Já contei em outros posts do blog sobre o processo de mudança que se iniciou por aqui no ano passado na época que minha mãe começou a ficar doente.
2018 terminou como se eu tivesse sido arrastada por um furacão. 2019 tem pouco mais de um mês que chegou e já me sinto atropelada.
Sei que muitos se sentem assim.
2019 vem para dar continuidade a esse movimento que minha vida entrou ano passado.
Se não tenho controle sobre o que acontece lá fora o jeito é me concentrar no processo interno.
Queremos nos mudar de casa ainda nesse primeiro semestre. Esse é o plano.
Eu venho pensando muito no que quero, no que preciso, no que sou capaz.
Minhas respostas tem sido amargas e me levado para um desespero ainda maior que os próprios acontecimentos em volta. Mas eu preciso encontrar algumas respostas.
Uma questão que aparece várias vezes e que acaba sempre memlevando propmesmo lugar é se iremos morar próximo dos meus pais para podermos continuar nos ajudando ou não.
Um lado meu sente vontade de sair da cidade grande e ir para o interior. Uma parte de mim quer ir ainda mais longe e tentar a chance em outro país. Ir para algum lugar mais seguro onde minha filha possa crescer com a liberdade de ser ela mesma, sem medo.
No entanto a ideia de deixar meus pais pra trás é paralisante. Mesmo a ideia simples de deixar a cidade pra tentar a vida em outro lugar, sem eles me parece impossível depois de tudo que passamos no último ano.
Essas últimas duas semanas meu pai teve uma crise de labirintite. Ficou vários dias de repouso tomando remédio e voltou às atividades devagar conforme foi melhorando. Nossa rotina foi profundamente afetada visto que ele é o principal responsável por levar as pessoas de um lado pro outro (eu, Rebeca, minha mãe) e por fazer as compras.
Semana passada a médica de minha mãe voltou das férias e minha mãe decidiu parar de fingir que estava bem e aceitou ir ao PS depois do segundo dia de febre.
Lá a médica dela constatou uma nova pneumonia. Tratamento em casa, antibióticos mais fortes, e tudo o que já sabíamos.
Em casa após o médico minha mãe admite que vinha sentindo dores no peito há semanas, desde que voltou da praia, mas como a dor passava com analgésicos ela achava que estava tudo bem...
E isso me lembrou que podemos ter tido uma melhora sim, mas que essa história ainda não acabou...
No meio do caminho, vamos ver apartamentos na nossa cidade mesmo.
Meus pais vão precisar de ajuda e cuidado. Eles não vão ficar mais novos. Não vai ficar mais facil. E eu não conseguiria ficar bem comigo mesma se eu não tentasse oferecer à eles o mesmo cuidado que eles até hoje tem comigo. Então vamos mudar de casa sim, mas para 2 aptos no mesmo prédio, para ter a proximidade e a individualidade preservadas na medida.
Então estamos vendo aptos por perto.
Eu leio as notícias do dia e fico tonta.
Não sei se é melhor me alienar ou me manter informada.
Tento me concentrar em nós.
Acordo cedo e mantenho a rotina.
Eu não sei se tenho direito de opinar nas decisões da casa. Não me sinto capaz de mudar minha realidade.
Muitas coisas estão fora do meu controle.
Mas eu posso acordar cedo e trazer a Rebeca a aula de dança. Posso acompanhar ela até a escola, e ajudar na lição de casa. Posso me esforçar para ajudar meus pais em sua decisão e a entender que a palavra final e deles.
E eu posso vir aqui e escrever e contar um pouco disso tudo. Porque isso ajuda.
Quando tudo em volta parece se mover rápido demais vir aqui me ajuda a acompanhar o movimento.
E isso eu posso fazer...
Mostrando que não deve ser tão diferente ser mãe quando se é ou não bipolar, por que toda mãe tem o seu ladinho insano quando se trata de cuidar do filho. Esse blog tem o objetivo de narrar a experiencia de uma mãe que tem de enfrentar essa fase da vida com a duvida constante, o medo, de como, quando e quanto, sua bipolaridade pode afetar a vida de sua filha. Lidando com a linha tênue entre "normal" e "anormal"...
De mãe e louco todas temos um pouco
Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Sobre mudanças, calma e planejamento
Não sei se é só comigo, mas eu tenho muita dificuldade de lidar com mudanças.
