Hoje é segunda feira de manhã. Acordo cedo para começar a rotina: trocar de roupa, arrumar Rebeca para a aula, tomar café...
Enquanto ela está na aula eu estou aqui pensando nas fotos que fiquei vendo ontem no meu domingo preguiçoso. Entre elas, fotos do Natal de quando eu era criança.
Eu tenho essa memória de uma época mais simples. De um Natal cheio de pessoas em casa, tios e primos, muita comida e bebida, presentes e mais presentes, bagunça das crianças e risadas dos adultos.
Uma das coisas que gostaria de ter feito diferente se pudesse seria ter mais filhos. Não tê-los não foi uma decisão fácil, mas foi sensata. Hoje eu dependo de ajuda para dar a minha filha o que posso, o melhor. Não seria possível fazer metade do que faço, dar a ela metade do que dou, se tivésse uma única boca a mais para alimentar.
No entanto essas fotos mexem comigo e fico pensando como seria possível fazer mais, dar a Rebeca memórias tão boas do Natal como as minhas...
Muito da graca do Natal estava em ter a família em casa. Meus tios por parte de mãe passavam a noite do dia 24 conosco numa enorme festa, ou é assim que eu me lembro.
Meus primos vinham e passávamos horas animados brincando juntos, bonecas, bolas, cordas de pular, rede na varanda, jogos e mais jogos. Em determinado momento o Papai Noel chegava e enquanto olhavamos para o céu, todos reunidos no jardim, na esperança de ver o bom velhinho passar, a árvore se enchia de pacotes embrulhados de papel colorido.
A ceia era farta, deliciosa. Lembro, claro, da vez que minha mãe deixou o Chester queimar. Suspeito que ela apenas tirou a casca queimada de fora e comemos o interior da carne queimada mesmo.
Lembro de passar a noite acordada com minha prima, conversando e fazendo chocolates na Fábrica de Chocolates que ela ganhou naquele Natal.
Lembro do último Natal que passei com minha avó Beth, tia da minha mãe, que me deu o meu primeiro vídeo game realmente meu, e uma linda arvorezinha de pedrinhas coloridas, essa última com o pedido que eu a guardasse com carinho e que sempre que olhasse para o pequeno enfeite lembrasse dela.
Eu tenho a arvorezinha ate hoje, e sim, sempre lembro dela.
Todo dia 25, desde sempre, acordavamos para o café, nos arrumavamos, e passávamos o almoço de Natal na casa da família do meu pai, no começo na casa de minha avó, depois que ela se foi, na casa da minha tia.
Mas conforme os anos foram passando as famílias foram se afastando. Primeiro meu tio e a família que decidiram passar os Natais com os pais da minha tia por valorizar o tempo com eles que já estavam com idade avançada. Depois minha tia que mudou-se para outro país com os filhos, para um doutorado, e mesmo quando ela voltou às coisas não foram as mesmas. Minha prima havia se casado e ficado no outro país, meu primo voltará anos antes mas manteve distância, minha tia continuou sua busca por si mesma.
O Natal passou então a ser com minha tia, prima de minha mãe, e meus primos menores. As vezes em nossa casa, depois na deles, num sítio no interior.
Depois que Rebeca nasceu isso mudou de novo. Por pedido de minha irmã e minha mãe passamos a fazer a véspera de Natal apenas com nosso núcleo.
E então eu não tive como dar essa experiência pra ela.
Sim, ainda passamos o almoço de Natal na casa da minha tia, e lá se reúnem tios e primos, crianças por todo lado, bagunça, risadas, muita conversa, muita comida e bebida.
Mas não é a mesma coisa.
Por mais que eu me esforce o dia 24 acaba sendo vazio. Falta vida, falta alegria, falta aquilo que faz o dia ser mágico, falta aquilo que cria boas memórias.
Minha irmã diz que não gosta de Natal e de trocar presentes nesse dia por ele ser muito comercial, muito voltado ao consumo. Mas ela não entende que quando você não tem uma festa, uma reunião, algo a esperar nesse dia, é aí que o foco acaba ficando apenas no ganhar.
E eu estou aqui, nessa crise que vocês têm acompanhado, saudosa desse tempo e pensando no futuro.
