De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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quarta-feira, 3 de abril de 2019

Aquele sobre o Natal...

As vezes somos pressionados a fazer coisas mesmo não estando seguros se e a coisa certa a fazer. Tenho certeza que isso já aconteceu com você. Esse Natal aconteceu comigo, e o resultado não foi nada bom...

Rebeca tem 9 anos. É uma menina meiga, alegre, uma criança imaginativa e que vive toda a fantasia permitida para sua idade.

Dai que esse ano começaram as indagações se ela ja não é muito grande para acreditar em Papai Noel. Que já teria idade para deixar esse tipo de fantasia pra trás.

E essa perguntas vinham de pessoas muito próximas, irmã, marido, mãe, e eu sentia que por tras dessas indagações tinha uma acusação de que eu estaria mantendo uma fantasia desnecessaria porque não aceito que ela está crescendo.


Insegura, tentei argumentar que não, que achava que Rebeca ainda não é grande demais, que não acho que exista uma idade certa para isso e que não vejo ela se apegar a existência de Papai Noel e outros seres mágicos como algo ruim.

Mas, como comecei, estava muito insegura. E acabei cedendo e resolvi fazer um teste.

Na família do Taz, meu marido, a tradição era de abrir os presentes na manhã do dia 25, e na minha na meia noite do dia 24 para 25. Durante todos esses anos seguimos a tradição da minha família. Esse último ano resolvi mudar, como um teste, para ver como Rebeca iria reagir.

Não contei a ela, mas conversamos várias vezes sobre como era na família do pai dela, etc etc...

Na noite do dia 24 abrimos os presentes mais cedo do que o de costume. Meus sogros passaram o Natal conosco e precisavam voltar pra casa e como não teria a necessidade de esperar o Sr Noel, mudamos nosso cronograma.

Mas Rebeca continuava aflita, ansiosa, esperançosa. As horas iam passando e era possível notar a inquietação dela.

Tentei falar com ela, e ela dizia que entendia, que não é porque ele, Papai Noel, tinha vindo sempre a meia noite nos últimos anos, que ele viria esse horario sempre. Que ela já tinha ganhado presentes e podia se divertir com o que tinha ganhado... E ela concordava, mas era visivel que não estava tudo bem.

Eu não quis falar que Papai Noel não viria. Eu queria ver se ela chegava a conclusão sozinha, se sentia falta desse momento de fantasia.

Deu meia noite... 1h da manhã... E eu declarei que era hora de dormir e que não iríamos esperar mais.

Ela foi para o quarto se trocar, esperei uns minutos e a segui. E Rebeca chorava. Chorava muito. Eu sentia sua dor em cada soluçar.

"Ele não veio! Ele não veio mesmo! Ele me esqueceu! Ele esqueceu!"

E de repente eu entendi o que eu tinha feito.
Entendi que eu quis adiantar algo para o que ela não estava pronta. Que provoquei não apenas uma frustração mas um sentimento de abandono. E por quê? Por causa da pressão de outras pessoas...

Mas eu não podia voltar atrás. Sentia que seria pior se eu a fizesse passar por tudo isso por nada, e cedesse no final.

Ficamos juntas por quase uma hora, eu consolando e ela chorando, ate que ela aceitou dormir.

Providenciei que Papai Noel passasse na madrugada e deixasse seu presente para ela abrir quando acordasse. Depositei embaixo da árvore o presente que havia separado e fui dormir.

Quando acordamos no dia 25 ela não acordou animada. Não estava feliz ou esperançosa. Continuava triste.
Eu a chamei para vir a sala, tomar café. E quando ela entrou e viu o presente embaixo da árvore foi como se as luzes do Natal se acendescem de novo!

"Ele veio!"

E tudo que consegui dizer foi: "Viu só, ele não esqueceu de você!"

Porque temos a necessidade de tirar a infância de nossas crianças? Porque temos essa pressa em vê-las crescer? Que mal há em manter a magia pelo tempo delas e não o nosso?

