De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Sobre passado, presente e futuro

Quando eu era pequena, com uns 8 anos +-, eu fugi de casa.

Assim, fugi naquelas... Brava com meus pais por terem brigado comigo por alguma coisa que hoje já não lembro mais, eu fui decidida ao meu quarto, esvaziei minha mochila da escola e coloquei ali as coisas que achava essenciais. Quando me dei por satisfeita e não cabia mais nada na mochila, fui até a sala, fiz uma despedida dramática e sai porta afora para o mundo!

Não lembro tudo o que coloquei na mochila. Lembro de roupas, gibis... Na garagem de casa esquivei das nossas cachorras querendo brincar, abri o portão e fui pra rua.

Cheguei ate a esquina. Era de noite, a rua estava escura e vazia. Tive medo e voltei para casa. No entanto, sem querer dar o braço a torcer, e querendo que sentissem minha falta e se arrependessem de ter brigado comigo injustamente e viessem atrás de mim, decidi não entrar em casa e ficar na garagem. Lá havia uma casinha de cachorro enorme para nossas 4 cadelinhas, onde eu subi e fiquei sentada em cima pelo que me pareceram horas.

Cansada e com sono e sem ninguém ter vindo atrás de mim, vencida, entrei em casa. Meus pais, sentado no sofá da sala, me olham espantados e me perguntam onde eu estava.

Se foi verdade ou não que eles não sabiam eu não sei. Hoje eu conto essa história e eles nem ao menos se lembram do acontecido. Para mim a sensação de que eles nem ao menos perceberão minha ausência ou sentiram minha falta foi desoladora.


Mas minhas tentativas de mostrar minha frustração com broncas e querer que eles se arrependessem e demonstrassem isso não parou por ai. Desisti de fugir de casa, mas passei a me esconder embaixo da escada da nossa casa, um sobrado, e ficava lá embaixo, o mais fundo que podia, para que se eles olhassem só de longe não conseguissem me ver, e esperava que eles me procurassem.

Não lembro deles me procurarem mas acredito que eles o tenham feito. O que me lembro é das vezes que esperei em vão. A mais longa delas eu acabei adormecendo ali escondida e acordei horas depois sem ninguém ter ido me chamar.

Eventualmente desisti dessa prática, não sem um profundo sentimento de abandono.


Hoje olho pra trás e se por um lado olho para minhas próprias atitudes e penso em como estava sendo manhosa e mimada, por outro lado não tenho certeza se acredito nisso.

Talvez meus pais fizessem isso de proposito, exatamente para não me mimar demais. Talvez alguém tenha dito a eles que eu não podia vencer essas disputas pois isso tiraria a autoridade deles, ou faria com que eu respeitasse menos quando fizesse algo errado. Não sei. Todas essas hipóteses foram coisas que ouvi e li falarem sobre crianças ao longo dos anos.

No entanto, como meu terapeuta costumava me dizer, e como minha terapeuta atual me diz, e ate como uma astróloga que fez meu mapa astral anos atrás também comentou, eu sou uma pessoa muito consciente de mim mesmo.

E tenho ótima memória. E memória emocional.

E durante a gravidez da Rebeca eu me conectei muito comigo mesma e encarei medos, seguranças, sonhos, lembranças.
E uma das muitas coisas que trouxe dessa experiência foi a de tentar entender como minha filha se sente, e levar isso em consideração quando fizesse minhas escolhas de como lidar com ela.

Eu não queria, ou quero, que ela carregue esse tipo de sentimento de abandono como eu carreguei.

Isso nunca significou no oferecer disciplina, ou fazer todos os desejos, mas significou levar em consideração o modo.

No começo um pouco mais dura, hoje talvez mais livre, eu procurava e procuro observar a ação e a reação.

Quando ela era pequena e nos precisávamos ir embora de algum lugar onde ela se divertia, era claro que ela não ia querer parar de brincar. Então eu começava com um aviso: "Daqui 10 min vamos embora!". Dali a pouco um segundo aviso: "Só mais 5 min!". Até chegar no "vamos embora!". Entre os 1 ano e meio e uns 3 anos essa parte era seguida de choro, de não querer ir, de se jogar no chão.
Sim, é sempre assim. E eu aceitava esse comportamento dela e entendia sua frustração e a amparava. Abraçava, dizia que estava tudo bem, que era normal o que ela estava sentindo e tentava ajudá-la a se acalmar. Pacientemente. E quando ela parava eu levantava e dizia que iríamos embora.

Por vezes tive que esperar e fazer esse trabalho 2, 3 vezes até ela se acalmar e aceitar ir embora. Mas conforme os meses iam passando ela se acalmava mais rápido, insistia menos, até que finalmente os avisos se tornaram suficientes.

A ideia de que era possível ser coerente e firme nas decisões e ao mesmo tempo amparar e ser solidária ao que ela sentia fazia parte da essencia do tipo de mãe que eu desejava ser.


Hoje Rebeca tem 9 anos e está vivendo uma novidade em seu comportamento. É uma novidade que não vai passar. Não, é o começo de algo que depois reconhecemos como adolescência.

É um movimento tímido ainda, mas presente. Ela agora responde, quer ser ouvida, quer ser levada a serio. Quer demonstrações que confiamos nela.

Mesmo nos momentos que ela sabe que a gente sabe que ela não está sendo lá tão sincera.

Nada grave. Coisas simples, como dizer que já penteou o cabelo para ir a escola, ou que esqueceu de colocar o tênis nos dias de educação física e por isso estava de sapatilhas.

Conversamos, explicamos. Quantas vezes são necessarias e um pouco mais.

