De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Enfim 2022

 Estamos em Fevereiro e para mim o ano começa agora. Quer dizer, não que ele não tivesse começado, mas é que Janeiro é pra mim sempre um mês muito tenso, muito difícil, onde o resto do ano é organizado e planejado e esse ano, mais que outros, isso me afetou profundamente.

Além disso Janeiro marca o rebote do mês de dezembro, e dezembro é um mês que eu costumo estar num estado de hipomania devido as festas, ver a familia, comprar presentes e etc. 

Esse ano a depressão chegou mais cedo pra mim e apesar de ter tido bons momentos especialmente no começo de Dezembro, as festas de fim de ano já estavam manchadas por essa melancolia e cansaço e um bom tanto de desespero. Não consegui aproveitar meu Natal, tive um bom Ano Novo, mas dia 02 em diante minha rotina contou com a depressão constante, brigas em casa, medo e frustração e muito desespero. A sensação de ver tudo que eu havia planejado indo por água abaixo.

Mas a vida é assim, certo? Ela nem sempre funciona como planejamos. Viver significa muitas vezes ser capaz de respirar fundo e se adaptar a uma realidade diferente e tentar encontrar soluções criativas.

Apesar de todo esse sentimento negativo - não, ele não foi embora porque trocamos de mês, claro que não - eu tenho hoje em mim uma certeza de proposito muito grande.

Hoje em dia eu tenho um trabalho que amo e estou buscando aprender, estudar e me desenvolver como profissional na carreira que sempre quis. Eu sinto que estou no caminho certo, que estou fazendo as coisas certas, e que tudo que preciso é de um pouco de estabilidade e paz de espirito para continuar correndo atrás de algo que eu sei que vai dar certo. Eu preciso de espaço e de tempo. Mas eu sei o que eu estou fazendo.

E isso é muito raro.

Fevereiro é pra mim quando o ano começa pois é quando consigo estabalecer uma rotina. É quando o pior do rebote ja passou e eu ja consigo vislumbrar pra onde ir e como chegar lá.

Tem muita coisa pra se resolver. Nada vai ser como eu tinha imaginado. Mas é hora de imaginar algo novo. 

Vem comigo?


quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Sobre Mitos e Instabilidades

"Hoje é um daqueles dias em vou de um extremo a outro em poucos minutos. Um gatilho bobo desperta uma série de sensações e pensamentos que mudam meu humor, tão alegre e animado pela manhã, e me deixam a mercê dessas nuvens de desânimo, tristeza e pessimismo.

Quando convivemos e entendemos o que se passa há tantos anos como eu aprende-se a não ouvir os raios da tempestade com tanto medo. É mais fácil, na verdade, ter medo do sol pois ele é sem dúvida o responsável por derreter a cera que cola as asas de Ícaro...
O importante é saber que não importa quão assustador seja o labirinto, a saída é logo ali. E não precisamos ter medo do minotauro visto que ele nada mais é que nosso reflexo do outro lado do espelho..." Esses paragrafos são de 1 ano atrás. Eles não poderiam ser mais reais hoje, como são na verdade há tantos anos. Indo e vindo nos mares do transtorno bipolar, estamos fadados a lidar com as ondas que se jogam na praia.

Nas ultimas semanas eu entrei numa crise muito forte de depressão. Muito forte mesmo. Tem sido dificil pra mim, tem sido muito dificil para quem esta do meu lado passando por isso comigo. Checamos os fatores que serviram de gatilho: momentos de muita intensidade emocional no trabalho, na vida pessoal, junto com uma tentativa de trocar de medicamento depois de mais de 10 anos com a mesma medicação parece terem sido um combo certeiro na estabildiade que eu vinha construindo. Mas ao encontrar os motivos, faz-se o que é necessário para melhorar: primeiro, começa se respeitando o momento. Entender e aceitar, se dar tempo, mas também usar as estrategias que foram construidas nos anos de tratamento para ajudar a modificar e dar a tal "virada positiva". Isso por vezes envolve gastar com coisas superfulas, ou se dar um bate papo regado a vinho. Uma noite romantica. Um ato impulsivo. Desde que não faça mais mal do que bem, estamos no jogo para sair da depressão então muita coisa se torna permitida. E essa semana começou melhor. As nuvens no céu não parecem mais tão negras. Os sorrisos são mais fáceis. A memoria ainda esta um caco. E parece que essas duas semanas tivram 1 ano inteiro de duração tamanho o cansaço. Mas hoje eu estou melhor. Retomei a medicação anterior que me serve ha tantos anos: nem sempre economizar $$ deve ser o seu foco principal. Foque no que faz bem. E vamos seguindo. O caminho para o fim do labirinto é longo, e as vezes o minotauro nos alcança. Podemos as vzes sair voando, desde qu tenhamos cuidado para não voar perto demas do sol.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Aquele sobre ser bipolar e mãe

 Olá, eu sou a Di. Caso você tenha chegado por aqui agora e ainda não me conheça.

Eu sou mãe da Rebeca, uma menina maravilhosa de 11 anos.

E eu sou bipolar.

Desse tipo diagnosticado mesmo. Com CID e tudo.

