Mostrando que não deve ser tão diferente ser mãe quando se é ou não bipolar, por que toda mãe tem o seu ladinho insano quando se trata de cuidar do filho. Esse blog tem o objetivo de narrar a experiencia de uma mãe que tem de enfrentar essa fase da vida com a duvida constante, o medo, de como, quando e quanto, sua bipolaridade pode afetar a vida de sua filha. Lidando com a linha tênue entre "normal" e "anormal"...
De mãe e louco todas temos um pouco
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
sábado, 6 de julho de 2024
Sobre transtorno bipolar e filhos
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
Enfim 2022
Estamos em Fevereiro e para mim o ano começa agora. Quer dizer, não que ele não tivesse começado, mas é que Janeiro é pra mim sempre um mês muito tenso, muito difícil, onde o resto do ano é organizado e planejado e esse ano, mais que outros, isso me afetou profundamente.
Além disso Janeiro marca o rebote do mês de dezembro, e dezembro é um mês que eu costumo estar num estado de hipomania devido as festas, ver a familia, comprar presentes e etc.
Esse ano a depressão chegou mais cedo pra mim e apesar de ter tido bons momentos especialmente no começo de Dezembro, as festas de fim de ano já estavam manchadas por essa melancolia e cansaço e um bom tanto de desespero. Não consegui aproveitar meu Natal, tive um bom Ano Novo, mas dia 02 em diante minha rotina contou com a depressão constante, brigas em casa, medo e frustração e muito desespero. A sensação de ver tudo que eu havia planejado indo por água abaixo.
Mas a vida é assim, certo? Ela nem sempre funciona como planejamos. Viver significa muitas vezes ser capaz de respirar fundo e se adaptar a uma realidade diferente e tentar encontrar soluções criativas.
Apesar de todo esse sentimento negativo - não, ele não foi embora porque trocamos de mês, claro que não - eu tenho hoje em mim uma certeza de proposito muito grande.
Hoje em dia eu tenho um trabalho que amo e estou buscando aprender, estudar e me desenvolver como profissional na carreira que sempre quis. Eu sinto que estou no caminho certo, que estou fazendo as coisas certas, e que tudo que preciso é de um pouco de estabilidade e paz de espirito para continuar correndo atrás de algo que eu sei que vai dar certo. Eu preciso de espaço e de tempo. Mas eu sei o que eu estou fazendo.
E isso é muito raro.
Fevereiro é pra mim quando o ano começa pois é quando consigo estabalecer uma rotina. É quando o pior do rebote ja passou e eu ja consigo vislumbrar pra onde ir e como chegar lá.
Tem muita coisa pra se resolver. Nada vai ser como eu tinha imaginado. Mas é hora de imaginar algo novo.
Vem comigo?
segunda-feira, 5 de julho de 2021
Aquele sobre ser bipolar e mãe
Olá, eu sou a Di. Caso você tenha chegado por aqui agora e ainda não me conheça.
Eu sou mãe da Rebeca, uma menina maravilhosa de 11 anos.
E eu sou bipolar.
Desse tipo diagnosticado mesmo. Com CID e tudo.
Pra quem quiser saber mais da minha história, eu vou recomendar ler uma série de posts que tenho contando um pouco do começo da minha trajetória. Eles chamam "A minha história". Da uma busca no blog. 😉
Por agora o resumo é que sou diagnosticada desde os 13 anos de idade, comecei o tratamento em 2004 aos 22 e levei e levo ele muito a sério por um objetivo muito claro: eu descobri que eu queria ser mãe. E eu entendia o que eu precisava fazer para alcançar esse sonho e me tornar a mãe que eu queria ser.
Depois de 5 anos de tratamento até alcançar a estabilidade eu realizei esse desejo e conquistei o direito de ter minha Rebeca.
E durante 10 anos eu me dediquei a ser a melhor mãe que eu podia ser.
O resultado disso foi uma filha saudável, companheira, amiga, empática, preocupada com o mundo ao seu redor, crítica, bem educada e que entrou na pré adolescência pronta pra começar a se virar sozinha e dar os próximos passos.
E no momento que ela já não precisa da minha dedicação integral 24h/7dias da semana, eu me vi em águas misteriosas, podendo voltar meus olhos para mim mesma novamente.
Isso trouxe uma onda de coisas boas mesmo em meio a uma Pandemia. Trouxe muita instabilidade emocional também pra eu ter que navegar, mas nada que não seja possível de lidar.
Ao longo desse meu caminho eu tive a sorte de ser uma pessoa muito consciente. Por ter convivido desde a infância com minha mãe com Transtorno de Pânico e entender isso como uma doença com tratamento e capaz de ser vencida - eu vi isso! - quando eu me vi em uma crise que parecia sem volta eu fui capaz de parar, entender o que estava acontecendo comigo, e buscar ajuda médica.
Foi iniciativa minha. No meio de uma crise depressiva. Um momento de lucidez no meio de uma tempestade.
Com o blog eu tive a chance de conhecer, e espero que ajudar, muitas pessoas que de repente se viram com esse diagnóstico cheio de tabus e precisavam de um apoio e de um exemplo que era possível ter uma vida boa, útil, feliz, e que não precisavam abandonar seus sonhos, muitas vezes de ter uma família.
No máximo teriam que desacelerar, respirar, aprender novas formas. Mas que um diagnóstico não é uma sentença.
E ser bipolar não define quem somos. É apenas mais uma das nossas características. E podemos conviver com isso.
Eu não escrevo mais com tanta frequência. Minha vida anda bem corrida e disso eu não tenho do que reclamar. Tenho vivido um segundo sonho.
Mas sinta-se a vontade para vasculhar nos arquivos daqui do blog. Pode ser que você encontre algo que se assemelhe ao que está vivendo agora. Talvez algo que te dê uma luz, ou uma mão.
E continue por aqui. Ainda vamos nos ver muito nessa viagem.
Boa semana pra vocês!
sexta-feira, 11 de junho de 2021
Sobre 2021 e o segundo ano da pandemia
A Pandemia me pegou em cheio esse ano. Minha vida tem sido uma série de instabilidades que eu não sentia ha anos. Mesmo assim sinto que não posso reclamar muito: muita coisa boa esta acontecendo na minha vida. Muita mesmo.
Mas a bipolaridade e a depressão nem sempre fazem muito sentido, não é mesmo?
Passei os primeiros meses de 2021 numa depressão que variava de forte para média. Tenho tentado trabalhar isso e naveegar por essas águas. Tenho sucesso sim, mas ainda tem muitas ondas nesse oceano.
