Estamos na última semana do ano e eu me sinto bem. Estou cansada, exaurida, e com a sensação física de um resfriado. E estou bem. Contente. Feliz. Ao mesmo tempo insegura, com medo, e sem ter ideia do que 2019 me reserva. E tudo bem.
2018 foi um ano tão difícil, tão longo, que deu a sensação de ter tido vários anos dentro dele.
Começamos o ano, logo no dia 03 de Janeiro, com a notícia de falecimento de um primo meu. Relativamente jovem, teve um infarto fulminante.
Com isso trocamos uma viagem de ferias por um velório, sorrisos por lágrimas, certezas por imcompreensão.
Depois o falecimento de meu tio, em Março, e logo em seguida o adoecimento de minha mãe.
Minha mãe ficou doente por meses, passou semanas internada e ainda hoje continua em tratamento.
Esse ano eu vi minha mãe envelhecer muitos anos em poucos meses. Vi seu corpo ficando fragil, seus movimentos ficando mais lentos, seus passos inseguros e sua capacidade de comunicação diminuir. Vi, convivi e Vivi seu medo por sua própria mortalidade. Vi uma pessoa forte, enfrentando e lutando por sua vida e por sua sanidade mental ao ser confrontada com seu maior medo. E vi ela chegar até aqui, se recuperando do choque e fazendo planos.
Minha mãe é uma mulher muito forte!
Vi meu pai se dedicando a ela por todo o ano. Vi ele também envelhecer nesse período, anos e anos, mas ainda sim se manter atento e disposto e pronto para tudo que minha mãe pudesse precisar.
Meu pai é um companheiro dedicado.
Os dois adotaram os cabelos brancos por fim, deixando de tingi-los. Ficaram bem. Mas sinto que isso tem a ver com a aceitação do processo de envelhecer, do se permitir não ter mais o corpo tão jovem e forte mas encontrar nesse gesto tão simples a nova fase de sua vida.
Tenho muito orgulho e muita sorte de ter meus pais.
Enquanto minha mãe estava envolta em seus tratamentos médicos nós tomamos decisões de mudar. Mudar de vida, mudar de casa.
Esse e um projeto ainda em andamento. Começou em Junho com minha mudança para o andar de cima da casa, onde meus pais ficavam, para que reformassemos e alugassemos o andar térreo da casa.
Depois em setembro alugamos parte da casa.
E de lá para cá pagamos dívidas e tomamos decisões que nos permitam finalmente nos mudar daqui.
2019 tem em si a promessa de mudança.
No fim do ano tivemos um outro falecimento de uma pessoa próxima. O ex-esposo de minha tia, com quem mantínhamos contato em eventos familiares. Mais uma vez um velório, um sepultamento, onde comparecemos para dar força e apoio a minha tia, primos e sobrinhos.
O Ano chega ao fim com seu último, espero, desdobrar, com grandes decisões de minha mãe e meu pai sobre o que eles desejam do futuro, sobre qual seu legado, sobre qual é a prioridade deles daqui em diante.
2018 foi um ano difícil.
Tivemos também a escalada da intolerância e do ódio em nossa sociedade com seu ápice em um processo eleitoral de mentiras e acusações, onde as propostas não tinham chance de serem ouvidas ou questionadas no meio do medo. Tivemos uma eleição baseada no medo. Construímos e desconstruindo instituições públicas e privadas, relações pessoais e profissionais, por causa de medo. E com isso todos perdemos.
Mas o fim do ano as vezes tem a chance de remendar o que foi rasgado. E de dar esperança para o futuro que vira.
Essa semana foi Natal. E quero fazer um posto so pra ele, porque esse Natal merece.
Mas hoje quero dizer que foi bom.
Quero dizer que, pelo menos na minha família, ao nos reunirmos esse ano, nos escolher ceder. Fazer concessões. Aceitar o outro e não nos deixar separar por nossas diferenças mas sim nós aproximarmos por aquilo que temos em comum.
Então estou passando por esses últimos dias do ano com um pouco mais de esperança.
E deixo aqui meu desejo de que você também encontre essa esperança pelo Ano Novo que virá.
