De mãe e louco todas temos um pouco

Sejam bem vindos ao cantinho aconchegante que reservei para essa conversa. Espero que esses relatos possam de alguma forma ajudar aqueles que tem duvidas, receios, e as vezes até mesmo culpa por não serem perfeitos como gostariamos de ser para nossos filhos, que ja estão aqui, ou estão por vir.
Essa é minha forma de compartilhar essa experiencia fantastica que tem sido me tornar mãe, inclusive pelas dificuldades que passei, passo e com certeza irei continuar passando por ser Bipolar. E o quanto nos tornamos mais fortes a cada dia, a cada queda, como essa pessoinha que chegou me mostra a cada dia que passa.
A todos uma boa sorte, uma boa leitura, e uma vida fantastica como tem sido a minha, desde o começo e cada vez mais agora!
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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Aquele sobre ser bipolar e mãe

 Olá, eu sou a Di. Caso você tenha chegado por aqui agora e ainda não me conheça.

Eu sou mãe da Rebeca, uma menina maravilhosa de 11 anos.

E eu sou bipolar.

Desse tipo diagnosticado mesmo. Com CID e tudo.

Pra quem quiser saber mais da minha história, eu vou recomendar ler uma série de posts que tenho contando um pouco do começo da minha trajetória. Eles chamam "A minha história". Da uma busca no blog. 😉

Por agora o resumo é que sou diagnosticada desde os 13 anos de idade, comecei o tratamento em 2004 aos 22 e levei e levo ele muito a sério por um objetivo muito claro: eu descobri que eu queria ser mãe. E eu entendia o que eu precisava fazer para alcançar esse sonho e me tornar a mãe que eu queria ser.

Depois de 5 anos de tratamento até alcançar a estabilidade eu realizei esse desejo e conquistei o direito de ter minha Rebeca.

E durante 10 anos eu me dediquei a ser a melhor mãe que eu podia ser.

O resultado disso foi uma filha saudável, companheira, amiga, empática, preocupada com o mundo ao seu redor, crítica, bem educada e que entrou na pré adolescência pronta pra começar a se virar sozinha e dar os próximos passos.

E no momento que ela já não precisa da minha dedicação integral 24h/7dias da semana, eu me vi em águas misteriosas, podendo voltar meus olhos para mim mesma novamente.

Isso trouxe uma onda de coisas boas mesmo em meio a uma Pandemia. Trouxe muita instabilidade emocional também pra eu ter que navegar, mas nada que não seja possível de lidar.

Ao longo desse meu caminho eu tive a sorte de ser uma pessoa muito consciente. Por ter convivido desde a infância com minha mãe com Transtorno de Pânico e entender isso como uma doença com tratamento e capaz de ser vencida - eu vi isso! - quando eu me vi em uma crise que parecia sem volta eu fui capaz de parar, entender o que estava acontecendo comigo, e buscar ajuda médica.

Foi iniciativa minha. No meio de uma crise depressiva. Um momento de lucidez no meio de uma tempestade.

Com o blog eu tive a chance de conhecer, e espero que ajudar, muitas pessoas que de repente se viram com esse diagnóstico cheio de tabus e precisavam de um apoio e de um exemplo que era possível ter uma vida boa, útil, feliz, e que não precisavam abandonar seus sonhos, muitas vezes de ter uma família.

No máximo teriam que desacelerar, respirar, aprender novas formas. Mas que um diagnóstico não é uma sentença.

E ser bipolar não define quem somos. É apenas mais uma das nossas características. E podemos conviver com isso.

Eu não escrevo mais com tanta frequência. Minha vida anda bem corrida e disso eu não tenho do que reclamar. Tenho vivido um segundo sonho.

Mas sinta-se a vontade para vasculhar nos arquivos daqui do blog. Pode ser que você encontre algo que se assemelhe ao que está vivendo agora. Talvez algo que te dê uma luz, ou uma mão.

E continue por aqui. Ainda vamos nos ver muito nessa viagem.


Boa semana pra vocês!

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Porque eu (quase) nunca grito

 

Aviso de Gatilho - alguns assuntos abordados podem servir de gatilho para pessoas em momento de fragilidade. 

2021 não começou fácil pra mim. Me sentindo deprimida e sobrecarregada, problemas financeiros, com a família, o trabalho não indo pra frente porque todos estão passando por algum processo pessoal que demanda atenção e tempo. Já bastante fragilizada, acabei entrando em uma discussão em que algo aconteceu que simplesmente me devastou por dias.


Eu tive que gritar.


Eu não grito. Eu posso, numa discussão, levantar a voz, mas isso é diferente de gritar. De perder o controle. Eu não grito.

E existe um motivo para que eu evite discussões e, especialmente, gritar a quase qualquer custo. E é sobre isso que quero falar.

Eu conversei com um amigo sobre o que havia ocorrido e enquanto ele me confortava ele perguntou porque eu fazia isso. Porque eu me segurava tanto. Porque eu aguentava situações que mereciam um grande "Vai tomar no C..." em silencio, ou me controlando. Se as vezes eu não deveria me dar o direito de não me controlar.

E eu pensei, e tentei explicar.


Em 2002, 2003, quando eu tive a minha maior crise que me levou a ser internada, foi um momento da minha vida que eu não tinha nenhum controle das minhas emoções. Tudo era demais, intenso demais, forte demais, dolorido demais. Eu sentia uma dor dentro de mim que eu não sou capaz de descrever. Uma vez eu me referi a ela como "uma dor na alma" e já ouvi essa descrição de outras pesssoas. 

Era insuportavel. Eu me sentia presa naquela dor. Eu sentia a necessidade de me machucar fisicamente para tentar colocar pra fora de mim a dor que eu sentia por dentro. E quando eu perdia o controle, naquele momento, tudo aquilo, toda aquela dor, me dominava, eu tremia, chorava, e sentia que não podia suportar aquilo tudo.


Mas eu faço tratamento desde então e eu nunca mais tive uma crise igual a essa. Mesmo. Tive outras crises mas nunca mais cheguei tão fundo.


Mas tem esse porém. 

Eu vivo me controlando o tempo todo. O tempo todo. Existe esse fantasma que me segue e com o qual eu convivo todos os dias de saber que um dia isso pode sim acontecer de novo. E me controlar foi o meu jeito de aprender a lidar com as crises mais leves que vieram e administrar meus sentimentos de novo.

Mas discutir é uma coisa complicada, né? Como discutir sem sentir a emoção ficar mais forte? Sem se exaltar?

Pois eu tento. Muitas vezes consigo. Mas é um exercício. E determinação.

E eu não grito.

Porque quando eu grito, se eu cheguei em um ponto da discussão em que eu acho que eu preciso gritar - muitas vezes não para agredir, mas na tentativa de chamar a atenção da outra pessoa, dar um susto, de forma que a pessoa preste atenção em mim e volte a me ouvir - essa intensidade me leva de volta aquela dor. Aquela intensidade que eu sentia antes do tratamento. Eu sinto a dor correr o meu corpo denovo durante os minutos que eu me permito gritar e sentir isso. 