Como será o Natal esse ano? E o dos próximos anos?
Quando o que eu tenho hoje não existir mais, com quem estarei passando meu Natal daqui 10 ou 15 anos?
Como eu posso dar o que eu mais quero pra Rebeca nesse e nos próximos Natais?
Boas memórias...
Mostrando que não deve ser tão diferente ser mãe quando se é ou não bipolar, por que toda mãe tem o seu ladinho insano quando se trata de cuidar do filho. Esse blog tem o objetivo de narrar a experiencia de uma mãe que tem de enfrentar essa fase da vida com a duvida constante, o medo, de como, quando e quanto, sua bipolaridade pode afetar a vida de sua filha. Lidando com a linha tênue entre "normal" e "anormal"...
De mãe e louco todas temos um pouco
Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Sobre Natais passados...
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Sobre aquilo que podemos controlar e aquilo que não podemos...
Nesse tempo que fiquei sem escrever e nesse processo de voltar com o blog minha vida teve diversos altos e baixos. No momento estou num momento de baixa, mas lidar com tudo isso ha tanto tempo quanto eu me dá a maturidade de entender que mesmo depois de uma crise desespero num domingo, vem o dia seguinte, e o depois, e isso passa.
Tudo sempre passa. Sejam os momentos bons ou ruins. Tudo passa. E isso é bom.
Ano passado eu tive a oportunidade de fazer uma viagem internacional com a Rebeca e isso foi algo que determinou todo o meu ano. Pra mim foi como se o ano de 2017 tivesse valido por 3 anos diferentes, dividido em 3 fases: pré viagem, viagem (incluído o tempo de preparação) e pós viagem.
Mas eu vou voltar a esse tópico em um post, talvez mais de um, exclusivo para ele.
Hoje quero falar um pouco mais sobre o momento atual. O imediato. Porque simplesmente as vezes precisamos falar a respeito das coisas para ter espaço para respirar, sabem?
Como disse estou num momento de baixa. Estamos lidando desde o começo do ano com uma série de complicações envolvendo a saúde da minha mãe e isso tem mexido muito comigo. Por mais que hoje, exatamente hoje, ela esteja melhor, ela esta em tratamento e se esforçando para ficar bem. E como é de se esperar, ela tem dias melhores, como hoje, e dias não tão bons assim.
Não vou entrar em mais detalhes, mas o que quero ressaltar é que isso é algo que esta totalmente fora do meu controle. Por mais que eu esteja disposta a ajudar e fazer o melhor que puder, a saúde da minha mãe não é algo que eu possa controlar, exatamente pelo fato de se tratar de uma pessoa capaz, senhora de suas próprias decisões, que faz suas escolhas independente da minha vontade. No máximo ela pode ou não ouvir meus conselhos, mas a decisão final é sempre dela sobre que rumos tomar.
E o mais óbvio é que ninguém sabe exatamente em que momento vai ficar doente.
Por mais que possamos cuidar da saúde, comer de forma saudável, fazer exercícios, fazer terapia, ter vida social, não cometer excessos, não usar drogas, não beber, não fumar, etc etc etc a verdade é que fazendo ou não isso, você pode até saber que pode ficar doente, ter mais ou menos chances, mas não vai saber o momento exato que isso vai acontecer.
Tudo isso para dizer que conviver com minha mãe nesse momento, morando na mesma casa e tudo, tem me feito reviver diversos momentos da minha vida, da minha infância e adolescência. E isso tem sido extremamente difícil. E é o que me colocou nessa baixa.
Eu não escolhi ser bipolar. Eu não sabia que seria, e mesmo que naquela época se tivesse conhecimento suficiente, coisa que não tinham, pra dizer que as chances de ter TBH eram grandes, nós não tínhamos como prever quando exatamente isso iria se manifestar.
Como eu já contei AQUI antes, minha primeira grande crise foi quando eu tinha 13 anos de idade. Hoje eu olho pra trás e vejo que dei outros indícios antes disso, mas a crise mesmo, que chocou, que me derrubou, que fez com que fossemos procurar ajuda e eu recebesse um diagnóstico pela primeira vez, foi aos 13 anos.
