo que deixa desanimado, sem vontade de fazer muita coisa, de mau humor e brigando por bobagem por que cada palavra é uma luta pra sair da boca.

Sei bem o que é isso. É aquele chamado efeito rebote de uma crise de mania. Minha crise de mania de fim de ano eventualmente acabou e eu colho os frutos dela hoje. Por todos os lados, inclusive.

Não mexi nos medicamentos, na dose no caso, e sei que preciso marcar uma hora no médico. Até por que estou com um efeito colateral bem desagradável - a marca do remédio eu mudei e isso também pode ter interferido no meu humor.

Sim, pra quem não sabe, a marca do remédio altera sim os efeitos do mesmo ainda que teoricamente seja a mesma composição. Quem toma remédio diariamente sabe disso.

Meu cabelo cai de tal forma que entope o ralo do chuveiro a cada banho. Já estou com menos da metade do cabelo que tinha no fim do ano passado. Nem posso sonhar em tingir ou fazer qualquer química no cabelo com medo de que isso piore a situação. Então, mesmo que fosse apenas para pegar uma receita e voltar pra marca antiga, preciso marcar hora no médico.

Mas e a iniciativa, onde eu acho? É bem mais fácil escrever aqui sobre isso do que pegar o telefone e ligar, acreditem! Não é o mesmo movimento.

Me preocupa muito quando eu fico assim pois reflete como eu lido com tudo - com a Rebeca, com meu marido, meus pais, com o trabalho e comigo mesma.

No trabalho tenho dificuldade de ação e uma insegurança tremenda. Aceitei um freela com a minha irmã e apesar do meu esforço ser grande sinto que não alcanço as expectativas e travo em situações que racionalmente parecem simples de lidar. Mas nas ultimas semanas não são.

Sei que estou deprimida, mesmo que levemente deprimida, pois esse quadro se estendeu mais que alguns dias. Consigo datar uma piora a partir da minha ultima TPM. A impressão que eu tenho é que a TPM veio e ficou quando devia ter passado. Lá se vão 3 semanas de um humor ruim, uma paciência curta, desânimo, entre outras coisitas mais.

Antes disso  eu já estava mais desanimada mas ainda conseguia levar meus dias um pouco melhor.

Tenho estado mais impaciente com a Beca também, tadinha. Acabo brigando com ela por bobagens, por que pra mim tudo está mais pesado, lento, como se eu carrega-se um peso extra nas minhas costas.

Uma das coisas que me chamou a atenção que estou a muito tempo assim foi observar a Rebeca brincando. De repente as bonecas dela choram muito, pois é a forma que ela vê bebês pequenos, e ela, mãe das bonecas, sempre fala como se estivesse muito cansada e sofrendo. E criança repete nas brincadeiras os exemplos que tem em casa né? E os exemplos mais fortes que ela tem sou eu e minha mãe (que também não anda em seus melhores dias mas ainda esta melhor que eu). Ai sinto que tocou um sininho na minha cabeça -"que tipo de exemplo eu estou dando pra ela?"

Outro sintoma que veio com tudo foi o sono. Ando com muito mais sono, precisando dormir muito mais e o mesmo não tem mais o efeito revigorante de outrora.

Meu sono sempre foi um bom indicativo do meu humor - sono demais é sinal de depressão e sono de menos de mania. E eu demorei anos de tratamento pra descobrir que existia um meio termo nisso, que era um certo sono saudável, em que eu acordava bem disposta depois de umas 8h ou 9h de sono. Agora não. Se eu pudesse dormiria o dia todo.

Aliás, acho que se não fosse pela Rebeca eu estaria fazendo bem isso mesmo. Praticamente me entregando.

Mas eu tenho a Beca. E passar tempo com ela, mesmo com todas as dificuldades que venho enfrentando, ainda faz meus dias melhores, mais leves e mais felizes. Me faz levantar e agir. me faz insistir no trabalho, nas brincadeiras, em tudo. Me faz rir das gracinhas dela e me orgulhar das suas descobertas, me faz feliz ao vê-la crescer.

Ter a Beca não só não me faz não me entregar como me da força suficiente para que essa depressão não vá nem muito fundo e nem muito longe. Me faz uma pessoa melhor por que eu quero o melhor pra ela, pra nós.

