Eu nasci no começo dos anos 80. Estou no começo da geração Milenial e no final da geração X.
O Brasil lutava por sua democracia, sobrevivia entre a hiperinflação e as novidades apresentadas na TV. O mundo mudava e tentávamos alcançá-lo. Perdoamos o passado para tentar ter chance de fazer um futuro melhor.
Nesse contexto meus pais se casaram no fim dos anos 70 e tiveram a minha irmã e eu no começo dos anos 80.
Quando nasci morávamos em uma casa na zona Oeste de SP, numa rua calma, residencial, em uma parte do bairro que entre suas grandes casas, nos abrigava no início de nossa jornada.
Meu pai sonhava alto e iniciava seu próprio negócio ao comprar uma escola em uma cidade vizinha com o ideal de unir o seu desejo de educar e mudar o mundo e crescer profissionalmente num momento instável da economia do país.
Minha mãe se estabelecia como uma das principais responsáveis no laboratório de uma grande multinacional do setor de combustíveis.
E eu e minha irmã chegamos para completar o quadro.
Na casa grande da rua tranquila, pensada e escolhida, um enorme quintal gramado nos fundos da casa. Nele, 3 árvores frutíferas. No centro do jardim um pequeno limoeiro, meio pelado, minguado, fazia lugar de pouso para os passarinhos. No canto inferior direito, uma árvore alta de frutinhas vermelhas semelhantes a morangos sem sementes que nunca mais vi e até hoje não sei o nome. Minha vó era a única que quando essa árvore ficava carregada de frutos, andava embaixo da copa catando e comendo essas misteriosas doçuras que ela levou o nome consigo na minha memória...
E do lado esquerdo, no centro esquerdo, não exatamente num canto, uma enorme amoreira de tronco forte e galhos grossos o suficiente para nos sustentar a subida.
Não lembro quantos anos tinha quando aprendi a segurar no galho mais baixo, e dando um impulso jogar as pernas por cima do tronco que, a uma pequena distância do chão, se repartia em um V e continuava a subir e abrir seus galhos para o sol. Espalhando sua sombra, e tendo no V do tronco um local perfeito para iniciar a subida, quase uma cela na madeira, era para lá que jogávamos as pernas no impulso. Dependuradas no galho, pernas no tronco, abraçávamos a árvore e nos ajeitávamos para continuar a subida.
A amoreira ficava bem perto do muro da casa e ao subir podíamos ver a casa do vizinho. Nossos gatos fizeram esse caminho muito mais do que nós, usando essa proximidade entre planta e pedra para escapar e explorar outras residencias e voltar com segurança.
Uma vez por ano a amoreira ficava carregada de amoras, primeiro verdes e instigando nossa ansiedade, depois vermelhas com seu azedinho e por fim pretas e maduras, doces, ideais para serem colhidas. Tingiam o chão de terra embaixo da árvore de roxo da mesma forma que tingiam nossos dedos e bochechas lambuzadas.
Dessas amoras fizemos sucos, sorvetes, geleias e bolos. Dividimos nosso tesouro com periquitos, bem-te-vi, e todo tipo de pássaros.
Dividimos nosso quintal e nossas árvores com amigos e familiares por cerca de uma década, quando no começo dos anos 90 meus pais decidiram se mudar. Vendemos a casa para poder seguir adiante e continuar construindo nossa história.
Mas deixamos para trás nossa amoreira. Deixei com ela a primeira parte da minha vida. Trouxe comigo o gosto doce das boas lembranças.
Trouxe comigo um amor a uma amoreira...
Mostrando que não deve ser tão diferente ser mãe quando se é ou não bipolar, por que toda mãe tem o seu ladinho insano quando se trata de cuidar do filho. Esse blog tem o objetivo de narrar a experiencia de uma mãe que tem de enfrentar essa fase da vida com a duvida constante, o medo, de como, quando e quanto, sua bipolaridade pode afetar a vida de sua filha. Lidando com a linha tênue entre "normal" e "anormal"...