Que 2019 nos de a chance de nos conectar mais do que nós dividir. Que as mudanças sejam mais positivas que negativas. Que se por um lado algo nos faltar, nos encontremos forças para seguir e pessoas para nós acompanhar no caminho.
Que façamos uns pelos outros o melhor. E que juntos façamos nossas vidas mais leves.
Um 2019 de união e amor.
Feliz Natal e um prospero Ano Novo!
Mostrando que não deve ser tão diferente ser mãe quando se é ou não bipolar, por que toda mãe tem o seu ladinho insano quando se trata de cuidar do filho. Esse blog tem o objetivo de narrar a experiencia de uma mãe que tem de enfrentar essa fase da vida com a duvida constante, o medo, de como, quando e quanto, sua bipolaridade pode afetar a vida de sua filha. Lidando com a linha tênue entre "normal" e "anormal"...
De mãe e louco todas temos um pouco
Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Vai passar...
Eu sei que passa.
Hoje eu tenho dificuldade de me concentrar.
Me comunicar, ter que falar com outras pessoas, por mais que eu queira, é difícil, requer esforço e cansa.
Hoje eu so sinto vontade de ficar quietinha, na cama, enrolada em uma coberta, me sentindo quentinha e segura. Mesmo que lá fora esteja um calor de 30°.
É verdade que sair desse estado da trabalho, mas pra algumas coisas eu ainda consigo fazer o esforço: Rebeca. Levar ela as aulas de dança, ajudar a fazer a lição de casa, dar um mínimo de atenção, responder os inúmeros questionamentos sobre o mundo na hora de dormir. Eu gosto, mas requer muito mais esforço que o normal.
Hoje, depois de passar o dia, quando finalmente me permito parar para jantar, eu estou tão exausta que não tenho energia para pensar em comer, o que comer, e a ideia de ter que preparar um prato que seja das sobras do almoço não alcança o meu desejo de me sentir acolhida, reconfortada, que acabo buscando na comida no fim do dia.
Cada um tem sua fuga, sua valvula de escape. Não tenho orgulho disso, no momento é um fato e um fator que não consigo mudar. Sem conseguir direcionar e encontrar essa sensação em mais nada, me parece desesperador tentar mudar isso agora.
Eu ainda sinto prazer nas coisas, eu ainda sinto vontade de fazer algumas coisas, mas é como carregar um enorme peso nas pernas, nos braços, nas costas, na mente...
Mas tudo isso passa.
Nas horas que minha mente simplesmente insiste em pensar apenas em coisas ruins, eu agradeço a existência do computador e do celular, tanto para distrair a Rebeca quando eu não me sinto capaz, quanto para derreter minha mente em redes sociais de forma que os pensamentos ruins escorram junto com a enorme quantidade de informações sem utilidade que se arrastam pela tela.
Mas eu sei que tudo isso passa.
Eu tento lutar o tempo todo com o sentimento de desespero que me assola. A voz que repete todo o tempo o quanto sou incapaz de fazer qualquer coisa, que não tenho controle nenhum sobre a minha vida, que sou dependente de outros inclusive nas poucas coisas que insisto em achar que faço bem. Que ecoa frases ouvidas em diferentes momentos da minha vida, os flashes repetidos de cenas vividas, a dor e a vergonha revivida a cada vez que pisco e perco o foco que tenho que manter para afastar tudo isso que escurece minha visão do mundo.
Hoje eu me sinto sozinha e desamparada, me sinto triste e perdida.
Mas eu sei que isso passa.
Então eu levanto pela manhã e me forço a abrir os olhos e continuar. Simplesmente continuar.
Não me sinto sem esperança, isso realmente não acontece. Eu tenho esperança, mais do que isso, eu tenho certeza, eu sei que isso tudo que eu estou sentindo vai passar.
Mas eu não quero que tudo passe. Acho que é importante ouvir um pouco do que esse lobo de escuridão tem a me dizer.
Tenho que ouvir minhas dores para poder mudar o que é real. Tenho que ouvir minhas dores para distinguir o medo e o exagero do que pode ser feito.