Pra quem quiser saber mais da minha história, eu vou recomendar ler uma série de posts que tenho contando um pouco do começo da minha trajetória. Eles chamam "A minha história". Da uma busca no blog. 😉

Por agora o resumo é que sou diagnosticada desde os 13 anos de idade, comecei o tratamento em 2004 aos 22 e levei e levo ele muito a sério por um objetivo muito claro: eu descobri que eu queria ser mãe. E eu entendia o que eu precisava fazer para alcançar esse sonho e me tornar a mãe que eu queria ser.

Depois de 5 anos de tratamento até alcançar a estabilidade eu realizei esse desejo e conquistei o direito de ter minha Rebeca.

E durante 10 anos eu me dediquei a ser a melhor mãe que eu podia ser.

O resultado disso foi uma filha saudável, companheira, amiga, empática, preocupada com o mundo ao seu redor, crítica, bem educada e que entrou na pré adolescência pronta pra começar a se virar sozinha e dar os próximos passos.

E no momento que ela já não precisa da minha dedicação integral 24h/7dias da semana, eu me vi em águas misteriosas, podendo voltar meus olhos para mim mesma novamente.

Isso trouxe uma onda de coisas boas mesmo em meio a uma Pandemia. Trouxe muita instabilidade emocional também pra eu ter que navegar, mas nada que não seja possível de lidar.

Ao longo desse meu caminho eu tive a sorte de ser uma pessoa muito consciente. Por ter convivido desde a infância com minha mãe com Transtorno de Pânico e entender isso como uma doença com tratamento e capaz de ser vencida - eu vi isso! - quando eu me vi em uma crise que parecia sem volta eu fui capaz de parar, entender o que estava acontecendo comigo, e buscar ajuda médica.

Foi iniciativa minha. No meio de uma crise depressiva. Um momento de lucidez no meio de uma tempestade.

Com o blog eu tive a chance de conhecer, e espero que ajudar, muitas pessoas que de repente se viram com esse diagnóstico cheio de tabus e precisavam de um apoio e de um exemplo que era possível ter uma vida boa, útil, feliz, e que não precisavam abandonar seus sonhos, muitas vezes de ter uma família.

No máximo teriam que desacelerar, respirar, aprender novas formas. Mas que um diagnóstico não é uma sentença.

E ser bipolar não define quem somos. É apenas mais uma das nossas características. E podemos conviver com isso.

Eu não escrevo mais com tanta frequência. Minha vida anda bem corrida e disso eu não tenho do que reclamar. Tenho vivido um segundo sonho.

Mas sinta-se a vontade para vasculhar nos arquivos daqui do blog. Pode ser que você encontre algo que se assemelhe ao que está vivendo agora. Talvez algo que te dê uma luz, ou uma mão.

E continue por aqui. Ainda vamos nos ver muito nessa viagem.


Boa semana pra vocês!

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Sobre projetos, planos, e como me perco facil...

Estamos no final de Julho e estamos de semi-quarentena aqui em São Paulo desde final de março. Tudo dura muito mais do que deveria, do que é aceitavel, do que é possivel...

Com a quarentena Taz não pode ir trabalhar. Ele trabalhava dirigindo transporte escolar e estava transitando para passar a ser motorista de aplicativo. Haviamos acabado de fazer um investimento voltado pra isso quando a quarentena começou. Com o Corona virus tão disseminado na população ele continuar trabalhando com isso é arriscado demais e ele é basicamente o suprassumo do grupo de risco: homem, obeso, hipertenso, pre diabetico e asmatico.

Não, sem chances, se expor é arriscado demais.

Mas então fazer o que?

Temos alguns projetos em andamento. Temos planos. Muitas ideias. E outras tantas surgem a todo momento. Poucas, infelizmente, chegam a uma conclusão. Nenhuma delas é para retorno imediato.

E eu me vejo perdida no meio das ideias, tentando produzir algum conteudo aqui e ali nas diversas frentes que se apresentam. Tento focar e isso me parece impossivel. As vezes passo dias sem conseguir fazer algo concreto para ter dois ou três dias de maior produtividade. Mesmo assim não consigo concluir nada e a sensação de frustração cresce.

O dia a dia cobra minha presença, minha atenção. A rotina, a casa, as contas, o marido doente, a escola da filha...

Esse fim de semana eu não fiquei muito bem. Esses ultimos dias... E o que houve foi que eu quis fugir e me esconder onde encontrei conforto. Me desligar da realidade por algumas horas, alguns dias, me perder nos momentos de aconchego. Dengo.

Mas se é facil me perder nessa vontade, é o oposto voltar a cabeça para o que precisa ser feito.

Tento não me cobrar demais. A verdade é que me cobrar me culpando pelo que não fiz, ou pelo que fiz e não deveria ter feito, ou por me permitir, não leva a absolutamente lugar nenhum. A culpa nunca nos leva a lugar nenhum que seja bom.

Chacoalho a cabeça tentando afastar esse sentimento. Deito a cabeça no travesseiro e durmo o maximo que posso. Sim, essa é a resposta para os momentos de angustia, dormir. Meu mais fiel tratamento, sempre funciona, é apenas uma questão de dose: algumas noites a mais ou a menos, mas sempre funciona.