Ela não estava preparada e eu, na minha pressa e insegurança, provoquei uma dor que não precisava ter existido se eu apenas tivesse confiado mais em mim e ouvido o que meu coração me dizia desde o começo: respeito. Respeito a infância de minha filha. Respeito ao tempo dela. Respeito a sua inocência, a sua vontade, e a seus sonhos. Respeito.

Espero ter aprendido minha lição.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Derrapa, escorrega, cai, levanta e segue em frente

Ansiedade. Insegurança. Medo.
São definições para muito do que venho sentindo.

Incapaz de mudar como me sinto, passo os dias me distraindo e tentando não pensar muito no que me aflige. E considero bons os dias em que as coisas não pioram de quadro.

O trabalho do Taz começou muito mal esse ano. Estamos hoje com metade do número de clientes que precisaríamos estar nessa altura do ano. Diversas manutenções tiveram de ser feitas no carro de trabalho e devido a problemas externos não conseguem ser finalizadas, fazendo com que tenhamos menos procura do serviço do que o esperado.

Com os problemas no trabalho somados aos da casa, Taz não consegue se sentir seguro do que está fazendo. Inseguro, ansioso e deprimido, ele não consegue ver ou agir para melhorar o quadro no trabalho, ou a si mesmo. Duvidando de si e de sua capacidade ele tenta apenas seguir fazendo o que sabe e consegue, mas vê com temor como isso não é o suficiente.

Se pergunta o tempo todo se está fazendo a coisa certa. E apesar de minha insistente tentativa de anima-lo, em sua cabeça as respostas que ouve de si mesmo não o ajudam a reencontrar o caminho.


Precisamos nos ajudar. Fazemos isso tentando ajudar os outros. Um amigo que se sente tão perdido quanto nós e precisa de um lugar seguro para se abrigar? Ok, venha. Aqui sempre será um local neutro e nossa hospitalidade será sempre a mesma para aqueles que queremos bem. Não chegou o tempo em que negarei ajuda ou abrigo.

Se sentir perdido parece uma constante nesse momento para muita gente.

Se o que podemos fazer e nos juntar para um jogo ou um jantar para ter um momento de relaxamento e felicidade então e o que faremos.

E quem sabe encontremos uns nos outros o apoio necessário para encontrar nossas respostas.

Hoje resolvemos um dos inumeros problemas que temos à resolver.
Hoje já é um dia bom...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

E sexta feira e eu não sei...

Tive uma conversa ontem que virou discussão e por fim desabafo.

As férias acabaram e o que senti foi que a cortina de humor e disposição que me cobre nesse período se fechou.

Aplausos, foi um belo espetáculo. Mas ao fim de cada teatro nós pegamos nossas coisas e voltamos para casa.

E em casa nos deparamos com a bagunça que deixamos antes de sair. "Arrumo quando eu voltar" falamos sem pensar no cansaço da volta.

De repente uma notícia de jornal me tirou o chão e me fez sentir medo.

Em minha mente vi toda a falta de segurança, de liberdade, de civilidade, de humanidade, sumirem em segundos.

Em segundos me senti em perigo. Em segundos eu senti que precisava defender minha filha e seus direitos mais básicos.

E em minutos uma conversa sobre um artigo no jornal virou uma discussão e por fim um desabafo.

E me senti inundar por todo o sentimento de inadequação, de incapacidade, de ...

Olhei pra mim e vi alguém que fez escolhas ruins. Alguém que fez as escolhas possíveis, mas que hoje se vê presa a uma realidade que não me completa. Presa numa casa, cidade, estado, país, sem chances de buscar ou tentar conhecer novos horizontes por mérito próprio.

Alguém incapaz de mudar a própria realidade.

De garantir a segurança, a autonomia e a liberdade de minha filha. De protege-la... De dar a ela chances melhores, de ser quem ela quiser ser, onde ela quiser ir.

Alguém incapaz. Alguém que depende dos outros para tudo e exatamente por isso incapaz de mudar isso.

Em segundos fui inundada por uma tristeza e um enorme desespero.

A conversa acabou, as lágrimas secaram, me concentrei em respirar e deixar o dia terminar.