O que tem me ajudado muito é o trabalho. Por mais que ainda seja um trabalho não remunerado, é verdade, e isso seja um problema bem sério, eu estou trabalhando exatamente com o que eu amo fazer: eu escrevo. Eu cuido. Eu organizo.
Pra quem chegou agora, eu, junto com meu companheiro e um grande amigo, tenho um Canal no Youtube chamado Onde Esta Minha Mente (só clicar em cima pra ir conhecer). É um canal de filmes e ´series interativos, onde o espectador pode escolher os rumos da história clicando em opções que aparecem na tela no final de cada bloco, escolhendo o final da história. É uma mistura de curta-metragem e jogo de RPG.
Eu sou roteirista e produtora do Canal. Nós iniciamos no ano passado, de forma timida, e ainda estamos nos ajustando, mas o fato é que isso me deu mais que um trabalho, me deu um rumo!
Eu sempre quis viver de escrever. Sempre. Desde que aprendi a escrever aos 7 anos de idade eu sabia que era isso que eu queria fazer da minha vida. Mas até hoje, e eu tenho agora 39 anos, eu nunca havia me permitido me dedicar a isso por causa da tal história de "você precisa primeiro ser capaz de se sustentar sozinha" e etc.
Pois ai veio uma pandemia e não poder sair de casa e ter que sentar e esperar a coisa toda passar de repente, pra mim, foi a oportunidade que faltava. Se eu não poderia fazer as tais coisas uteis, eu finalmente poderia me dedicar a isso sem culpa.
E ai meu amigo me trouxe a ideia do canal e sugeriu que eu escrevesse um roteiro. Eu aceitei sem saber o que eu estava fazendo, eu nunca tinha feito um roteiro na vida, mas parecia divertido.
E um roteiro de um video virou o roteiro de uma minisserie. E quando nós fomos gravar... Quando eu vi o que eu tinha escrito criando vida e se transformando na minha frente.... Eu soube:
É isso que eu quero pra minha vida.
E eu não tinha tanta certeza de algo desde que eu decidi que eu queria ter filhos. Desde que eu quis ter a Rebeca.
É isso que eu quero pra minha vida.
De lá pra cá escrevi muito mais, gravamos vários outros filmes que estão sendo preparados para lançar no Canal do Onde Esta Minha Mente, mas eu também fui atrpas de aprender de verdade esse oficio. Tenho feito cursos, lido, tenho planos de voltar pra faculdade e fazer uma nova graduação na área.
Tenho planos.
Tenho sonhos.
Tenho algo meu e que me faz sentir eu mesma de novo.
Mas ai tem a tal da bipolaridade pra lidar. E a pandemia. E as responsabilidades.
Só que eu tenho tanta certeza do que eu estou fazendo que nada disso tira meu foco. Então eu vou atrás de como lidar com tudo isso, como equilibrar as coisas, como me equilibrar.
Retomei com minha antiga psiquiatra. Vou ajustar minha medicação. Assim que possível retomo a terapia. Tenho uma boa rede de apoio, não me escondo, aceito e procuro ajuda. Encontro essa ajuda as vezes de onde não espero.
Tenho a Rebeca. Ela é meu norte, minha motivação, minha companhia, minha principal motivadora. Ela ouve e le minhas histórias antes que todos os outros. Ela senta e fica comigo, e já pediu para acordar mais cedo para poder escrver comigo ants da aula. Ela se torna cada vez mais independente e tem cada vez mais sua proria vida e seu prorprio mundo me dando espaço e me mostrando que eu posso sim me concentrar em mim e nos meus sonhos. Pois ela esta ali pra caminhar comigo.
Tem dias que eu mal consigo levantar da cama. Sinto muita vontade de chorar, muitas vezes, quase todos os dias. Tenho crises de ansiedade frequentes, as vezes com gatilho, as vezes por nada.
Não leio muito as notícias. Mas não me permito me alienar também.
Espero que essas tempestade no mundo passe e possamos todos chegar salvos a praia. Hoje, navegamos em águas misteriosas.
Por sorte eu encontrei um mapa e uma bussúla para me ajudar a seguir navegando.
Aproveite e conheça o Canal: "Onde Esta Minha Mente"
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Porque eu (quase) nunca grito
Aviso de Gatilho - alguns assuntos abordados podem servir de gatilho para pessoas em momento de fragilidade.
2021 não começou fácil pra mim. Me sentindo deprimida e sobrecarregada, problemas financeiros, com a família, o trabalho não indo pra frente porque todos estão passando por algum processo pessoal que demanda atenção e tempo. Já bastante fragilizada, acabei entrando em uma discussão em que algo aconteceu que simplesmente me devastou por dias.
Eu tive que gritar.
Eu não grito. Eu posso, numa discussão, levantar a voz, mas isso é diferente de gritar. De perder o controle. Eu não grito.
E existe um motivo para que eu evite discussões e, especialmente, gritar a quase qualquer custo. E é sobre isso que quero falar.
Eu conversei com um amigo sobre o que havia ocorrido e enquanto ele me confortava ele perguntou porque eu fazia isso. Porque eu me segurava tanto. Porque eu aguentava situações que mereciam um grande "Vai tomar no C..." em silencio, ou me controlando. Se as vezes eu não deveria me dar o direito de não me controlar.
E eu pensei, e tentei explicar.
Em 2002, 2003, quando eu tive a minha maior crise que me levou a ser internada, foi um momento da minha vida que eu não tinha nenhum controle das minhas emoções. Tudo era demais, intenso demais, forte demais, dolorido demais. Eu sentia uma dor dentro de mim que eu não sou capaz de descrever. Uma vez eu me referi a ela como "uma dor na alma" e já ouvi essa descrição de outras pesssoas.
Era insuportavel. Eu me sentia presa naquela dor. Eu sentia a necessidade de me machucar fisicamente para tentar colocar pra fora de mim a dor que eu sentia por dentro. E quando eu perdia o controle, naquele momento, tudo aquilo, toda aquela dor, me dominava, eu tremia, chorava, e sentia que não podia suportar aquilo tudo.
Mas eu faço tratamento desde então e eu nunca mais tive uma crise igual a essa. Mesmo. Tive outras crises mas nunca mais cheguei tão fundo.
Mas tem esse porém.
Eu vivo me controlando o tempo todo. O tempo todo. Existe esse fantasma que me segue e com o qual eu convivo todos os dias de saber que um dia isso pode sim acontecer de novo. E me controlar foi o meu jeito de aprender a lidar com as crises mais leves que vieram e administrar meus sentimentos de novo.