Acordo no dia seguinte com a energia renovada, com a cabeça mais limpa, e procuro encontrar na tela do computador o foco perdido.

Temos planos, projetos, ideias, e eu quero poder fazer o que depende de mim, o que eu me propus, o que me diverte e me faz sentir mais util.

Mexo no site aqui, escrevo mais um pouco ali... Coordeno a criação de uma musica. Coordeno as pessoas a minha volta, organizo a rotina da casa, me mostro disponivel para ajudar um amigo.

Faço café.

Farei um pouco mais hoje. O importante é não desanimar e continuar em frente, mesmo que devagar.

Apenas levantar e continuar em frente.

Tomo meu café e escrevo. Isso me preenche. O café é doce.

Não existe açucar demais.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Sobre me deixar sentir...


Eu tenho tido fins de semana muito bacanas nas últimas semanas. Tenho jogado RPG com amigos que tem se aproximado mais e tem sido muito bom, divertido e libertador.

Esse fato, os jogos de RPG nos fins de semana, tem sido uma consequência da reaproximação de alguns amigos nos últimos meses. Além dos jogos de RPG, temos recebido amigos em casa, dado suporte a amigos com dificuldades e feito da nossa casa o que sempre desejamos: um local seguro, um refúgio, um local que você se sinta bem recebido e tenha vontade de voltar.
Esse movimento de receber, de acolher, é algo que faz parte de mim, é uma das minhas principais características. Taz chegou na minha vida e se sentiu a vontade exatamente por causa disso e ao iniciarmos nosso relacionamento ele tomou para si parte dessa característica, se identificou, e hoje é corresponsável pela manutenção dessa rede.
Agora, apesar disso, tem uma coisa que eu sinto e da qual nunca falo que as vezes me parece ir contra todo esse sentimento de mamãe coruja.

Eu não me sinto confortável com toque.

Isso não é algo que eu senti sempre. Sempre fui tímida, sim, e não demonstrava ou recebia bem demonstrações de afeto de desconhecidos, mas depois que me sentia mais a vontade conseguia relaxar e aceitava bem a aproximação das pessoas.

Isso mudou muito depois do nascimento da Rebeca.

Sinto que fui me fechando cada vez mais para o mundo, criando uma proteção, uma barreira para me proteger e manter o controle. Eu sinto, o tempo todo, que posso perder o controle a qualquer momento. E eu não posso perder o controle.
Inicialmente uma barreira mental, sem que eu percebesse isso foi crescendo, ao ponto que eu não me sentia bem recebendo elogios, abraços, beijos no rosto, apertos de mão, ou qualquer coisa que pudesse me expor de alguma forma.
Duas ou três vezes no ano eu tento abrir mão desse controle tendo uma noite onde vou beber, ficar levemente bêbada, dar risada e não me preocupar com mais ninguém a não ser minha própria diversão. Sempre acompanhada de alguém para dividir esse momento, nunca sozinha. O que faz com que muitas vezes o plano de errado e eu me veja tendo que cuidar desse outro alguém, mas são experiências mais positivas que negativas então mantenho o plano.
Pode parecer besteira mas é muito difícil se permitir esses dias e mesmo nesses situações eu estou sempre a apenas um “clique” de voltar a me fechar, me concentrar, ser responsável.

O que eu quero focar um pouco aqui é na questão do ser tocada. Com todas as dificuldades e as crises depressivas, de leves e contínuas as mais graves, eu fui desenvolvendo uma certa aversão ao toque de outras pessoas. Ao ponto de que em alguns momentos o único toque que eu me sentia realmente confortável era o da Rebeca. Com ela era o único momento que eu me sentia totalmente a vontade.

Com o Taz esse sentimento ia e vinha dependendo do meu humor, do tom das conversas, mas mesmo assim isso afetou profundamente nossa relação. Mesmo me sentindo segura com a presença dele a maior parte do tempo eu simplesmente não consigo baixar totalmente a guarda.

E dai que isso começou, lentamente a mudar no último ano. Com tudo que passei com minha mãe adoecendo, a mudança, a perda do meu sogro… Eu não tinha como não estar vulnerável. E durante esse período algumas pessoas voltaram ou passaram a estar bem mais presentes na minha vida. Amigos que me ofereceram não apenas ajuda em coisas práticas, mas atenção e carinho. E carinho na forma, também, de abraços.

Eu não me senti confortável com o toque, com ser tocada, num primeiro momento. Mas eu senti, sinto, a necessidade dessa proximidade. Eu quero muito ter essas pessoas na minha vida e quero que elas se sintam sim na liberdade de serem afetuosas comigo. Porque elas são assim. E porque eu percebi, enfim, o quanto eu preciso disso.

Os abraços inicialmente mal retribuídos, pois eu não sabia mais como me portar, aos poucos tem sido cada vez mais bem vindos.
E o que começou como uma reciprocidade tímida e muito inconsciente, de repente com todas essas peças se juntando me fizeram querer tomar a ação.

Eu ainda sinto, a cada abraço, que se eu ficar ali aninhada por tempo demais eu vou simplesmente perder o controle. Vou cair num choro sentido de quem não sabe o quanto sente falta de se permitir sentir qualquer coisa.