A intensidade desses sentimentos me cega para o mundo real.

A bagunça na casa me impede de ver a sala, os quartos, e cada canto desse que é o meu lar.

A bagunca de sentimentos intensos demais nessa retomada da rotina após as férias me impede de ver as coisas boas que vivo e faço.

Então eu apenas deixo o dia acabar para poder dormir e descansar um pouco. Apreciar o silêncio da noite quando tudo em volta já dorme, e deixar que esse silêncio me preencha.

Encontro refúgio nos pequenos luxos e prazeres que posso alcançar. Uma tarde menos quente, um jantar de sabor forte, uma fuga gastronomica para calar e engolir o choro.

Vai passar.

Arrumar a casa pode dar trabalho mas é necessário para encontrar o conforto escondido por trás das almofadas fora do lugar.

Respiro. Tomo um café.
Em alguns dias as coisas voltam ao normal.
Eu também.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Sobre aquilo que podemos controlar e aquilo que não podemos...

Nesse tempo que fiquei sem escrever e nesse processo de voltar com o blog minha vida teve diversos altos e baixos. No momento estou num momento de baixa, mas lidar com tudo isso ha tanto tempo quanto eu me dá a maturidade de entender que mesmo depois de uma crise desespero num domingo, vem o dia seguinte, e o depois, e isso passa.

Tudo sempre passa. Sejam os momentos bons ou ruins. Tudo passa. E isso é bom.

Ano passado eu tive a oportunidade de fazer uma viagem internacional com a Rebeca e isso foi algo que determinou todo o meu ano. Pra mim foi como se o ano de 2017 tivesse valido por 3 anos diferentes, dividido em 3 fases: pré viagem, viagem (incluído o tempo de preparação) e pós viagem.

Mas eu vou voltar a esse tópico em um post, talvez mais de um, exclusivo para ele.

Hoje quero falar um pouco mais sobre o momento atual. O imediato. Porque simplesmente as vezes precisamos falar a respeito das coisas para ter espaço para respirar, sabem?

Como disse estou num momento de baixa. Estamos lidando desde o começo do ano com uma série de complicações envolvendo a saúde da minha mãe e isso tem mexido muito comigo. Por mais que hoje, exatamente hoje, ela esteja melhor, ela esta em tratamento e se esforçando para ficar bem. E como é de se esperar, ela tem dias melhores, como hoje, e dias não tão bons assim.

Não vou entrar em mais detalhes, mas o que quero ressaltar é que isso é algo que esta totalmente fora do meu controle. Por mais que eu esteja disposta a ajudar e fazer o melhor que puder, a saúde da minha mãe não é algo que eu possa controlar, exatamente pelo fato de se tratar de uma pessoa capaz, senhora de suas próprias decisões, que faz suas escolhas independente da minha vontade. No máximo ela pode ou não ouvir meus conselhos, mas a decisão final é sempre dela sobre que rumos tomar.

E o mais óbvio é que ninguém sabe exatamente em que momento vai ficar doente.

Por mais que possamos cuidar da saúde, comer de forma saudável, fazer exercícios, fazer terapia, ter vida social, não cometer excessos, não usar drogas, não beber, não fumar, etc etc etc a verdade é que fazendo ou não isso, você pode até saber que pode ficar doente, ter mais ou menos chances, mas não vai saber o momento exato que isso vai acontecer.

Tudo isso para dizer que conviver com minha mãe nesse momento, morando na mesma casa e tudo, tem me feito reviver diversos momentos da minha vida, da minha infância e adolescência. E isso tem sido extremamente difícil. E é o que me colocou nessa baixa.


Eu não escolhi ser bipolar. Eu não sabia que seria, e mesmo que naquela época se tivesse conhecimento suficiente, coisa que não tinham, pra dizer que as chances de ter TBH eram grandes, nós não tínhamos como prever quando exatamente isso iria se manifestar.