As vezes pedimos algo ou perguntamos alguma coisa que ela já explicou antes só para ouvir um "mas eu já disse isso! Você não ouviu?".

Ela nunca grita. Nem nós.

Ela questiona porque de algumas ordens. E fica magoada verdadeiramente se mandamos ela fazer algo ou chamamos sua atenção por alguma coisa de pouca importância ou que ela sente que não estava errada.

Hoje meu trabalho é o mesmo. Amparar e acolher. Explicar. Dar disciplina sim. Mas saber voltar atrás e pedir desculpas e mostrar pra ela que ela foi ouvida, que sua opiniao importa, que seus sentimentos são levados em consideração e que é possível ela estar certa e nos errados. E isso tudo sem deixar de ser firme quando necessário. Sem deixar de ter regras claras e rotinas. Sem fazer todos os seus desejos. Mostrando limites sim.

E tudo que eu espero é ter a chance de agir com ela como eu acho certo. Como senti falta de ter comigo.

Posso estar errada.

Mas as vezes ser mãe e isso. Ter a chance de tentar fazer diferente e cometer nossos próprios erros.


Mas ca entre nós?

Por enquanto eu acho que está dando certo...

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Escola é lugar de educar sim!

Eu já vi muitas vezes as pessoas repetindo que na escola se aprende apenas as disciplinas formais (português, matemática, ciências, etc) e que educação se aprende em casa. Inclusive das próprias escolas e professores.

Não sei se algum dia eu acreditei nisso também.
Meu pai teve uma escola por muitos anos. Eu fui professora de inglês por algum tempo.
E parando pra pensar, a minha relação com os alunos nunca foi essa.
Ate porque a minha postura na vida sempre foi a de acolher e explicar. Mas eu nunca associei a minha postura pessoal como um ideal de educação a ser seguido. Na época eu questionava, mas lá no meu íntimo. Da boca pra fora eu repeti algumas vezes aquela afirmação la de cima.

Ai eu quis ser mãe, e comecei a tentar entender melhor o que é educar alguém.
E depois que a Rebeca nasceu, foi crescendo, entrou pra escola e eu pude ver de verdade o que é educar alguém, o que é ajudar um ser humano a se formar e criar sua identidade, eu entendi.

Escola é lugar de educar sim.
Casa é lugar de educar sim.
Escola se aprende disciplinas formais sim.
Casa se aprende disciplina formais sim.

Por que ser humano não é um robozinho, um programa de computador que você abre e fecha aplicativos, caixas, planilhas, e escolhe que ele vai absorver apenas aquilo que você quer que ele absorva.

Ser humano é esponja. Ele aprende o tempo todo, 24h por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.
E quando somos crianças todo esse aprendizado é elevado ao quadrado, ao cubo, por que é a primeira vez que eles tem contato com tudo. Então somos responsáveis o tempo todo, por todas as crianças que temos a nossa volta. Por todo adolescente. Por que somos aquilo que eles vem, e é com o nosso exemplo, com as nossas ações, que eles aprendem.

Porque não adianta você achar que vai ser professor de matemática e só vai ensinar criança a fazer equação de 2 grau, e tratar mal aluno que aprende devagar, ou agir de forma racista e preconceituosa, gritar pra classe  prestar atenção, e achar que nada disso vai ter efeito nenhum na vida dessas crianças.. Porque quando você faz isso você ta ensinando a todos eles que todos esses comportamentos são aceitáveis, especialmente vindos de uma suposta figura de autoridade.


Minha filha hoje tem 8 anos. Ela presta atenção em tudo que alcança o radar dela. Eu posso estar cochichando que ela ouve.

Ela chama minha atenção toda vez que eu falo um palavrão. Mas ela também presta atenção se eu falo com ela usando o tempo verbal correto nas frases, se eu pronuncio as palavras corretamente, e se eu faço pausas enquanto falo para que ela tenha tempo de entender o que estou dizendo.

Ela presta atenção se eu falo obrigada, por favor, bom dia. Ela presta atenção toda vez que eu decido ajudar alguém. Toda vez que eu decido abrir mão de algumas moedas no farol, ou emprestar dinheiro pra um amigo, ou dar apoio a alguém doente. Ela presta atenção em como eu trato meus pais, meus sogros, minha irmã, minhas cunhadas. E isso ensina a ela como deve se comportar muito mais do que quando eu cobro que ela faça essas coisas brigando com ela, chamando atenção.

E ela aprende a ver horas, aprende a história da nossa família, aprende música, aprende a contar o dinheiro que tem no cofrinho ou as moedas para um doce, aprende os aniversários e as datas de nascimento e como fazer a associação dos dois. Aprende a respeitar os animais, as plantas, e a importância disso na nossa vida.

E eu sei que ela presta atenção em tudo isso com todas as pessoas que ela tem contato.

Ela já sabe que quando vai na casa dos avós paternos ela deve colocar pouca comida no prato e estar disposta a comer mesmo se não gostar, por que o avô dela faz questão que todos comam tudo o que colocaram no prato. Porque ele foi ensinado assim, porque ele já passou muita necessidade e sente que nada deve ser desperdiçado.

Ela sabe que aqui em casa tudo bem não comer o prato todo. Podemos guardar pra depois, ou dar pro cachorro, ou qualquer outra coisa. Porque aqui é mais importante saber identificar quando se esta satisfeito e saber dizer não a si mesmo, saber parar. Porque aqui o problema é a gula.