Doi. Doi muito. Eu começo a tremer, eu sinto que perco o controle do meu corpo, de mim mesma. E doi.

E uma das coisas que eu sinto, hoje, que me mantém, é que eu me amo muito. Eu amo muito a minha vida. E ninguém merece a minha dor.


Ninguém merece a minha dor.

Então eu não vou dar isso de graça a qualquer um. Me custa tanto, me custa demais. E eu não vou ceder a minha integridade pra quem não merece 1/10 de mim.


Ninguém merece a minha dor.


E ter conseguido externar esse sentimento, essa certeza, foi algo... Libertador.

Eu me sinto mais em paz comigo mesma de ter consciencia disso. De ter conseguido racionalizar e explicar e poder falar sobre isso, hoje, quase 20 anos depois.


Acho que é uma mensagem importante: Se ame. Se ame muito. Se priorize. Seja a pessoa mais importante na sua vida. Você merece o seu proprio bem.

Ninguém merece a minha dor porque EU mereço o melhor de mim.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Setembro Amarelo - Sobre como eu comecei meu tratamento

 O Setembro Amarelo é uma iniciativa de ações para aumentar a consciência e as politicas e cuidados em prevenção ao suicidio.

Eu já contei aqui antes sobre partes da minha vida. Sobre como fui diagnosticada pela primeira vez muito cedo, ou de como decidi que queria ser mãe e como o tratamento correto me permitiu fazer isso.

Depois de pensar a respeito por algum tempo eu achei que contar um pouco sobre a crise que me levou a finalmente buscar tratamento de verdade, antes de eu pensar que queria ser mãe, era importante. Especialmente durante o Setembro Amarelo.

Apesar de ter tido meu primeiro diagnóstico muito cedo, aos 13 anos, como PMD - Psicose Maniaco Depressiva - que era como o Transtorno Bipolar era chamado na época. (Sim, faz bastante tempo!) eu só comecei a me tratar de verdade aos 21 anos. Durante toda minha adolescência eu encarava minhas mudanças de humor como parte de quem eu era, como parte da minha personalidade. Muitas vezes como falhas - como a dificuldade de terminar o que eu começava, por exemplo, ou minha insônia e incapacidade de dormir e acordar cedo. - e coisas de adolescente.

Em 2002 algo acontceu que mudou muito minha vida. Minha avó por parte de pai, Angelina, morreu um dia antes do aniversário do meu pai. Na época eu trabalhava fazendo clipagem - uma coisa que não existe mais hoje em dia - e acordava as 4h da manhã para trabalhar. Minha vó tinha cancer de pancreas e todos sabiamos que ela não tinha muito tempo. Naquele dia, as 5h da manhã enquanto eu trabalhava, o telefone tocou e eu atendi. Minha tia, com a voz embargada, me pede para dizer ao meu pai que minha avó falecera.

Ainda hoje eu choro ao lembrar disso.

Eu, chocada, meio desesperada, ouço meu pai descendo as escadas da casa, e chamo ele quase gritando. Digo para minha tia, sem saber o que fazer, para ela contar a ele. Ele vem rapido para o meu lado, preocupado, pergunta o que aconteceu. Eu, já em prantos, entrego o telefone e digo "é a vó".

Dali em diante algo mudou.

No fim de semana anterior meu pai havia ido ver minha vó, se despedir, e me chamou para ir junto. Ele disse: "Di, vamos ver sua avó. Ela não tem muito tempo..." ou algo assim. Era um domingo de manhã, eu havia dormido depois de amanhecer e não queria acordar e sair e respondi: "não, hoje não, eu vou na semana que vem..."

Só que a semana que vem nunca chegou. E eu não conseguia lidar com a culpa.

A partir dai eu comecei a ter crises de depressão e mania cada vez mais frequentes. Eu ciclava com muita rapidez. Saia todos os fins de semana, bebia muito. 

Por mais que coisas boas tenham acontecido naquela época, a forma como eu lidei com essas coisas foi totalmente norteada pela crise profunda que eu estava. Tudo era muito intenso, tudo era muito forte, confuso.

Naquele ano nós tivemos nosso primeiro relacionamento poliamoroso, ou era assim que eu entendia. Saimos da casa dos meus pais para morar juntos exatamente quando eu perdi meu emprego. Ao mesmo tempo que as coisas pareciam ótimas as crises iam piorando. O relacionamento se deteriorava junto comigo e isso fez com que a maioria das pessoas entendesse que era o relacionamento que me fazia adoecer e não o contrário. Na época não entendiamos o que estava acontecendo.

Depois de quase um ano da morte da minha avó eu estava no fundo do poço. A dor que eu sentia dentro de mim era insuportável. Eu tinha episodios de auto flagelo que eu não tinha desde os 13 anos. Eu não conseguia dormir, passava 72h acordada para dormir 4h e depois passar mais 72h acordada. A velocidade dos meus pensamentos era tâo grande que eu mesma não conseguia acompanhar e ter uma linha de raciocinio logico, terminar um pensamento sem entrar com outro no meio. Sentia que no trabalho eu era a unica capaz de resolver problemas que existiam há anos, de forma simples, por que eu era capaz de pensar coisas que ninguém havia pensado antes. Fazia planos mirabolantes para tudo ao mesmo tempo que a dor me dominava e eu chorava por horas. Com medo do relacionamento acabar, porque eu sabia que estava quase impossivel de conviver comigo, eu tinha discussões e mais discussões, suplicava para não ficar sozinha.

Até que em algum momento, num dia igual qualquer outro, eu consegui dormir um pouco mais. E quando acordei, com a mente mais clara do que havia estado no ultimo ano inteiro, eu tive um insight. Eu entendi o que estava acontecendo comigo.

Durante toda a minha infância eu convivi com a minha mãe, primeiro com crises devido a sindrome de panico, e depois com ela em tratamento e melhorando. Eu sabia que eu tinha esse diagnostico desde pequena, eu apenas não havia dado bola pra ele. Mas naquele dia, naquela manhã, eu entendi que tudo aquilo que eu sentia, toda a dor, toda a angustia, toda a agitação, tudo, eram sintomas de uma doença. E que se era uma doença então ela tinha tratamento. Eu entendi que eu poderia ficar bem, que eu podia não sentir tudo aquilo. Eu entendi que eu podia ficar bem...

Eu liguei para os meus pais e pedi que eles averiguassem no livro de referência do meu convênio que eu havia deixado na casa deles o telefone de um psiquiatra. Expliquei o que estava acontecendo, que eu sabia que estava doente e que eu precisava de ajuda, Eles prontamente me ajudaram, me arranjaram o telefone e eu marquei a primeira consulta.

Não foi um começo fácil.

A psiquiatra era muito competente, referência em tratamento de transtornos afetivos fui saber depois, e ela teve muito cuidado antes de fechar o diagnostico.