Para que depois eu possa usar minhas vitórias para me proteger.
Eu sei que isso passa.
Saiba você também.
Vai passar. FORÇA.
Hoje eu tenho dificuldade de me concentrar.
Me comunicar, ter que falar com outras pessoas, por mais que eu queira, é difícil, requer esforço e cansa.
Hoje eu so sinto vontade de ficar quietinha, na cama, enrolada em uma coberta, me sentindo quentinha e segura. Mesmo que lá fora esteja um calor de 30°.
É verdade que sair desse estado da trabalho, mas pra algumas coisas eu ainda consigo fazer o esforço: Rebeca. Levar ela as aulas de dança, ajudar a fazer a lição de casa, dar um mínimo de atenção, responder os inúmeros questionamentos sobre o mundo na hora de dormir. Eu gosto, mas requer muito mais esforço que o normal.
Hoje, depois de passar o dia, quando finalmente me permito parar para jantar, eu estou tão exausta que não tenho energia para pensar em comer, o que comer, e a ideia de ter que preparar um prato que seja das sobras do almoço não alcança o meu desejo de me sentir acolhida, reconfortada, que acabo buscando na comida no fim do dia.
Cada um tem sua fuga, sua valvula de escape. Não tenho orgulho disso, no momento é um fato e um fator que não consigo mudar. Sem conseguir direcionar e encontrar essa sensação em mais nada, me parece desesperador tentar mudar isso agora.
Eu ainda sinto prazer nas coisas, eu ainda sinto vontade de fazer algumas coisas, mas é como carregar um enorme peso nas pernas, nos braços, nas costas, na mente...
Mas tudo isso passa.
Nas horas que minha mente simplesmente insiste em pensar apenas em coisas ruins, eu agradeço a existência do computador e do celular, tanto para distrair a Rebeca quando eu não me sinto capaz, quanto para derreter minha mente em redes sociais de forma que os pensamentos ruins escorram junto com a enorme quantidade de informações sem utilidade que se arrastam pela tela.
Mas eu sei que tudo isso passa.
Eu tento lutar o tempo todo com o sentimento de desespero que me assola. A voz que repete todo o tempo o quanto sou incapaz de fazer qualquer coisa, que não tenho controle nenhum sobre a minha vida, que sou dependente de outros inclusive nas poucas coisas que insisto em achar que faço bem. Que ecoa frases ouvidas em diferentes momentos da minha vida, os flashes repetidos de cenas vividas, a dor e a vergonha revivida a cada vez que pisco e perco o foco que tenho que manter para afastar tudo isso que escurece minha visão do mundo.
Hoje eu me sinto sozinha e desamparada, me sinto triste e perdida.
Mas eu sei que isso passa.
Então eu levanto pela manhã e me forço a abrir os olhos e continuar. Simplesmente continuar.
Não me sinto sem esperança, isso realmente não acontece. Eu tenho esperança, mais do que isso, eu tenho certeza, eu sei que isso tudo que eu estou sentindo vai passar.
Mas eu não quero que tudo passe. Acho que é importante ouvir um pouco do que esse lobo de escuridão tem a me dizer.
Tenho que ouvir minhas dores para poder mudar o que é real. Tenho que ouvir minhas dores para distinguir o medo e o exagero do que pode ser feito.
Para que depois eu possa usar minhas vitórias para me proteger.
Eu sei que isso passa.
Saiba você também.
Vai passar. FORÇA.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
do hoje e do passado
do hoje:
hora de colocar a Rebeca pra dormir, ela vem pro meu colo depois do papai ter dado banho. E ele diz:
- "da um beijo no papai filhinha!
(ela beija a propria mão e encosta nele, dando o eijo do jeito timido dela)
- Não filha, da um beijo de verdade!
(ela faz a mesma coisa de novo, e quando ele aproxima o rosto dele do dela ela vira de costas dando risadinhas, timida timida)
- e a mamãe, vai dar um beijo no papai de boa noite? (e virando pra mim) Hein amor? (e me da um beijo)
A Rebeca da mais uma risada e eu dou um beijo estalado nela. Ai ela vai dar outro beijo de mão no Taz que mais uma vez aproxima o rosto do dela ai...
nem pensa duas vezes, encosta a mão no rosto dele e empurra fazendo ele virar pra dar um beijo em mim!