Como eu já contei AQUI antes, minha primeira grande crise foi quando eu tinha 13 anos de idade. Hoje eu olho pra trás e vejo que dei outros indícios antes disso, mas a crise mesmo, que chocou, que me derrubou, que fez com que fossemos procurar ajuda e eu recebesse um diagnóstico pela primeira vez, foi aos 13 anos.

Muita coisa rolou entre esse momento e eu de fato iniciar um tratamento que eu mantenho até hoje, isso já aos 21 anos, lá pelo ano de 2003.

Mas se por um lado eu não escolhi ter Transtorno Bipolar de Humor, a escolha que eu pude fazer e que mudou a minha vida foi de iniciar, seguir e não abandonar o tratamento. Isso eu pude fazer. Essa escolha cabia a mim.

E uma das coisas que manter essa decisão me proporcionou foi o direito de fazer uma outra escolha ainda mais importante, a de ser mãe. Na verdade, foi meio que ao contrário... Foi quando eu descobri o quanto eu desejava com todo meu coração ser mãe, que eu entendi que para isso eu precisava tomar a decisão, e manter sempre a escolha de fazer o tratamento pra TBH.

Já contei essa parte da história AQUI também.


O momento que eu estou hoje, sentindo meu passado voltar e por vezes me dominar como ondas de um mar revolto batendo contra as pedras na praia, tem tornado difícil enxergar o que eu sou capaz de fazer. O que é escolha minha e o que não é. O que eu posso controlar e o que não posso.

Eu aprendi com o filme do Superman (sim, eu disse isso mesmo) é que quando o mundo parecer muito grande e assustador, o que podemos fazer é torná-lo menor.

E tenho visto isso em diversas outras situações, de diversas fonts diferentes, mas a ideia é sempre a mesma: se concentre nas pequenas coisas.

Arrume a cama. Tome banho. Penteie o cabelo. Coma 3 vezes por dia.

Pague as contas.

Assista um filme.

Abrace.

Fale com alguém.

Mantenha a rotina.

Desenvolva um pequeno projeto de curto prazo. Pode ser um post no blog, planejar uma festa de aniversário, uma reunião com os amigos para fazerem sua mudança. Um almoço mais elaborado.

Coisas que você pode controlar.

E deixe que isso preencha os espaços no lugar do que está fora do seu controle. Deixe o tempo te devolver o ar e a energia que você precisa para ficar bem.

Isso pode significar a energia necessária para pedir a ajuda de alguém.
Ligar para um amigo.
Marcar hora no médico ou no terapeuta.
Visitar a família.
Conseguir dizer para seu companheirx o que você realmente está sentindo.
Ficar com seus filhos e simplesmente ouvir o que eles tem a dizer.


Eu sei de tudo isso. E a outra coisa que sei é que preciso disso tudo para ficar bem.

Não posso ajudar enquanto eu não ficar bem também.

Então preciso deixar meu mundo menor.

Hoje eu vim escrever no Blog...

domingo, 22 de julho de 2018

De domingo a domingo

Hoje foi um domingo com bastante cara de domingo.

Sabe aqueles dias que são lentos? Calmos? Que você não faz nada o dia todo e não sentiu vontade de fazer nada diferente disso?

Pois é...

Por mais que eu goste de sair ou receber pessoas em casa, principalmente receber pessoas em casa, as vezes eu sinto que preciso de dias como hoje.

Tenho tido a cabeça cheia de preocupações nos últimos meses. Minha mãe não está muito bem de saúde e além de lidar com o stress e insegurança que ter uma pessoa da família com a saúde fragilizada causa, ainda temos que lidar com burocracias e pagamentos de convenio, medicos, hospital.
Adicione a isso uma reforma na casa, uma decisão de mudança de endereço e modo de vida, mais a rotina do dia a dia com todas as já habituais dificuldades e pronto, temos um cenário perfeito para uma crise.

Mas no entanto não foi isso que aconteceu.
Não estou em crise.
Me sinto talvez em modo de espera em boa parte do tempo. Mas a verdade é que sou uma pessoa bem paciente.

Nesse mês de férias escolares meu sobrinho esteve por aqui para passar tempo com a Rebeca. Foram quase 20 dias e foi ótimo ver os dois brincando e se divertindo juntos, mesmo quando eles se estranhavam um pouco.