E o que eu percebi é que: eu ainda não consigo e não sei como fazer isso, mas eu quero voltar a sentir de novo.

Não sei como descrever isso melhor. Eu quero voltar a me deixar sentir.

E apesar disso me causar um medo absurdo, a vida é muito curta e muito imprevisível pra ter medo o tempo todo.

E eu quero, em algum momento, não sentir mais medo. Pelo menos não de mim mesma.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sentir, agir, viver, seguir

Seguimos.

A rotina ainda nem havia se instalado direito e já precisa ser revista.
E eu não sei como levar nem as pequenas responsabilidades.

Faço o possível.

Levo Rebeca pra aula. Recebo visitas. Essas são coisas que parecem ajudar, mas infelizmente duram pouco.

Na verdade o que dura pouco é o humor.

Não estou bem e tinha muito tempo que eu ficava tão mal por tanto tempo.

Por mais que nas férias eu tenha conseguido levar os dias razoavelmente bem, não chegou nem perto de ser bom. De poder dizer que eu não estava deprimida ou ansiosa. De poder bater no e dizer: "estável".

Se nas férias que eu estava um pouco melhor eu não conseguia fazer um bolo de aniversário, agora com mais atividades e a iminência das mudanças e problemas de saúde voltando a ser mais presentes, tenho dificuldade de fazer o almoço. Tirar roupas do varal. Escrever. Levantar da cama. Dormir...
Tudo requer um esforço muito maior. Como se o tempo todo eu carregasse um saco de 5kg de arroz em cada ombro, cada pé...
Pensar e interagir exigem concentração, calma. Sinto como se estivesse o tempo todo de mal humor. Tenho dormido pouco.
Com mais dificuldade de adormecer fico na cama torcendo que o tempo passe e o dia seguinte chegue e eu não precise me sentir culpada por estar acordada: já é dia.
Não consigo aproveitar o tempo extra acordada nem pra assistir filmes. Sozinha de madrugada fico com medo de ficar na sala ou outro lugar da casa que não o quarto fechado e seguro. Me sinto exposta. Vulnerável. E por dividir o quarto com o marido e a filha não uso muito o celular para não correr o risco de acordar qualquer um dos dois...

Então o que consigo fazer é apenas seguir.
Um dia de cada vez.
Quando me sinto mais disposta adianto alguma coisa. No resto do tempo procuro me permitir não estar bem ao máximo do que é possível com toda a culpa que me consome.

Se o ciclo de me sentir incapaz já não fosse suficiente ele se auto alimenta me impedindo de fazer o que preciso. Vivo do mínimo e tento aceitar.

Eu sei que é só uma fase. Sei que isso vai passar. Sei que demora, que é difícil, mas também sei que passa.

Sempre passa.

A certeza de, mesmo durante a tempestade, saber que o sol vai brilhar de novo amanhã. Só não o vemos por trás das nuvens mas ele continua ali.

Espero por ventos melhores para soprar esse mal estar de dentro de mim. Espero.
Quando posso faço os meus esforços para ajudar a mim mesma e virar essa página mais rápido.
Mas não adianta ter pressa por mais que o desespero apareça para assombrar minhas parcas tentativas. Tem mais a ver com resiliência. Com continuar aqui e seguir em frente independente de qualquer coisa.
De seguir.
Ter a certeza que o caminho e longo mas não e todo de barro. Que a estrada vai voltar a fluir.
Enquanto isso, presto atenção nas flores.
Paro, respiro, sigo em frente.

Hoje eu já consegui escrever.
Hoje já é um dia bom.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

E sexta feira e eu não sei...

Tive uma conversa ontem que virou discussão e por fim desabafo.

As férias acabaram e o que senti foi que a cortina de humor e disposição que me cobre nesse período se fechou.

Aplausos, foi um belo espetáculo. Mas ao fim de cada teatro nós pegamos nossas coisas e voltamos para casa.

E em casa nos deparamos com a bagunça que deixamos antes de sair. "Arrumo quando eu voltar" falamos sem pensar no cansaço da volta.

De repente uma notícia de jornal me tirou o chão e me fez sentir medo.

Em minha mente vi toda a falta de segurança, de liberdade, de civilidade, de humanidade, sumirem em segundos.

Em segundos me senti em perigo. Em segundos eu senti que precisava defender minha filha e seus direitos mais básicos.

E em minutos uma conversa sobre um artigo no jornal virou uma discussão e por fim um desabafo.

E me senti inundar por todo o sentimento de inadequação, de incapacidade, de ...

Olhei pra mim e vi alguém que fez escolhas ruins. Alguém que fez as escolhas possíveis, mas que hoje se vê presa a uma realidade que não me completa. Presa numa casa, cidade, estado, país, sem chances de buscar ou tentar conhecer novos horizontes por mérito próprio.

Alguém incapaz de mudar a própria realidade.

De garantir a segurança, a autonomia e a liberdade de minha filha. De protege-la... De dar a ela chances melhores, de ser quem ela quiser ser, onde ela quiser ir.

Alguém incapaz. Alguém que depende dos outros para tudo e exatamente por isso incapaz de mudar isso.

Em segundos fui inundada por uma tristeza e um enorme desespero.