:P esperta a menina!
Ontem...
e por ontem digo ha anos e anos atras.
Muitas pessoas tem chegado ate o blog recentemente atraidos pelo lado bipolar do nome dele. Algumas mulheres que querem ter filhos, umas que terão, outras que querem ter. Todas bipolares. Outros são homens bipolares ou que convivem de alguma forma com um bipolar.
Eu queria agradecer voes por passarem aqui e depositarem nesse cantinho um pouco da sua curiosidade, e quem sabe, da sua esperança. E importante pra mim poder ajudar de alguma forma. Nme que seja so contando parte da minha historia...
E pensando nisso, e no brigadeiro que fiz hoje, e no reencontro de galera que estou organizando, e nos meus problemas no relacionamento, e nos problemas financeiros, e em como lido com as questões que chegam ate mim, minhas, dos outros, enfim, achei que precisava falar um pouco de como eu ja estive.
Estive
é importante dar uma certa enfase nisso: ESTIVE.
Passado
MOMENTO NO PASSADO
Não uma constante
Não quem eu fui
Mas como ja estive.
Pensando em mim hoje, olhando pra como eu encaro as coisas, pra forma como enxergo o mundo, sei que estou mais proxima de quem eu realmente sou do que estive ha um bom tempo.
Eu quero ressaltar que eu estou sempre falando de momentos. Se dizem que a vida de uma pessoa é vivida por momentos, a vida de um bipolar não tem duvidas de que é. Existe o momento que voce é voce mesmo, e depois o momento em que voce esta em crise, e alguns momentos em que voe esta entre crises. E a luta é pra tentar resgatar a sanidade daquele momento inicial. Muitas vezes o problema é que, quando olhamos pra tras, não conseguimos mais enxergar o momento em que eramos apenas nos mesmos, sem exageros, sem doença, sem crise.
E muito comum voce conhecer um bipolar que acredita que o EU verdadeiro dele é um eu dele em algum estado de crise. Seja qualquer cuma delas entre o depressivo e a mania. Muitas vezes a mania, afinal e quando estamos nos sentindo super bem. E quem não quer ser o cara que se sente feliz, bem, hiper inteligente, descolado, popular?
Mas não somos.
E agora entra a parte do brigadeiro :P
Quando eu era criança minha mãe costumava fazer brigadeiros pra nós, para comermos de colher. Ela fazia na panela usando chocolate do padre e depois deixava esfriar no freezer ou na geladeira. E nos iamos la, felizes, com nossas colherinhas de chá, comer brigadeiro.
Minha mãe não cozinha. Simples assim. Não é algo que ela faça. Nunca vi minha mãe na cozinha pra fazer mais do que 3 coisas durante a minha infancia: brigadeiro, pavê e arroz com ovo. Aprendi os tres. Ela nem lembra de fazer...
Bom, acontece que a lembrança do brigadeiro, daqueles gosto especifico de brigadeiro feito com chocolate do padre ficou guardado na minha memoria.
Eu, quando faço brigadeiro, o que hoje em dia é raro, costumo usar Nescau mesmo. Fica bom, mais doce, sempre achei que era a mesma coisa. Mas, hoje em especial, fiz o brigadeiro usando chocolate do padre, sem acrescentar nada. E agora pouco, antes de vir postar, minha colherinha em mãos, fui comer o brigadeiro. E o que aconteceu foi mais do que sentir um gosto gostoso de brigadeiro de colher, mas fui invadida por uma serie de lembranças, que ativaram minha imaginação, que me fizeramlembrar de mais coisas, e eu ate briguei mentalmente com minhamãe por ela levar o brigadeiro pra comer no quarto.
Desde que engravidei da Rebeca eu venho tendo momentos como esse em que relembro a minha propria infancia. Freud explica, um dia pergunto pra ele. Mas uma coisa que achei importante é que nessa epoca, a epoca do brigadeiro, eu com certeza era eu mesma.