Apesar de ter um lado meu bem forte que gosta de ter as coisas em movimento, no fundo eu me sinto mais confortável e segura quando a vida é mais estável.
Apesar dos altos e baixos nos últimos anos, as coisas por aqui estavam relativamente estáveis. Não estavam boas, longe do ideal, mas ainda sim estaveis.
Esse ano essa estabilidade foi passear e deixou pra trás uma séria de dúvidas, medos e inseguranças. Levou consigo o tapete que escondia questões pessoais, e expôs sentimentos de inadequação, de tristeza, e tantos mais.
Passar por isso tem sido difícil mas insisto em achar que necessário. Não olhar para o que não está bom nos deixa fadados a inércia, e ai meu amor, quando o caldo entornar você não vai estar preparado pra lidar com as consequências.
Mas reagir ao invés de agir tem sido a constante da minha vida há anos, meio que desde que eu me conheço por gente. A regra sempre foi "deixa assim e depois a gente vê o que faz".
Preciso dizer que isso nunca deu muito certo né?
É claro que sempre existem imprevistos. Mas e possível passar por eles com mais calma se você puder se planejar para imprevistos de uma forma geral, mesmo sem prever aquele específico.
Eu acho.
Vou fazer um Jabá e falar que há anos sigo o @Vidaorganizada. Conheci o blog la no comecinho da minha própria vida de blogueira e acompanho desde então. E apesar de ter dificuldade pessoal de seguir muitas das dicas, existem aquelas que consegui trazer pra minha vida e realmente ajudaram muito.
Terminei de ler o primeiro livro da Thaís Godinho (você pode adquirir o mesmo em formato impresso ou digital nas livrarias) e sinto que isso tem me ajudado a dar um norte para esse momento de mudança que vivo hoje. Olhar um pouco mais claramente para o caminho a seguir, tentar descobrir meus objetivos.
Meu maior plano e o que eu de fato consegui seguir e alcançar meu objetivo foi ser mãe. Ele envolveu dedicação e compromisso desde a idealização e mantém-se assim ate hoje. Porque ser mãe é um projeto de vida, ele é permanente, ė possível ver onde ele começa sim, mas ele nunca termina. Ele se adapta.
Com minha terapeuta estou trabalhando trazer de volta essa determinação e tentar desvendar as travas que me impedem de levar isso as outras áreas da minha vida.
E com a ajuda do blog e do livro, esmiuçar meus sonhos e desenhar os passos para torná-los reais.
Essa semana tivemos que apagar o incêndio que surgiu no trabalho. Ainda é uma ação presente, isso continua acontecendo nesse exato momento. Aí a vontade é de tomar decisões impulsivas.
Estamos tentando ter calma. E deixar o fogo cessar, a poeira baixar, e aí sim olhar para tudo de forma objetiva.
Existe uma pergunta que já podemos nos fazer: O que queremos? Onde queremos chegar?
Depois planejamos como chegar lá.
Mas temos que saber responder essas perguntas primeiro.
Eu sei o que eu quero. Eu acho que sei o que eu quero.
E você?
Apesar de ter um lado meu bem forte que gosta de ter as coisas em movimento, no fundo eu me sinto mais confortável e segura quando a vida é mais estável.
Apesar dos altos e baixos nos últimos anos, as coisas por aqui estavam relativamente estáveis. Não estavam boas, longe do ideal, mas ainda sim estaveis.
Esse ano essa estabilidade foi passear e deixou pra trás uma séria de dúvidas, medos e inseguranças. Levou consigo o tapete que escondia questões pessoais, e expôs sentimentos de inadequação, de tristeza, e tantos mais.
Passar por isso tem sido difícil mas insisto em achar que necessário. Não olhar para o que não está bom nos deixa fadados a inércia, e ai meu amor, quando o caldo entornar você não vai estar preparado pra lidar com as consequências.
Mas reagir ao invés de agir tem sido a constante da minha vida há anos, meio que desde que eu me conheço por gente. A regra sempre foi "deixa assim e depois a gente vê o que faz".
Preciso dizer que isso nunca deu muito certo né?
É claro que sempre existem imprevistos. Mas e possível passar por eles com mais calma se você puder se planejar para imprevistos de uma forma geral, mesmo sem prever aquele específico.