De mãe e louco todas temos um pouco
Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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sábado, 21 de setembro de 2019
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Eu me rendo... Pra que a pressa?
Estou aqui, na sala, Rebeca dormindo no meu colo. Me rendi, e pior, admito que me sinto mais feliz assim.
O plano seguia bem.
Hoje saimos e fomos ao chá de bebe de uma amiga da cunhada da minha irmã. Elas queriam levar a rebeca e ver se ela se enturmava com as filhas, gemeas, da dona da festa, que tem a mesma idade que ela. No fim, me convidaram pra ir junto, afinal, vamos curtir o passeio juntos!
Festa estranha, gente esquisita, mas Rebeca se divertiu horrores. Agora que é uma criatura bipede, caminhante, quase uma corredora, não a quem a faça ficar parada. E correu e brincou muito. Comeu pouco. Riu, brincou de bexiga, adou pra todo lado. Uma delicia. Voltamos pra casa na hora do jantar, ela exausta.
Em casa, jantou, brincou um pouco com o pai, deu 20h, hora de tomar banho pra dormir. Eu arrumei o quarto, me preparando pra passar horas ali com ela, lendo livrinho, cantando, pra ela dormir no berço. Ha!
Saiu do banho, colocou a roupa e veio pro meu colo. Sentei na poltrona no quarto dela, so o abajur aceso, dei a mamadeira que ela decidiu para na metade. Ela percebeu que tinha algo diferente e queria vir pra sala.
Me fiz de desentendida e a coloquei no berço. Ela começou a choramingar e a pedir colo. Fui firme, dei um beijo em sua testa e peguei o livro. Comecei a ler ela ainda chorava, mas conforme fui lendo ela foi se acalmando e parou. Sentou no berço, começou a brincar e rodar ali, de um lado a outro. Eu, lendo uma historinha, depois outra...
O tempo passando, foi ficando inquieta. Eu parei de ler e comecei a cantar. Ela ficou ainda mais inquieta e começou a jogar o ursinho pra fora do berço, o travesseiro, a manta. Ate que ficou em pé no berço e começou a chorar. Tentava escalar a grade para sair, ficava na ponta do berço mais proxima a porta e apontava, indicando a sala. E chorava.
Tentei acalma-la voltando a ler o livro.Ela parou um pouco, mas logo voltou. Tentei voltar a cantar, nada. Tentei conversar com ela, so choro. Decidi pega-la no colo, afinal se ela fica muito agitada não vai dormir de qualquer jeito, e a minha presença ali não estava sendo suficiente. mas foi tarde...
Ofereci o leite de novo, mas ela ja estava enjoada. E eu sabia, ela ia acabar vomitando... Dito e feito, levei outro banho... Chamei o Taz e levamos ela pro banheiro para que ambas pudessemos nos banhar. E arreguei. Preparei o leite, arrumei o quarto dela de volta, a sala e voltei atras, me sentindo culpada.
Antes do banho, na hora da janta ja tinha dito ao Taz - me sentia mal. Ela nunca fez nada sem motivo. E agora, nesses dias em que ela vem pressisando mais de mim, do colo, que pede esse contato, eu vou e o nego, querendo que ela durma sozinha no berço.
Ele disse que eu ia arranjar varias explicações para continuar colocando ela pra dormir no colo.
Bom, pode ser verdade. Mas a realidade é que ate hoje nunca tentei forçar a Rebeca a fazer nada antes do tempo dela. Sempre respeitei que ela tivesse o seu momento para fazer as coisas, ela sempre sinalizou bem. E eu me senti forçando uma barra com ela que ela não esta pronta pra passar. E nem eu.
Eu sei, pois conheço minha filha, que vai existir um momento que ela mesma vai decidir dormir sozinha no quarto. Podem demorar anos, mas da mesma forma que ela teve o seu momento pra engatinhar, andar, falar, ela um dia vai buscar sua independencia no sono.