Então eu levanto da cama, engulo em seco esse desânimo e passo mais um dia. E fico com ela de manhã (ou pelo menos parte dela), cuido das coisas da escola, troco, dou comida, brinco, conto histórias. Espero ela voltar da escola ansiosamente, querendo as poucas 2 horas a mais que passaremos juntas antes dela dormir. E no meio do caminho tento usar essa energia extra pra fazer todas as outras coisas. tem dias que dá, tem dias que não.

Mas sabe a única coisa que nunca acontece? Eu não desisto.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Atualizando a vida

Eis que estamos em fevereiro, dias antes do Carnaval. E eu acho que minhas "férias" ja tiveram tempo demais, não é não? Então vou fazer uma rápida atualização do meu ano até agora:

- O Ano Novo foi gostoso, calmo, bem como eu esperava. Bons amigos, boa comida, um bom jeito de começar o ano.

- Dias depois um amigo meu muito querido que mora fora veio passar 15 dias de férias no Brasil e n´so procuramos passar o maior período de tempo com ele. Fomos comer rodízio de pizza - afinal a pizza paulista não tem igual no mundo! - dois dias depois fizemos um churrasco na casa de um amigo e no fim de semana seguinte fiz um jantar aqui em casa regado a muito saudosismo. Terminamos com uma curta viagem para passar a tarde com a irmã dele antes do dia da viagem de volta. Foi incrível! Foi bom ter o bom de dois momentos da minha vida - o hoje, com a Beca e o meu eu aos 16 anos. Voltamos no tempo e foi difícil voltar aos dias atuais, mas acho que valeu muito a pena!

- Levei a Rebeca no cinema mais de uma vez, para assistir A Origem dos Guardiões e detona Ralph. Foi gostoso fazer um programa em família e ver que ela já consegue se concentrar mais no filme, se interessar pela história. Chega no final ela ja esta cansada e inquieta, mas isso já nos ultimos 15 minutos do filme então da pra contornar. É um dos programas que eu mais gosto de fazer e é ótimo ter agora a companhia dela que mostra que também tem gosto pela coisa!

- Ficamos em casa, acabamos não indo viajar nem nada. Na semana que tínhamos nos programado para viajar meu pai descobriu que precisaria começar a trabalhar em sua nova empreitada e as aulas da Rebeca recomeçariam. Tivemos que adiar mesmo, indefinidamente. Os programas que fiz então foram esses, sair com meus amigos, ir no shopping, ver filmes em casa.

- Tivemos o aniversário do Taz também e foi divertido, simples. E rendeu esse bolo aqui, feiot por mim:



- Como comemoração do aniversário do marido, assim que a Beca voltou as aulas nós escapulimos para o cinema assistir Django. Amei e recomendo muito! (o filme e o programinha a dois)

Nossa situação financeira continua indo de mal a pior. Minhas encomendas ainda não recomeçaram (ja tenho 2, mas pro mês que vem) e marido esta buscando novas alternativas. Ele piorou muito da depressão e acabou ficando em casa em Janeiro inteiro. Retomou a medicação e agora, um pouco melhor, conseguiu retomar o trabalho como corretor de imóveis até achar alguma outra coisa mais fixa - plano de curto e médio prazo. Além disso, conversamos muito e ele decidiu estudar para prestar concursos públicos, então esse é o plano a longo prazo.

Minha meta ainda é escrever meu livro esse ano, estou fervilhando de idéias, minha irmã teve uma bem boa e estou animada apesar de não saber por onde começar. Então não esqueçam do combinado - eu escrevo e vocês leem e me ajudam a divulgar! ;)

Com relação a escola, ela esta dando um certo trabalho para ir e entrar. Normal pra quem passou 2 meses em casa, então não estou preocupada.

Esse realmente vai ser o ultimo ano da Rebeca onde ela esta. Os aumentos praticados por eles não condizem com a minha realidade, além do preço do material escolar, apostilas, cursos extras (esse ano ela vai fazer balé) e por ai vai. Adoro o carinho que eles tem lá, os cuidados, além de saber que ela é muito querida pelos amigos, mas não dá. Então vou fazer o possível pra que ela aproveite o máximo da experiência. Bom a verdade é que não tenho idéia de como as coisas vão estar daqui até o fim do ano então tudo pode e deve mudar.

Acho que é isso. Vou continuar com a lista agora! hehehe

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Precisamos falar sobre o peso...