Eu acho.
Vou fazer um Jabá e falar que há anos sigo o @Vidaorganizada. Conheci o blog la no comecinho da minha própria vida de blogueira e acompanho desde então. E apesar de ter dificuldade pessoal de seguir muitas das dicas, existem aquelas que consegui trazer pra minha vida e realmente ajudaram muito.
Terminei de ler o primeiro livro da Thaís Godinho (você pode adquirir o mesmo em formato impresso ou digital nas livrarias) e sinto que isso tem me ajudado a dar um norte para esse momento de mudança que vivo hoje. Olhar um pouco mais claramente para o caminho a seguir, tentar descobrir meus objetivos.
Meu maior plano e o que eu de fato consegui seguir e alcançar meu objetivo foi ser mãe. Ele envolveu dedicação e compromisso desde a idealização e mantém-se assim ate hoje. Porque ser mãe é um projeto de vida, ele é permanente, ė possível ver onde ele começa sim, mas ele nunca termina. Ele se adapta.
Com minha terapeuta estou trabalhando trazer de volta essa determinação e tentar desvendar as travas que me impedem de levar isso as outras áreas da minha vida.
E com a ajuda do blog e do livro, esmiuçar meus sonhos e desenhar os passos para torná-los reais.
Essa semana tivemos que apagar o incêndio que surgiu no trabalho. Ainda é uma ação presente, isso continua acontecendo nesse exato momento. Aí a vontade é de tomar decisões impulsivas.
Estamos tentando ter calma. E deixar o fogo cessar, a poeira baixar, e aí sim olhar para tudo de forma objetiva.
Existe uma pergunta que já podemos nos fazer: O que queremos? Onde queremos chegar?
Depois planejamos como chegar lá.
Mas temos que saber responder essas perguntas primeiro.
Eu sei o que eu quero. Eu acho que sei o que eu quero.
E você?
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TBH,
Transtorno bipolar do humor
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Vai passar...
Eu sei que passa.
Hoje eu tenho dificuldade de me concentrar.
Me comunicar, ter que falar com outras pessoas, por mais que eu queira, é difícil, requer esforço e cansa.
Hoje eu so sinto vontade de ficar quietinha, na cama, enrolada em uma coberta, me sentindo quentinha e segura. Mesmo que lá fora esteja um calor de 30°.
É verdade que sair desse estado da trabalho, mas pra algumas coisas eu ainda consigo fazer o esforço: Rebeca. Levar ela as aulas de dança, ajudar a fazer a lição de casa, dar um mínimo de atenção, responder os inúmeros questionamentos sobre o mundo na hora de dormir. Eu gosto, mas requer muito mais esforço que o normal.
Hoje, depois de passar o dia, quando finalmente me permito parar para jantar, eu estou tão exausta que não tenho energia para pensar em comer, o que comer, e a ideia de ter que preparar um prato que seja das sobras do almoço não alcança o meu desejo de me sentir acolhida, reconfortada, que acabo buscando na comida no fim do dia.
Cada um tem sua fuga, sua valvula de escape. Não tenho orgulho disso, no momento é um fato e um fator que não consigo mudar. Sem conseguir direcionar e encontrar essa sensação em mais nada, me parece desesperador tentar mudar isso agora.
Eu ainda sinto prazer nas coisas, eu ainda sinto vontade de fazer algumas coisas, mas é como carregar um enorme peso nas pernas, nos braços, nas costas, na mente...
Mas tudo isso passa.
Nas horas que minha mente simplesmente insiste em pensar apenas em coisas ruins, eu agradeço a existência do computador e do celular, tanto para distrair a Rebeca quando eu não me sinto capaz, quanto para derreter minha mente em redes sociais de forma que os pensamentos ruins escorram junto com a enorme quantidade de informações sem utilidade que se arrastam pela tela.
Mas eu sei que tudo isso passa.
Eu tento lutar o tempo todo com o sentimento de desespero que me assola. A voz que repete todo o tempo o quanto sou incapaz de fazer qualquer coisa, que não tenho controle nenhum sobre a minha vida, que sou dependente de outros inclusive nas poucas coisas que insisto em achar que faço bem. Que ecoa frases ouvidas em diferentes momentos da minha vida, os flashes repetidos de cenas vividas, a dor e a vergonha revivida a cada vez que pisco e perco o foco que tenho que manter para afastar tudo isso que escurece minha visão do mundo.