Na escola ela sabe que deve respeitar a professora e que não deve brigar com os colegas. E que se alguém caçoar dela ou pior, que ela deve procurar a ajuda de um adulto. Mas ela também sabe que pode se defender se alguém tentar machucá-la.

Se a escola se exime do seu papel, escolhendo para si apenas uma parte, ela não esta realmente fazendo isso. Ela esta automaticamente ensinando algo a essas crianças e adolescentes. Está ensinando que não se importa se eles se tornarão boas pessoas, ou cidadãos conscientes. Esta ensinando que não se importa se eles não sabem respeitar o próximo. Esta mostrando que a gente pode sim escolher apenas a parte que nos interessa e deixar o que não queremos para outras pessoas.

A maioria das crianças que conheço passa cerca de 12h na escola. É muito mais tempo do que eles passam com a família. Não é possível achar que o que uma criança vive durante 12h vai ter menos ou nenhum impacto comparado as 4h que passa acordada com a família.

Somos todos responsáveis. O tempo todo. Seja você o tipo de aluno que você quer na sua sala de aula. Estamos criando seres humanos, não maquinas. Não basta dar informação. Temos que dar o exemplo.

Bom fim de semana.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A formatura

Esse ano a Rebeca se formou na pré escola.

A escola dela faz festas com toda a pompa e gala de uma formatura de Ensino Médio, alugando salão, Buffet e com todas as salas da educação infantil participando e fazendo uma apresentação para os pais. E no centro dessa festa estão os formandos do pré-escolar. E no centro dessa festa, esse ano, estava a minha filha.

Eu sempre achei que festa de formatura de pré-escola era uma besteira, digo, antes de ser mãe. Ai nesses últimos 6 anos da minha vida eu tive o privilegio de conviver com uma criança que era minha para cuidar, criar, educar. E pude acompanhar todo o processo e o tempo que levou para aquele bebe que nem se mexia direito e só sabia mamar e dormir se tornar essa menina enorme, linda, esperta, inteligente, e muito mais rápida nas respostas do que eu podia imaginar lá naquele primeiro momento.

E olha, não é mamão com açúcar não. Não foi fácil pra mim, sem dúvida, mas a verdade é que também não foi fácil pra ela.

Aprender a sentar, engatinhar, depois andar, correr. Conseguir entender o que aquelas pessoas enormes tentavam te dizer, e depois aprender a usar essa linguagem para se comunicar com elas e poder finalmente, dizer o que você quer! Isso sem contar a dificuldade enorme que é aprender a sentir e lidar com esses sentimentos malucos, que hora te fazem rir, hora chorar, hora espernear no chão de raiva, e por quê? Por causa às vezes de algo que viria a ser tão simples quanto dizer que está com fome, ou com sono.

E no meio de tudo isso aprender a identificar que aquela pessoa que você ama é sua mãe, seu pai, e que além deles existem outras pessoas no mundo. Tios, tias, irmãos, avós, amigos dos pais, filhos dos amigos dos pais. E de repente você tem que conviver com todas essas pessoas, ser educado, dividir a atenção, dividir suas coisas, dividir sua comida.

Aí te mandam pra um lugar estranho e esperam que você fique lá com pessoas que você nunca viu esperando que eles voltem. E nesse lugar tem várias outras crianças que como você, também não estão lá muito felizes em ficar lá e dividir a atenção de apenas um cuidador e todos os brinquedos e atividades. Mas tudo bem, por que no fim aquela mãe, ou pai, sempre volta, e fica tudo bem, você vai pra casa.

E você aprende a confiar nas pessoas que sua família confia para cuidar de você, e aprende a gostar das pessoas, e descobre esse tal negocio de fazer amizade. E descobre que essa tal de escola é um lugar legal, onde você aprende várias coisas da melhor forma, que é brincando, desenhando, e vivendo situações que, muitas vezes, não viveria em casa.

E a cada ano essa escola te apresenta coisas mais difíceis e você começa a aprender o que são desafios. E aprende que seus colegas ali podem te ajudar, ou não, a passar por esses desafios, por que eles estão vivendo aquilo junto com você.


Aos poucos aprende também que nem tudo são flores, e que existem coisas ruins e tristes no mundo, como pessoas que serão más com você e dirão coisas feias, como xingamentos e tentarão te colocar pra baixo. Descobre que nem sempre podemos estar o tempo todo perto de quem gostamos e que as vezes essas pessoas vão para longe. Descobre que isso que você vive se chama vida e que ela um dia vai acabar. Como a daquele seu bichinho que você amava tanto...
E descobre que no meio disso tudo você é feliz, muito feliz. E que a melhor coisa é estar feliz com as pessoas que você ama também felizes ao seu lado.
E descobre que você tem vontades, e gostos, e opiniões.
E agora, aos 6 anos, descobre que as vezes você vai gostar de coisas diferentes dos seus pais, e dos seus amigos. E que às vezes você vai gostar de alguns amigos mais do que de outros, e talvez até apareça algum mais especial que todos os outros.
E aos seis anos você percebe que aquele esforço em aprender a falar agora se transforma e vai além, e você começa a aprender a ler e escrever. E que o mundo vai ficando cada vez maior a cada coisa que você aprende.

Então, depois de viver tudo isso, acho que tem que comemorar sim, com muita pompa e gala. E tem que ter teatro, e música, e colação de grau, e Beca e Valsa. E tem que ter pais emocionados e tias chorando. E tem que ter fotos.

Por que é uma etapa muito importante que se finaliza. De uma ainda maior que está no começo. Mas cada etapa, cada vitória, deve ser celebrada.