O que eu aprendi desde ali é que quando chegamos ao psiquiatra pela primeira vez, geralmente em crise, eles fazem uma avaliação durante algumas consultas onde eles analisam não apenas o que falamos, mas como nos comportamos e qual a reação que temos com a medicação inicial que eles passam. Ela trabalhou com algumas hipoteses de diagnostico até fechar com o Transtorno Afetivo Bipolar, ou Transtorno Bipolar de Humor. Na época eu apresentava um quadro de neurose e ansiedade também.

O tratamento começou, começamos testando alguns medicamentos. O importante, inicialmente, ela dizia ser retomar meu sono. Eu precisava dormir. Mas mesmo com a medicação eu não conseguia.

E o cansaço me dominava. E por consequência o desespero.

Eu cheguei a usar maconha como forma de relaxamento para ver se isso me ajudava a dormir. Deixei de usar quando vi que nem isso funcionava.

Com os remédios na minha mão, e com tudo a minha volta ruindo, tudo que eu queria era poder descansar. E fazer as pessoas a minha volta pararem de sofrer por minha causa.

Eu comecei a sair de casa para escrever e respirar. Ia para a padaria perto e ficava lá por horas, sem vontade de voltar para casa. A noite, na hora de dormir, eu exagerava nas doses da medicação para ver se isso me faria dormir por mais tempo e eu finalmente poder descansar.

Até que eu comecei a não sentir nada. Apenas cansaço. Eu só queria descansar.

Nesse dia eu tinha consulta com a psiquiatra. Eu relatei tudo isso para ela. E, melhor do que eu, ela entendeu para onde aquele caminho estava me levando.

E ela pediu a minha internação.

Eu concordei. Eu entendia que estava doente e eu confiava nela. Mas quando ela disse: "Traga seus pais amanhã, vou explicar para eles, e vamos internar você essa semana" eu disse que não "não, essa semana não, eu tenho muitas coisas pra fazer ainda". Ela disse "não é assim que funciona, Adriana. Você pode fazer tudo depois. Agora você precisa se tratar".

E, sabem de uma coisa?

Ela tinha razão.

Eu levei meus pais, meu namorido, e todos entenderam o que precisava ser feito e o que iria acontecer se eu não fosse internada naquele momento.

Eu passei 14 dias no hospital. A maior parte do tempo eu dormi. Eu tomei doses altíssimas de remédio, controladamente, para que eu dormisse o maximo de tempo possível.

Todos os dias a medica ia me ver, assim como meu psicólogo, e ela me questionava sobre como eu me sentia. Especialmente se os pensamentos de morte haviam desaparecido.

Nos primeiros dias eu nem entendia a pergunta direito. Eu achava estranho, porque eu só queria descansar. Mas conforme os dias passavam e eu dormia mais e meus pensamentos ficavam mais claros, eu entendia porque ela havia me internado.

Ela tinha visto o risco que eu estava, silenciosamente, me colocando. Ela tinha experiência para ver o que esses sentimentos de cansaço, de culpa, de desespero, de inadequação, iriam me levar.

Eu acho, olhando hoje, que ela tinha razão.

Mas ela me resgatou. Me internou num momento que sozinha eu não era capaz de sair daquele buraco escuro. E isso foi a luz que eu precisava. 

Eu sai do hospital direto de volta para a casa dos meus pais. Na época eu não sabia, mas eu continuava internada em internação domiciliar. Eles eram responsáveis por mim. Eu não podia ter acesso a minha própria medicação, eles eram responsaveis por me dar cada remedio nos horarios corretos, garantir que eu tomava todos, que eu dormia, e que iria em todas as consultas com a psiquiatra, a cada 15 dias, e no terapeuta semanalmente.

Foram mais 6 meses assim. Eu lembro de flashes dessa época. Lembro que eu tive que reaprender a sentir cada sentimento de novo. Tive que redescovrir quem eu era. 


Mas essa parte da história fica pra outro dia. Por que, a parte mais importante, e eu preciso que você entenda isso, é:

Eu estou aqui. Eu estou bem. Eu tenho uma vida boa, feliz, e satisfatória. 

Eu não estou curada. Eu continuo e sempre terei Transtorno Bipolar. Isso é uma das minhas caracteristicas, uma das partes de quem eu sou. Eu tenho muitas limitações. MAS EU ESTOU AQUI.

Eu tenho algumas oscilações de humor. Mas eu nunca mais tive uma crise tão profunda como essa de 17 anos atrás. Há 17 anos eu fui resgatada de mim mesma. Eu procurei ajuda e eu recebi a ajuda que eu precisava. E por mais dificil que tenha sido, por mais percalços que eu tenha tido no caminho, não desistir do tratamento, persisitir, me permitiu chegar aqui e contar que sim, é possível.

A dor pode passar. Procure ajuda. Consulte um medico, procure fazer terapia com um psicologo, peça ajuda as pessoas ao seu redor que se dispuserem a ajudar. Insista no tratamento. O começo é dificil, demora um pouco para encontrar o seu caminho. Mas é possivel!


Não desista. Você não esta sozinho. E o que eu posso fazer é contar a minha história e esperar que, tendo um exemplo, você possa encontrar a força de buscar a ajuda médica que precisa. Ajuda profissional.

Vou deixar aqui duas informações importantes, o telefone do CVV - Centro de Valorização da Vida, grupo de auxilio e atendimento, e o site da ABRATA - Associação Brasileira de Transtornos Afetivos, onde você encontra informações, e acolhimento a portadores e familiares de transtornos afetivos:

CVV: - disque 188

ABRATA: http://www.abrata.org.br/

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Sobre conviver com um bipolar...

As férias passaram. Aos poucos a rotina vai voltando ao normal. Conforme os dias vão entrando numa certa normalidade, tento encontrar a melhor forma de retomar os posts no blog.

Eis que recebi uma comentários querendo saber sobre como é a relação minha e de meu esposo e como essa relação é afetada pela bipolaridade. E eu achei que era um assunto que merece atenção e um texto mais longo do que uma resposta rápida.

Não vou entrar em detalhes mas espero abordar a questão de como se relacionar com um bipolar de forma que ajude.

Vamos lá:

Quando eu meu marido começamos a namorar eu já tinha recebido um diagnóstico inicial de Psicose Maníaco Depressiva. No entanto eu não fazia nenhum tipo de tratamento com psiquiatras ou terapia, nada.

Não era algo que eu entendia e considerava relevante. Minhas mudanças de humor constantes eram vistas como parte de quem eu era. Não era visto como uma doença e minhas ações e reações não eram caracterizadas como sintomas.

Era uma peculiaridade. Eu era "difícil" e "briguenta", muitas vezes "sensível" ou "exagerada", sempre "instável". Eu era adolescente e estava vivendo uma "fase rebelde".

O próprio termo bipolaridade ainda não era algo difundido nem na comunidade médica e as pessoas não falavam sobre transtornos mentais. A internet ainda era um bebê caminhando e celulares só faziam ligações.