Hoje eu me sinto sozinha e desamparada, me sinto triste e perdida.
Mas eu sei que isso passa.
Então eu levanto pela manhã e me forço a abrir os olhos e continuar. Simplesmente continuar.
Não me sinto sem esperança, isso realmente não acontece. Eu tenho esperança, mais do que isso, eu tenho certeza, eu sei que isso tudo que eu estou sentindo vai passar.
Mas eu não quero que tudo passe. Acho que é importante ouvir um pouco do que esse lobo de escuridão tem a me dizer.
Tenho que ouvir minhas dores para poder mudar o que é real. Tenho que ouvir minhas dores para distinguir o medo e o exagero do que pode ser feito.
Para que depois eu possa usar minhas vitórias para me proteger.
Eu sei que isso passa.
Saiba você também.
Vai passar. FORÇA.
Hoje eu tenho dificuldade de me concentrar.
Me comunicar, ter que falar com outras pessoas, por mais que eu queira, é difícil, requer esforço e cansa.
Hoje eu so sinto vontade de ficar quietinha, na cama, enrolada em uma coberta, me sentindo quentinha e segura. Mesmo que lá fora esteja um calor de 30°.
É verdade que sair desse estado da trabalho, mas pra algumas coisas eu ainda consigo fazer o esforço: Rebeca. Levar ela as aulas de dança, ajudar a fazer a lição de casa, dar um mínimo de atenção, responder os inúmeros questionamentos sobre o mundo na hora de dormir. Eu gosto, mas requer muito mais esforço que o normal.
Hoje, depois de passar o dia, quando finalmente me permito parar para jantar, eu estou tão exausta que não tenho energia para pensar em comer, o que comer, e a ideia de ter que preparar um prato que seja das sobras do almoço não alcança o meu desejo de me sentir acolhida, reconfortada, que acabo buscando na comida no fim do dia.
Cada um tem sua fuga, sua valvula de escape. Não tenho orgulho disso, no momento é um fato e um fator que não consigo mudar. Sem conseguir direcionar e encontrar essa sensação em mais nada, me parece desesperador tentar mudar isso agora.
Eu ainda sinto prazer nas coisas, eu ainda sinto vontade de fazer algumas coisas, mas é como carregar um enorme peso nas pernas, nos braços, nas costas, na mente...
Mas tudo isso passa.
Nas horas que minha mente simplesmente insiste em pensar apenas em coisas ruins, eu agradeço a existência do computador e do celular, tanto para distrair a Rebeca quando eu não me sinto capaz, quanto para derreter minha mente em redes sociais de forma que os pensamentos ruins escorram junto com a enorme quantidade de informações sem utilidade que se arrastam pela tela.
Mas eu sei que tudo isso passa.
Eu tento lutar o tempo todo com o sentimento de desespero que me assola. A voz que repete todo o tempo o quanto sou incapaz de fazer qualquer coisa, que não tenho controle nenhum sobre a minha vida, que sou dependente de outros inclusive nas poucas coisas que insisto em achar que faço bem. Que ecoa frases ouvidas em diferentes momentos da minha vida, os flashes repetidos de cenas vividas, a dor e a vergonha revivida a cada vez que pisco e perco o foco que tenho que manter para afastar tudo isso que escurece minha visão do mundo.
Hoje eu me sinto sozinha e desamparada, me sinto triste e perdida.
Mas eu sei que isso passa.
Então eu levanto pela manhã e me forço a abrir os olhos e continuar. Simplesmente continuar.
Não me sinto sem esperança, isso realmente não acontece. Eu tenho esperança, mais do que isso, eu tenho certeza, eu sei que isso tudo que eu estou sentindo vai passar.
Mas eu não quero que tudo passe. Acho que é importante ouvir um pouco do que esse lobo de escuridão tem a me dizer.
Tenho que ouvir minhas dores para poder mudar o que é real. Tenho que ouvir minhas dores para distinguir o medo e o exagero do que pode ser feito.
Para que depois eu possa usar minhas vitórias para me proteger.
Eu sei que isso passa.
Saiba você também.