Mas ter ele aqui somado a situação que descrevi me manteve num ritmo diferente do meu habitual. Dormindo pouco, pensamento acelerado... Foi bom, mas sinto que preciso de alguns dias para voltar para os eixos, descansar.

Ontem e hoje essa necessidade de me voltar a mim mesma me levou a ficar meio antisocial, um tanto nostalgica, mexendo em álbuns de fotos antigos.

Me sentei no sofa em meio a fotos da minha infância, da minha família, dos amigos... Cerquei-me das boas e das más lembranças. Lembrei do tempo que era fácil, talvez?
Não encontrei diversos álbuns de fotos que sei que existem da minha adolescência, que era os que eu mais queria ver. Não tem problema. Continuarei procurando.

Mas o que me veio a cabeça nesse momento de introspecção foi uma frase que meu marido me diz há 20 anos: "Pra quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saída".

Me senti me procurando. Talvez ao olhar quem fui eu caminhe mais tranquila por onde estou.

Hoje foi um domingo com muita cara de domingo mesmo.

sábado, 2 de junho de 2018

Da vida que segue e das mudanças que passamos...

O tempo passa. De repente ficamos um dia sem escrever e deixamos pra lá. "É só um dia" dizemos a nós mesmos.
Um dia então vira uma semana. Um mês. "Estou num momento ruim, não tenho ânimo para escrever e na verdade não quero falar sobre isso. Vai passar, dai eu volto a escrever..." Foi o que eu repeti pra mim mesma nesse tempo todo que deixei de escrever no blog.
Não percebia quão mal eu estava, e como isso me impedia de ver que era o escrever que me ajudaria a melhorar e não que eu deveria esperar a tal melhora para só então voltar a escrever...

Muita coisa aconteceu. Coisas boas. Coisas ruins. Coisas boas de novo.

Eu fiz 36 semana passada.
Rebeca tem 8.
Estamos passando hoje por uma mudança grande em casa, mudando os nossos paradigmas ao mudarmos nossa casa.
Perdemos mais pessoas queridas nesse tempo que estivemos longe.
Conhecemos pessoas novas.
Viajamos, conhecemos outro país e brevemente experimentamos outra cultura.
Encontramos na família apoio, segurança, conpanheirismo, conpanhia, amor.
Ajuda
Recebemos e oferecemos ajuda.
Na alegria e na doença.
A dança hoje faz parte da nossa rotina, junto da escola. O prazer da atividade física, do mexer o corpo. A concentração atravės da música.
A determinação, a disciplina, o esforço.
Continuamos lutando contra as "ites": rinite, sinusite, e alergias.
Cortamos as nozes e o coco do nosso cardápio.
Diminuímos o óleo, a fritura, os doces.
Estou brigando pra pelo menos diminuir o refrigerante. Meu, ela não toma.
É nessa roda que gira que continuamos vivendo.
E eu tenho tantos planos...
Um deles e voltar a ficar bem.
Começo por aqui.

Quero voltar.
Estou voltando....

terça-feira, 10 de agosto de 2010

melhores e se amando ^^

E gente, desabafar funcionou, tive a cabeça mais fria e conseguia ter uma DR seria por aqui.
Eu falei, briguei, joguei nacara, chorei muito. Ele, idem. Chegamos a algumas conclusões, estamos tentando acertar... Mas a principal e que ele concordou que esta deprimido, que pode ser depressão pos parto, e que precisa de ajuda. E, que vamos sossegar o facho, curtir mais, e so vamos nos mudar quando os dois estiverem bem de saude, e tivermos resolvido nossas pendencias financeiras. Ou seja, la pro ano que vem...

Ate la, vamos aproveitar um pouco mais o apoio existente, apesar de não ser perfeito, dos meus pais.

E vamos tentar ter mais empenho nas coisas pra nos dois como casal, como individuos, como pais, e claro, com a Rebeca.