Mas discutir é uma coisa complicada, né? Como discutir sem sentir a emoção ficar mais forte? Sem se exaltar?
Pois eu tento. Muitas vezes consigo. Mas é um exercício. E determinação.
E eu não grito.
Porque quando eu grito, se eu cheguei em um ponto da discussão em que eu acho que eu preciso gritar - muitas vezes não para agredir, mas na tentativa de chamar a atenção da outra pessoa, dar um susto, de forma que a pessoa preste atenção em mim e volte a me ouvir - essa intensidade me leva de volta aquela dor. Aquela intensidade que eu sentia antes do tratamento. Eu sinto a dor correr o meu corpo denovo durante os minutos que eu me permito gritar e sentir isso.
Doi. Doi muito. Eu começo a tremer, eu sinto que perco o controle do meu corpo, de mim mesma. E doi.
E uma das coisas que eu sinto, hoje, que me mantém, é que eu me amo muito. Eu amo muito a minha vida. E ninguém merece a minha dor.
Ninguém merece a minha dor.
Então eu não vou dar isso de graça a qualquer um. Me custa tanto, me custa demais. E eu não vou ceder a minha integridade pra quem não merece 1/10 de mim.
Ninguém merece a minha dor.
E ter conseguido externar esse sentimento, essa certeza, foi algo... Libertador.
Eu me sinto mais em paz comigo mesma de ter consciencia disso. De ter conseguido racionalizar e explicar e poder falar sobre isso, hoje, quase 20 anos depois.
Acho que é uma mensagem importante: Se ame. Se ame muito. Se priorize. Seja a pessoa mais importante na sua vida. Você merece o seu proprio bem.
Ninguém merece a minha dor porque EU mereço o melhor de mim.
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Aquele sobre o aniversário de 11 anos
Rebeca completou 11 anos em um Brasil em quarentena. Um lugar que, apesar das flexibilizações duvidosas país afora, as pessoas permanecem tendo de ficar o áximo possível em suas casas, se protegendo e protegendo os outros de uma doença perigosa, sem cura.
As vezes banalizamos para poder continuar vivendo sem estar em pânico constantemente, mas a verdade é que a Epidemia não acabou e continua matando quase mil pessoas todos os dias.
E nesse cenário de incertezas e medo, Rebeca fez 11 anos.
Muito mais do que uma mudança de um número, eu acho que ela não percebeu as mudanças que aconteceram com ela durante esse ano. Ela era uma criança de 10 anos, no aniverário do ano passado quando ainda me pediu para ganhar um boneca, das caras, de presente de aniversário.
Esse ano nós vamos pintar o cabelo dela de colorido como presente de aniversário.
E como se comemora aniversário em meio a quarentena? Com parabéns virtual? Sim, claro!
Mas eu achava que era pouco.
Eu queria fazer o aniversário dela ser especial, memorável, divertido!
Rebeca gosta de festas grandes, preparar as festas, monstar lembrancinhas. O que poderia suprir esse gosto?
Decidi que iríamos viajar.
Pedi a uma prima minha que tem casa na praia se ela poderia nos emprestar a casa dela por alguns dias para comemorar o aniversário da Rebeca, Conversei com ela com mais de um mês de antecedência para ter certeza que daria certo e que fosse no dia mais proximo possivel do aniversário da Beca.
Minha prima concordou. Nos organizamos e ela conseguiu que nós fossemos passar 5 dias exatamente no intervalo que aconteceria o aniversário da Rebeca. estaríamos na praia no dia certo!
Comecei então a organizar as coisas.
Eu queria que ela tivesse contato com outras crianças. Conversei com dois casis de amigos meus proximos e com quem nós temos convivido durante a quarentena por motivos de trabalho e saúde mental cujos filhos são amigos da Rebeca para que eu pudesse levar as crianças na viagem.
Com isso em mente, tentei fazer com que eles se sentissem seguros de deixar as crianças comigo e planejei a viagem para que meus pais pudessem ir conosco alguns dias e os amigos da Rebeca em outros, assim ela teria um pouco de cada coisa.
Arrumei também para que a irmã dela pudesse ir junto. Convidei um amigo meu que esta trabalhando conosco e esta sempre aqui em casa para nos acompanhar, assim poderiamos ir com dois carros pois ele poderia nos auxiliar sendo um dos motoristas.
Semanas passam e meus amigos não me dão a resposta definitiva sobre as crianças. Meus pais estão com duvidas pois minha mãe tem muita dificuldade de sair de casa. Eu sigo organizando a viagem conforme posso, contando com a presença deles.
Eis que 3 dias antes de irmos viajar um dos meus amigo dias que não vão poder. Duas das tres crianças que eu tinha convidado estavam ali deixando de participar.
No dia seguinte disso meus pais dizem que não vão também. Minha mãe não esta confiante o suficiente.
1 dia antes da viagem eu sinto como se tudo estivesse dando errado. Fico pessima. Peço ajuda para lidar com a frustração. Recebo a ajuda. Recupero o folego. Bola pra frente e vamos em frente!
E fomos
E foi ótimo! Foi uma viagem deliciosa! Apesar de não irmos realmente até a praia em si para não nos arriscar com COVID nem nada, a casa tinha piscina. OS dias estavam muito quentes e ensolarados e pudemos aproveitar bastante a água, os dias na rede, passar a noite jogando jogos. Relaxar e apenas curtir o momento.
NO dia do aniversário propriamente dito nós cantamos parabéns e cortamos o bolo que eu havia feito e levado para a ocasião, do jeito que ela pediu. Fizemos o parabéns virtual com meus pais e minha irmã.
Meu amigo que nos acompanhou é fotógrafo, levou a camera, e nos presenteou com um registro cuidadoso e delicado de um aniversário fora do normal.
Mas tudo que sobre, desce, não é mesmo?
No sábado, ainda na casa de praia, o dia amanheceu chuvoso e frio, Todos cansados dos dias anteriores, cada um se fechou em seu mundo. Baixas de humor. Uma crise.
E então que ela veio. Uma crise forte, certeira, avassaladora.
Eu sabia que eu ia ter um rebote devido a ansiedade de ter preparado a viagem. Eu me dediquei muito e dei muita importância e estava muito preocupada para que o aniversário da Rebeca fosse tudo de melhor que eu pudesse fazer. E isso sempr tem uma consequência.
Mas eu estava esperando a consequencia quando voltasse para casa, não no meio da viagem.