Eu tive a minha primeira crise serie quando tinha 12 anos de idade. Seria mesmo. Chorava muito, não ia a escola, cabulava aula, comecei a fumar, sentia uma dor dentro de mim que nem com auto flegelação eu conseguia acalmar.
Sim, eu me atuo flajulava. Por diversas vezes a dor que senti era tão grande que eu acreditava que era melhor sentir uma dor fisica que continuar sentindo a dor que sentia por dentro. E pelo menos a dor fisica não tinha como alguem me falar que era invenção minha, que era rebeldia, que era preguiça. Não fncionava, ja adianto. Nunca funcionou.
Depois de muito tempo meus pais cederam e decidiram me levar ao medico, psiquiatra que tratava a sindrome de panico de minha mãe, e foi ele quem deu meu primeiro diagnistico: Psicose Maniaco depressiva. Eu tinha 13 anos. Ele receitou paroxetina. Eu tomei por 1 mes e meio, virei, entrei em mania, fiz um monte de outras coisas parei de tomar o remedio e nunca mais voltei la.
Fui ao medico novamente ja com 20 anos de idade, por escolha minha. Ou melhor, desespero meu. mas eu ja sabia o que eu tinha. Eu nunca duvidei do diagnsotico inicial. Eu sempre soube como eu me sentia. Mas tinha passado, e por mais que eu tenha passado os 7 anos seguintes entrando e saindo de crises, elas nunca mais foram tão fortes assim. Ate meus 20 anos...
Nessa epoca eu estava em uma crise mista tão grande, entrei em uma depressão profunda, e fui internada por 14 dias como risco de suicidio. Minha caminhada em busca de mim mesma começou ai.
Foi dificil. Mas não foi impossivel, afinal, estou aqui não?
Eu nucna quis me matar. Nunca. Na epoca que fui internada eu passava 3 noites acordadas seguidas para dormir cerca de 6 horas e fazer tudo de novo. eu estava cansada e queria dormir. E isso era perigoso demais.
Aderir ao trtamento foi dificil. eu tive que reaprender tudo. Tinha que reaprender a sentir as coisas. O que era rir, o que era dor de verdade, o que era sorrir, ou tedio, ou sono. Eu não tinha controle algum sobre nada. demorei mais de 1 ano pra conseguir fazer alguma coisa sozinha de verdade. Nem lembro quando consegui dormir de luzes apagadas novamente.
Troquei de medico, de psicolologo, não consigo contar quantas vezestive que trocar a medicação pra chegar onde estou hoje. Mas cheguei. estou aqui, tomando a melhor medicação possivel pra mim. E ainda não é facil.
Retomar a medicação correta foi muito custoso, pois batia de frente com o meu ideal de mãe. de estar sempre alerta. Batia não, bate. Ainda sinto muito sono durante o dia, ainda não tenho iniciativa, ainda estou insegura e bastante instavel. Mas isso dentro de um quadro infinitamente melhor que o de 8 anos atras quando comecei a me tratar.
E eu queria dixer isso com esse relato todo. EU realmente QUASE FUI outra pessoa. EU ESTIVE em um estado em que não me reconheço mais quando leio o que escrevi na epoca. Eu lembro, sei que fui eu, mas não sou aquela pessoa.
Eu sou a menina que comia brigadeiro com a mãe quando era criança, usando nada mais que uma colher de chá :D Inocente, sincera, carinhosa, que sonha com a maternidade, e tudo o que quer fazer da vida é escrever e ajudar os outros.
E eu fico feliz, todos os dias, por piores que eles sejam, por saber que hoje eu estou trilhando esse caminho. Por que a cada dia eu fico mais proxima de voltar a minha realidade.
E possivel. É so persistir. E lembrar, como meu namorido sempre costuma citar "que para quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saida"
hora de colocar a Rebeca pra dormir, ela vem pro meu colo depois do papai ter dado banho. E ele diz:
- "da um beijo no papai filhinha!
(ela beija a propria mão e encosta nele, dando o eijo do jeito timido dela)
- Não filha, da um beijo de verdade!