Muita coisa rolou entre esse momento e eu de fato iniciar um tratamento que eu mantenho até hoje, isso já aos 21 anos, lá pelo ano de 2003.
Mas se por um lado eu não escolhi ter Transtorno Bipolar de Humor, a escolha que eu pude fazer e que mudou a minha vida foi de iniciar, seguir e não abandonar o tratamento. Isso eu pude fazer. Essa escolha cabia a mim.
E uma das coisas que manter essa decisão me proporcionou foi o direito de fazer uma outra escolha ainda mais importante, a de ser mãe. Na verdade, foi meio que ao contrário... Foi quando eu descobri o quanto eu desejava com todo meu coração ser mãe, que eu entendi que para isso eu precisava tomar a decisão, e manter sempre a escolha de fazer o tratamento pra TBH.
Já contei essa parte da história AQUI também.
O momento que eu estou hoje, sentindo meu passado voltar e por vezes me dominar como ondas de um mar revolto batendo contra as pedras na praia, tem tornado difícil enxergar o que eu sou capaz de fazer. O que é escolha minha e o que não é. O que eu posso controlar e o que não posso.
Eu aprendi com o filme do Superman (sim, eu disse isso mesmo) é que quando o mundo parecer muito grande e assustador, o que podemos fazer é torná-lo menor.
E tenho visto isso em diversas outras situações, de diversas fonts diferentes, mas a ideia é sempre a mesma: se concentre nas pequenas coisas.
Arrume a cama. Tome banho. Penteie o cabelo. Coma 3 vezes por dia.
Pague as contas.
Assista um filme.
Abrace.
Fale com alguém.
Mantenha a rotina.
Desenvolva um pequeno projeto de curto prazo. Pode ser um post no blog, planejar uma festa de aniversário, uma reunião com os amigos para fazerem sua mudança. Um almoço mais elaborado.
Coisas que você pode controlar.
E deixe que isso preencha os espaços no lugar do que está fora do seu controle. Deixe o tempo te devolver o ar e a energia que você precisa para ficar bem.
Isso pode significar a energia necessária para pedir a ajuda de alguém.
Ligar para um amigo.
Marcar hora no médico ou no terapeuta.
Visitar a família.
Conseguir dizer para seu companheirx o que você realmente está sentindo.
Ficar com seus filhos e simplesmente ouvir o que eles tem a dizer.
Eu sei de tudo isso. E a outra coisa que sei é que preciso disso tudo para ficar bem.
Não posso ajudar enquanto eu não ficar bem também.
Então preciso deixar meu mundo menor.
Hoje eu vim escrever no Blog...
Tudo sempre passa. Sejam os momentos bons ou ruins. Tudo passa. E isso é bom.
Ano passado eu tive a oportunidade de fazer uma viagem internacional com a Rebeca e isso foi algo que determinou todo o meu ano. Pra mim foi como se o ano de 2017 tivesse valido por 3 anos diferentes, dividido em 3 fases: pré viagem, viagem (incluído o tempo de preparação) e pós viagem.
Mas eu vou voltar a esse tópico em um post, talvez mais de um, exclusivo para ele.
Hoje quero falar um pouco mais sobre o momento atual. O imediato. Porque simplesmente as vezes precisamos falar a respeito das coisas para ter espaço para respirar, sabem?
Como disse estou num momento de baixa. Estamos lidando desde o começo do ano com uma série de complicações envolvendo a saúde da minha mãe e isso tem mexido muito comigo. Por mais que hoje, exatamente hoje, ela esteja melhor, ela esta em tratamento e se esforçando para ficar bem. E como é de se esperar, ela tem dias melhores, como hoje, e dias não tão bons assim.
Não vou entrar em mais detalhes, mas o que quero ressaltar é que isso é algo que esta totalmente fora do meu controle. Por mais que eu esteja disposta a ajudar e fazer o melhor que puder, a saúde da minha mãe não é algo que eu possa controlar, exatamente pelo fato de se tratar de uma pessoa capaz, senhora de suas próprias decisões, que faz suas escolhas independente da minha vontade. No máximo ela pode ou não ouvir meus conselhos, mas a decisão final é sempre dela sobre que rumos tomar.
E o mais óbvio é que ninguém sabe exatamente em que momento vai ficar doente.