Então, parabéns a minha Rebeca por sua graduação. Sua primeira festa de formatura.
Que seja a primeira de muitas outras, e que daqui uns anos você se lembre: seu sonho, hoje, aos 6 anos, era ser cientista e inventar um remédio que cure várias doenças e ajude as pessoas a viverem muito, muito mais.

Com muito amor.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Falando de: Educação e Alfabetização

Eu ja fui professora de Inglês.

Foi o meu primeiro emprego, o que consegui sozinha, na raça, mandando currículo a todos os lados e fazendo entrevista em outra lingua com medo de perceberem que meu inglês não era lá essas coisas na verdade.

Depois disso dei aula em outros lugares, inclusive na escola que meu pai tinha. (passado, não tem mais, ta aposentado)

Meu pai ter uma escola por 26 anos da minha vida foi um fato marcante pras minhas escolhas. Eu acreditava que iria, um dia, assumir os negocios da familia. Então, apesar das minhas dificuldades, eu tentei me focar nessa questão da educação...

Outra coisa que marcou  muito a minha visão sobre esse assunto foi o fato de ter frequentado boas escolas que seguiam um metodo de vanguarda conhecido como socio-construtivista. (Mais AQUI)

Viver nessa imersão toda me fez acreditar em algumas coisas que tenho tido oportunidade de colocar em pratica com a Beca. E avaliar o que tem sido feito com meus sobrinhos...

Hoje conversando com minha cunhada ela comentou que meu sobrinho de 8 anos não sabe ler. Não sabe, pelo que ela falou, escrever o proprio nome.

O que me chocou e eu fiquei sem saber como agir, foi o fato de que ela não falou num tom preocupado, mas de reprovação. A culpa disso era do menino. Afinal, ele tinha ajuda dos pais, e mesmo assim não aprendia. Era preguiçoso e mais, estava se tornando mal educado e respondão. Havia levado um puxão de orelha do avô no fim de semana por ter-lhe respondido de forma mal criada.

Não vou nem entrar no mérito do puxão de orelha - fica pra outro post. 

Ela comentou que achava um absurdo uma criança que tinha feito Jardim e Pré-escola não soubesse, nessa etapa, saber ler.

Eu respondi que, pra começo de conversa, era no primeiro ano que ele devia ter aprendido isso. Mas a verdade é que eu queria falar muita coisa, muita, e me calei. Eu não tenho intimidade suficiente nem estou proxima para de fato, ajudar. Minha opinião, ali, seria apenas uma critica e eu acho ainda, muito mal recebida.

Eu entendo a visão da minha cunhada. Mesmo. A moça que trabalha na casa dos meus pais tem um problema semelhante com o filho de 9 anos.

Não é coincidência. Ambos estudam em escola publica. Seus pais, que trabalham o dia inteiro, também estudaram em escola publica e, se chegaram a tanto, tiveram que se esforçar pra terminar o Ensino Medio.

Tenho certeza que ninguém lê pra essas crianças dormirem. Nem nunca leram. Sei que se os filhos pedirem uma revistinha em quadrinhos, serão duramente criticados por "querer ler besteira quando não leem os livros da escola". Sei que esses pais não tem condições de corrigir as lições dos filhos por eles mesmos não saberem a forma correta do uso das palavras e suas regras.

E todos acham que é obrigação da escola ensinar isso.

E nem querem que o filho saiba muito. Não precisa saber ler e escrever corretamente. Mas precisa ser capaz de ler um jornal, por exemplo, quando for adulto. Mais que isso, tem que tirar nota boa - leia acima da média - e passar de ano.

Eu sei, por que tive a chance de aprender,que não é bem assim.

Eu aprendi a ler com meu pai lendo gibis da mônica pra mim. Sempre tive livros em casa e pude mexer neles quando não corria mais o risco de rasga-los. Meus pais contavam historias pra nós antes de dormir - repetidamente se assim pedissemos. liam nos livros ou as vezes inventavam eles mesmos uma historia nova.

Na escola ler foi uma conquista! Foi algo bom, feito de forma gradativa e prazeirosa. Brincamos muito com letras, silabas e nos permitiram explorar esse universo novo.

Nada era feito de forma uniformizada, robotizada, mecanizada. Entendem? Não eramos um unico ser coletivo, eramos unicos.

Pra vocês terem ideia so fui saber o que era uma prova de verdade, com notas na 4 serie. Alem disso meus pais recebiam avaliações escritas individualizadas bimestralmente, com dicas de como trabalhar minhas dificuldades em casa. Não tive boletim ate mudar de escola, ja na 5 serie.

E apesar de saber que nem todos podem oferecer um ensino como o que eu tive - eu mesma não posso dar isso pra Beca - o que eu tive em casa, a preocupação que meus pais tinham conosco, o cuidado, isso todo mundo pode ter. E deveria.

Não é obrigação da escola somente de ensinar nossos filhos a ler. E um processo que deve acontecer em conjunto. E ele começa em casa, com o pai e a mãe que, mesmo cansados de um dia de trabalho, sentam pra ler um gibi com os filhos, ou inventam uma historia.

Eu sei que ligar a tv e mais facil. Sei que trabalhar o dia inteiro, chegar e ter uma casa pra arrumar, comida pra fazer, é a rotina de 99%:da população. Sei que a escola tem que ensinar muita coisa. Inclusive a ler e escrever. Mas se não podemos perder 15 minutos do nosso dia pra educar nossos filhos e mostrar a eles o prazer de estar junto, e ler, o que estamos mostrando?