Rebeca esta com infecção na garganta. O Nariz voltou a ficar trancado na quinta passada, domingo ela começou a ficar meio quente e segunda teve febre de gente grande: 38,6°

Levei ela no pediatra na terça onde foi diagnosticada a infecção e ela já esta medicada e melhor, sem febre.

Mas esse post é pra falar de outra coisa...

Rebeca foi medida e pesada na consulta:
99,50 cm, medida em pé (da uma diferença de 2 ou 3 cm de quando a criança é medida deitada)
18,800kg

Ela cresceu 2 cm entre uma consulta e outra, com 2 meses de diferença, o que é excelente.
Mas engordou 1,300kg

E engordar tudo isso em 2 meses é um caso sério.

De acordo com o pediatra ela deveria engordar entre 150gr e 200gr por mês nessa fase.

Rebeca engordou 650gr

A história é séria e requer atenção. Porque nós estavamos indo muito bem obrigado, até um pouco abaixo do peso médio da idade até Julho. Aí a coisa desandou e de lá pra ca, ou seja, em 6 meses, a Rebeca engordou 3 vezes mais do que devia e está com sobrepeso.

Fiz essa estimativa pela curva de altura e peso dela gente, não estou inventando coisas.

A verdade é que em algum momento nós, eu, perdi a mão. Descuidei. E não sei muito bem como e onfe isso aconteceu.

É muito dificil pra mim falar ou mesmo pensar nesse assunto devido ao meu histórico pessoal familiar com relação ao peso. Mas não posso deixar que os meus traumas prejudiquem a saude da minha filha, né?

A sensação que tenho é que Rebeca me acompanhou esse semestre e isso se refletiu negativamente. Explico: Eu como minhas frustrações e esse semestre foi bem punk. Tenho certeza que estou deprimida e olhando pra trás acho que passei mais da metade do ano assim. E minha forma de lidar com isso, buscando ter momentos mais agradáveis, eu como. E nessa sinto que a Rebeca entrou junto comigo no sistema de recompensa.

Outro fator é que comecei a trabalhar fazendo cupcakes por encomenda então passamos a ter doces em casa constantemente. E o "não" teve pouco, teve não, ainda tem, pouco espaço aqui.

E Rebeca gosta de comer. E come bem. Verduras e legumes sim, mas adora uma boa macarronada. E seus gostos tem mandado cada vez mais no cardápio da casa.  Perigoso, no mínimo.

Estou refletindo sobre o assunto. Sei que do jeito que está não dá pra continuar. Sei como fazer o melhor pra ela, mas esse movimento está bem difícil. Não por ela, mas por mim.

Eis aquele momento em que cuidar da saúde da filha é cuidar da saúde da mãe, e vice versa...

E vocês, já pensaram sobre esse assunto? Como saber o momento do erro e como corrigi-lo?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sobre ser Mãe e Bipolar

Não sei se vocês que leem o blog notaram, mas meu humor oscilou consideravelmente esse ano. E ainda estamos em Agosto! Vocês podem até ter achado natural tudo isso mas quando você sabe que tem uma doença como a bipolaridade é bom ficar atento a algumas coisas.

Querem um exemplo?

Devido a todos os problemas que tenho enfrentado em casa eu já decidi (por que não foram apenas pensamentos, foram decisões!)
- deixar o trabalho que estava fazendo como secretária em home office
- prestar concurso público
- voltar a dar aula de inglês
- ser web writer
- fazer doces e cupcakes para encomenda (que é o que tem dado mais certo até agora e por mais tempo)
- escrever meu livro (não sei se esse conta pois decidi isso pela primeira vez ao 7 anos :P )

Por mais que essas decisões tenham sido motivadas por problemas financeiros e no relacionamento, mudar de ideia 4 vezes em 8 meses é um pouco preocupante para quem esta no momento mais estável dos últimos anos. Eu não sou uma adolescente de 17 anos tentando decidir qual faculdade cursar, sabem? Sou uma mãe de família de 30 anos que não consegue decidir no que insistir.

Com isso eu estou querendo ilustrar um pouquinho do assunto: Sou mãe e sou bipolar. São duas coisas difíceis de conciliar muitas vezes, mas não impossíveis.

Encontrei esses dias num backup textos do meu primeiro blog, que comecei na época do meu diagnóstico final como bipolar e pouco depois da minha internação. Não tem todos os textos, muita coisa eu perdi, mas tem algumas pérolas de uma época bem mais turva na minha vida. Aliás, vocês lembram de eu ter contado que já fui internada, não?