Por mais que possamos cuidar da saúde, comer de forma saudável, fazer exercícios, fazer terapia, ter vida social, não cometer excessos, não usar drogas, não beber, não fumar, etc etc etc a verdade é que fazendo ou não isso, você pode até saber que pode ficar doente, ter mais ou menos chances, mas não vai saber o momento exato que isso vai acontecer.
Tudo isso para dizer que conviver com minha mãe nesse momento, morando na mesma casa e tudo, tem me feito reviver diversos momentos da minha vida, da minha infância e adolescência. E isso tem sido extremamente difícil. E é o que me colocou nessa baixa.
Eu não escolhi ser bipolar. Eu não sabia que seria, e mesmo que naquela época se tivesse conhecimento suficiente, coisa que não tinham, pra dizer que as chances de ter TBH eram grandes, nós não tínhamos como prever quando exatamente isso iria se manifestar.
Como eu já contei AQUI antes, minha primeira grande crise foi quando eu tinha 13 anos de idade. Hoje eu olho pra trás e vejo que dei outros indícios antes disso, mas a crise mesmo, que chocou, que me derrubou, que fez com que fossemos procurar ajuda e eu recebesse um diagnóstico pela primeira vez, foi aos 13 anos.
Muita coisa rolou entre esse momento e eu de fato iniciar um tratamento que eu mantenho até hoje, isso já aos 21 anos, lá pelo ano de 2003.
Mas se por um lado eu não escolhi ter Transtorno Bipolar de Humor, a escolha que eu pude fazer e que mudou a minha vida foi de iniciar, seguir e não abandonar o tratamento. Isso eu pude fazer. Essa escolha cabia a mim.
E uma das coisas que manter essa decisão me proporcionou foi o direito de fazer uma outra escolha ainda mais importante, a de ser mãe. Na verdade, foi meio que ao contrário... Foi quando eu descobri o quanto eu desejava com todo meu coração ser mãe, que eu entendi que para isso eu precisava tomar a decisão, e manter sempre a escolha de fazer o tratamento pra TBH.
Já contei essa parte da história AQUI também.
O momento que eu estou hoje, sentindo meu passado voltar e por vezes me dominar como ondas de um mar revolto batendo contra as pedras na praia, tem tornado difícil enxergar o que eu sou capaz de fazer. O que é escolha minha e o que não é. O que eu posso controlar e o que não posso.
Eu aprendi com o filme do Superman (sim, eu disse isso mesmo) é que quando o mundo parecer muito grande e assustador, o que podemos fazer é torná-lo menor.
E tenho visto isso em diversas outras situações, de diversas fonts diferentes, mas a ideia é sempre a mesma: se concentre nas pequenas coisas.
Arrume a cama. Tome banho. Penteie o cabelo. Coma 3 vezes por dia.
Pague as contas.
Assista um filme.
Abrace.
Fale com alguém.
Mantenha a rotina.
Desenvolva um pequeno projeto de curto prazo. Pode ser um post no blog, planejar uma festa de aniversário, uma reunião com os amigos para fazerem sua mudança. Um almoço mais elaborado.
Coisas que você pode controlar.
E deixe que isso preencha os espaços no lugar do que está fora do seu controle. Deixe o tempo te devolver o ar e a energia que você precisa para ficar bem.
Isso pode significar a energia necessária para pedir a ajuda de alguém.
Ligar para um amigo.
Marcar hora no médico ou no terapeuta.
Visitar a família.
Conseguir dizer para seu companheirx o que você realmente está sentindo.
Ficar com seus filhos e simplesmente ouvir o que eles tem a dizer.
Eu sei de tudo isso. E a outra coisa que sei é que preciso disso tudo para ficar bem.
Não posso ajudar enquanto eu não ficar bem também.
Então preciso deixar meu mundo menor.
Hoje eu vim escrever no Blog...
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
do hoje e do passado
do hoje:
hora de colocar a Rebeca pra dormir, ela vem pro meu colo depois do papai ter dado banho. E ele diz:
- "da um beijo no papai filhinha!
(ela beija a propria mão e encosta nele, dando o eijo do jeito timido dela)
- Não filha, da um beijo de verdade!