Ok, sou velha.

Eu e meu esposo namoramos por 5 anos até chegar o momento em que eu comecei meu tratamento.

Não sei se teriam sido 5 anos mais fáceis se já soubéssemos que eu tinha uma doença e já fizesse tratamento.

O que eu sei é o que nos vivemos.

Acho que é importante falar que por mais que fosse difícil pra ele lidar comigo durante as crises, também era difícil pra mim lidar com ele.

Pessoas não são fáceis. Pessoas são. Um indivíduo tem diversas características pessoais que o tornam único, algumas positivas e outras não tanto. A bipolaridade é uma característica médica, como seria ter diabete, pressão alta, ou outra enfermidade que requer tratamento.

Dito isso, eu entendo que não é fácil.

Quando meu namoro começou meus amigos não acreditavam que o relacionamento duraria muito tempo. O fato de eu ser volúvel e inconstante os fazia acreditar que eu enjoaria do relacionamento em 1 ou 2 meses.

Claramente não foi o que aconteceu.

Mas um fator determinante para isso é que eu não estava vivendo nenhuma crise aguda naquele momento. Eu estava relativamente bem e isso se manteve por muito muito tempo. Não que eu não tivesse alterações de humor, mas elas eram administráveis e passavam apenas como uma personalidade forte.

Eu acho que com relação a minha bipolaridade nosso verdadeiro teste veio em 2002, 2003. Já estávamos juntos há anos e uma série de fatores convergiram para que eu tivesse uma crise depressiva muito aguda, muito grave e que foi a que me levou ao tratamento, a uma internação e uma mudança completa na minha vida.

E acho que quem me perguntou deve conhecer alguém talvez com um caso como o desse momento.

Eu sei o que eu vivia dentro de mim e sei o que meu esposo e família me contaram sobre como foi viver comigo naquela época.

Eles não eram perfeitos, mas posso dizer que o apoio de todos que escolheram se manter próximos foi essencial para o sucesso do meu tratamento.

Agora, não foram todos os meus conhecidos que conseguiram lidar com isso.

Pessoas que eu gostava muito se afastaram de mim, alguns para se preservar, outros por não querer a responsabilidade, e outros apenas porque eu deixei de ser uma companhia agradável.

Meu marido pensou em me deixar mais de uma vez. Meus pais tinham medo do que podia acontecer. Minha irmã sentiu raiva em alguns momentos.

É muito difícil você ver uma pessoa que você gosta ser tomada por um sofrimento que não pode ser medido ou demonstrado, difícil de ser entendido.

Quando é possível saber se aquela reação foi real ou foi por causa da doença? Será que se aceitar um comportamento ou uma ação que teria sido motivada pela crise você não estaria dando justificativas e desculpas para a pessoa bipolar usar quando convir mesmo fora da crise?

Meus pais, minha irmã e eu sempre fomos muito próximos e muito ligados e temos essa ideia de fazer tudo pela família.

Um relacionamento amoroso não tem essa premissa. Pode ter a promessa romântica, mas não a premissa. Porque se relacionar com alguém é uma escolha. (Ou deveria ser)

Então eu entendo que meu esposo, na época namorado, fez uma escolha consciente de ficar comigo. Antes e durante e depois da crise.

E ele teve que se relembrar disso muitas e muitas vezes ao longo dos 20 anos que estamos juntos. Ele faz essa escolha todos os dias ainda hoje.

Se ele sente raiva de vez em quando? Claro que sente. Se brigamos? Sem dúvida. Quase nos separamos diversas vezes.

No fim, quando a poeira abaixa e estamos mais calmos pra pensar e conversar sempre decidimos continuar juntos.

Mas olha, não é pra todo mundo.

E tudo bem.

Tem algo muito importante que é base fundamental para tudo ter dado "certo" até hoje: querer melhorar.

Quando eu tive a tal crise em 2002 eu tive um momento de clareza que me fez entender o que eu estava vivendo e sentindo como parte de uma doença e isso foi algo transformador.

Porque doenças podem ser tratadas e administradas. É possível viver bem. Eu não precisava passar por tudo aquilo, eu não precisava viver daquele jeito e nem ser aquela pessoa. Eu podia melhorar.

Eu acredito que o fato do meu marido ter ido comigo ao médico, ter conversado e aprendido o que estava acontecendo comigo, ter meu terapeuta dando a ele ajuda e dicas do que esperar e o que caracterizava a doença fez diferença na descisão dele de ficar do meu lado e me ajudar.

Ele acreditou em mim. Ele entendeu que era uma doença. Ele acreditou que aquilo podia mudar. E eu, do meu lado, me comprometi a seguir o tratamento.

E olha, não foi fácil nem rápido. Eu cheguei a abandonar o tratamento após uma perda e retomei e me mantive no mesmo porque eu decidi ser mãe e a única forma segura de fazer isso era alcançando uma estabilidade que eu nem sabia como era.

Mas eu queria ficar bem. Eu queria melhorar acima de tudo. E eu sabia dentro de mim que isso era possível porque eu já tinha visto isso acontecer com outra pessoa.

Vamos pular muitos anos pra frente.

O blog me permitiu aprender muito e conhecer muitas pessoas. Muitos conhecidos da minha adolescência apresentaram ao longo dos anos algum tipo de transtorno, seja a bipolaridade seja ansiedade, pânico, etc.

Uma coisa que eu aprendi é que ninguém está a salvo de um dia viver uma crise de algum transtorno mental. Uma pessoa que nunca teve nada pode ter uma depressão pós parto. Ou uma depressão profunda ao tentar migrar para outro país. Ou um transtorno de pânico devido a pressão irreal de um trabalho infeliz.

E todas elas podem precisar de ajuda.

Mas a gente só pode ajudar quem quer ser ajudado.

E a gente só consegue ajudar outra pessoa se a gente estiver bem.

É possível adoecer por tentar ajudar alguém que se recusa a seguir um tratamento.

O mundo não para de girar esperando a gente ficar bem. Nem existe atestado de afastamento pra ficar junto com o amigo ou amor que não está bem e precisa de companhia ou supervisão.

Você não deixa de se ofender ou se magoar porque você sabe racionalmente que aquela pessoa não tem controle do que está fazendo ou falando.

Não é culpa de ninguém. Nem do doente nem do companheiro. Só é.

Se a pessoa não quiser se tratar ela vai ter ações para boicotar o tratamento. Consciente ou inconscientemente.

Agora, como pessoa bipolar, eu sei como é difícil aceitar que você não vai tratar só a crise. Que o que você tem é uma doença crônica e que para alcançar e manter-se sob controle você vai precisar se tratar para o resto da vida.

Cara, o resto da vida é muito tempo.

E o caminho pra alcançar a estabilidade é muito lento. Você começa o tratamento muitas vezes sendo dopado. Você precisa interiorizar e aceitar que muito do que você achava que era algo que te definia na verdade era um sintoma de uma doença e que pra ficar bem você vai ter que abrir mão do que você sabe sobre você e passar por um longo processo de reaprender e redefinir a si mesmo.