A conversa acabou, as lágrimas secaram, me concentrei em respirar e deixar o dia terminar.

A intensidade desses sentimentos me cega para o mundo real.

A bagunça na casa me impede de ver a sala, os quartos, e cada canto desse que é o meu lar.

A bagunca de sentimentos intensos demais nessa retomada da rotina após as férias me impede de ver as coisas boas que vivo e faço.

Então eu apenas deixo o dia acabar para poder dormir e descansar um pouco. Apreciar o silêncio da noite quando tudo em volta já dorme, e deixar que esse silêncio me preencha.

Encontro refúgio nos pequenos luxos e prazeres que posso alcançar. Uma tarde menos quente, um jantar de sabor forte, uma fuga gastronomica para calar e engolir o choro.

Vai passar.

Arrumar a casa pode dar trabalho mas é necessário para encontrar o conforto escondido por trás das almofadas fora do lugar.

Respiro. Tomo um café.
Em alguns dias as coisas voltam ao normal.
Eu também.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Viajar é preciso, ter medo não é preciso...

Embarcamos.

Eu escolhi viajar de dia. Por algum motivo, acho que por uma associação a viagens de carro, eu me sentia mais segura se a viagem acontecesse de dia. Fomos pro aeroporto cedo de manhã, encontramos minha tia e fizemos nosso check in.

Não demoramos muito e adentramos a área de embarque. A partir daí eu já comecei a ficar um pouco melhor. Mas só um pouco.

Embarcamos, nos ajeitamos no lugar, arrumamos malas de mão no bagageiro. Rebeca estava muito animada, muito ansiosa e feliz. Logo quis mexer na tela de vidro de seu lugar, explorar as opcões de filmes e jogos e descobriu que tinha um programa que monitorava o vôo, mostrando onde aproximadamente no mapa estávamos e quanto tempo de viagem ainda restava. Pronto. A cada 15min ela parava o que estava fazendo e voltava a ver o programa numa clássica modernização de "já chegamos?".

A viagem toda. A cada 15 min. Foram 8h de viagem.

Eu tentei assistir algum filme, o máximo que ela permitiu. Minha tia também. Conversamos um pouco também, mas no mais eu lembro de me ocupar com a Rebeca e sua ansiedade em chegar. Acho que com a minha também.

Quando chegamos em Miami tive minha prova de fogo, meu último obstaculo: a imigração. Eu tinha medo de falar alguma besteira, ou mesmo não conseguir me comunicar de tão nervosa. Minha tia não falava muito inglês e a Rebeca ainda uma criança então essa primeira comunicação dependia totalmente da minha capacidade de me controlar.

Atendimento rápido, fila grande. Apenas algumas perguntas sobre quanto tempo iríamos ficar e onde e fomos liberadas.
Pronto. Estava feito. Consegui passar por meus medos. Estava pronta para aproveitar a viagem tão sonhada.

Encontramos minha irmã no desembarque. Rebeca correu para um abraço. Muita emoção. Ela estava de carro, já era noite e nós seguimos para o hotel onde ficaríamos aquela dia antes de seguir viagem em direção a Tampa.

As diferenças culturais já começaram a aparecer: lá tudo fecha relativamente cedo, então quando saímos para jantar perto do hotel, quase 21h, a única coisa que encontramos aberto foi uma lanchonete. Vazia. Lanches vieram errado, mas quem ligava a essa altura do campeonato?

Voltamos para o hotel e acabamos dormindo cedo. Teríamos horas de estrada no dia seguinte.

Nossa viagem estava apenas começando...


Foram 6 horas de carro até Tampa. Tomamos café no hotel. Nada parecido com os cafés da manhã de hotéis no Brasil, muito mais simples. Leite, café, iogurte, bagel, cereal, geleias, um suco, era isso.

Saímos cedo para tentar aproveitar o dia.
Andar de carro foi algo que fizemos bastante nessa viagem.

Era Outubro e estava muito calor. Aquele calor úmido de cidades praianas. O sol forte, queimando. E todo lugar que íamos, do carro as lojas, ao hotel, ao apto que ficamos em Tampa, tudo com ar condicionado. Se não me engano todos regulados a 20°C. Do lado de fora o sol há fáceis 35°C. Era um choque de temperatura atrás do outro.

A viagem de carro para Tampa foi muito agradavel. Conversamos, ouvimos música, falamos sobre o que iríamos fazer nos próximos dias. Almoçamos num restaurante mexicano no caminho. Fast food também, mas delicioso. Porções enormes de comida, refil a vontade de bebidas.

Estrada quase que uma reta só. Os vidros fechados do ar condicionado disfarçam a velocidade que lá é medida em milhas.

Chegamos em Tampa. Automaticamente me senti dentro de um filme americano. Essa sensação me acompanhou por dias, de estar vivendo um filme.

As casas com seus grandes jardins na frente. A cerca branca. As ruas tranquila se limpas. Ou quase. Alguns lugares ainda alagados e um pouco de entulho acusavam que por ali passará um furacão a apenas 2 semanas...

Esquilos.

Ficamos em um apto numa área residencial da cidade. Grande, confortavel, 2 quartos, piscina no condomínio. Banheira. Todas as casas lá tem banheira, me lembrou minha irmã.