(ela faz a mesma coisa de novo, e quando ele aproxima o rosto dele do dela ela vira de costas dando risadinhas, timida timida)
- e a mamãe, vai dar um beijo no papai de boa noite? (e virando pra mim) Hein amor? (e me da um beijo)
A Rebeca da mais uma risada e eu dou um beijo estalado nela. Ai ela vai dar outro beijo de mão no Taz que mais uma vez aproxima o rosto do dela ai...
nem pensa duas vezes, encosta a mão no rosto dele e empurra fazendo ele virar pra dar um beijo em mim!
:P esperta a menina!
Ontem...
e por ontem digo ha anos e anos atras.
Muitas pessoas tem chegado ate o blog recentemente atraidos pelo lado bipolar do nome dele. Algumas mulheres que querem ter filhos, umas que terão, outras que querem ter. Todas bipolares. Outros são homens bipolares ou que convivem de alguma forma com um bipolar.
Eu queria agradecer voes por passarem aqui e depositarem nesse cantinho um pouco da sua curiosidade, e quem sabe, da sua esperança. E importante pra mim poder ajudar de alguma forma. Nme que seja so contando parte da minha historia...
E pensando nisso, e no brigadeiro que fiz hoje, e no reencontro de galera que estou organizando, e nos meus problemas no relacionamento, e nos problemas financeiros, e em como lido com as questões que chegam ate mim, minhas, dos outros, enfim, achei que precisava falar um pouco de como eu ja estive.
Estive
é importante dar uma certa enfase nisso: ESTIVE.
Passado
MOMENTO NO PASSADO
Não uma constante
Não quem eu fui
Mas como ja estive.
Pensando em mim hoje, olhando pra como eu encaro as coisas, pra forma como enxergo o mundo, sei que estou mais proxima de quem eu realmente sou do que estive ha um bom tempo.
Eu quero ressaltar que eu estou sempre falando de momentos. Se dizem que a vida de uma pessoa é vivida por momentos, a vida de um bipolar não tem duvidas de que é. Existe o momento que voce é voce mesmo, e depois o momento em que voce esta em crise, e alguns momentos em que voe esta entre crises. E a luta é pra tentar resgatar a sanidade daquele momento inicial. Muitas vezes o problema é que, quando olhamos pra tras, não conseguimos mais enxergar o momento em que eramos apenas nos mesmos, sem exageros, sem doença, sem crise.
E muito comum voce conhecer um bipolar que acredita que o EU verdadeiro dele é um eu dele em algum estado de crise. Seja qualquer cuma delas entre o depressivo e a mania. Muitas vezes a mania, afinal e quando estamos nos sentindo super bem. E quem não quer ser o cara que se sente feliz, bem, hiper inteligente, descolado, popular?
Mas não somos.
E agora entra a parte do brigadeiro :P
Quando eu era criança minha mãe costumava fazer brigadeiros pra nós, para comermos de colher. Ela fazia na panela usando chocolate do padre e depois deixava esfriar no freezer ou na geladeira. E nos iamos la, felizes, com nossas colherinhas de chá, comer brigadeiro.
Minha mãe não cozinha. Simples assim. Não é algo que ela faça. Nunca vi minha mãe na cozinha pra fazer mais do que 3 coisas durante a minha infancia: brigadeiro, pavê e arroz com ovo. Aprendi os tres. Ela nem lembra de fazer...
Bom, acontece que a lembrança do brigadeiro, daqueles gosto especifico de brigadeiro feito com chocolate do padre ficou guardado na minha memoria.
Eu, quando faço brigadeiro, o que hoje em dia é raro, costumo usar Nescau mesmo. Fica bom, mais doce, sempre achei que era a mesma coisa. Mas, hoje em especial, fiz o brigadeiro usando chocolate do padre, sem acrescentar nada. E agora pouco, antes de vir postar, minha colherinha em mãos, fui comer o brigadeiro. E o que aconteceu foi mais do que sentir um gosto gostoso de brigadeiro de colher, mas fui invadida por uma serie de lembranças, que ativaram minha imaginação, que me fizeramlembrar de mais coisas, e eu ate briguei mentalmente com minhamãe por ela levar o brigadeiro pra comer no quarto.