Você vai tentar diferentes remédios e diferentes doses e combinações antes de encontrar algo que te faça mais bem do que mal. Vai passar meses e anos, no começo duvidando de si mesmo e depois recuperando sua auto estima.

Quem estiver do seu lado vai escolher estar ali.

Então, acho que depois de tudo que eu contei e disse, quero terminar com um:

Vale a pena.

Fazer o tratamento vale a pena. Insistir, lutar, vale a pena. O que você ganha é muito mais do que você deixa para trás.

Ninguém merece sofrer.

E se você for a pessoa que está próximo de um bipolar vivendo uma crise, força.

Ninguém pode fazer a escolha de ficar por você. Eu espero que você faça a melhor escolha pra você e pra quem você ama.
Que vocês encontrem paz e felicidade em suas vidas. Eu não sei qual escolha vai ser essa. Nem sempre o melhor pra mim vai ser o melhor pra você. E tudo bem.
Mas eu te aconselho a fazer isso de forma honesta e calma. Sem culpa ou pressões.
O caminho de cada um é de si mesmo.
Nos podemos apenas escolher caminhar lado a lado, ou não.

Espero ter ajudado vocês a pensar sobre isso.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Sobre rotina e segurança

Antes de começar meu tratamento para bipolaridade eu abominava a ideia de rotina. Sei que muita gente, especialmente jovens, acham a ideia de rotina algo impensável.

Como se ater a fazer as mesmas coisas todos os dias do mesmo jeito?

Mas a verdade é que não entendemos a ideia da rotina no nosso bem estar.

Tomar remédio todo dia no mesmo horário, por consequência, era um desafio real. E complicado adotar um tratamento de longo prazo se você não sabe nem onde vai estar todas as noites, não é?

Mas eu olho pra trás e penso que eu subestimava o bem que a rotina podia fazer por mim, e superestimava a minha "falta de rotina".

Nos primeiros meses do tratamento, la em 2003, eu não conseguia seguir horários muito regrados, esquecia de tomar os remédios, desobedecia instruções médicas e tomava doses extras quando achava que devia. Era um comportamento perigoso, e que intensificou a necessidade de uma internação.

Vou contar pra quem chegou agora que naquele momento eu fui internada, fiquei 14 dias no hospital onde tive um tratamento intensivo e foi quando eu considero que realmente meu tratamento começou a funcionar.

Durante a internação eu fiz o que não conseguia fora do hospital: dormir. Sai de uma rotina, que eu não sabia que tinha pois não era voluntária, de passar 72h sem dormir para dormir 6h e depois mais 72h acordada, para dormir o dia todo enquanto estava no hospital devido a medicação.

E era exatamente o que eu estava precisando.

Dali em diante, anos para frente, muitas coisas aconteceram, idas e vindas, troca de remédios, de medicos, mas uma coisa foi sempre priorizada: dormir. Se começo a oscilar demais a primeira reação é dormir mais e melhor por alguns dias.

Quase como dar um reboot no cerebro.

Depois que tive a Rebeca eu entendi e adotei a rotina como parte integrante da minha vida.

Se antes eu já havia me entendido com a rotina da medicação, a maternidade me ajudou a fazer as pazes com os horários e com atividades e comportamentos repetitivos.

Rotina, eu descobri, é o que nos faz sentir em casa. Nos faz sentir seguros. É a ação que fazemos sem precisar de esforço e que nos permite prever os acontecimentos. E saber o que vai acontecer nos permite relaxar.

Num mundo que nos mantém ligados o tempo todo, atentos, de prontidão, que nos cobra atenção constante e em uma cidade onde a sensação de segurança falha, ter esses momentos de paz são essenciais para manter nossa sanidade.

Num mundo louco a sanidade é ouro.

Num mundo louco a rotina pode ser nossa âncora de segurança.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Sometimes...

I'm not feeling bad all the time.
And I'm not happy all the time either.

Being bipolar is not about being sad or happy. It's not about that normal Mood swings everybody has several times a day.

It's about living in a rollercoaster inside your own mind. It's about being overwelmed by the smallest things. It's about depression, and the kind of pain you can't hope to describe how hard it is to just
 breath and be.

Being bipolar is about thinking too much, too fast, too big. It's going in this loop of thoughts that you know makes no sense racionaly and yet you don't seen to be able to make It stop. You Just can't stop.

Sometimes it's so exausting that you feel you could sleep for days. But you don't. You close your eyes and the thoughts get stronger, more real, more scary, more. When you finaly manage to sleep you wake up after Just a few hours. You still tired, but staying in bed seen Impossible.

Sometimes your so happy and has so much energy It feels you could do anything.
And as fast as a heartbeat, It fades away and you feel miserable again.

You feel you can't Trust yourself, why Others should? Why they shouldn 't?

And sometimes you Just feel ok. Normal.

It doesnt have to be like that.

Bipolar disorder is a treatable illness.
There are several treatments.
They are hard,  because It Takes time for then to really work. Months, years.
Yes, It needs commitment.
You start to see a diference in feel weeks, but the treatment need ajustment. But it's worth It.
Terapy helps a Lot. Like, really, a Lot.
You nedd to be patient, and I know it's hard to be patient when we are in pain.

But is worth It.

I'm in treatment now for 15 years.
I still have my ups and downs. I had a Lot of downs the last few years. But is nothing compared to How It was before the treatment.

Sometimes the days are bad.
Sometimes they are better.
Sometimes I'm Just ok.

Sometimes It rains.

Sometimes...


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Sobre Depressão, e a batalha de viver todos os dias.

Eu faço tratamento para Transtorno Afetivo Bipolar há aproximadamente 13 anos. Quando eu iniciei o tratamento eu já sabia que possuía a doença há alguns anos, mas tanto por minha imaturidade quanto pelo falta de conhecimento de minha família, só iniciei o tratamento realmente aos 21 anos durante uma crise de depressão e ciclotimia muito severa.
Depois de aproximadamente 2 meses de tratamento medicamentoso e terapia, sem um avanço efetivo do tratamento, a médica responsável pelo tratamento na época decidiu ouvir meu apelo e solicitou minha internação. Internação essa que eu sei ter sido decisiva naquele momento da minha vida e no sucesso do tratamento todos esses anos.

Eu troquei de médica duas vezes depois disso, sempre por motivos financeiros. O tratamento para bipolaridade é caro, os remédios são de uso continuo e nem sempre a mesma substancia vai ter o mesmo efeito vindo de laboratórios diferentes, e você pode ter que pagar mais caro para ter o retorno necessário. Mas eu continuo aqui, muito e talvez principalmente, pela minha própria capacidade de entender e racionalizar a doença.