Passei o dia entre o lá e o cá, brigando com o sentimento dentro de mim. Perdi. Em determinada hora apenas pedi que o Taz assumisse o cuidado com as crianças e me deixasse tentar descansar. Eu tinha esperanças de que, se eu conseguisse dormir, o sentimento fosse embora.
Mas ela veio. A dor. Uma dor de proporções que eu não sentia há mais de 10 anos. Um sentimento de vazio, de inadequação. De solidão. De abandono. Uma dor dentro de mim, uma dor na alma, que tentava me convencer que eu não tinha valor nenhum, que eu era fraca, que tudo que eu tinha ali era por pena. Que no fim eu estav sozinha, sempre. Que eu iria perder tudo que eu achava que tinha conquistado. Que nada daquela felicidade do dia anterior iria permanecer...
Eu chorei copiosamente deitada na cama por mais de uma hora. Entre ondas de choro e alguns poucos minutos de calma eu tentava me levantar para pedir ajuda, para pedir companhia e não conseguia me mexer.
Quando depois dessa 1h hora, ainda em crise e chorando, percebi que talvez eu finalmente conseguiria levantar eu ainda consegui pensar que não queria que Rebeca ou meu sobrinho me vissem assim, não queria assusta-los. Então eu não podia chamar o Taz. Eu precisava que ele continuasse com as crianças.
Então levantei e fui até o quarto mais perto, onde meu amigo e minha entenada estavam cochilando e gritando, batendo a porta, implorei por ajuda. O tom que usei foi o de uma briga. Foi um grito, uma bronca. Foi a única forma que consegui fazer as palavras saírem da minha boca. Eu brigava não com eles mas com a dor dentro de mim que me sufocava.
Por sorte meu amigo entendeu e sem questionar apenas levantou e veio a minha ajuda. E ficou comigo, no quarto até que eu conseguisse me acalmar, falando comigo e me dando carinho.
Foi importante e necessário e serei grata sempre.
Naquela noite fui deitar cedo para deixar que tudo passasse, que o dia acabasse.
Acordei um pouco melhor no dia seguinte. Domingo. Dia de voltar para casa.
A viagem de volta foi boa. Lenta, por causa d echuva e neblina. Boa.
Demorei mais alguns dias para conseguir voltar ao normal. Não me culpei. Não fui culpada.
Olho para esse dias com muito carinho. Mesmo tendo tido essa crise tão forte eu não acredito que ela tenha estragado nada do que foi. Tivemos momentos maravilhosos, divertidos, e o mais impotante de tudo é que Rebeca ficou feliz com o aniversário dela. Ela se divertiu.
Eu alcancei o meu objetivo de dar a ela dias especiais para que ela lembrasse desse aniversário com carinho.
No meio de tantas coisas, eu recebi muito amor. Muita ajuda.
E se tem algo que eu quero lembrar desses dias é desse carinho.
Quero guardar na memória o amor.
Rebeca agora tem 11 anos.
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Setembro Amarelo - Sobre como eu comecei meu tratamento
O Setembro Amarelo é uma iniciativa de ações para aumentar a consciência e as politicas e cuidados em prevenção ao suicidio.
Eu já contei aqui antes sobre partes da minha vida. Sobre como fui diagnosticada pela primeira vez muito cedo, ou de como decidi que queria ser mãe e como o tratamento correto me permitiu fazer isso.
Depois de pensar a respeito por algum tempo eu achei que contar um pouco sobre a crise que me levou a finalmente buscar tratamento de verdade, antes de eu pensar que queria ser mãe, era importante. Especialmente durante o Setembro Amarelo.
Apesar de ter tido meu primeiro diagnóstico muito cedo, aos 13 anos, como PMD - Psicose Maniaco Depressiva - que era como o Transtorno Bipolar era chamado na época. (Sim, faz bastante tempo!) eu só comecei a me tratar de verdade aos 21 anos. Durante toda minha adolescência eu encarava minhas mudanças de humor como parte de quem eu era, como parte da minha personalidade. Muitas vezes como falhas - como a dificuldade de terminar o que eu começava, por exemplo, ou minha insônia e incapacidade de dormir e acordar cedo. - e coisas de adolescente.
Em 2002 algo acontceu que mudou muito minha vida. Minha avó por parte de pai, Angelina, morreu um dia antes do aniversário do meu pai. Na época eu trabalhava fazendo clipagem - uma coisa que não existe mais hoje em dia - e acordava as 4h da manhã para trabalhar. Minha vó tinha cancer de pancreas e todos sabiamos que ela não tinha muito tempo. Naquele dia, as 5h da manhã enquanto eu trabalhava, o telefone tocou e eu atendi. Minha tia, com a voz embargada, me pede para dizer ao meu pai que minha avó falecera.
Ainda hoje eu choro ao lembrar disso.
Eu, chocada, meio desesperada, ouço meu pai descendo as escadas da casa, e chamo ele quase gritando. Digo para minha tia, sem saber o que fazer, para ela contar a ele. Ele vem rapido para o meu lado, preocupado, pergunta o que aconteceu. Eu, já em prantos, entrego o telefone e digo "é a vó".
Dali em diante algo mudou.
No fim de semana anterior meu pai havia ido ver minha vó, se despedir, e me chamou para ir junto. Ele disse: "Di, vamos ver sua avó. Ela não tem muito tempo..." ou algo assim. Era um domingo de manhã, eu havia dormido depois de amanhecer e não queria acordar e sair e respondi: "não, hoje não, eu vou na semana que vem..."
Só que a semana que vem nunca chegou. E eu não conseguia lidar com a culpa.
A partir dai eu comecei a ter crises de depressão e mania cada vez mais frequentes. Eu ciclava com muita rapidez. Saia todos os fins de semana, bebia muito.
Por mais que coisas boas tenham acontecido naquela época, a forma como eu lidei com essas coisas foi totalmente norteada pela crise profunda que eu estava. Tudo era muito intenso, tudo era muito forte, confuso.
Naquele ano nós tivemos nosso primeiro relacionamento poliamoroso, ou era assim que eu entendia. Saimos da casa dos meus pais para morar juntos exatamente quando eu perdi meu emprego. Ao mesmo tempo que as coisas pareciam ótimas as crises iam piorando. O relacionamento se deteriorava junto comigo e isso fez com que a maioria das pessoas entendesse que era o relacionamento que me fazia adoecer e não o contrário. Na época não entendiamos o que estava acontecendo.