(ela faz a mesma coisa de novo, e quando ele aproxima o rosto dele do dela ela vira de costas dando risadinhas, timida timida)
- e a mamãe, vai dar um beijo no papai de boa noite? (e virando pra mim) Hein amor? (e me da um beijo)
A Rebeca da mais uma risada e eu dou um beijo estalado nela. Ai ela vai dar outro beijo de mão no Taz que mais uma vez aproxima o rosto do dela ai...
nem pensa duas vezes, encosta a mão no rosto dele e empurra fazendo ele virar pra dar um beijo em mim!
:P esperta a menina!
Ontem...
e por ontem digo ha anos e anos atras.
Muitas pessoas tem chegado ate o blog recentemente atraidos pelo lado bipolar do nome dele. Algumas mulheres que querem ter filhos, umas que terão, outras que querem ter. Todas bipolares. Outros são homens bipolares ou que convivem de alguma forma com um bipolar.
Eu queria agradecer voes por passarem aqui e depositarem nesse cantinho um pouco da sua curiosidade, e quem sabe, da sua esperança. E importante pra mim poder ajudar de alguma forma. Nme que seja so contando parte da minha historia...
E pensando nisso, e no brigadeiro que fiz hoje, e no reencontro de galera que estou organizando, e nos meus problemas no relacionamento, e nos problemas financeiros, e em como lido com as questões que chegam ate mim, minhas, dos outros, enfim, achei que precisava falar um pouco de como eu ja estive.
Estive
é importante dar uma certa enfase nisso: ESTIVE.
Passado
MOMENTO NO PASSADO
Não uma constante
Não quem eu fui
Mas como ja estive.
Pensando em mim hoje, olhando pra como eu encaro as coisas, pra forma como enxergo o mundo, sei que estou mais proxima de quem eu realmente sou do que estive ha um bom tempo.
Eu quero ressaltar que eu estou sempre falando de momentos. Se dizem que a vida de uma pessoa é vivida por momentos, a vida de um bipolar não tem duvidas de que é. Existe o momento que voce é voce mesmo, e depois o momento em que voce esta em crise, e alguns momentos em que voe esta entre crises. E a luta é pra tentar resgatar a sanidade daquele momento inicial. Muitas vezes o problema é que, quando olhamos pra tras, não conseguimos mais enxergar o momento em que eramos apenas nos mesmos, sem exageros, sem doença, sem crise.
E muito comum voce conhecer um bipolar que acredita que o EU verdadeiro dele é um eu dele em algum estado de crise. Seja qualquer cuma delas entre o depressivo e a mania. Muitas vezes a mania, afinal e quando estamos nos sentindo super bem. E quem não quer ser o cara que se sente feliz, bem, hiper inteligente, descolado, popular?
Mas não somos.
E agora entra a parte do brigadeiro :P
Quando eu era criança minha mãe costumava fazer brigadeiros pra nós, para comermos de colher. Ela fazia na panela usando chocolate do padre e depois deixava esfriar no freezer ou na geladeira. E nos iamos la, felizes, com nossas colherinhas de chá, comer brigadeiro.
Minha mãe não cozinha. Simples assim. Não é algo que ela faça. Nunca vi minha mãe na cozinha pra fazer mais do que 3 coisas durante a minha infancia: brigadeiro, pavê e arroz com ovo. Aprendi os tres. Ela nem lembra de fazer...
Bom, acontece que a lembrança do brigadeiro, daqueles gosto especifico de brigadeiro feito com chocolate do padre ficou guardado na minha memoria.
Eu, quando faço brigadeiro, o que hoje em dia é raro, costumo usar Nescau mesmo. Fica bom, mais doce, sempre achei que era a mesma coisa. Mas, hoje em especial, fiz o brigadeiro usando chocolate do padre, sem acrescentar nada. E agora pouco, antes de vir postar, minha colherinha em mãos, fui comer o brigadeiro. E o que aconteceu foi mais do que sentir um gosto gostoso de brigadeiro de colher, mas fui invadida por uma serie de lembranças, que ativaram minha imaginação, que me fizeramlembrar de mais coisas, e eu ate briguei mentalmente com minhamãe por ela levar o brigadeiro pra comer no quarto.