A impressão que tenho, com meu sobrinho, é que ele tem uma dificuldade. E que ele precisa de ajuda. Mas que as pessoas em volta dele nem sabem identificar o tipo de ajuda que ele precisa - por que estão repetindo a educação falha que eles mesmos tiveram. E que ele tenta, grita, por uma atenção que, de uma forma negativa, esta tendo ao não saber ler.

Seta que se ele soubesse ler teria tanta atenção dos pais, dos avós, das tias? Ou seria deixado sentado a mesa com uma lição? O que, afinal, ele ganharia?

E por isso que eu leio pra Beca, e invento historias. E canto. E compro Gibi.

Por que eu gosto. E me importo. E eu quero fazer diferente. E a minha parte, a parte mais importante.

A escola e complemento, é um lugar pra dar continuidade ao que aprendemos em casa. Não um substituto.

Mas me preocupo com meus sobrinhos. E espero que o pouco que eu posso fazer por eles seja suficiente pra mostrar uma coisa - que existe sim outra maneira. Existe uma alternativa. E quem sabe, um dia, eles decidam experimentar...E descubram como é bom, esse mundo onde aprender é, sim, divertido.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A historia de como eu me rendi a TV e aos DVDs

Durante a gravidez da Rebeca eu criei inumeras, mas muitas mesmo, ideias de como eu gostaria que ela fosse criada. Li as teorias de por que criança não deve assistir televisão e concordava com todas elas. Isso inclusive merece toda uma reflexão pessoal de por que eu pensava dessa forma e como a televisão teve impacto na minha vida, ou a repercussão que isso teve.

deu pra entender?

Explico melhor. Por que, é serio, isso é muito importante!

Você ja parou pra pensar por que você é contra, ou a favor, do seu filho assistir ou não televisão? E o filho dos outros? Por que isso esta diretamente ligado ao seu relacionamento pessoal com a telinha. E vamos lembrar que criança aprende, acima de tudo, com o exemplo?

Pois bem, eu me rendi a televisão a contragosto. Ainda mais por causa do quando - meus pais quando ficavam com a Rebeca, bebezinha, meses de idade, recem nascida, pra eu poder dormir um pouco, colocavam ela no carrinho e a viravam para a televisão. Simples assim.

Eu esbravejei no começo, mas a verdade é que eu precisava dormir. As vezes precisava sair pra ir no medico, ou fazer qualquer outra coisa, e não tinha com quem deixar senão minhamãe e meu pai. E não adiantava nada falar que eu não queria que eles fizessem isso, pois eu chegava em casa e era exatamente essa a cena que eu encontrava.

Ai, aos poucos, fui me rendendo. E isso aconteceu principalmente por que eu, euzinha, sou viciada no barulho. Sim. Eu não aguento ficar no silencio completo e absoluto e não tenho costume de ouvir radio ou musica. As vezes deixo a tv ligada num canal qualquer e vou fazer outra coisa, mas quero ficar ouvindo aquela confusão de sons.

Ai eu conheci o cinematerna e percebi que, de verdade, a Rebeca não prestava atenção no que estava passando. Copnforme ela foi crescendo ela foi se interessando, ate por que a visão dela foi se aprimorando e ela foi distinguindo o que de fato passava na tela, pequena de casa ou grande do cinema.

Em determinado momento eu tive que fazer essa analise: por que eu sou contra minha filha ver tv? Sou contra o que exatamente? E se sou tão contra, por que me rendi?

Minha historia com a Tv e daquelas antigas. Eu ciostumo dizer que nasci bipolar, nós só não sabiamos disso ainda. Sempre tive problemas pra dormir, daqueles sérios. Na minha infancia eu lembro de ficar ou com a minha vó, tarde no escuro vendo tv, ou com meu pai, ou com a empregada, e as vezes sozinha.

Sei que em determinado momento meus pais colocaram uma tv no meu quarto pois eles estavam cansados de me verem dormindo na sala, por que eu ia pra la todas as noites ficar vendo tv ja que não conseguia dormir cedo. Ai, pra não terem esse problema e me manterem na cama, a tv foi pro meu quarto.

Quando eu tive minha primeira crise de verdade relacionada a bipolaridade, entre meus 12 e 13 anos de idade, a primeira reação dos meus pais, do meu pai principalmente, foi culpar um fator externo. Eu desrespeitava muito ele e minha mãe, cabulava aula, passava as noites em claro. E ele achava que eu fazia isso pra poder ver televisão.

E a verdade é que essa relação de que a tv era algo ruim veio dai, dessa reação do meu pai a sintomas que eu vinha apresentando e eles não reconheciam como tal. A Tv era, claro, apenas um meio de passar o tempo que eu tinha, mas não o motivo do problema.

E essa reação do meu pai, culpando fatores externos, continuou por anos. Era a tv, depois foi o RPG e os amigos, as baladas, a rebeldia da adolescencia que um dia iria passar. Mesmo depois do meu diagnostico final, ai eu ja com 21 anos, ele nunca se convenceu totalmente.

E, como eu disse, criança, ou melhor, as pessoas no geral, aprendem pelo exemplo. certo?

Então eu fiquei com essa marca dentro de mim, apesar de te-la negado por quase todos os anos possiveis, de que a TV era ruim, malefica, culpada pelos problemas de socialização e etc. Esse foi o exemplo que eu tive. E quando chegou a minha vezx de ser mãe, isso veio a tona!

Mas, eu preciso falar uma coisa muito, mas muito séria pra vocês: a TV é so um objeto. Juro! Ela esta ali, a sua disposição, e ela segue o seu comendo! Não o contrario...