Essa característica pessoal foi o que me tornou capaz de mesmo em meio a uma crise aguda, aos 20 anos, ser capaz de entender que o que eu vivia não era real e sim uma série de sintomas de uma doença que poderia e deveria ser tratada.
Foi o que me fez persistir com um tratamento que inicialmente me deixava dopada e incapaz de me reconhecer, por saber que era a persistência nesse tratamento e a confiança naqueles ao meu redor que buscavam a minha melhora que iria me fazer passar por aquilo e voltar a ser eu mesma novamente.
Foi o que me fez ter paciência para esperar um momento oportuno para dar uma pausa nesse mesmo tratamento, e com orientação e acompanhamento, buscar um sonho de longa data, o de me tornar mãe.
Foi o que me fez entender que era mais importante ser uma mãe sã, não apenas de corpo, mas da mente, do que manter um comportamento ou uma atitude que pudessem parecer socialmente corretos mas que ao serem colocados na lente que mostrava a minha vida, não eram aplicáveis.
Foram essas características, não, foram não, são essas características que me peritem sentar e avaliar cada decisão que eu tomo, buscando um equilíbrio que para muitos pode parecer utópico ou até mesmo desestimulante, mas que para mim é vital. E que as vezes eu terei de abrir mão de certas coisas, ou adaptá-las a minha realidade.

Eu não deixei de ter Transtorno Afetivo Bipolar. Eu não deixei de ter crises de depressão, ou de mania. Mas hoje elas são raras perto de como minha vida foi um dia. Hoje eu sou capaz de identificar cada uma dessas fases, normalmente brandas mas que quando alimentadas por um gatilho podem vir tão fortes quanto um furacão, e tão repentinas quanto também. E sou capaz de tentar tomar o que eu acredito serem as melhores decisões para lidar com cada uma delas.

Infelizmente não são todos os que tem essa sorte.

Eu perdi um amigo ha duas semanas atrás para a depressão. Ele lutava sua própria batalha, e uma noite não diferente de tantas outras, ele perdeu a luta. Da janela de sua casa ele encontrou um final para sua história, deixando para trás apenas a dor e a saudade de todos os que o amaram.

Ele não era mais fraco, nem nada do gênero. Ele não era burro, ou covarde. Ele era uma das pessoas mais inteligentes e sagazes que eu conheci. Era gentil e bondoso, e buscava uma carreira em uma área de pouca atuação no Brasil, com o sonho de buscar seu lugar lá fora. Mas em algum momento algo quebrou dentro dele, e eu sei exatamente o que é sentir isso. E eu sei que cada dia a partir dai ele lutou, a cada vez que el acordava para cada hora que ele conseguia dormir, ele lutou.

A depressão é uma doença muito injusta por que ela engana não apenas aqueles que convivem com ela dentro de si mas aqueles que convivem com o adoecido. Eles não podem vê-la, ou senti-la, e é algo tão difícil de compreender que muitas vezes ela é minimizada. Por que ela ataca pessoas que amamos de uma forma muito forte, e os machuca de uma forma que muitas vezes não sabemos como ajudar, e nossa, como é horrível ver alguém sofrer e não poder ajudar!

Eu infelizmente não posso fazer meu amigo voltar. A luta dele já acabou, e agora me resta honrar sua memória continuando a viver. Continuando a lutar. E se eu puder, ajudando a luta de outras pessoas também.

Existem muitas pessoas no mundo que hoje lutam uma batalha sobre a qual não sabemos nada a respeito.
Sejamos gentis, sempre.

E se você tiver contato pessoal com alguém que esta sofrendo, ou que você suspeita que possa estar sofrendo, de depressão, ofereça ajuda. Ajude-a a buscar informação. Esteja presente. As vezes apenas estar lá já é tudo o que uma pessoa precisa.
E se for você a pessoa, saiba que você não esta sozinho.
E que isso é uma doença, e que ela tem tratamento. Ele é lento, mas funciona. E você pode e vai se sentir melhor.
A dor não dura pra sempre.
Isso vai passar.
Apenas continue a nadar.
Um dia de cada vez.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O que faz bem a gente mantém!

Minhas postagens estão ficando um pouco escarças, eu sei. A verdade é que não tenho tido muitas idéias de posts. Não que nada aconteça, também não é assim. Mas como não tenho costume de anotar em papel os acontecimentos no momento em que estão acontecendo, as coisas se perdem e eu acabo esquecendo e não escrevo como poderia.

Ai fico escrevendo sobre os problemas e me sinto repetitiva e chata. Ninguém quer ler apenas sobre os problemas dos outros.

No fim me lembro que esse blog é para falar sobre mim, sobre a maternidade e sobre a bipolaridade, sobre a Beca. Pra falar, sabem? É meio que uma conversa entre eu e vocês ai do outro lado, que falam comigo pelos comentários.

Ai no fim volto e falo dos problemas por que, afinal, eu estou passando por um momento difícil.

Ando tão cansada dessa repetitividade que acabo preferindo descansar a mente assistindo um filme, uma série de tv. E ai, os posts ficam assim, meio perdidos, meio vagos...

Então hoje vou falar com vocês exatamente dessa coisa do conversar. E nem se enganem, vou reclamar um pouco mais pois é uma das coisas que faço de melhor!

Apesar das dificuldades que estamos passando por aqui eu faço questão de ter uma vida social. Dei uma maneirada leve nas minhas saídas mas não extingui totalmente minha vida social pois sei que pra mim, pro meu bem estar mental, ter uma vida social ativa é essencial. Eu diria que é quase um remédio. Talvez mais do que quase...

Me manter ativa, vendo os amigos, saindo pra ir ao cinema ou à casa de alguém, participar das comemorações que posso, tudo isso mantém a minha cabeça no lugar. É o momento em que eu respiro de toda a confusão que existe dentro de mim. Por que estou medicada e estável mas isso não impede que a cabeça gire várias vezes no mesmo lugar. Sou extremamente suscetível aos acontecimentos que pra muita gente passariam batidos, a conversas e comentários. E isso pode virar uma bola de neve que, se não parada a tempo, causa um estrago bem grande. E é aí que minha vida social entra.

Quando penso nas coisas que posso aceitar diferentes na minha vida - casa, convênio, tratamento, médico, escola, trabalho - essa questão que pra tanta gente entra na parte dos supérfulos pra mim fica no outro canto da lista, na parte dos essenciais.

Já falei aqui que apesar de gostar muito da escola da Rebeca e dar preferência por mantê-la lá onde ja esta feliz e bem adaptada, se conseguirmos uma vaga na escola municipal perto de casa é pra lá mesmo que ela irá. Aceitei esse fato dentro de mim, de que meus filhos (por que ainda quero ter pelo menos mais um, vocês sabem) irão estudar em escola pública e que tirar o melhor proveito disso, suprindo algumas necessidades que esse modelo de ensino não possa, irá depender de mim. E tudo bem, posso conviver com isso.

Trocar o convênio por outro mais em conta também é uma decisão tomada. Não vai acontecer agora visto a necessidade iminente dos serviços, mas quando for possível, eu já tiver cuidado de mim e do marido e nossa saúde estiver em ordem vai acontecer sim.