Eu vou mais e curtir o cheirinho dela ate la... Mesmo que isso signifique algumas noites mais dificeis. E assim, ficar mais em paz comigo mesma.
O plano seguia bem.
Hoje saimos e fomos ao chá de bebe de uma amiga da cunhada da minha irmã. Elas queriam levar a rebeca e ver se ela se enturmava com as filhas, gemeas, da dona da festa, que tem a mesma idade que ela. No fim, me convidaram pra ir junto, afinal, vamos curtir o passeio juntos!
Festa estranha, gente esquisita, mas Rebeca se divertiu horrores. Agora que é uma criatura bipede, caminhante, quase uma corredora, não a quem a faça ficar parada. E correu e brincou muito. Comeu pouco. Riu, brincou de bexiga, adou pra todo lado. Uma delicia. Voltamos pra casa na hora do jantar, ela exausta.
Em casa, jantou, brincou um pouco com o pai, deu 20h, hora de tomar banho pra dormir. Eu arrumei o quarto, me preparando pra passar horas ali com ela, lendo livrinho, cantando, pra ela dormir no berço. Ha!
Saiu do banho, colocou a roupa e veio pro meu colo. Sentei na poltrona no quarto dela, so o abajur aceso, dei a mamadeira que ela decidiu para na metade. Ela percebeu que tinha algo diferente e queria vir pra sala.
Me fiz de desentendida e a coloquei no berço. Ela começou a choramingar e a pedir colo. Fui firme, dei um beijo em sua testa e peguei o livro. Comecei a ler ela ainda chorava, mas conforme fui lendo ela foi se acalmando e parou. Sentou no berço, começou a brincar e rodar ali, de um lado a outro. Eu, lendo uma historinha, depois outra...
O tempo passando, foi ficando inquieta. Eu parei de ler e comecei a cantar. Ela ficou ainda mais inquieta e começou a jogar o ursinho pra fora do berço, o travesseiro, a manta. Ate que ficou em pé no berço e começou a chorar. Tentava escalar a grade para sair, ficava na ponta do berço mais proxima a porta e apontava, indicando a sala. E chorava.
Tentei acalma-la voltando a ler o livro.Ela parou um pouco, mas logo voltou. Tentei voltar a cantar, nada. Tentei conversar com ela, so choro. Decidi pega-la no colo, afinal se ela fica muito agitada não vai dormir de qualquer jeito, e a minha presença ali não estava sendo suficiente. mas foi tarde...
Ofereci o leite de novo, mas ela ja estava enjoada. E eu sabia, ela ia acabar vomitando... Dito e feito, levei outro banho... Chamei o Taz e levamos ela pro banheiro para que ambas pudessemos nos banhar. E arreguei. Preparei o leite, arrumei o quarto dela de volta, a sala e voltei atras, me sentindo culpada.
Antes do banho, na hora da janta ja tinha dito ao Taz - me sentia mal. Ela nunca fez nada sem motivo. E agora, nesses dias em que ela vem pressisando mais de mim, do colo, que pede esse contato, eu vou e o nego, querendo que ela durma sozinha no berço.
Ele disse que eu ia arranjar varias explicações para continuar colocando ela pra dormir no colo.
Bom, pode ser verdade. Mas a realidade é que ate hoje nunca tentei forçar a Rebeca a fazer nada antes do tempo dela. Sempre respeitei que ela tivesse o seu momento para fazer as coisas, ela sempre sinalizou bem. E eu me senti forçando uma barra com ela que ela não esta pronta pra passar. E nem eu.
Eu sei, pois conheço minha filha, que vai existir um momento que ela mesma vai decidir dormir sozinha no quarto. Podem demorar anos, mas da mesma forma que ela teve o seu momento pra engatinhar, andar, falar, ela um dia vai buscar sua independencia no sono.
Eu vou mais e curtir o cheirinho dela ate la... Mesmo que isso signifique algumas noites mais dificeis. E assim, ficar mais em paz comigo mesma.
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