Ta bom, tem gente que é viciada? eu sou no barulho, mas não vou sofrer uma crise de abstinencia se ficar com a TV desligada. Entendem? O que vai acontecer é que eu vou ter que pensar em outra coisa pra fazer, outra forma de me entreter, e ter o barulhinho de que sinto falta.

E ai eu fui me rendendo. E comecei a prestar atenção; E notei que a Rebeca preferia mil vezes subir pro quintal da casa e, na epoca, brincar na piscina, que assistir Discovery Kids. Que dependia de mim, e só de mim (ok, não so de mim, mas de quem estivesse cuidando dela) dar a opção. Que ela assistir TV não ia fritar o cerebro dela. Pelo contrario, a tv me ajudou inclusive em diversos fatores.

Ai eu vivia vendo os blogs e lia de um tal DVD da galinha pintadinha. E morria de curiosidade. Ate que um dia procurei no youtube e mostrei pra Rebeca pra ver se ela gostava. E no comeeço ela não se interessou muito não. A verdade é que quem gostou fui eu! Eram clipes animados de musicas que minha mãe cantava pra mim quando eu era pequena! Achei o maximo, e no fim compramos os dois.

Aos poucos, conforme a Rebeca foi crescendo, ela foi se interessando mais pelos mesmos. Assim como desenhos na televisão. E ainda conforme o tempo ia passando, ela mudava os gostos de quais clipes queria ver, ou quais desenhos na tv gostava mais.

Mas ela sempre, sempre, prefere subir pro quintal. E mesmo com a tv ligada, ela perde o interesse rapido e vai brincar com outra coisa.

No aniversario dela do ano passado ela ganhou um DVD do Aristogatas, e foi o primeiro desenho que ela viu, da Disney. E ela amou, e quis ve-lo repetidamente. E eu fiquei preocupada. Ai, li em algum lugar, ai péla web, num dos sites sobre desenvolvimento do bebe, que uma das formas das crianças lidarem com questões que pra elas são mais dificeis, é assistir repetidamente um desenho que tenha essa questão. E parei pra prestar atenção nas partes do desenho que ela mais se interessava. E fez sentido. E sabem, um dia, ela parou de pedir pra ver o desenho. E lidava melhor com a situação... (no caso, o dormir)

A verdade é que, depois que eu desencanei, ficou mais facil lidar coma televisão. Ela deixou de ser minha inimiga, e me ajudou inclusive a estabelecer uma rotina pra Rebeca.

Ate hoje eu explico pra ela que horas ela vai dormir usando os desenhos pra contar o tempo. (Depois do Mickey você vai dormir) E funciona.

Recentemente tive que me render a outra coisa dentro desse aspecto que eu não curtia. O Tal do patati Patata. Eu não gostava, achava chato, bobo, e não ensinava nada. Mas, a Rebeca conheceu na escola e começou a pedir pra assistir em casa.

Fui, mais uma vez, movida pela curiosidade e coloquei pra ela ver no youtube. E ela gostava tanto, que o Taz, que tambem não era fã da ideia e ainda por cima, coitado, tem medo de palhaços, se rendeu e comprou o DVD.

E sabem de uma coisa? Nem é tão ruim assim. E ensina mais coisas do que eu gostaria de ter que assumir. Mas ensina sim. No minimo, ensina as musicas, que podem parecer bobas pra mim, mas não sou eu que preciso de mensagens simples e curtas pra aprender a falar. Então, eles ensinam as musicas, aumentando o vocabulario, ajudando a criança a entender a cadencia das palavras de forma ludica. Ajuda na cordenação motora tambem,, com as danças que ela tenta imitar. ensina alguns valores simples, como tomar banho, escovar os dentes, comer bem. Mas mais do que tudo isso, ele cumpre o seu papel de entreter. A ela, não a mim.

E sabem o que a Rebeca fala quando esta pasando Patati Patata na tv e eu chamo ela pra subir?

"Tchau patati!" e corre pra cima de mim pra eu leva-la pra brincar.

deu pra entender o recado?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Foi você que ensinou!

No domingo, como contei, fomos visitar um amigo meu que ia aniversariar e sua familia. Foi um programa legal, mas aconteceu uma cena que não me sai da cabeça e eu precisava compartilhar com vocês:

O filho do meu amigo, um garoto bem ativo, nos auge dos seus tres anos de idade, estava inquieto no banco da praça de alimentação do shopping pois ele ja tinha terminado seu almoço. E brinca, e sobre aqui, e se mexe, e faz e vai. Normal. Ai ele começa uma conversa com a mãe dele sobre brinquedos, acho que perguntando com o que a Rebeca brincava, não tenho certeza. Ah isso, a mãe responde " de boneca" e ele repete e ela continua "mas você não brinca de boneca, boneca e brinquedo de menina."

Passa na minha cabeça automaticamente de que é dai que começa o preconceito, mas deixei passar, vamos ser sociaveis e não se meter na criação do filho dos outros

Ai ele fala de pipa, e pergunta pra mim se a Rebeca gosta de pipa. "Ao que eu respondo que sim, que ela gosta muito de pipa.

Ai ele mesmo fala "mas pipa e brincadeira de menino!"

E eu não me aguento e repsondo:

"Quem disse? Pipa e brincadeira de criança. independente de ser menino ou menina!"

A mãe dele, ja entra e continua na minha deixa "A sua tia brinca de pipa e ela e menina, lembra?"

Ai, meu amigo fala "nos tivemos que ensinar isso pra ele, brinquedo de meniono e de menina, pois ele estava indo brincar com as panelinhas e os rodinhos imitando a vó em casa, e as crianças estavam falando que ele era menina pois brincava com coisas de menina"

Eu, não aguentei, e falei
"Isso, perpetua mesmo o problema! Ao inves de explicar pra ele.as diferenças e falar que os outros meninos estão errados, não, você vai la e faz seu filho ficar igual a eles! Mostra memso que eles estavam certos!"