Vai passar. FORÇA.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
do hoje e do passado
do hoje:
hora de colocar a Rebeca pra dormir, ela vem pro meu colo depois do papai ter dado banho. E ele diz:
- "da um beijo no papai filhinha!
(ela beija a propria mão e encosta nele, dando o eijo do jeito timido dela)
- Não filha, da um beijo de verdade!
(ela faz a mesma coisa de novo, e quando ele aproxima o rosto dele do dela ela vira de costas dando risadinhas, timida timida)
- e a mamãe, vai dar um beijo no papai de boa noite? (e virando pra mim) Hein amor? (e me da um beijo)
A Rebeca da mais uma risada e eu dou um beijo estalado nela. Ai ela vai dar outro beijo de mão no Taz que mais uma vez aproxima o rosto do dela ai...
nem pensa duas vezes, encosta a mão no rosto dele e empurra fazendo ele virar pra dar um beijo em mim!
:P esperta a menina!
Ontem...
e por ontem digo ha anos e anos atras.
Muitas pessoas tem chegado ate o blog recentemente atraidos pelo lado bipolar do nome dele. Algumas mulheres que querem ter filhos, umas que terão, outras que querem ter. Todas bipolares. Outros são homens bipolares ou que convivem de alguma forma com um bipolar.
Eu queria agradecer voes por passarem aqui e depositarem nesse cantinho um pouco da sua curiosidade, e quem sabe, da sua esperança. E importante pra mim poder ajudar de alguma forma. Nme que seja so contando parte da minha historia...
E pensando nisso, e no brigadeiro que fiz hoje, e no reencontro de galera que estou organizando, e nos meus problemas no relacionamento, e nos problemas financeiros, e em como lido com as questões que chegam ate mim, minhas, dos outros, enfim, achei que precisava falar um pouco de como eu ja estive.
Estive
é importante dar uma certa enfase nisso: ESTIVE.
Passado
MOMENTO NO PASSADO
Não uma constante
Não quem eu fui
Mas como ja estive.
Pensando em mim hoje, olhando pra como eu encaro as coisas, pra forma como enxergo o mundo, sei que estou mais proxima de quem eu realmente sou do que estive ha um bom tempo.
Eu quero ressaltar que eu estou sempre falando de momentos. Se dizem que a vida de uma pessoa é vivida por momentos, a vida de um bipolar não tem duvidas de que é. Existe o momento que voce é voce mesmo, e depois o momento em que voce esta em crise, e alguns momentos em que voe esta entre crises. E a luta é pra tentar resgatar a sanidade daquele momento inicial. Muitas vezes o problema é que, quando olhamos pra tras, não conseguimos mais enxergar o momento em que eramos apenas nos mesmos, sem exageros, sem doença, sem crise.
E muito comum voce conhecer um bipolar que acredita que o EU verdadeiro dele é um eu dele em algum estado de crise. Seja qualquer cuma delas entre o depressivo e a mania. Muitas vezes a mania, afinal e quando estamos nos sentindo super bem. E quem não quer ser o cara que se sente feliz, bem, hiper inteligente, descolado, popular?
Mas não somos.
E agora entra a parte do brigadeiro :P
Quando eu era criança minha mãe costumava fazer brigadeiros pra nós, para comermos de colher. Ela fazia na panela usando chocolate do padre e depois deixava esfriar no freezer ou na geladeira. E nos iamos la, felizes, com nossas colherinhas de chá, comer brigadeiro.
Minha mãe não cozinha. Simples assim. Não é algo que ela faça. Nunca vi minha mãe na cozinha pra fazer mais do que 3 coisas durante a minha infancia: brigadeiro, pavê e arroz com ovo. Aprendi os tres. Ela nem lembra de fazer...
Bom, acontece que a lembrança do brigadeiro, daqueles gosto especifico de brigadeiro feito com chocolate do padre ficou guardado na minha memoria.
Eu, quando faço brigadeiro, o que hoje em dia é raro, costumo usar Nescau mesmo. Fica bom, mais doce, sempre achei que era a mesma coisa. Mas, hoje em especial, fiz o brigadeiro usando chocolate do padre, sem acrescentar nada. E agora pouco, antes de vir postar, minha colherinha em mãos, fui comer o brigadeiro. E o que aconteceu foi mais do que sentir um gosto gostoso de brigadeiro de colher, mas fui invadida por uma serie de lembranças, que ativaram minha imaginação, que me fizeramlembrar de mais coisas, e eu ate briguei mentalmente com minhamãe por ela levar o brigadeiro pra comer no quarto.