Desde que engravidei da Rebeca eu venho tendo momentos como esse em que relembro a minha propria infancia. Freud explica, um dia pergunto pra ele. Mas uma coisa que achei importante é que nessa epoca, a epoca do brigadeiro, eu com certeza era eu mesma.
Eu tive a minha primeira crise serie quando tinha 12 anos de idade. Seria mesmo. Chorava muito, não ia a escola, cabulava aula, comecei a fumar, sentia uma dor dentro de mim que nem com auto flegelação eu conseguia acalmar.
Sim, eu me atuo flajulava. Por diversas vezes a dor que senti era tão grande que eu acreditava que era melhor sentir uma dor fisica que continuar sentindo a dor que sentia por dentro. E pelo menos a dor fisica não tinha como alguem me falar que era invenção minha, que era rebeldia, que era preguiça. Não fncionava, ja adianto. Nunca funcionou.
Depois de muito tempo meus pais cederam e decidiram me levar ao medico, psiquiatra que tratava a sindrome de panico de minha mãe, e foi ele quem deu meu primeiro diagnistico: Psicose Maniaco depressiva. Eu tinha 13 anos. Ele receitou paroxetina. Eu tomei por 1 mes e meio, virei, entrei em mania, fiz um monte de outras coisas parei de tomar o remedio e nunca mais voltei la.
Fui ao medico novamente ja com 20 anos de idade, por escolha minha. Ou melhor, desespero meu. mas eu ja sabia o que eu tinha. Eu nunca duvidei do diagnsotico inicial. Eu sempre soube como eu me sentia. Mas tinha passado, e por mais que eu tenha passado os 7 anos seguintes entrando e saindo de crises, elas nunca mais foram tão fortes assim. Ate meus 20 anos...
Nessa epoca eu estava em uma crise mista tão grande, entrei em uma depressão profunda, e fui internada por 14 dias como risco de suicidio. Minha caminhada em busca de mim mesma começou ai.
Foi dificil. Mas não foi impossivel, afinal, estou aqui não?
Eu nucna quis me matar. Nunca. Na epoca que fui internada eu passava 3 noites acordadas seguidas para dormir cerca de 6 horas e fazer tudo de novo. eu estava cansada e queria dormir. E isso era perigoso demais.
Aderir ao trtamento foi dificil. eu tive que reaprender tudo. Tinha que reaprender a sentir as coisas. O que era rir, o que era dor de verdade, o que era sorrir, ou tedio, ou sono. Eu não tinha controle algum sobre nada. demorei mais de 1 ano pra conseguir fazer alguma coisa sozinha de verdade. Nem lembro quando consegui dormir de luzes apagadas novamente.
Troquei de medico, de psicolologo, não consigo contar quantas vezestive que trocar a medicação pra chegar onde estou hoje. Mas cheguei. estou aqui, tomando a melhor medicação possivel pra mim. E ainda não é facil.
Retomar a medicação correta foi muito custoso, pois batia de frente com o meu ideal de mãe. de estar sempre alerta. Batia não, bate. Ainda sinto muito sono durante o dia, ainda não tenho iniciativa, ainda estou insegura e bastante instavel. Mas isso dentro de um quadro infinitamente melhor que o de 8 anos atras quando comecei a me tratar.
E eu queria dixer isso com esse relato todo. EU realmente QUASE FUI outra pessoa. EU ESTIVE em um estado em que não me reconheço mais quando leio o que escrevi na epoca. Eu lembro, sei que fui eu, mas não sou aquela pessoa.
Eu sou a menina que comia brigadeiro com a mãe quando era criança, usando nada mais que uma colher de chá :D Inocente, sincera, carinhosa, que sonha com a maternidade, e tudo o que quer fazer da vida é escrever e ajudar os outros.
E eu fico feliz, todos os dias, por piores que eles sejam, por saber que hoje eu estou trilhando esse caminho. Por que a cada dia eu fico mais proxima de voltar a minha realidade.
E possivel. É so persistir. E lembrar, como meu namorido sempre costuma citar "que para quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saida"
hora de colocar a Rebeca pra dormir, ela vem pro meu colo depois do papai ter dado banho. E ele diz:
- "da um beijo no papai filhinha!