Ai, pra corrigir, ele tentou "Ah, quando ele tiver idade pra argumentar eu ensino pra ele, por enquanto e melhor assim, crianças são muito malvadas!"

Eu rebati "ele vai ter os argumentos que você der a ele, se você não tem nenhum, não faz diferença quantos anos ele tem!"

Acabou a conversa ai. Ele, sabiamente, não continuou, e nem eu.

Mas eu queria ter falado mais uma coisinha pra ele...

"Olha, quando ele for maior e não quiser arrumar o quarto nem lavar a louça e ajudar na casa e falar que não faz isso por que é homem e essas coisas são coisas de mulher, lembra disso ai e que foi você que ensinou, antes de brigar com ele, ta?"


Gente, não fui nem um pouco simpatica, e olha que o cara e meu amigo. MAs me incomodou muito. E impressionante que a gente ignora o fato de que e de pequnininho e desses exemplos que damos que vamos formar o carater dos nossos filhos. Ai, depois cresce, vira um machista, ou homofobico, e é preso espancando gente na rua e os pais juram que não sabem como isso aconteceu! (ta, exagerei, mas e essa a ideia né)

sábado, 28 de agosto de 2010

Semana com tempo seco e muito mal humor

Ola pessoas!

Tenho tido muita dificuldade de vir aqui postar. Meu laptop esta com problemas sérios, e fica desligando o tempo todo, sozinho, se precisa usar muita memoria ou esquenta demais. Acredito que uma das memorias dele queimou, o que faz com que a restante super aqueça e desligue para que não queime. vou levar o coitado ao concerto na proxima semana, pra pelo menos fazer um backup decente e possivelmente passar o coitado, quase falecido, pra frente, antes que ele de fato, bata as botas e me deixe na mão, sem as fotos da Beca, meus textos, etc. Hoje estou usando o laptop do Taz! :P

O tempo em São Paulo esta seco. Assim, seco mesmo!!! Hoje a umidade relativa do ar chegou em 12%, o que é quase um recorde historico, e foi o recorde do ano. (O recorde historico foi no ano passado, tambem nessa epoca). Claro que não vou nem me atrever a comparar com lugares como Brasilia, mas... Nossa, ta dificil!

Eu não tenho tido coragem de sair de casa, muito menos de levar a Beca pra qualquer lugar se não for extremamente necessario. Teriamos uma festa pra ir amanhã, mas não acredito que irei se a umidade continuar do jeito que esta.

Fico feliz da vida por meu pai, no ano passado, eu gravidissima, passando mal com o calor e o tempo seco, ter comprado um umidificador de ambientes pra mim. A conta de luz vai vir um absurdo inimaginavel, não e nem perto de ser ecologicamente correto, mas, nossa, experimentem ter um desses em casa nesses dias, e ai sim, me julguem!

No entanto, isso serviu pra mostrar que sim, o problema da Beca estar o tempo todo com o nariz entupido tinha a ver com isso sim. Ou seja, quase 100% de certeza de ser, ou vir a ser, uma rinite.

Desde que comecei a deixar o umidificador ligado, depois que o tratamento pra sinusite dela acabou, que ela nem espirrar mais espirra do jeito que fazia. Coitada... Me sinto culpada por cada cigarro que fumei na gravidez...

O problmea aqui, com ela, tem sido outro: pesadelos. Ela tem tido muitos pesadelos, por causa do dente. Acredito que tem pelo menos mais 3 dentes pra sair nos proximos 2 meses, seguidinhos. demorou, e agora virão todos de uma vez.

E com os dentes, vem os pesadelos, com os pesadelos, a mamãe aqui dorme pouco e mal. Com o tempo seco pra ajudar.... Ah, e sem ter conseguido comprar o remedio que eu deveria ter começado a tomar a uma semana atras... e, minha semana não esta sendo a melhor do mundo.

Mudando mas sem udar de assunto, acredito que tenhamos chegado no limite do aceitavel morar com os meus pais. E não por que é ruim, por mimimis motivos da vida. Mas por que a Beca chegou na fase de fazer manha e chorar quando é contrariada, ou quer alguma coisa. sabe aquelas crianças que deitam no chão e choram no mercado? É, ela esta no inicio da fase pra se tornar uma delas.

Quando eu planejava engravidar, no alto da minha estabilidade, tratamento e medicação, eu sabia (ai, como a gente esquece algumas coisas que fazem todo sentido quando se esta bem) que eu ficaria por volta de um ano depois de ter filhos na casa dos meus pais. Sabia que isso seria uma questão de segurança por causa da minha retomada do tratamento, pra poder receber ajuda que fosse necessaria nesse primeiro ano, e poder estar bem antes de voltar a morar sozinha.

Tambem sempre soube que, quando se chega na fase em que a criança vai testar todos os seus limites, com birras, manhas, choros, estar morando junto com os avós é uma tragedia e você vai estar fadado a falhar em algum dos seus papeis. e isso pode ser resolvido pura e simplesmente se mudando. Então, tinha por mim que no momento que meu filho/filha chegasse na marca de 1 ano e/ou começasse a fazer manha e entendesse quem faz o que, ou seja, com quem a manha vai funcionar, quando e como, eu teria que sair da casa dos meus pais.