Desde que engravidei da Rebeca eu venho tendo momentos como esse em que relembro a minha propria infancia. Freud explica, um dia pergunto pra ele. Mas uma coisa que achei importante é que nessa epoca, a epoca do brigadeiro, eu com certeza era eu mesma.
Eu tive a minha primeira crise serie quando tinha 12 anos de idade. Seria mesmo. Chorava muito, não ia a escola, cabulava aula, comecei a fumar, sentia uma dor dentro de mim que nem com auto flegelação eu conseguia acalmar.
Sim, eu me atuo flajulava. Por diversas vezes a dor que senti era tão grande que eu acreditava que era melhor sentir uma dor fisica que continuar sentindo a dor que sentia por dentro. E pelo menos a dor fisica não tinha como alguem me falar que era invenção minha, que era rebeldia, que era preguiça. Não fncionava, ja adianto. Nunca funcionou.
Depois de muito tempo meus pais cederam e decidiram me levar ao medico, psiquiatra que tratava a sindrome de panico de minha mãe, e foi ele quem deu meu primeiro diagnistico: Psicose Maniaco depressiva. Eu tinha 13 anos. Ele receitou paroxetina. Eu tomei por 1 mes e meio, virei, entrei em mania, fiz um monte de outras coisas parei de tomar o remedio e nunca mais voltei la.
Fui ao medico novamente ja com 20 anos de idade, por escolha minha. Ou melhor, desespero meu. mas eu ja sabia o que eu tinha. Eu nunca duvidei do diagnsotico inicial. Eu sempre soube como eu me sentia. Mas tinha passado, e por mais que eu tenha passado os 7 anos seguintes entrando e saindo de crises, elas nunca mais foram tão fortes assim. Ate meus 20 anos...
Nessa epoca eu estava em uma crise mista tão grande, entrei em uma depressão profunda, e fui internada por 14 dias como risco de suicidio. Minha caminhada em busca de mim mesma começou ai.
Foi dificil. Mas não foi impossivel, afinal, estou aqui não?
Eu nucna quis me matar. Nunca. Na epoca que fui internada eu passava 3 noites acordadas seguidas para dormir cerca de 6 horas e fazer tudo de novo. eu estava cansada e queria dormir. E isso era perigoso demais.
Aderir ao trtamento foi dificil. eu tive que reaprender tudo. Tinha que reaprender a sentir as coisas. O que era rir, o que era dor de verdade, o que era sorrir, ou tedio, ou sono. Eu não tinha controle algum sobre nada. demorei mais de 1 ano pra conseguir fazer alguma coisa sozinha de verdade. Nem lembro quando consegui dormir de luzes apagadas novamente.
Troquei de medico, de psicolologo, não consigo contar quantas vezestive que trocar a medicação pra chegar onde estou hoje. Mas cheguei. estou aqui, tomando a melhor medicação possivel pra mim. E ainda não é facil.
Retomar a medicação correta foi muito custoso, pois batia de frente com o meu ideal de mãe. de estar sempre alerta. Batia não, bate. Ainda sinto muito sono durante o dia, ainda não tenho iniciativa, ainda estou insegura e bastante instavel. Mas isso dentro de um quadro infinitamente melhor que o de 8 anos atras quando comecei a me tratar.
E eu queria dixer isso com esse relato todo. EU realmente QUASE FUI outra pessoa. EU ESTIVE em um estado em que não me reconheço mais quando leio o que escrevi na epoca. Eu lembro, sei que fui eu, mas não sou aquela pessoa.
Eu sou a menina que comia brigadeiro com a mãe quando era criança, usando nada mais que uma colher de chá :D Inocente, sincera, carinhosa, que sonha com a maternidade, e tudo o que quer fazer da vida é escrever e ajudar os outros.
E eu fico feliz, todos os dias, por piores que eles sejam, por saber que hoje eu estou trilhando esse caminho. Por que a cada dia eu fico mais proxima de voltar a minha realidade.