(ela beija a propria mão e encosta nele, dando o eijo do jeito timido dela)
- Não filha, da um beijo de verdade!
(ela faz a mesma coisa de novo, e quando ele aproxima o rosto dele do dela ela vira de costas dando risadinhas, timida timida)
- e a mamãe, vai dar um beijo no papai de boa noite? (e virando pra mim) Hein amor? (e me da um beijo)
A Rebeca da mais uma risada e eu dou um beijo estalado nela. Ai ela vai dar outro beijo de mão no Taz que mais uma vez aproxima o rosto do dela ai...
nem pensa duas vezes, encosta a mão no rosto dele e empurra fazendo ele virar pra dar um beijo em mim!
:P esperta a menina!
Ontem...
e por ontem digo ha anos e anos atras.
Muitas pessoas tem chegado ate o blog recentemente atraidos pelo lado bipolar do nome dele. Algumas mulheres que querem ter filhos, umas que terão, outras que querem ter. Todas bipolares. Outros são homens bipolares ou que convivem de alguma forma com um bipolar.
Eu queria agradecer voes por passarem aqui e depositarem nesse cantinho um pouco da sua curiosidade, e quem sabe, da sua esperança. E importante pra mim poder ajudar de alguma forma. Nme que seja so contando parte da minha historia...
E pensando nisso, e no brigadeiro que fiz hoje, e no reencontro de galera que estou organizando, e nos meus problemas no relacionamento, e nos problemas financeiros, e em como lido com as questões que chegam ate mim, minhas, dos outros, enfim, achei que precisava falar um pouco de como eu ja estive.
Estive
é importante dar uma certa enfase nisso: ESTIVE.
Passado
MOMENTO NO PASSADO
Não uma constante
Não quem eu fui
Mas como ja estive.
Pensando em mim hoje, olhando pra como eu encaro as coisas, pra forma como enxergo o mundo, sei que estou mais proxima de quem eu realmente sou do que estive ha um bom tempo.
Eu quero ressaltar que eu estou sempre falando de momentos. Se dizem que a vida de uma pessoa é vivida por momentos, a vida de um bipolar não tem duvidas de que é. Existe o momento que voce é voce mesmo, e depois o momento em que voce esta em crise, e alguns momentos em que voe esta entre crises. E a luta é pra tentar resgatar a sanidade daquele momento inicial. Muitas vezes o problema é que, quando olhamos pra tras, não conseguimos mais enxergar o momento em que eramos apenas nos mesmos, sem exageros, sem doença, sem crise.
E muito comum voce conhecer um bipolar que acredita que o EU verdadeiro dele é um eu dele em algum estado de crise. Seja qualquer cuma delas entre o depressivo e a mania. Muitas vezes a mania, afinal e quando estamos nos sentindo super bem. E quem não quer ser o cara que se sente feliz, bem, hiper inteligente, descolado, popular?
Mas não somos.
E agora entra a parte do brigadeiro :P
Quando eu era criança minha mãe costumava fazer brigadeiros pra nós, para comermos de colher. Ela fazia na panela usando chocolate do padre e depois deixava esfriar no freezer ou na geladeira. E nos iamos la, felizes, com nossas colherinhas de chá, comer brigadeiro.
Minha mãe não cozinha. Simples assim. Não é algo que ela faça. Nunca vi minha mãe na cozinha pra fazer mais do que 3 coisas durante a minha infancia: brigadeiro, pavê e arroz com ovo. Aprendi os tres. Ela nem lembra de fazer...
Bom, acontece que a lembrança do brigadeiro, daqueles gosto especifico de brigadeiro feito com chocolate do padre ficou guardado na minha memoria.
Eu, quando faço brigadeiro, o que hoje em dia é raro, costumo usar Nescau mesmo. Fica bom, mais doce, sempre achei que era a mesma coisa. Mas, hoje em especial, fiz o brigadeiro usando chocolate do padre, sem acrescentar nada. E agora pouco, antes de vir postar, minha colherinha em mãos, fui comer o brigadeiro. E o que aconteceu foi mais do que sentir um gosto gostoso de brigadeiro de colher, mas fui invadida por uma serie de lembranças, que ativaram minha imaginação, que me fizeramlembrar de mais coisas, e eu ate briguei mentalmente com minhamãe por ela levar o brigadeiro pra comer no quarto.