Descansamos um pouco e decidimos fazer compras para a semana. No final do dia receberiamos a visita dos amigos de minha irmã e suas filhas.

Antes de entrar no Mercado minha irmã avisa que estamos num país consumista e que temos que controlar nossos impulsos.

É época de Halloween. Na entrada da loja tem uma barraca com abóboras enormes. Minha irmã se empolga e decide comprar a abóbora.

Fomos fazer compras várias vezes durante a viagem. Compras de comida, de roupas... As lojas gigantescas, maior do que qualquer loja que eu já vi no Brasil. E tudo muito barato (Se você ganha em dólar)! Era muito fácil se empolgar comprando coisas. Muito facil mesmo.

Terminamos nossa primeira noite em Tampa recebendo os amigos de minha irmã para uma taça de sorvete. Muito simpáticos, nos deram boas vindas e nos fizeram sentir a vontade.

Rebeca conheceu as meninas e elas logo se deram bem. Ok, rolou aquela vergonha de quando conhecemos pessoas novas, mas dentro do esperado, conseguimos nos entender.

Agora era acertar a programação e aproveitar.

Seriam 10 dias muito intensos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Sobre a viagem que transforma...

2017 pra mim foi um ano que teve 3 anos dentro do mesmo ano. Isso aconteceu por causa do efeito que uma viagem que fiz com a Rebeca em Outubro, mas que começou a ser preparada em abril daquele ano.

Em Abril do ano passado eu e Rebeca ganhamos de presente de vários membros da família uma viagem para visitar minha irmã que mora nos EUA.

Foi uma iniciativa da minha irmã, que queria muito que nós fossemos para lá vê-la ao invés de só ela vir para o Brasil.
Eu relutei bastante em aceitar o presente, por medo principalmente, por insegurança, por não me sentir a vontade ganhando um presente tão caro, e tudo o mais. Minha irmã precisou desconstruir cada um dos meus motivos para me convencer.

O que mais pesou para aceitar a proposta de viajar para outro país foi como isso poderia ser importante na vida da Rebeca. Como essa experiência poderia ser rica, dando a ela a vivência em outro país, falar outra língua, conhecer pessoas com uma cultura diferente. E como eu não sabia se teria a oportunidade de oferecer essa vivência a ela tão cedo.

Quando minha irmã tentava me convencer esbarramos logo de cara num medo que eu mesma não sabia que existia. Eu estava com medo de voar de avião. Tinha medo de um desastre, medo que o avião caísse, medo que eu e a  Rebeca pudessemos morrer.
E era um medo enorme, paralisante, irracional.
Estava com medo de viajar sozinha com ela para um país estrangeiro, medo que se nós nos separassemos por alguns segundos eu poderia perde-la pra sempre.
Medo com as novas políticas migratorias, que nos barrassem de entrar no país, que me separassem da minha filha.

Foi aí que mais pessoas da família entraram na história e vieram ao meu socorro.

Começou por minha tia. Conversamos com ela e contamos o caso da viagem e como eu não queria ir pois estava com esses medos, tudo isso numa festa da familia. Minha tia, uma senhora de 75 anos mas com um espírito aventureiro de dar inveja, se ofereceu para ir comigo. Ela planejava fazer uma viagem aquele ano e ainda não tinha decidido para onde e ela nunca havia ido para os EUA. Ofereceu então para unir a vontade dela de conhecer outro lugar e me ajudar, e a minha irmã, a fazer a viagem.

Isso mudou tudo. E eu não poderia ser mais grata.

Eu continuei com medo. Acreditem, esse medo todo só passou na hora que já estávamos em solo americano, mas ter esse apoio, e ganhar força para oferecer essa chance a Rebeca foi essencial.

A primeira coisa que precisamos fazer foi tirar passaporte e vistos. O passaporte foi fácil. O visto no fim também, mas teve todo o estresse do medo do visto ser negado.

Decidimos tirar o visto todos juntos, minha tia, meus pais, eu e Rebeca.

O processo para tirar o visto começa com um formulário online que você responde com seus dados, os dados dos seus contatos no país, e um questionário para avaliar sua candidatura. Você responde o questionário, envia, e paga a taxa de avaliação do mesmo. Após o pagamento da taxa você agenda a entrevista no consulado, momento onde você poderá ter o seu pedido aceito ou não.
Antes da entrevista você tem que se apresentar num posto do consulado americano para checagem dos documentos, fotos e digitais.

Somos o tempo todo inundados com notícias ruins. Como se apenas as coisas negativas merecessem chegar ao noticiario. Então eu estava apavorada já pra passar por esse processo. Um misto de muito medo da solicitação não ser aceita, e uma esperança de que isso realmente acontecesse e eu não precisasse fazer a viagem (aí não ia ser culpa minha!).

Mas correu tudo bem, recebemos nosso direito de visitar os EUA.

Nessa parte, desde que estávamos completando o formulário, recebemos ajuda dos meus primos, filhos da minha tia, que se engajaram para que a viagem fosse um sucesso. Meu primo, que tem uma agência de viagens, nos auxiliou no processo para tirar os vistos e passagens e seguro viagem e minha prima nos ajudou com estadia, compras, dicas, etc

Minha irmã ficou responsável por organizar a viagem, minha passagem e da Rebeca, estadia, programação...