Depois de quase um ano da morte da minha avó eu estava no fundo do poço. A dor que eu sentia dentro de mim era insuportável. Eu tinha episodios de auto flagelo que eu não tinha desde os 13 anos. Eu não conseguia dormir, passava 72h acordada para dormir 4h e depois passar mais 72h acordada. A velocidade dos meus pensamentos era tâo grande que eu mesma não conseguia acompanhar e ter uma linha de raciocinio logico, terminar um pensamento sem entrar com outro no meio. Sentia que no trabalho eu era a unica capaz de resolver problemas que existiam há anos, de forma simples, por que eu era capaz de pensar coisas que ninguém havia pensado antes. Fazia planos mirabolantes para tudo ao mesmo tempo que a dor me dominava e eu chorava por horas. Com medo do relacionamento acabar, porque eu sabia que estava quase impossivel de conviver comigo, eu tinha discussões e mais discussões, suplicava para não ficar sozinha.
Até que em algum momento, num dia igual qualquer outro, eu consegui dormir um pouco mais. E quando acordei, com a mente mais clara do que havia estado no ultimo ano inteiro, eu tive um insight. Eu entendi o que estava acontecendo comigo.
Durante toda a minha infância eu convivi com a minha mãe, primeiro com crises devido a sindrome de panico, e depois com ela em tratamento e melhorando. Eu sabia que eu tinha esse diagnostico desde pequena, eu apenas não havia dado bola pra ele. Mas naquele dia, naquela manhã, eu entendi que tudo aquilo que eu sentia, toda a dor, toda a angustia, toda a agitação, tudo, eram sintomas de uma doença. E que se era uma doença então ela tinha tratamento. Eu entendi que eu poderia ficar bem, que eu podia não sentir tudo aquilo. Eu entendi que eu podia ficar bem...
Eu liguei para os meus pais e pedi que eles averiguassem no livro de referência do meu convênio que eu havia deixado na casa deles o telefone de um psiquiatra. Expliquei o que estava acontecendo, que eu sabia que estava doente e que eu precisava de ajuda, Eles prontamente me ajudaram, me arranjaram o telefone e eu marquei a primeira consulta.
Não foi um começo fácil.
A psiquiatra era muito competente, referência em tratamento de transtornos afetivos fui saber depois, e ela teve muito cuidado antes de fechar o diagnostico.
O que eu aprendi desde ali é que quando chegamos ao psiquiatra pela primeira vez, geralmente em crise, eles fazem uma avaliação durante algumas consultas onde eles analisam não apenas o que falamos, mas como nos comportamos e qual a reação que temos com a medicação inicial que eles passam. Ela trabalhou com algumas hipoteses de diagnostico até fechar com o Transtorno Afetivo Bipolar, ou Transtorno Bipolar de Humor. Na época eu apresentava um quadro de neurose e ansiedade também.
O tratamento começou, começamos testando alguns medicamentos. O importante, inicialmente, ela dizia ser retomar meu sono. Eu precisava dormir. Mas mesmo com a medicação eu não conseguia.
E o cansaço me dominava. E por consequência o desespero.
Eu cheguei a usar maconha como forma de relaxamento para ver se isso me ajudava a dormir. Deixei de usar quando vi que nem isso funcionava.
Com os remédios na minha mão, e com tudo a minha volta ruindo, tudo que eu queria era poder descansar. E fazer as pessoas a minha volta pararem de sofrer por minha causa.
Eu comecei a sair de casa para escrever e respirar. Ia para a padaria perto e ficava lá por horas, sem vontade de voltar para casa. A noite, na hora de dormir, eu exagerava nas doses da medicação para ver se isso me faria dormir por mais tempo e eu finalmente poder descansar.
Até que eu comecei a não sentir nada. Apenas cansaço. Eu só queria descansar.
Nesse dia eu tinha consulta com a psiquiatra. Eu relatei tudo isso para ela. E, melhor do que eu, ela entendeu para onde aquele caminho estava me levando.
E ela pediu a minha internação.
Eu concordei. Eu entendia que estava doente e eu confiava nela. Mas quando ela disse: "Traga seus pais amanhã, vou explicar para eles, e vamos internar você essa semana" eu disse que não "não, essa semana não, eu tenho muitas coisas pra fazer ainda". Ela disse "não é assim que funciona, Adriana. Você pode fazer tudo depois. Agora você precisa se tratar".
E, sabem de uma coisa?
Ela tinha razão.
Eu levei meus pais, meu namorido, e todos entenderam o que precisava ser feito e o que iria acontecer se eu não fosse internada naquele momento.
Eu passei 14 dias no hospital. A maior parte do tempo eu dormi. Eu tomei doses altíssimas de remédio, controladamente, para que eu dormisse o maximo de tempo possível.
Todos os dias a medica ia me ver, assim como meu psicólogo, e ela me questionava sobre como eu me sentia. Especialmente se os pensamentos de morte haviam desaparecido.
Nos primeiros dias eu nem entendia a pergunta direito. Eu achava estranho, porque eu só queria descansar. Mas conforme os dias passavam e eu dormia mais e meus pensamentos ficavam mais claros, eu entendia porque ela havia me internado.
Ela tinha visto o risco que eu estava, silenciosamente, me colocando. Ela tinha experiência para ver o que esses sentimentos de cansaço, de culpa, de desespero, de inadequação, iriam me levar.
Eu acho, olhando hoje, que ela tinha razão.
Mas ela me resgatou. Me internou num momento que sozinha eu não era capaz de sair daquele buraco escuro. E isso foi a luz que eu precisava.
Eu sai do hospital direto de volta para a casa dos meus pais. Na época eu não sabia, mas eu continuava internada em internação domiciliar. Eles eram responsáveis por mim. Eu não podia ter acesso a minha própria medicação, eles eram responsaveis por me dar cada remedio nos horarios corretos, garantir que eu tomava todos, que eu dormia, e que iria em todas as consultas com a psiquiatra, a cada 15 dias, e no terapeuta semanalmente.
Foram mais 6 meses assim. Eu lembro de flashes dessa época. Lembro que eu tive que reaprender a sentir cada sentimento de novo. Tive que redescovrir quem eu era.
Mas essa parte da história fica pra outro dia. Por que, a parte mais importante, e eu preciso que você entenda isso, é:
Eu estou aqui. Eu estou bem. Eu tenho uma vida boa, feliz, e satisfatória.
Eu não estou curada. Eu continuo e sempre terei Transtorno Bipolar. Isso é uma das minhas caracteristicas, uma das partes de quem eu sou. Eu tenho muitas limitações. MAS EU ESTOU AQUI.