Minha luta verdadeira e definitiva com a bipolaridade começou há 10 anos e alguns meses. Tive uma crise de ciclotimia gravíssima, uma depressão profunda e tive que tirar forçar de sabe-se lá onde pra decidir e ir atrás sozinha de ajuda. Sozinha sim, apesar de ter marido e família pois se não fosse por minha própria iniciativa e força de vontade tudo teria continuado igual. Coisas que só quem já viveu situação assim sabe.

Muitas vezes as pessoas próximas a nós sabem que tem alguma coisa errada mas não sabem dizer o que é e não se sentem no direito de tomar uma atitude ou nem sabem que atitude devem tomar. A busca pelo tratamento acaba tendo que vir do próprio bipolar que na grande maioria dos casos está vivendo a crise.

Já contei um pouco sobre a trajetória que fiz, buscando o tratamento, abandonando o mesmo pouco tempo depois por causa de um aborto e uma depressão por causa dele e por fim voltando a me tratar por ter sido ali, nos poucos dias que estive grávida pela primeira vez que encontrei a minha motivação para ficar bem.

Hoje, 10 anos depois tenho uma filha linda que vai fazer 3 anos e enche meus dias de alegria.

E sigo firme e forte no tratamento, questionando algumas decisões dos médicos, mas ainda sim decidida a me cuidar. A motivação não deixou de existir, ela vive comigo.

Mas nem tudo é rosa, nem tudo são flores. Tenho dias piores. Talvez mais que uns dias.

Esses últimos 2 anos por exemplo eu abri mãe da minha saúde física tentando manter assim uma "paz" para manter minha sanidade mental. Com isso engordei 20 quilos e estou com suspeita de descalcificação.

Eu sentia vontade de me cuidar. Via tudo o que eu estava fazendo de errado. Mas sempre existia algo mais importante, ou algum empecilho pra que eu voltasse a me cuidar como deveria. Eu vejo esses empecilhos ainda hoje, todos os dias. Uma ansiedade que não passa e que me faz querer mastigar o dia inteiro - com certeza sentindo falta do cigarro! - um sedentarismo impregnado, uma rotina dentro da lógica do "mais fácil".

Mas a vontade de mudar não vinha. Não de verdade. Ficava sempre pra depois, adiada.

Tive dias que não quis levantar da cama, me sentindo fisicamente doente mas sem dar um espirro sequer. Dias que tudo que eu precisava era ficar quieta, no meu canto, deixar o dia passar pra quem sabe no dia seguinte acordar melhor.

Tive dias que não tinha paciência nenhuma e a Beca pagou o pato, em especial na hora de dormir, pois mesmo sem condições eu insistia pra colocar ela pra dormir e acabava brigando com ela que só queria, naturalmente, continuar acordada e brincando. Até que culminou nesse dia AQUI.

Sabem quando vocês tem aquele estalo de que algo precisa mudar? eu tenho isso as vezes. E o dia do ursinho foi assim pra mim. Ele fez começar a girar uma roda em que eu comecei a ver que algo estava muito errado e eu precisava urgentemente descobrir o que era.

Descobri que muito do que eu estava sentindo de ruim estava ligado ao sono excessivo que vinha sentindo. Pedi pra abaixar um pouco a medicação na esperança sim de que com menos sono meu humor ficasse um pouco melhor e eu tivesse mais pique pra tudo sem entrar numa crise.

Na ultima consulta coma psiquiatra eu briguei por isso. Literalmente. Briguei. Consegui sair de lá com a dose que eu queria do remédio e depois de mais 3 dias passei a tomar a nova dosagem. Isso tem 20 dias.

Fez diferença. Estou mais disposta, acordo com mais facilidade de madrugada quando necessário e de manhã. Estou mais paciente com a Rebeca e com o mundo em geral. Sinto que estou mais perto de uma serenidade que já foi minha em outro momento. Me sinto mais capaz.

E torço todos os dias pro feitiço não virar contra o feiticeiro e eu não entrar em uma nova crise.

E sei que pra grande maioria dos bipolares a vida é assim. Uma luta, uma vida cheia de incertezas, convivendo com nossos altos e baixos.

E com tudo isso eu quis dizer que to aqui, lutando. Por que eu encontrei a minha motivação.

E você, o que te move?