Entre as decisões esta em usar o Clube do Brinquedo (www.clubedobrinquedo.com) pra ter mais coisas legais pra Rebeca brincar... Eu recomendo, se eles atenderem na sua cidade, não reparei na abragencia do serviço. Não é barato, mas não sai mais caro que comprar brinquedos pro filho, ain mais os que eles oferecem.

mais coisas, conto depois. Beijos e obrigado pelo força!

domingo, 16 de maio de 2010

Quando eu decidi que ia ser mãe...

Acho que ja falei aqui que demorei bastante tempo pra engravidar da Rebeca (cerca de 2 anos), sendo que tive um aborto anos antes e outro durante esses dois anos de tentativa. A minha odisseia até alcançar a maternidade começou com a primeira gravidez, o primeiro aborto. E isso não sei se ja contei aqui antes.

Em 2003, novembro, eu descobri que estava gravida. Foi a melhor coisa que eu senti na minha vida (até aquele momento). Fui tomada de uma felicidade sem igual, e apaguei o cigarro que estava na minha mão na mesma hora que li o positivo. Eles ficaram longe de mim por dias ate que essa felicidade acabou. Foi em 2003 que eu iniciei meu tratamento para bipolaridade também, poucos meses antes, e estava tomando remédios que na época ainda eram experimentais e tudo o mais, além de estar num peso excepcionalmente alto. Devido a união desses fatores, a gravidez foi interrompida.

No entanto, se a gravidez não foi até o final naquela época, fez surgir em mim um sentimento que já tinha um tempo brincava comigo. Um desejo, uma vontade de cuidar. E surgiu ali um amor que precisava então ter um foco. E começou ali, meio tímida, minha jornada.

A primeira providência que tomei foi refazer a gastroplastia que tinha de modo a perder peso suficiente pra ter menos chances de ter uma pré-eclampsia. Emagreci com isso 38 kg, e foi nessa época que decidi começar a tentar.

Com o primeiro aborto eu larguei o tratamento da bipolaridade, mas logo retornei e o mantive e mantenho sem questionar desde então. Eu sabia que essa era uma das medidas que eu precisava ter: eu precisava ficar estável tempo suficiente para que, ao suspender a medicação durante a gestação, eu fosse capaz de ficar bem.

Estava estudando e tentando voltar a trabalhar. Morando sozinha, só eu e o Taz, e ele trabalhando e querendo voltar a estudar também. Parecia uma boa hora pra começar a tentar, já que eu não acreditava que seria algo fácil. Sempre tive ovários policísticos, mal de família, e sabia que a tendência era demorar um pouco.

Na época eu tomava anticoncepcional injetável, e me dei muito mal com ele, pois eu parei de menstruar. E mesmo depois de parar de usa-lo, quando decidi começar minhas tentativas, demorei 10 meses, sendo desses 3 de tratamento, para voltar a ver o tal do sangue. E, assim como da primeira vez em que isso aconteceu na minha vida, quando finalmente o tratamento funcionou, eu dei literalmente pulinhos de alegria.

Ainda sim, foram mais uns meses de tratamento, e depois mais 6 meses de tentativas livres, e depois mais 3 meses de indutor ovulatório, pra ai, engravidar a primeira vez. E mais uma vez uma alegria incrível! Contei pra todos assim que soube. E uma semana depois tive que contar que perdi...

Retoma tratamento, retoma pilula, retoma tudo, e mantem a paciência. Nessa fiquei deprimida e acabei engordando 10 kg. Fui viajar, tive uma das minhas piores crises de mania enquanto estive fora e a pior depressiva quando voltei.

Sabia que teria que levar o tratamento mais a serio, pra bipolaridade, mas ainda queria continuar tentando. Voltei com os remédios, mas não muito intensamente, e pouco depois já os abaixei. Mas comecei um negocio, e vi que não estava conseguindo leva-lo sem a medicação adequada pra isso. E, como nada de engravidar de novo, tinha voltado a morar com meus pais, o que deveria ser temporário mas ainda sim... Pensei em deixar pra la, esperar mais 2 anos, dar o gas no trabalho primeiro já que essa ideia tinha sido concretizada antes.