Decidimos que, apesar de minha irmã morar em Washington, essa primeira viagem seria mais interessante para a Rebeca se nós fossemos para a Flórida, onde moram amigos dela com filhas da idade da Rebeca. Faríamos a viagem toda voltada para ela. Seria seu presente de aniversário. Iríamos em Outubro.

Nossa programação então incluía conhecer a Disney e a Universal em Orlando, e conhecer outros pontos turísticos na cidade de Tampa, onde os amigos dela moram. Acreditávamos que a vivência da Rebeca com outras crianças seria mais proveitosa para ela explorar outra lingua. Crianças tem um jeito próprio de se comunicar e se sentem mais a vontade umas com as outras, e apostavamos nisso.

Deu muito certo.

Rebeca já faz inglês na escola, tendo uma fluência muito boa, mas ate a viagem ela tinha muita vergonha de falar em inglês, mesmo entendendo bastante quando falamos com ela. E a viagem serviu para se soltar e se sentir mais segura. Foi realmente uma oportunidade incrível.

Eu também pude me sentir mais confortável com minha fluencia. Apesar de ter sido professora de inglês e já ter convivido com pessoas nativas dessa língua antes eu não tinha tido a chance de viajar para um país de língua inglesa. Estar la e ser capaz de me comunicar confortavelmente foi ótimo.

Mas entre a compra das passagens e tirar o visto em junho e a viagem em outubro eu tive a pior crise de ansiedade da minha vida.

Eu não conseguia pensar em outra coisa. O medo me consumia. Não conseguia me alimentar direito, vivia a base de miojo com muito queijo ralado. Minha imunidade foi pro beleléu e eu fiquei doente o tempo todo.
Um mês antes de viajar eu peguei uma infecção de garganta fortissima, fiquei sem voz, febre, dor, e isso só passou uma semana antes da viagem.

Rebeca não passou despercebida por tudo isso. Por mais que eu tenha tentado protegê-la, no último mês ela acabou ficando doente também.

Quando chegou o grande dia, uma semana depois do aniversário dela, já estávamos bem, ansiosas e animadas. Quando o avião decolou fui sentindo o medo deixar e ficar a animação.
Quando finalmente chegamos em Miami, passamos pela imigração e encontramos minha irmã, toda a preocupação ficou pra trás e estávamos prontas, eu, Rebeca e minha tia, para aproveitar aqueles dias de descobertas...

Continua... ;)

domingo, 22 de julho de 2018

De domingo a domingo

Hoje foi um domingo com bastante cara de domingo.

Sabe aqueles dias que são lentos? Calmos? Que você não faz nada o dia todo e não sentiu vontade de fazer nada diferente disso?

Pois é...

Por mais que eu goste de sair ou receber pessoas em casa, principalmente receber pessoas em casa, as vezes eu sinto que preciso de dias como hoje.

Tenho tido a cabeça cheia de preocupações nos últimos meses. Minha mãe não está muito bem de saúde e além de lidar com o stress e insegurança que ter uma pessoa da família com a saúde fragilizada causa, ainda temos que lidar com burocracias e pagamentos de convenio, medicos, hospital.
Adicione a isso uma reforma na casa, uma decisão de mudança de endereço e modo de vida, mais a rotina do dia a dia com todas as já habituais dificuldades e pronto, temos um cenário perfeito para uma crise.

Mas no entanto não foi isso que aconteceu.
Não estou em crise.
Me sinto talvez em modo de espera em boa parte do tempo. Mas a verdade é que sou uma pessoa bem paciente.

Nesse mês de férias escolares meu sobrinho esteve por aqui para passar tempo com a Rebeca. Foram quase 20 dias e foi ótimo ver os dois brincando e se divertindo juntos, mesmo quando eles se estranhavam um pouco.

Mas ter ele aqui somado a situação que descrevi me manteve num ritmo diferente do meu habitual. Dormindo pouco, pensamento acelerado... Foi bom, mas sinto que preciso de alguns dias para voltar para os eixos, descansar.

Ontem e hoje essa necessidade de me voltar a mim mesma me levou a ficar meio antisocial, um tanto nostalgica, mexendo em álbuns de fotos antigos.

Me sentei no sofa em meio a fotos da minha infância, da minha família, dos amigos... Cerquei-me das boas e das más lembranças. Lembrei do tempo que era fácil, talvez?
Não encontrei diversos álbuns de fotos que sei que existem da minha adolescência, que era os que eu mais queria ver. Não tem problema. Continuarei procurando.

Mas o que me veio a cabeça nesse momento de introspecção foi uma frase que meu marido me diz há 20 anos: "Pra quem sabe olhar pra tras nenhum caminho é sem saída".

Me senti me procurando. Talvez ao olhar quem fui eu caminhe mais tranquila por onde estou.

Hoje foi um domingo com muita cara de domingo mesmo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Sobre gripe, sono e sintomas


 Estou gripada faz 2 semanas. Uma gripe bem feia, bem forte, como não tenho há mais de 7 anos. Comecei à melhorar um pouco ontem, depois de passar dias evitando um tratamento que me indicaram no segundo dia.