E possivel. É so persistir. E lembrar, como meu namorido sempre costuma citar "que para quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saida"
hora de colocar a Rebeca pra dormir, ela vem pro meu colo depois do papai ter dado banho. E ele diz:
- "da um beijo no papai filhinha!
(ela beija a propria mão e encosta nele, dando o eijo do jeito timido dela)
- Não filha, da um beijo de verdade!
(ela faz a mesma coisa de novo, e quando ele aproxima o rosto dele do dela ela vira de costas dando risadinhas, timida timida)
- e a mamãe, vai dar um beijo no papai de boa noite? (e virando pra mim) Hein amor? (e me da um beijo)
A Rebeca da mais uma risada e eu dou um beijo estalado nela. Ai ela vai dar outro beijo de mão no Taz que mais uma vez aproxima o rosto do dela ai...
nem pensa duas vezes, encosta a mão no rosto dele e empurra fazendo ele virar pra dar um beijo em mim!
:P esperta a menina!
Ontem...
e por ontem digo ha anos e anos atras.
Muitas pessoas tem chegado ate o blog recentemente atraidos pelo lado bipolar do nome dele. Algumas mulheres que querem ter filhos, umas que terão, outras que querem ter. Todas bipolares. Outros são homens bipolares ou que convivem de alguma forma com um bipolar.
Eu queria agradecer voes por passarem aqui e depositarem nesse cantinho um pouco da sua curiosidade, e quem sabe, da sua esperança. E importante pra mim poder ajudar de alguma forma. Nme que seja so contando parte da minha historia...
E pensando nisso, e no brigadeiro que fiz hoje, e no reencontro de galera que estou organizando, e nos meus problemas no relacionamento, e nos problemas financeiros, e em como lido com as questões que chegam ate mim, minhas, dos outros, enfim, achei que precisava falar um pouco de como eu ja estive.
Estive
é importante dar uma certa enfase nisso: ESTIVE.
Passado
MOMENTO NO PASSADO
Não uma constante
Não quem eu fui
Mas como ja estive.
Pensando em mim hoje, olhando pra como eu encaro as coisas, pra forma como enxergo o mundo, sei que estou mais proxima de quem eu realmente sou do que estive ha um bom tempo.
Eu quero ressaltar que eu estou sempre falando de momentos. Se dizem que a vida de uma pessoa é vivida por momentos, a vida de um bipolar não tem duvidas de que é. Existe o momento que voce é voce mesmo, e depois o momento em que voce esta em crise, e alguns momentos em que voe esta entre crises. E a luta é pra tentar resgatar a sanidade daquele momento inicial. Muitas vezes o problema é que, quando olhamos pra tras, não conseguimos mais enxergar o momento em que eramos apenas nos mesmos, sem exageros, sem doença, sem crise.
E muito comum voce conhecer um bipolar que acredita que o EU verdadeiro dele é um eu dele em algum estado de crise. Seja qualquer cuma delas entre o depressivo e a mania. Muitas vezes a mania, afinal e quando estamos nos sentindo super bem. E quem não quer ser o cara que se sente feliz, bem, hiper inteligente, descolado, popular?
Mas não somos.
E agora entra a parte do brigadeiro :P
Quando eu era criança minha mãe costumava fazer brigadeiros pra nós, para comermos de colher. Ela fazia na panela usando chocolate do padre e depois deixava esfriar no freezer ou na geladeira. E nos iamos la, felizes, com nossas colherinhas de chá, comer brigadeiro.
Minha mãe não cozinha. Simples assim. Não é algo que ela faça. Nunca vi minha mãe na cozinha pra fazer mais do que 3 coisas durante a minha infancia: brigadeiro, pavê e arroz com ovo. Aprendi os tres. Ela nem lembra de fazer...
Bom, acontece que a lembrança do brigadeiro, daqueles gosto especifico de brigadeiro feito com chocolate do padre ficou guardado na minha memoria.
Eu, quando faço brigadeiro, o que hoje em dia é raro, costumo usar Nescau mesmo. Fica bom, mais doce, sempre achei que era a mesma coisa. Mas, hoje em especial, fiz o brigadeiro usando chocolate do padre, sem acrescentar nada. E agora pouco, antes de vir postar, minha colherinha em mãos, fui comer o brigadeiro. E o que aconteceu foi mais do que sentir um gosto gostoso de brigadeiro de colher, mas fui invadida por uma serie de lembranças, que ativaram minha imaginação, que me fizeramlembrar de mais coisas, e eu ate briguei mentalmente com minhamãe por ela levar o brigadeiro pra comer no quarto.