Eu tenho algumas oscilações de humor. Mas eu nunca mais tive uma crise tão profunda como essa de 17 anos atrás. Há 17 anos eu fui resgatada de mim mesma. Eu procurei ajuda e eu recebi a ajuda que eu precisava. E por mais dificil que tenha sido, por mais percalços que eu tenha tido no caminho, não desistir do tratamento, persisitir, me permitiu chegar aqui e contar que sim, é possível.
A dor pode passar. Procure ajuda. Consulte um medico, procure fazer terapia com um psicologo, peça ajuda as pessoas ao seu redor que se dispuserem a ajudar. Insista no tratamento. O começo é dificil, demora um pouco para encontrar o seu caminho. Mas é possivel!
Não desista. Você não esta sozinho. E o que eu posso fazer é contar a minha história e esperar que, tendo um exemplo, você possa encontrar a força de buscar a ajuda médica que precisa. Ajuda profissional.
Vou deixar aqui duas informações importantes, o telefone do CVV - Centro de Valorização da Vida, grupo de auxilio e atendimento, e o site da ABRATA - Associação Brasileira de Transtornos Afetivos, onde você encontra informações, e acolhimento a portadores e familiares de transtornos afetivos:
CVV: - disque 188
ABRATA: http://www.abrata.org.br/
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
Uma pausa pro café...
As vezes nossa vida parece que nos coloca num turbilhão. São emoções que por vezes não conseguimos conter, que nos paralisam, nos corroem, tornam a convivência algo quase impossível. Seja para nos dar o tempo que precisamos para nos curar, seja para nos proteger e proteger os outros de algo que não podemos evitar, o tempo é muitas vezes nosso maior aliado.
Saber respeitar seu tempo, e o dos outros, dentro do que é possível no dia a dia, é um exercício consciente.
Saber que não se está sozinho e que outros talvez se sintam como você nesse momento pode pelo menos mostrar que todos temos nossos monstros para lidar.
E não precisamos lidar com eles sozinhos.
Cada um sabe o momento que estar junto é possível. É necessário.
Se você está por aí, saiba: quando conseguir eu estarei aqui pra você.
E vamos tomar esse café juntos...
Por agora, senta, sente o aroma e toma um café quente. Com muito açúcar, pois como diria o Sábio: não existe açúcar demais.
Apenas sinta o perfume das flores e deixe o tempo passar.
Tudo passa. A tempestade também vai passar.
quarta-feira, 29 de julho de 2020
Sobre projetos, planos, e como me perco facil...
Com a quarentena Taz não pode ir trabalhar. Ele trabalhava dirigindo transporte escolar e estava transitando para passar a ser motorista de aplicativo. Haviamos acabado de fazer um investimento voltado pra isso quando a quarentena começou. Com o Corona virus tão disseminado na população ele continuar trabalhando com isso é arriscado demais e ele é basicamente o suprassumo do grupo de risco: homem, obeso, hipertenso, pre diabetico e asmatico.
Não, sem chances, se expor é arriscado demais.
Mas então fazer o que?
Temos alguns projetos em andamento. Temos planos. Muitas ideias. E outras tantas surgem a todo momento. Poucas, infelizmente, chegam a uma conclusão. Nenhuma delas é para retorno imediato.
E eu me vejo perdida no meio das ideias, tentando produzir algum conteudo aqui e ali nas diversas frentes que se apresentam. Tento focar e isso me parece impossivel. As vezes passo dias sem conseguir fazer algo concreto para ter dois ou três dias de maior produtividade. Mesmo assim não consigo concluir nada e a sensação de frustração cresce.
O dia a dia cobra minha presença, minha atenção. A rotina, a casa, as contas, o marido doente, a escola da filha...
Esse fim de semana eu não fiquei muito bem. Esses ultimos dias... E o que houve foi que eu quis fugir e me esconder onde encontrei conforto. Me desligar da realidade por algumas horas, alguns dias, me perder nos momentos de aconchego. Dengo.
Mas se é facil me perder nessa vontade, é o oposto voltar a cabeça para o que precisa ser feito.
Tento não me cobrar demais. A verdade é que me cobrar me culpando pelo que não fiz, ou pelo que fiz e não deveria ter feito, ou por me permitir, não leva a absolutamente lugar nenhum. A culpa nunca nos leva a lugar nenhum que seja bom.
Chacoalho a cabeça tentando afastar esse sentimento. Deito a cabeça no travesseiro e durmo o maximo que posso. Sim, essa é a resposta para os momentos de angustia, dormir. Meu mais fiel tratamento, sempre funciona, é apenas uma questão de dose: algumas noites a mais ou a menos, mas sempre funciona.
Acordo no dia seguinte com a energia renovada, com a cabeça mais limpa, e procuro encontrar na tela do computador o foco perdido.
Temos planos, projetos, ideias, e eu quero poder fazer o que depende de mim, o que eu me propus, o que me diverte e me faz sentir mais util.
Mexo no site aqui, escrevo mais um pouco ali... Coordeno a criação de uma musica. Coordeno as pessoas a minha volta, organizo a rotina da casa, me mostro disponivel para ajudar um amigo.
Faço café.
Farei um pouco mais hoje. O importante é não desanimar e continuar em frente, mesmo que devagar.
Apenas levantar e continuar em frente.
Tomo meu café e escrevo. Isso me preenche. O café é doce.
Não existe açucar demais.
sábado, 4 de julho de 2020
Daquilo que nos faz parar e da dificuldade de recomeçar
Eu fiquei doente no final do ano passado.
Foi isso que me fez parar de escrever no blog novamente.
Quando eu finalmente me recuperei e estava voltando a ter saúde física e mental para retomar nossos encontros a quarentena começou. E ai não houve saúde mental que desse conta...
Começou no final de Novembro. Um desarranjo intestinal. Deve ser algo que eu comi, logo passa. Mais uma semana, duas... Está piorando. Vou ao banheiro diversas vezes ao dia. Chega perto do Natal, a comida começa a ter um gosto diferente. Sinto pouca necessidade de comer. Deve ser a mania... Sim, sem duvida estou numa crise de mania, dormindo bem pouco, comendo pouco, muito ativa, com o egocentrismo correndo louco assim como gastos excessivos... Deve ser a mania...
Mas o desarranjo intestinal continua... Falta uma semana pro Natal... Melhor ir ao médico...