E achei que valia a pena falar um pouco sobre isso. E com “sobre isso” eu quero dizer com como pequenos sintomas relacionados à bipolaridade podem aparecer sem a gente perceber em momentos de vulnerabilidade e irem crescendo.

Vou começar dizendo que eu praticamente nunca fico doente. Eu não lembro a ultima vez que tive febre, tosse deixou de ser um problema na minha vida quando parei de fumar após o nascimento da Rebeca (alias, eu preciso fazer um post sobre isso com 7 anos de atraso né?) e fico resfriada  1 vez por ano.

Então, considerando isso, essa gripe que estou agora me pegou de um jeito que eu não estava esperando. Eu havia acabado de sair do meu resfriado anual, meio forte, e já achava que tinha deixado isso pra trás, quando um descuido bobo – dormir com o ventilador ligado e voltado pra cima de mim numa noite que esfriou bem mais do que eu estava obviamente esperando – possibilitou que essa gripe viesse e se alojasse com mala e cuia.

Quero dizer que pela primeira vez na vida estou sem convenio médico, e que apesar do atendimento na UPA perto de casa não ser aquele caos digno de televisão, todo mundo sabe que tem que sentar e esperar horas a fio pra ter um atendimento.

E toda mãe sabe que você não leva, e portanto também não vai, no PS por qualquer gripe pra na correr o risco de pegar uma bactéria mais forte por exposição.
Então eu não fui no médico. E to lutando pra me tratar em casa sem ir ao médico até agora.

Mas a tosse foi ficando cada vez pior, a sensação de fraqueza aumentando, a dor de cabeça, as tonturas, e nada de melhorar...
E com tudo isso, eu não consigo dormir direito. Vocês ai todos sabem bem como é, você tosse metade da noite ao invés de dormir, e quando dorme ta tão mal posicionado pra ficar com a cabeça alta que acorda mais cansado do que quando foi deitar.

Essa é a parte igual pra todo mundo.

O que eu acho que não é igual são os motivos que levam as pessoas a fazerem ou deixar de fazer certas coisas.

No segundo dia meu marido já estava me indicando a tomar um remédio pra soltar toda a secreção que claramente se alojava no meu nariz e garganta. No terceiro dia meu pai disse a mesma coisa. E eu negando, dizendo que era só uma gripe, que só precisava de um antigripal e que logo ia passar.

O que eu falava meio escondido é que eu não queria tomar o remédio com medo que a secreção descesse para o pulmão e eu ficasse com uma pneumonia num momento que estou sem convênio medico.

Não que existisse uma única possibilidade disso acontecer. Mas eu imaginava que sim com tanta força que não aceitava tomar o remédio.

E isso foi ficando pior a cada dia que eu dormia mal e pouco.
Depois de na ultima quinta feira eu ter uma crise de tosse que durou 1h inteira enquando eu tentava colocar a Rebeca pra dormir, e com isso assustar a todos eles- meu pai, meu marido e minha filha – meu pai sugeriu que eu passasse Vick Vaporub nos pés para acalmar a tosse e conseguir dormir.
Não tive coragem.
Alias ainda não tenho.

Mas naquele dia meu raciocínio era de que eu estava a 10 dias tomando um antigripal que tem como efeito colateral de seu principio ativo afinar o sangue. O Vick Vaporub iria dilatar os vasos sanguíneos. E nos cálculos mentais essa soma não me parecia algo seguro de se fazer e eu não tive coragem.

Adicional a isso eu tinha medo de, como a Rebeca estava dormindo comigo, ela respirasse o vapor do remédio e tivesse alguma reação estranha visto que nunca usei esse remédio nela e não sei se elea tem sensibilidade ao mesmo.

Agora somem a isso que leram o sentimento de medo desproporcional, e impotência por não conseguir agir, e cansaço e desespero.

Na sexta eu cedi, tentei passar o tal remédio nos pés, e tive uma crise desencadeada por isso que me manteve semi-acordada a noite toda com medo.
Medo de morrer.

Sério, nesse nível.
Daí a partir de sábado, ciente que esses medos eram na verdade sintomas que estavam se agravando, não da gripe, mas da minha ansiedade e bipolaridade, consegui ser mais racional e seguir o tratamento que eu estava evitando fazia 10 dias por causa deles.

Comecei a tomar o remédio para diluir a secreção, parei com o antigripal ficando apenas com o analgésico para aliviar os sintomas, e descansei o fim de semana todo, de molho no sofá.

E estou finalmente conseguindo dormir melhor, respirar, e ter um pouco mais de voz de novo. Me sinto melhor, mais bem disposta, e sem duvida mais calma.

Mas o medo ainda não passou.

E a depressão ta forte como um retorno do stress, tensão, e problemas reais que não deixaram de existir.


Mas eu estou finalmente melhorando da gripe e tendo uma perspectiva de ficar boa logo.

E foi essencial saber que todo o medo, o nervoso, e as coisas que estava imaginando eram criações da minha cabeça alimentadas por noites mal dormidas e um quadro de ansiedade.

E esses sintomas, como todo o resto, também vão passar com o tratamento adequado.