Desde que engravidei da Rebeca eu venho tendo momentos como esse em que relembro a minha propria infancia. Freud explica, um dia pergunto pra ele. Mas uma coisa que achei importante é que nessa epoca, a epoca do brigadeiro, eu com certeza era eu mesma.
Eu tive a minha primeira crise serie quando tinha 12 anos de idade. Seria mesmo. Chorava muito, não ia a escola, cabulava aula, comecei a fumar, sentia uma dor dentro de mim que nem com auto flegelação eu conseguia acalmar.
Sim, eu me atuo flajulava. Por diversas vezes a dor que senti era tão grande que eu acreditava que era melhor sentir uma dor fisica que continuar sentindo a dor que sentia por dentro. E pelo menos a dor fisica não tinha como alguem me falar que era invenção minha, que era rebeldia, que era preguiça. Não fncionava, ja adianto. Nunca funcionou.
Depois de muito tempo meus pais cederam e decidiram me levar ao medico, psiquiatra que tratava a sindrome de panico de minha mãe, e foi ele quem deu meu primeiro diagnistico: Psicose Maniaco depressiva. Eu tinha 13 anos. Ele receitou paroxetina. Eu tomei por 1 mes e meio, virei, entrei em mania, fiz um monte de outras coisas parei de tomar o remedio e nunca mais voltei la.
Fui ao medico novamente ja com 20 anos de idade, por escolha minha. Ou melhor, desespero meu. mas eu ja sabia o que eu tinha. Eu nunca duvidei do diagnsotico inicial. Eu sempre soube como eu me sentia. Mas tinha passado, e por mais que eu tenha passado os 7 anos seguintes entrando e saindo de crises, elas nunca mais foram tão fortes assim. Ate meus 20 anos...
Nessa epoca eu estava em uma crise mista tão grande, entrei em uma depressão profunda, e fui internada por 14 dias como risco de suicidio. Minha caminhada em busca de mim mesma começou ai.
Foi dificil. Mas não foi impossivel, afinal, estou aqui não?
Eu nucna quis me matar. Nunca. Na epoca que fui internada eu passava 3 noites acordadas seguidas para dormir cerca de 6 horas e fazer tudo de novo. eu estava cansada e queria dormir. E isso era perigoso demais.
Aderir ao trtamento foi dificil. eu tive que reaprender tudo. Tinha que reaprender a sentir as coisas. O que era rir, o que era dor de verdade, o que era sorrir, ou tedio, ou sono. Eu não tinha controle algum sobre nada. demorei mais de 1 ano pra conseguir fazer alguma coisa sozinha de verdade. Nem lembro quando consegui dormir de luzes apagadas novamente.
Troquei de medico, de psicolologo, não consigo contar quantas vezestive que trocar a medicação pra chegar onde estou hoje. Mas cheguei. estou aqui, tomando a melhor medicação possivel pra mim. E ainda não é facil.
Retomar a medicação correta foi muito custoso, pois batia de frente com o meu ideal de mãe. de estar sempre alerta. Batia não, bate. Ainda sinto muito sono durante o dia, ainda não tenho iniciativa, ainda estou insegura e bastante instavel. Mas isso dentro de um quadro infinitamente melhor que o de 8 anos atras quando comecei a me tratar.
E eu queria dixer isso com esse relato todo. EU realmente QUASE FUI outra pessoa. EU ESTIVE em um estado em que não me reconheço mais quando leio o que escrevi na epoca. Eu lembro, sei que fui eu, mas não sou aquela pessoa.
Eu sou a menina que comia brigadeiro com a mãe quando era criança, usando nada mais que uma colher de chá :D Inocente, sincera, carinhosa, que sonha com a maternidade, e tudo o que quer fazer da vida é escrever e ajudar os outros.
E eu fico feliz, todos os dias, por piores que eles sejam, por saber que hoje eu estou trilhando esse caminho. Por que a cada dia eu fico mais proxima de voltar a minha realidade.
E possivel. É so persistir. E lembrar, como meu namorido sempre costuma citar "que para quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saida"
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