Mas ficar em casa sem receber ninguém, sem ver os amigos, não sair pra ver pessoas, um cinema, um almoço, um sorvete? Isso eu já sei que não posso ficar sem.

Minhas piores crises depressivas estão intimamente ligadas a momentos de reclusão e ao sentimento de solidão. A pior parte da minha gravidez não foram as dores que eu sentia diariamente. Não. Foi ter ficado sozinha, isolada, por causa do meu medo e o medo dos meus amigos. Por mais que eu tenha evitado estress nessa época isso me fez ficar sozinha demais e foi sorte eu não ter ficado mais deprimida. Sorte não, foi a presença da Rebeca mesmo...

Mas hoje em dia, há 2 semanas do aniversário de 3 anos da minha filha, não estou mais sozinha. E me isolar por causa dos problemas seria um erro. Seria correr um risco que causaria muito mais transtornos e gastos do que os que eu tenho mantendo uma vida ativa.

E vocês, do que não podem abrir mão para ficarem bem?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Dia ruim

Ontem foi um daqueles dias ruins, sabem?

Aconteceu uma coisa muita chata, bem desagradável mesmo, e eu fiquei mal. Fiquei triste, chateada, com raiva. Mas me fez ver que as mudanças que eu preciso aceitar e fazer na minha vida nesses tempos de dificuldade e estou adiando não precisam mais ser adiadas. It is time!

Eu estou num momento bom, de estabilidade. Minhas dificuldades estão diretamente ligadas ao meu sono - quando durmo bem e o suficiente fico numa boa, quando durmo mau fico de mau humor e irritada, mas nada diferente, eu acho, que uma pessoa sem TBH.

Eu não posso dar detalhes do que aconteceu por que com isso iria expor pessoas e esse é o tipo de coisa que temos que tomar cuidado quando temos um blog. Hoje eu sei disso e muito bem depois de já ter tido que lidar com casos pessoais de bullying virtual vindos, mesmo que sem intenção, da minha pessoa anos e anos atrás. Então, me calarei nesse sentido. Mas fiquei mal de verdade...

Hoje, com isso, estou tendo um dia "mais leve" no sentido de estar me dando o meu tempo. O marido colaborou me deixando dormir até tarde, meus pais também ficando com a Beca até a hora de ir pra escola e procurei fazer coisas para relaxar, que me dão prazer.

Passei o dia pensando nessas mudanças que "tem que acontecer".

A escola da Rebeca já mandou os papeis para rematrícula dela pro ano que vem, oferecendo para facilitar o pagamento da primeira parcela da anuidade. Eu olhei o papel com um pouco de receio. Receio por que um lado meu não consegue ficar numa boa com ela sair de lá. Mas faz parte das coisas que "tem que acontecer". Mas não consegui devolver o papel assinalado com "não efetuarei nova matrícula"...

A minha esperança é que pro ano que vem ela consiga uma vaga na escola Municipal aqui perto de casa, mas essas coisas não tem como saber com antecedência e eu tenho medo de ficar sem a vaga na escola municipal e nem na escola que ela está agora.

Se eu conseguir manter ela nessa escola por mais 1 ano, no entanto, sei que ela tem uma vaga com bolsa em outra escola grande, mas só a partir do pré-escolar.

Além dessa, outra mudança muito significativa é que devo passar a fazer meu tratamento para TBH pelo CAPS aqui de Osasco. Ainda não fui marcar a primeira consulta, o que deve acontecer amanhã, mas essa faz parte das outras coisas que "tem que". Não tenho há muito tempo condições de manter o tratamento particular como venho fazendo nem bancar o custo dos remédios. Protelei o máximo que pude mas chega uma hora que a ficha cai e eu percebi, finalmente, que esse é um tratamento que eu farei a minha vida toda! Como bancar um tratamento pra vida assim, sempre na duvida se vou ter como bancar, sempre precisando depender dos outros para comprar remédios, pagar médicos, ter onde morar? Não dá mais pra me enganar...

Por fim,Taz está com os exames pré-operatórios marcados para fazer a vasectomia. Queremos aproveitar o convênio atual para bancar essa e outras pendências de saúde para poder trocar por um plano mais em conta. A decisão de fazer a vasectomia foi tomada, estamos ambos de acordo de que queremos sim mais filhos, mais pra frente, e que eles serão adotados. Sendo assim, para que eu não precise viver com as alterações de humor que tomar anticoncepcional me causam ele vai fazer a operação.

Assim que essas pendências de saúde estiverem terminadas nós faremos a mudança de convênio. Essa decisão, além de ser necessária financeiramente, precisa ocorrer para que eu possa me desvencilhar da empresa com a qual mantemos o convênio, começando um trabalho para limpar meu nome mais pra frente.
E, se tudo der certo, para eu poder também abrir uma empresa como Micro Empreendedor Individual para continuar trabalhando com os Cupcakes formalmente!

Enfim, olhando agora, penso que posso ter ficado chateada e realmente mal com o que aconteceu ontem. Mas é preciso ter o pé no chão e tentar manter a cabeça no lugar, aceitando que as coisas que tem que acontecer e que precisam ser feitas irão, na verdade me levar exatamente pra onde eu quero estar, mais uma vez. E que coisas ruins as vezes acontecem mas podem nos ajudar nesse processo do que precisa ser feito.

E aí, o que você acha?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Adivinha? Assopra ai gente!

Eis que o nariz da Rebeca continuava muito entupido. E o mais preocupante e incomodo, a tosse que parecia que ela estava se afogando quando dormia. Uma tosse feia, cheia de catarro, que ela não conseguia para, e acabava, quase sempre, vomitando o que comia.

Ligamos para o pediatra na segunda feira, e ele, preocupado, pediu que a levassemos ao consultorio ontem, terça, no primeiro horario que ele atenderia, nocomecinho da tarde.

Chegamos la e apesar de cheio o consultorio, ele nos atendeu primeiro, de forma que passassemos o menor tempo possivel la e a Beca não passasse catapora pra ninguem.

Entramos na sala, contei que ela estava um pouco melhor, que a febre não dava as caras a 2 dias e que ela estava mais animadinha e se interessando em comer algumas coisas. Mas, que o nariz continuava super entupido, e a tosse estava muito ruim, muito carregada e que estavamos preocupados, ate por que ela acabava vomitando e nos não dormindo.

Ele então foi escutar o pulmão dela e em poucos segundos mudou de expressão.Ficou serio, com um semblante preocupado. Ficou escutando mais um pouco e depois disse:

- Olha, o pulmão esquerdo dela esta cheio. Quero que voces saiam daqui, euvou fazer um pedido de raio x de emergencia, voce fazem, e voltam pra ca. Isso e muito serio!

E la fomos nos, correndo, fazer o raio x. Nossa primeira tentativa de lugar foi um laboratorio, mas la disseram que o exame demorava 2 dias pra ser liberado, e que o melhor era fazermos no hospital mesmo. E la fomos nos.