Ai, assim, como quem não quer nada, veio a Rebeca. Bem ai, nesse contexto. E eu senti de novo a maior felicidade de todas. Por que eu sabia que eu queria, sabia que amava, sabia que faria qualquer coisa por ela. E fiz.

Abri mão do negocio, e hoje nem o quero mais devido a imensa carga emocional que se depositou ali, negativa, estressante, triste. Não quero.

Abri mão de baladas, de noites de sono, de não ter que me preoucpar se tem hora pra acordar, pra dormir, pra comer, se tem hora e pronto. Abri mão de muita gente que eu chamava de amigo, que me criticou, muitas vezes pelas costas. Que sumiu, que deixou de me procurar, de ligar, de se preocupar. Que ficou com ciume.

Abri mão de muita coisa.

Mas não abri mão de ser feliz. Não abri mão do meu coração. Não abri mão de mim mesma, de quem eu sou e do que eu quero.

Daquela vez, anos atras, quando eu vi a possibilidade, eu me perguntei "e se for, como eu quero que seja?" Não sobre como eu quero que a Rebeca seja, ou o que ela vai fazer da vida e essas coisas. Não. Como eu quero que seja a rotina, o que eu quero que ela possa esperar de mim. O que eu considero uma boa mãe, pra que eu seja assim, por que eu quero ser uma boa mãe. Quais serão as prioridades? O que é supérfulo? Como eu acredito que devo e o que devo ensinar a ela? Que exemplos eu quero dar?

Esse post se originou muito por que eu fiquei pensando depois de ler o post no blog da Mari. E me senti meio culpada, por que acho que devo ter sido uma das pessoas que disse uma ou outra dessas coisas de que você não vai mais ter vida social, etc etc etc.

E fiquei pensando por que eu me senti assim, se falei ou não, mas por que eu me senti mal.

Quando eu decidi ser mãe eu revi todos os meus conceitos, e ouvi muito de que "quando você tiver um filho, é você que vai cuidar! Não conta comigo!!". E isso ficou na minha cabeça, e ainda fica. E durante a gravidez eu senti muito isso também. Mas eu ja tinha aceitado que essas coisas poderiam acontecer, e tinha decidido que tudo isso valia a pena se a recompensa fosse o sorriso da minha filha quando me ve.

E é uma recompensa enorme, revigorante, que me faz engolir muita coisa, muito choro, muito nervoso, por que no fundo essas coisas todas passam, não são tão importantes assim. E se forem, vão continuar sendo amanhã e ate que eu possa lidar com elas. Mas o sorriso da Beca? Nossa... Não tem igual, por que parece que muda todo dia, só não muda o fato de ela sorrir.

Não existe uma sensação igual a de amar alguem tão profundamente que você esta disposto a mudar tudo o que você conhece . Não que precise e vá fazer isso, mas estar disposto a fazer isso se for necessário. E nada igual a ter alguém sorrindo pra você, ao te ver, fazendo festa, por que esta feliz só por que você existe! Te ama por quem você é, te conhece por dentro, te reconhece pelo cheiro, e sorri, por que a sua existência faz a felicidade dela. Não tem igual, não tem preço, e vale cada noite mal dormida, cada briga, cada conta não paga, cada momento que as vezes não só não é o melhor, mas é ruim, bem ruim.

Sabem, quando eu decidi ser mãe eu tive que aceitar que minha vida iria mudar muito e que a escolha de como lidar com isso seria minha, de uma forma ou outra.

Quando eu decidi ser mãe eu aceitei ser responsável por outra pessoa que seria por anos a fio incapaz de fazer as coisas sozinha e se responsabilizar por elas quando as fizesse.

Quando eu decidi ser mãe eu aceitei que a vida não era um mar de rosas e que muitas dificuldades que eu ignorei por muito tempo teriam que ser encaradas e quase que certamente vencidas.

Quando eu decidi ser mãe eu tomei a decisão mais importante da minha vida, a única da qual eu nunca poderia voltar atrás.

Eu decidi ser feliz. ^^