Acho muito importante que cada um tenha seu papel. Acredito que avos devam sim ser responsaveis pelos mimos, aquelas coisas que os pais não deixam, devam ser permissivos, carinhosos, mas claramente serem os avos e terem menos autoridade no dia a dia que os pais.

Cabe aos pais educar a criança, ensinar limites, e ate quando eles podem ser quebrados, ou deixados de lado, e quando eles são irrefutaveis. Ensinar o sim e o não. Mostrar que carinho não é sinonimo de fazer tudo o que se quer. Que amar alguem é sim ser responsavel, e ser responsavel muitas vezes e negando a criança o que ela pede, quando ela pede. E os avos estão la, na visitas, nos fins de semana, nos domingos, pra mostrar que existem os dias, os momentos, que podemos deixar de lado essa rotina, essas regras, e apenas curtir o momento.

Tenho traumas serissimos da minha infancia. Acredito piamente que meus pais não faziam as coisas que fizeram, e eu considero erradas, por mal. Inclusive, tenho certeza disso, que eles não acreditam de fato que muiitas dessas coisas, sejam ruins ou responsaveis por muitos comportamentos que tenho ainda hoje, e me atrapalham e eles desgostam! Sei disso pois eles agem com a Rebeca exatamente do mesmo jeito.

E sabem de uma coisa? Isso é otimo!!!

Meus pais são pessoas fantasticas, unicas, com um coração enorme mesmo que as vezes eles mesmo o neguem, e tentem agir diferente. São carinhosos, cada qual a seu jeito, mesmo sendo geniosos.São dedicados e divertidos, e curtem muito muito cada nova descoberta. Eles me permitiram muitas coisas e me deram uma educação, que querendo ou não, me fez ser quem sou hoje, e acreditar nas coisas que acredito.

E eu sou uma pessoa maravilhosa! Com um coração enorme, muito muito amor pra dar, sem preconceitos, e muito inteligente, bem educada e com capacidade de discernimento tão alta que sou a primeira a perceber quando estou em crise e preciso de ajuda.

Não tenho medo de pedir ajuda. Sei que existe momento de ser orgulhoso, e o momento em que o orgulho é o unico empecilho para o sucesso.

De uma forma ou outra, e talvez ate sem querer, foram meus pais que me tornaram essa pessoa que sou e amo ser. Então acho otimo que eles ajam com a Rebeca como agiram comigo. Pois assim sei que ela terá a chance de ser uma pessoa tão boa e com todas as qualidades que gosto tanto em mim.

Mas morar com eles também significa dar a ela todos os lados ruins da minha criação tambem.

Quero que eles sejam essas pessoas otimas. e por isso, eu posso ser eu mesma, e fazer o que eu acredito, e inclusive errar fazendo isso. Pois sei que eles estarão la para ser pra ela ate mais do que foram pra mim. e eu serei pra ela tudo o que eles são, e mais.

Ela ja sabe que meus pais não fazem ela dormir. Que chorar e brigar faz com que eles a peguem no colo e deem ou devolvam a ela o que ela quer. E eu quero, inclusive, incentivar isso, por um lado. E confuso pra mim, e se e confuso pra mim significa 2 coisas pra Rebeca: confusão e oportunidade.

Eu vejo, todos os dias, como e mais facil fazer o que ela quer, dar o que ela pede. Mas e bem isso, e mais facil. Não e, nem de perto, o melhor. So que agora ela esta testando o mecanismo da birra, da manha. Ela não tem toda aquela malicia, não. No caso dela e pura ciencia, ação e reação, testes e mais teste de condicionamento. Ah, e sem esse pensamento critico, claro. Tem apenas a ver com repetição de um comportamento que funciona para se alcançar determinado objetivo, e as diversas aplicações que poder ter.

Agora vejam a cena:

São 19h45, estou dando jantar pra Rebeca. Faço isso da forma mais errada e mais facil possivel - em frente a tv. Ela come a sopinha com facilidade pois alem da tv e um sabor que ela gosta. A comida na frente da tv foi uma briga que perdi, assim como as sopinhas prontas e sem pedaços. Minha mãe precisava de uma tecnica que ela poderia dar comida pra Rebeca sem que a bebe fizesse muita onda e desse muito trabalho. Minha mãe não e o exemplo de paciencia, mas o historico familiar deixo pra outro post.

20h ela termnou o jantar. Meu pai fica com ela enquanto eu janto. Minha cabeça doi muito, meu corpo tambem, e o cansaço e enorme. Janto, descanço por 10 minutos, e volto. 20h30, acaba o desenho que a Rebeca gosta, hora de dormir, e ela sabe disso.

Ai, minha mãe que é quem da banho nela de dia de semana, acha que ela não esta com sono e devemos esperar mais tempo de digestão. Eu, no estado que estava, aceito. Mas, 10 minutos depois ela coça os olhos e boceja. Otimo, banho! chamo minha mae, que fica com ela no colo enquanto conversamos.

Então, estendo os braços pra pega-la de volta, dizendo "vamos tomar banho!" Ela se vira abraça minha mãe, faz cara de coitadinha, e espera que deixem ela ali, acordada, brincando. olha pra mim safadamente e faz gracinhas. E cada vez que tento pega-la ela gruda na minha mãe, choraminga, faz aquela cara irresistivel dos bebes quando choram, e minha mãe que diz "Di, ela não quer dormir.... deixa ela!"

Ainda não cedi. Mas logo logo a Beca vai se aproximar da gente com isso, e usar essa diferença de opinião contra nos. Então... Hora de dar no pé.

Por que 21h e hora de dormir. Mas na casa da vovó pode!
bjs, bom fim de semana!