Desde que engravidei da Rebeca eu venho tendo momentos como esse em que relembro a minha propria infancia. Freud explica, um dia pergunto pra ele. Mas uma coisa que achei importante é que nessa epoca, a epoca do brigadeiro, eu com certeza era eu mesma.
Eu tive a minha primeira crise serie quando tinha 12 anos de idade. Seria mesmo. Chorava muito, não ia a escola, cabulava aula, comecei a fumar, sentia uma dor dentro de mim que nem com auto flegelação eu conseguia acalmar.
Sim, eu me atuo flajulava. Por diversas vezes a dor que senti era tão grande que eu acreditava que era melhor sentir uma dor fisica que continuar sentindo a dor que sentia por dentro. E pelo menos a dor fisica não tinha como alguem me falar que era invenção minha, que era rebeldia, que era preguiça. Não fncionava, ja adianto. Nunca funcionou.
Depois de muito tempo meus pais cederam e decidiram me levar ao medico, psiquiatra que tratava a sindrome de panico de minha mãe, e foi ele quem deu meu primeiro diagnistico: Psicose Maniaco depressiva. Eu tinha 13 anos. Ele receitou paroxetina. Eu tomei por 1 mes e meio, virei, entrei em mania, fiz um monte de outras coisas parei de tomar o remedio e nunca mais voltei la.
Fui ao medico novamente ja com 20 anos de idade, por escolha minha. Ou melhor, desespero meu. mas eu ja sabia o que eu tinha. Eu nunca duvidei do diagnsotico inicial. Eu sempre soube como eu me sentia. Mas tinha passado, e por mais que eu tenha passado os 7 anos seguintes entrando e saindo de crises, elas nunca mais foram tão fortes assim. Ate meus 20 anos...
Nessa epoca eu estava em uma crise mista tão grande, entrei em uma depressão profunda, e fui internada por 14 dias como risco de suicidio. Minha caminhada em busca de mim mesma começou ai.
Foi dificil. Mas não foi impossivel, afinal, estou aqui não?
Eu nucna quis me matar. Nunca. Na epoca que fui internada eu passava 3 noites acordadas seguidas para dormir cerca de 6 horas e fazer tudo de novo. eu estava cansada e queria dormir. E isso era perigoso demais.
Aderir ao trtamento foi dificil. eu tive que reaprender tudo. Tinha que reaprender a sentir as coisas. O que era rir, o que era dor de verdade, o que era sorrir, ou tedio, ou sono. Eu não tinha controle algum sobre nada. demorei mais de 1 ano pra conseguir fazer alguma coisa sozinha de verdade. Nem lembro quando consegui dormir de luzes apagadas novamente.
Troquei de medico, de psicolologo, não consigo contar quantas vezestive que trocar a medicação pra chegar onde estou hoje. Mas cheguei. estou aqui, tomando a melhor medicação possivel pra mim. E ainda não é facil.
Retomar a medicação correta foi muito custoso, pois batia de frente com o meu ideal de mãe. de estar sempre alerta. Batia não, bate. Ainda sinto muito sono durante o dia, ainda não tenho iniciativa, ainda estou insegura e bastante instavel. Mas isso dentro de um quadro infinitamente melhor que o de 8 anos atras quando comecei a me tratar.
E eu queria dixer isso com esse relato todo. EU realmente QUASE FUI outra pessoa. EU ESTIVE em um estado em que não me reconheço mais quando leio o que escrevi na epoca. Eu lembro, sei que fui eu, mas não sou aquela pessoa.
Eu sou a menina que comia brigadeiro com a mãe quando era criança, usando nada mais que uma colher de chá :D Inocente, sincera, carinhosa, que sonha com a maternidade, e tudo o que quer fazer da vida é escrever e ajudar os outros.
E eu fico feliz, todos os dias, por piores que eles sejam, por saber que hoje eu estou trilhando esse caminho. Por que a cada dia eu fico mais proxima de voltar a minha realidade.
E possivel. É so persistir. E lembrar, como meu namorido sempre costuma citar "que para quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saida"
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