Fui ao pronto socorro. Uma bronca leve por demorar tanto para ver um medico, ele me passa um antibiótico. Começo a tomar e tenho uma crise fortíssima de labirintite. Vou ficar com labirintite no Natal? De jeito nenhum, o Natal vai ser na minha casa! Depois das festas de fim de ano eu passo no medico de novo e peço por um antibiótico diferente pra tomar que não me de esse efeito colateral...
Natal em casa muito bom, Ano Novo maravilhoso com uma festona com os amigos no salão de festa do prédio! Ta tudo bem!
Mas o desarranjo não passa e eu me sinto cada vez mais fraca. Não consigo comer um prato de comida inteiro. Não consigo mais tomar Coca-cola. Mas eu sou viciada em Coca-cola! Não importa, não da, tem um gosto horrível. Hora essa, mas eu queria ha anos tirar a Coca-cola da minha vida, nem que fosse pra trocar por outro refrigerante, mas me livrar desse vicio. Ha males que vem para o bem... Mas é melhor ir ao médico de novo...
Volto ao PS e o médico é categórico: preciso ir em um especialista pois eu devo estar com algo grave. Não é normal uma pessoa ficar mais de 6 semanas como eu estou. Concordo, marco um gastro.
A médica que me atende é muito simpática e diz que o que eu tenho é muito sério, pode ter diversas causas, umas mais simples outras bem complicadas e ela precisa que eu faça exames para eliminar as possibilidades e ver o que esta acontecendo.
Faço os exames. Ultrasom, exames de sangue, colonoscopia... Não consigo fazer a colonoscopia, fico com medo, tenho crises de ansiedade, demoro, e quando finalmente faço o exame, em fevereiro, não consegui fazer o preparo corretamente. Tem que refazer.
Decido seguir a recomendação médica e efetuar o exame em ambiente hospitalar. Meu medo era de não aguentar o jejum, ter uma crise de hipoglicemia, do preparo piorar ainda mais minhas condições. Fazer o exame num ambiente mais controlado ajuda a lidar com a crise de ansiedade que me causa todos esses medos exagerados.
O exame da certo, retorno na médica, eliminamos todos os suspeitos mais graves, sobrou uma indicação no exame de sangue como vilão: tireoide. Hipotireoidismo em uma apresentação atípica. Agora tem que ir no endocrinologista e começar a medicar. Vai tomar mais um remédio pro resto da vida...
Endocrinologista simpática, atenciosa, concorda com a interpretação do exame, e com a avaliação de um quadro atípico, começa a medicar, volte daqui 3 meses pra refazer os exames.
Isso era meio pro final de fevereiro. Foram mais de 10 semanas passando mal. 12 quilos a menos.
Poucos dias tomando a medicação e o corpo já começa a reagir e a voltar ao normal... Março chega e o desarranjo finalmente passou e eu consigo me alimentar um pouco melhor a cada semana.
Não voltei a tomar Coca-cola.
Consigo pensar em outras coisas. Voltar a levar a filha no clube para as aulas de dança... Marcar de retirar aqueles sisos que estão esperando desde o ano passado... Minha disposição começa a melhorar, durmo melhor...
Pandemia...
Medo de sair, medo de ficar em casa e não conseguir se manter. Culpa. Paciência e resiliência... Vai passar se todo mundo fizer a sua parte.
Estamos em Julho. A Pandemia continua e cada vez mais forte, muitas mortes, descaso do poder publico... Mas eu estou bem agora.
Mesmo. Eu estou muito bem!
Depois dos primeiros dois meses de quarentena instável e depressiva, vendo que precisava de energia extra, provoquei uma virada no humor. Sabia o que devia fazer para provocar um quadro de leve hipomania.
Sim, estou em hipomania agora. Tenho dormido menos, acordado cada vez mais cedo, tenho disposição e bom humor na maior parte do tempo. Com isso consegui ter a iniciativa necessária para planejar e desejar e colocar esses planos em andamento para se tornarem ações, desejos se tornarem objetivos.
Mas estou bem. Depois de tudo que passei nesses meses doente, fisicamente doente, me sentir bem novamente, feliz, é uma conquista enorme.
E hoje pela primeira vez desde que toda minha saga de saúde começou em Novembro eu finalmente consegui vir até aqui e contar essa parte da historia pra vocês.
Quem diria...
E vocês? Como vocês estão?
Senta, puxa uma cadeira, sinta-se em casa! Tenho tanta coisa pra contar ainda....
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
Sobre me deixar sentir...
O que eu quero focar um pouco aqui é na questão do ser tocada. Com todas as dificuldades e as crises depressivas, de leves e contínuas as mais graves, eu fui desenvolvendo uma certa aversão ao toque de outras pessoas. Ao ponto de que em alguns momentos o único toque que eu me sentia realmente confortável era o da Rebeca. Com ela era o único momento que eu me sentia totalmente a vontade.
Com o Taz esse sentimento ia e vinha dependendo do meu humor, do tom das conversas, mas mesmo assim isso afetou profundamente nossa relação. Mesmo me sentindo segura com a presença dele a maior parte do tempo eu simplesmente não consigo baixar totalmente a guarda.
E dai que isso começou, lentamente a mudar no último ano. Com tudo que passei com minha mãe adoecendo, a mudança, a perda do meu sogro… Eu não tinha como não estar vulnerável. E durante esse período algumas pessoas voltaram ou passaram a estar bem mais presentes na minha vida. Amigos que me ofereceram não apenas ajuda em coisas práticas, mas atenção e carinho. E carinho na forma, também, de abraços.
Os abraços inicialmente mal retribuídos, pois eu não sabia mais como me portar, aos poucos tem sido cada vez mais bem vindos.
Eu ainda sinto, a cada abraço, que se eu ficar ali aninhada por tempo demais eu vou simplesmente perder o controle. Vou cair num choro sentido de quem não sabe o quanto sente falta de se permitir sentir qualquer coisa.
E o que eu percebi é que: eu ainda não consigo e não sei como fazer isso, mas eu quero voltar a sentir de novo.
E apesar disso me causar um medo absurdo, a vida é muito curta e muito imprevisível pra ter medo o tempo todo.
E eu quero, em algum momento, não sentir mais medo. Pelo menos não de mim mesma.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Sometimes...
And I'm not happy all the time either.
Being bipolar is not about being sad or happy. It's not about that normal Mood swings everybody has several times a day.
It's about living in a rollercoaster inside your own mind. It's about being overwelmed by the smallest things. It's about depression, and the kind of pain you can't hope to describe how hard it is to just
breath and be.