Desde que engravidei da Rebeca eu venho tendo momentos como esse em que relembro a minha propria infancia. Freud explica, um dia pergunto pra ele. Mas uma coisa que achei importante é que nessa epoca, a epoca do brigadeiro, eu com certeza era eu mesma.
Eu tive a minha primeira crise serie quando tinha 12 anos de idade. Seria mesmo. Chorava muito, não ia a escola, cabulava aula, comecei a fumar, sentia uma dor dentro de mim que nem com auto flegelação eu conseguia acalmar.
Sim, eu me atuo flajulava. Por diversas vezes a dor que senti era tão grande que eu acreditava que era melhor sentir uma dor fisica que continuar sentindo a dor que sentia por dentro. E pelo menos a dor fisica não tinha como alguem me falar que era invenção minha, que era rebeldia, que era preguiça. Não fncionava, ja adianto. Nunca funcionou.
Depois de muito tempo meus pais cederam e decidiram me levar ao medico, psiquiatra que tratava a sindrome de panico de minha mãe, e foi ele quem deu meu primeiro diagnistico: Psicose Maniaco depressiva. Eu tinha 13 anos. Ele receitou paroxetina. Eu tomei por 1 mes e meio, virei, entrei em mania, fiz um monte de outras coisas parei de tomar o remedio e nunca mais voltei la.
Fui ao medico novamente ja com 20 anos de idade, por escolha minha. Ou melhor, desespero meu. mas eu ja sabia o que eu tinha. Eu nunca duvidei do diagnsotico inicial. Eu sempre soube como eu me sentia. Mas tinha passado, e por mais que eu tenha passado os 7 anos seguintes entrando e saindo de crises, elas nunca mais foram tão fortes assim. Ate meus 20 anos...
Nessa epoca eu estava em uma crise mista tão grande, entrei em uma depressão profunda, e fui internada por 14 dias como risco de suicidio. Minha caminhada em busca de mim mesma começou ai.
Foi dificil. Mas não foi impossivel, afinal, estou aqui não?
Eu nucna quis me matar. Nunca. Na epoca que fui internada eu passava 3 noites acordadas seguidas para dormir cerca de 6 horas e fazer tudo de novo. eu estava cansada e queria dormir. E isso era perigoso demais.
Aderir ao trtamento foi dificil. eu tive que reaprender tudo. Tinha que reaprender a sentir as coisas. O que era rir, o que era dor de verdade, o que era sorrir, ou tedio, ou sono. Eu não tinha controle algum sobre nada. demorei mais de 1 ano pra conseguir fazer alguma coisa sozinha de verdade. Nem lembro quando consegui dormir de luzes apagadas novamente.
Troquei de medico, de psicolologo, não consigo contar quantas vezestive que trocar a medicação pra chegar onde estou hoje. Mas cheguei. estou aqui, tomando a melhor medicação possivel pra mim. E ainda não é facil.
Retomar a medicação correta foi muito custoso, pois batia de frente com o meu ideal de mãe. de estar sempre alerta. Batia não, bate. Ainda sinto muito sono durante o dia, ainda não tenho iniciativa, ainda estou insegura e bastante instavel. Mas isso dentro de um quadro infinitamente melhor que o de 8 anos atras quando comecei a me tratar.
E eu queria dixer isso com esse relato todo. EU realmente QUASE FUI outra pessoa. EU ESTIVE em um estado em que não me reconheço mais quando leio o que escrevi na epoca. Eu lembro, sei que fui eu, mas não sou aquela pessoa.
Eu sou a menina que comia brigadeiro com a mãe quando era criança, usando nada mais que uma colher de chá :D Inocente, sincera, carinhosa, que sonha com a maternidade, e tudo o que quer fazer da vida é escrever e ajudar os outros.
E eu fico feliz, todos os dias, por piores que eles sejam, por saber que hoje eu estou trilhando esse caminho. Por que a cada dia eu fico mais proxima de voltar a minha realidade.
E possivel. É so persistir. E lembrar, como meu namorido sempre costuma citar "que para quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saida"
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