Fizemos o exame rapidamente. Comemos um pão de queijo e tomamos um suco pois Rebeca estava com fome, enquanto esperavamos a impressão. E voltamos ao consultorio do pediatra.

Esperamos ele estar disponivel do lado de fora, pra tentar evitar a contaminação, mas rapidamente fomos atendidos.

Entramos, ele olhou as chapas, olhou, pensou, e disse: E, ela esta com uns focos mesmo.

Revisamos o historico dela dessas ultimas 2 semanas. A progressão, os remedios que ela tomou, por que e em que ordem. A coisa e muito seria...

Ele explicou que o que ela tem ja pode ser considerado como bronco pneumonia. Isso ai, pneumonia.

Que acontece em quadros de catapora, apesar de o senso popular ser de que catapora não e uma doença "seria". Que ela ataca a imunidade, deixa a criança sem defesa, e que uma compicação que pode ocorrer e essa, da pneumonia.

Ai falamos do elefante na sala: a necessidade de internação. Eu falei que estavamos com esse medo desde a semana passada e ele, o pediatra, admitiu que ele tambem ja tinha pensado nisso, mas que estavamos tentando evitar fazendo um tratamento agressivo.

O que acontece e que a catapora não ajdou e a rebeca não estava conseguindo reagir e acabou piorando.

Mas decidiu, por fim, dar uma ultima chance de trata-la em casa, jaque falamos que mesmo que timidamente ela começou a apresentar melhora.

Continuamos com o antibiotico, na imalação se incluiu o Berotec e o atrovent, e alem disso ele passou um xarope pra soltar o catarro. E nos deu 2 dias, ate quinta feira, pra ela melhorar.

Faremos um retorno na quinta feira no começo da tarde, faremos mais um raio x, e ela tem que estar melhor. Ou vai ter que internar...

Ele pediu pra ficarmos muito atentos e se ela piorar de alguma forma e principalmente se voltar a ter febre, pra levarmos no PS sabendo que ela pode ja ficar por la.


Aff assopra, assopra


Com a nova medicação e a continuidade do tratamento, Rebeca comeu um pouco mais ontem e hoje. Esta vivendo basicamente a base de danoninho, yogurte, macarrão com manteiga e almondega. Hoje ja consegui fazer ela comer um pouco de arroz, feijão e vagem ao invez do macarrão.

Tambem tomou um pouco mais de leite antes de começar a cochilar no meu colo.

Dormiu melhor essa noite, com menos crises de tosse, e graças, não vomitou. Nada de febre tambem.

E eu to aqui, so querendo que a minha pequena melhore logo e isso tudo fique pra tras, como uma lembrança de que não devemos, nunca, minimizar a ação de uma doença. Que com saude não se brinca, e ponto.

Trago noticias amanhã, espero eu que de casa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pediatra e PS

DAi que demos uma piorada, eu e Rebeca, cada uma pro seu lado.

No meu caso a gripe sismou em não apenas não passar mas me deixar bem mal no fim de semana, a ponto de pedir arrego pros meus pais e pro taz cuidarem da Keca e eu ficar quietinha o maximo possivel. E fiquei tão mal que não aguentei, e resolvi assumir e ir no PS.

La, sem muita novidade. Gripe, sinusite, bacterias malvadas se aproveitando do quadro. Antibiotico por 7 dias. Proximo!

Ja a Beca piorou pro outro lado. A tosse catarrada de fato cedeu com o xarope. O Nariz por outro lado, apesar de melhor, ainda bem ruim e com aquele catarro amarelo, horrivel. Muita manha. E o pior, uma diarreia brava. Vomito. desde sexta. Sem contar que desde que o quadro de gripe começou que ela não tem tido muito apetite.

E com isso tudo, mamãe ja medicada, hoje foi dia de levar a mocinha no pediatra.

Não anunciei cedo pra ela não ficar ansiosa. A Keca ainda tem muito problema com o Pediatra, morre de medo so de falarmos que vamos ao medico. Então, so falei onde a gente ia mesmo, mesmo, depois de estarmos no carro, ja no fim da tarde. E fui explicando pra ela no caminho que o medico não ia maltrata-la, que ele so iria examina-la, ver os olhinhos, o ouvido, a garganta. Que iria pesa-la, e iria conversar com a mamãe pra ajudar e Rebeca a vencer esse dodoi dela que esta fazendo tão mal.

Ajudou, mas não resolveu.

Chegamos la,  fim de tarde, consulta de emergencia no ultimo horario. Viu onde estavamos e se agarrou em mim e ficou choramingando um tempo. eu a acalmei, mas ela não largou. Se encarrapatou de tal forma e ficou tão quietinha que eu ate achei que ela tinha dormido. Ai... Ele chamou, ela ouviu a voz dele, reconheceu e começou a chorar. E chorou a consulta toda.

Mas, o saldo foi positivo, melhor que da ultima vez. Chorou, mas deixou examinar (comigo grudada nela), pesar, medir, tudo.

A proposito, os numeros de hoje são:

peso: 14,150kg
altura: 89 cm

Ganhou 300 gramas, o que era o ideal pro tempo entre as consultas, e cresceu 2 cm, mais que o esperado pra menos de 2 meses entre as ultimas medidas. continua na curva 97... Peso adequado pro seu tamanho.

Ai vem o tratamento...

Ele decidiu que não era uma boa dar antibiotico pra ela agora, com o quadro de diarreia que ela vem apresentando, apesar da situação das vias respiratorias pedir por isso. Então pediu um tratamento topico local, com um remedio tipo antibiotico. Muita inalação, sorine, etc.

Pra diarreia e vomitos, passou dramim pra enjoo, floratil, pedialyte pra refazer a flora intestinal e hidratar.

Perguntei da vacina contra polio e ele disse que como as vacinas dela estão em dia não tem problema perder por causa de doença. QUalquer coisa na proxima vez da, mas não preciso me preocupar, ela ja tem a dose dela.

Perguntei da questão alimentar e ele reforçou que não preciso me preocupar. Primeiro por que a Beca ja e uma criança grande, com peso alto, saudavel. Que é normal ela sentir menos fome por estar doente e eu não tenho que me desesperar e dar qualquer coisa pra ela "por que tem que comer alguma coisa". Que tem que manter a alimentação saudavel, nada de sustagens da vida como eu perguntei, não tem necessidade.

E que crianças tem fases mesmo de comer mais, comer menos, e que contanto que elas estejam ativas, sorridantes e saudaveis, não tem com que se preocupar. O negocio e sempre ir oferecendo os alimentos, varias e varias vezes, e respeitar o momento de cada um.

E por isso, estou de parabens, ja que apesar de todo o dodi da mocinha, ela esta hidratada, feliz, e ate ganhou um pouco de peso. Devo mais e continuar o bom trabalho!

Ta bom, me gabei, mas deixa so dessa vez ta? rs