Being bipolar is about thinking too much, too fast, too big. It's going in this loop of thoughts that you know makes no sense racionaly and yet you don't seen to be able to make It stop. You Just can't stop.
Sometimes it's so exausting that you feel you could sleep for days. But you don't. You close your eyes and the thoughts get stronger, more real, more scary, more. When you finaly manage to sleep you wake up after Just a few hours. You still tired, but staying in bed seen Impossible.
Sometimes your so happy and has so much energy It feels you could do anything.
And as fast as a heartbeat, It fades away and you feel miserable again.
You feel you can't Trust yourself, why Others should? Why they shouldn 't?
And sometimes you Just feel ok. Normal.
It doesnt have to be like that.
Bipolar disorder is a treatable illness.
There are several treatments.
They are hard, because It Takes time for then to really work. Months, years.
Yes, It needs commitment.
You start to see a diference in feel weeks, but the treatment need ajustment. But it's worth It.
Terapy helps a Lot. Like, really, a Lot.
You nedd to be patient, and I know it's hard to be patient when we are in pain.
But is worth It.
I'm in treatment now for 15 years.
I still have my ups and downs. I had a Lot of downs the last few years. But is nothing compared to How It was before the treatment.
Sometimes the days are bad.
Sometimes they are better.
Sometimes I'm Just ok.
Sometimes It rains.
Sometimes...
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Sobre 2018
2018 foi um ano tão difícil, tão longo, que deu a sensação de ter tido vários anos dentro dele.
Começamos o ano, logo no dia 03 de Janeiro, com a notícia de falecimento de um primo meu. Relativamente jovem, teve um infarto fulminante.
Com isso trocamos uma viagem de ferias por um velório, sorrisos por lágrimas, certezas por imcompreensão.
Depois o falecimento de meu tio, em Março, e logo em seguida o adoecimento de minha mãe.
Minha mãe ficou doente por meses, passou semanas internada e ainda hoje continua em tratamento.
Esse ano eu vi minha mãe envelhecer muitos anos em poucos meses. Vi seu corpo ficando fragil, seus movimentos ficando mais lentos, seus passos inseguros e sua capacidade de comunicação diminuir. Vi, convivi e Vivi seu medo por sua própria mortalidade. Vi uma pessoa forte, enfrentando e lutando por sua vida e por sua sanidade mental ao ser confrontada com seu maior medo. E vi ela chegar até aqui, se recuperando do choque e fazendo planos.
Minha mãe é uma mulher muito forte!
Vi meu pai se dedicando a ela por todo o ano. Vi ele também envelhecer nesse período, anos e anos, mas ainda sim se manter atento e disposto e pronto para tudo que minha mãe pudesse precisar.
Meu pai é um companheiro dedicado.
Os dois adotaram os cabelos brancos por fim, deixando de tingi-los. Ficaram bem. Mas sinto que isso tem a ver com a aceitação do processo de envelhecer, do se permitir não ter mais o corpo tão jovem e forte mas encontrar nesse gesto tão simples a nova fase de sua vida.
Tenho muito orgulho e muita sorte de ter meus pais.
Enquanto minha mãe estava envolta em seus tratamentos médicos nós tomamos decisões de mudar. Mudar de vida, mudar de casa.
Esse e um projeto ainda em andamento. Começou em Junho com minha mudança para o andar de cima da casa, onde meus pais ficavam, para que reformassemos e alugassemos o andar térreo da casa.
Depois em setembro alugamos parte da casa.
E de lá para cá pagamos dívidas e tomamos decisões que nos permitam finalmente nos mudar daqui.
2019 tem em si a promessa de mudança.
No fim do ano tivemos um outro falecimento de uma pessoa próxima. O ex-esposo de minha tia, com quem mantínhamos contato em eventos familiares. Mais uma vez um velório, um sepultamento, onde comparecemos para dar força e apoio a minha tia, primos e sobrinhos.
O Ano chega ao fim com seu último, espero, desdobrar, com grandes decisões de minha mãe e meu pai sobre o que eles desejam do futuro, sobre qual seu legado, sobre qual é a prioridade deles daqui em diante.
2018 foi um ano difícil.
Tivemos também a escalada da intolerância e do ódio em nossa sociedade com seu ápice em um processo eleitoral de mentiras e acusações, onde as propostas não tinham chance de serem ouvidas ou questionadas no meio do medo. Tivemos uma eleição baseada no medo. Construímos e desconstruindo instituições públicas e privadas, relações pessoais e profissionais, por causa de medo. E com isso todos perdemos.
Mas o fim do ano as vezes tem a chance de remendar o que foi rasgado. E de dar esperança para o futuro que vira.
Essa semana foi Natal. E quero fazer um posto so pra ele, porque esse Natal merece.
Mas hoje quero dizer que foi bom.
Quero dizer que, pelo menos na minha família, ao nos reunirmos esse ano, nos escolher ceder. Fazer concessões. Aceitar o outro e não nos deixar separar por nossas diferenças mas sim nós aproximarmos por aquilo que temos em comum.
Então estou passando por esses últimos dias do ano com um pouco mais de esperança.
E deixo aqui meu desejo de que você também encontre essa esperança pelo Ano Novo que virá.
Que 2019 nos de a chance de nos conectar mais do que nós dividir. Que as mudanças sejam mais positivas que negativas. Que se por um lado algo nos faltar, nos encontremos forças para seguir e pessoas para nós acompanhar no caminho.
Que façamos uns pelos outros o melhor. E que juntos façamos nossas vidas mais leves.
Um 2019 de união e amor.
Feliz Natal e um prospero Ano Novo!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Sobre se sentir melhor e conseguir respirar...
Quer dizer, pra mim, funciona.
Fim de ano tem as festas, passeios, familia, amigos, compras.
Dai que isso tem esse efeito ótimo no meu humor. E esse ano, por agora, foi capaz de me tirar da crise que eu estava e me dar energia e disposição.
Alegria.
Eu sei que tudo o que eu estava sentindo, os motivos que me levaram a me sentir daquela forma: sem esperança, triste, impotente... Os motivos não mudaram. Tudo continua igual.
Mas por agora eu tenho Rebeca de férias, apenas se preparando para a apresentação. Tenho meu sobrinho em casa. Tenho uma viagem para o fim de semana. Tenho minha irmã chegando para passar as festas. Tenho Natal e Ano Novo. Tenho sol e dias quentes e iluminados.
E por hoje isso basta para me deixar bem.
Por hoje eu estou feliz!